terça-feira, 7 de agosto de 2018

Sequestro, tortura e morte de menores imigrantes nos EEUU

Por José López – Corriente Obrera, Los Ángeles, California


'Como se fosse uma ditadura militar, pessoas consideradas inimigas do Estado são sequestradas, torturadas e desaparecidas, e isto é o que está ocorrendo com adolescentes e menores de idade imigrantes nos EEUU.


Enquanto na América Latina foram impostos governos militares e regimes ditatoriais selvajemente repressivos e por vários anos para controlar as lutas populares dos povos sem que, apesar de tudo isso, a luta terminasse, e pelo qual se pagou um grande custo, os processos revolucionários que ocorreram, chegaram até onde puderam.

Hoje os imigrantes, em sua grande maioria latinos nos EEUU, praticamente lhes estão aplicando medidas repressivas muito parecidas às que ocorreram durante as ditaduras militares. Assim, já faz um ano, arrebatam-se adolescentes e menores de idade dos braços de seus pais e mães, com o qual se caracteriza um ato de sequestro, levando-os a um cárcere desconhecido -seus pais não sabem onde estão-, estabelecendo com isto um status de desaparecido, criando uma situação de tortura física e psicológica.
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http://kaosenlared.net/secuestro-tortura-y-muerte-de-menores-inmigrantes-en-estados-unidos/

A guerra imperialista contra a Venezuela incorpora os atentados terroristas.

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No contexto geopolítico internacional a potência imperialista, EEUU, perdeu sua hegemonia militar, econômica e política, daí que necessite a recuperação de sua influência na América Latina. Uma influência que, através de governos afins liderados de novo pelas oligarquias nacionais, lhe permita dispor dos recursos que necessita para sobreviver. Esta é uma das chaves que explicam as estratégias de derrocadas dos governos progressistas latinoamericanos e que aparecem detalhados em documentos estadunidenses como o Freedom II -elaborado pelo comando executivo da IV Frota-, ou o manual de golpes brandos de Gene Sharp (golpes institucionais, primaveras ou revolucões coloridas...).
A nova fase da agressão imperialista ao continente latinoamericano conjuga a promoção do fascismo interno das oposições ultraconservadoras com a difusão massiva das declarações de setores de "esquerda" contra os governos progressistas; as declarações a favor dos agressores de instituições como a igreja na Nicarágua, a utilização de mercenários e paramilitares, o financiamento através de ONGs como a USAID ou a NED "promovendo a democracia e a sociedade civil", o uso massivo e sistemático da propaganda através dos meios de comunicação, etc...
(...)'
Texto completo en:
LAHAINE.ORG

Um império genocida



Em 6 de agosto de 2018, cumprem-se 73 anos do lançamento da bomba nuclear sobre a cidade de Hiroshima.

Apesar da propaganda estadunidense sobre a necessidade de utilizar as duas bombas para precipitar o fim da guerra, a maior parte dos dirigentes militares da época consideravam que a rendição do Japão era iminente. Acredita-se que o motivo dos lançamentos foi aterrorizar o mundo para a assentar a hegemonia estadunidense no cenário do pós-guerra.

Neste sentido, o professor de história da American University Museum, Peter Kuznick, relatou à agência de noticias AFP que há documentos desclassificados de 1945, nos quais muitos dos comandantes estadunidenses consideram que lançar a bomba atômica era "militarmente desnecessário, moralmente condenável".

"O uso desta arma bárbara sobre Hiroshima e Nagasaki, não foi de nenhuma ajuda em nossa guerra contra o Japão, os japoneses já estavam vendidos e prontos para a rendição", afirmou o almirante William D. Leahy, o chefe do Estado Maior de Truman, sobre as alegações de Washington com respeito ao uso de bombas atômicas no país asiático. 

Os EEUU é o único país do mundo que utilizou as bombas atômicas e aumenta constantemente seus arsenais atômicos enquanto exige um mundo livre de armas nucleares e impede a outros países inclusive desfrutar da energia nuclear pacífica.

Ramiro Gómez: comunicador latinoamericano de medios alternativos.

Rebelión ha publicado este artículo con el permiso del autor mediante una licencia de Creative Commons, respetando su libertad para publicarlo en otras fuentes. 

segunda-feira, 2 de julho de 2018

O AI-5 da Globo



Por Alex Solnik*
Não satisfeita em autocensurar os conteúdos que seus jornalistas contratados ou colaboradores produzem diariamente para seus jornais, revistas, sites, rádios e emissoras de TV espalhados pela web e por todo o Brasil, a Globo decidiu ressuscitar o AI-5 e proibi-los de emitir opiniões nas redes sociais por meio de um decreto que baixou unilateralmente e que sujeita a demissão aquele que o desobedecer.
Como sabemos, mas a Globo prefere ignorar, a liberdade de expressão é garantida pelo artigo 5º. da constituição federal, cláusula pétrea que não pode ser revogada, mas que ela revogou internamente, implantando a censura em tempos democráticos.
O objetivo é claro: barrar opiniões diferentes das expressas em sua linha editorial, impondo voz única – a de seus donos - sob o pretexto de preservar a "isenção" e a "reputação" dos jornalistas e da empresa. (...)

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terça-feira, 5 de junho de 2018

Tacla Duran denuncia 'mordaça' da Lava Jato

 

São Paulo – por Redação RBA* - O advogado Rodrigo Tacla Duran, que atuou como consultor da Odebrecht, voltou a afirmar que os sistemas eletrônicos Drousys e MyWebDay, utilizados pela construtora para gerenciar o pagamento de propinas, teriam sido adulterados de modo a produzir provas para incriminar figuras que estariam no alvo de procuradores da força-tarefa da Operação Lava Jato, em Curitiba.

Em audiência na Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados, realizada nesta terça-feira (5), Tacla Duran também destacou as negativas da Lava Jato em ouvi-lo sobre esses indícios de fraude na produção de provas. Segundo ele, antes de servirem como provas em diversas condenações, as planilhas da Odebrecht deveriam ter sido periciadas pela Justiça, que poderia comprovar assim as ditas manipulações. (...)

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quarta-feira, 9 de maio de 2018

Lula: as classes sociais existem


Alejandro Gómez

No Brasil chegou-se a uma situação que desmente categoricamente a tese do fim das ideologias

Em 5 de abril, logo após a negação por parte do Supremo Tribunal Federal do habeas corpus apresentado pela defesa do ex-presidente do Brasil, Lula da Silva, o juiz Moro ordenou sua detenção. Chega-se assim ao desenlace de uma obra dantesca iniciada há vários anos atrás, com a apertada vitória de Dilma Roussef nas eleições para seu segundo mandato. Chega-se assim a uma situação que desmente categoricamente a tese do fim das ideologias, e que nossas direitas regionais hasteiam ante cada microfone que se lhes apresente.

Eterno retorno da luta de classes

"Querido Lula: as classes sociais existem"[1], começa a breve mas contundente carta que Pepe Mujica, ex-presidente uruguaio, escreveu a Lula nestas horas agitadas, ridículas e trágicas. Ante a onda de restauração conservadora e neoliberal, e o ressurgir da teoria de que não existem esquerdas e nem direitas, e de que os problemas sociais são somente fruto da corrupção ou se reduzem a questões de gestão empresarial, esta afirmação de Mujica se torna essencial e necessária.

O que coloca claramente de manifesto no caso brasileiro é a existência das classes sociais, e a presença de antagonismos irreconciliáveis. O que reflete por trás da campanha encarniçada contra Lula é a aliança das classes dominantes em seguida cortar pela raiz a possibilidade, clara, do retorno ao poder do ex-presidente. Nestes últimos anos viu-se como no Brasil os meios de comunicação monopolizados pela Rede Globo, o setor industrial, o financeiro e o partido militar, cerraram fileiras em torno deste objetivo. A destituição de Dilma e a queda de seu governo, vítima também de numerosos erros internos, não eram o fim deste projeto, mas sim um elo a mais. A meta da direita brasileira sempre foi cassar Lula.

Por que? Porque na figura de Lula se encarna o projeto que começou a reverter a história do país mais injusto e desigual da América Latina, projeto que tirou quase 40 milhões de brasileiros e brasileiras da pobreza, que permitiu processos de mobilidade social, que democratizou o acesso à educação, possibilitando o ingresso pela primeira vez de setores excluídos e historicamente discriminados, às universidades. Como assinala Alejandro Grimson em seu artigo de Anfibia[2], Lula foi o responsável de tirar o Brasil do Mapa da Fome da ONU. 

As classes existem, como encabeça a carta Mujica, talvez com a clareza que outorga toda uma vida de luta e andar por essa rota. E no Brasil, a classe dominante faz sentir seu peso nestas horas ao proclamar em cada ato que o governo do PT foi um acidente na longa história de desigualdade do país irmão, e que esse acidente deve corrigir-se e apagar-se da memória. Os privilégios não podem voltar a serem questionados, a riqueza não pode voltar a ser redistribuída de forma um pouco mais justa (um pouco, porque esses setores nunca perderam recursos nem muito menos); os dominados devem voltar a seu lugar de subalternidade. E neste afã, as classes dominantes brasileiras demonstraram que estão dispostas a tudo, inclusive a tirar de si mesmas o último e gasto disfarce de democratas.


A pergunta pela Democracia

Porque estes momentos do Brasil  levam a perguntar-se pelo conceito de democracia e que é o que define um governo ou classe social como tal. Alcança em chegar ao poder mediante o voto popular? Em manter as "formas" republicanas?  É um estado que uma vez conseguido se mantém no tempo, ou é o acaso da democracia algo distinto, uma prática e que como toda prática deve exercitar-se diariamente, ante cada situação ou ato de governo?

Caracterizar a situação do Brasil pode ajudar a responder estas interrogações. Quem hoje governa não chegou através do voto, mas mediante o recurso "constitucional" de destituir Dilma Roussef via processo judicial político. Mas até ali o institucional, já que o processo se desenvolveu sem provas e sob pressão constante dos meios de comunicação. Temer parece então com um presidente sem legitimidade e sem apoio social. Uma vez conseguido esse primeiro objetivo, se lançou a campanha judicial contra Lula. O poder judicial, uma casta senhorial herdeira de outros tempos históricos, se põe a serviço da perseguição de opositores apenas pelo fato de serem opositores; as provas e os fatos não tem vez nessa encenação. Assim, Lula é condenado num processo sem provas. E encerra a saga o voto e a alegação da juíza Rosa Weber que rechaçou o habeas-corpus, desempatando a votação em 6 a 5. Ali se liquidou a doutrina da presunção de inocência, substituindo-a pela presunção da culpalidade, ao votar por "convicções", esclarecendo que poderia rever sua posição se chegassem provas da inocência do ex-presidente. Assim, não é já a culpalidade a que deve ser demonstrada, mas sim a inocência: todo adversário político é culpado até que se demonstre o contrário, pareceria ser a máxima.

Com esta cadeia de fatos, pode-se questionar a qualidade democrática do governo e das instituições brasileiras. Não alcança com a aparência dos lugares comuns, a "separação" de poderes, a imprensa "livre". Há que se questionar as práticas nas quais essa democracia se desenrola. E neste caso o resultado desse questionamento mostra um sistema opressivo e repressivo, que persegue os opositores através dos meios de comunicação e os juízes, enquanto aplica um brutal ajuste sobre os setores médios e populares, enquanto se ataca o trabalho através da instauração das leis mais retrógradas de toda a região. A Democracia deve ser articulada com práticas democráticas reais e não só de nome.

Pode sustentar-se que este sistema é  o que busca consolidar-se através da perseguição a Lula, cerceando com o cárcere a possibilidade de apresentar-se às eleições. Mas o banimento que se busca é mais amplo, as classes dominantes brasileiras buscam banir através da figura de Lula a imensa população humilde, popular, aos setores subalternos que a princípios do século XXI viram melhoras reais em sua qualidade de vida e em seus espaços de participação e representação; essa experiência é a que se busca banir ao perseguir Lula.

Neste contexto trágico e de extrema complexidade, restar ver qual será a reação dessas classes populares, com suas matizes, diferenças e complexidades. Resta ver que capacidade de articular-se em torno de seus pontos comuns, a sua posição de classe oprimida, poderão desenvolver para fazer frente a uma aliança dominante que aparece como um bloco em proveito de seu objetivo central. Um primeiro vislumbre pode ser percebido nas multidões que começam a se mobilizar não reconhecer, junto a seu líder, um erro injusto, produto de um processo sem provas, que agrega uma ferida a mais à  convalescente democracia brasileira.

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[1] Evo y Maduro rompen el mutismo regional con apoyos a Lula. (jueves 5 de abril de 2018). Tiempo Argentino: https://www.tiempoar.com.ar/articulo/view/75732/evo-y-maduro-rompen-el-mutismo-regional-con-apoyos-a-lula

[2] GRIMSSON, Alejandro. “La autodestrucción de Brasil”. Revista Anfibia: http://www.revistaanfibia.com/ensayo/la-autodestruccion-de-brasil/


Texto completo en: https://www.lahaine.org/lula-las-clases-sociales-existen

A maior mentira do mundo

Pablo González Casanova

Rebelión

Nunca o império havia mentido tanto como que hoje ignora na relação com um poder perdido.

As ridículas e pedantes ameaças de seu Grande Chefe, como suposto defensor da democracia, são vistas como as de um demente que, ao amedrontar o mundo com seu imenso poderio, a ninguém convence com suas grosserias e mentiras. Preocupam suas declarações e decisões pela ferocidade insana que expressam e que podem terminar num holocausto que ele mesmo viveria, em seus últimos momentos, e faria viver aos seus e ao país que governa.

O problema é ainda mais grave, porque Mr. Trump, com sua ameaçadora cólera de Zeus trovejante, é somente uma expressão da crise e cegueira que padecem as classes dominantes de seu império e de outros que numa ofensiva mundial o apoiam, combinando seu silêncio cúmplice com seus meios de comunicação massiva num concerto de interesses e cobiças comuns.

As potencias dominantes e os distintos apoios financeiros, militares, políticos e midiáticos de que se servem, geralmente, deixam de lado seus distintos estilos de dominação e acumulação e arremetem em função do poderio de seus donos e senhores e dos interesses que uns e outros pretendem defender como valores respeitáveis e dos quais cada vez se burlam mais, como "a democracia", "os direitos do homem" e o "estilo de vida" civilizado, honorável e eficiente.

No caso dos EEUU, os "interesses e valores" que realmente movem os senhores das grandes corporações, os levam a apoiar, em suas zonas de influência e nas regiões que dominam -para o caso da América Latina e o Caribe-, a governos golpistas, hoje encabeçados pelos novos ricos multimilionários, como Michel Temer, no Brasil e Maurício Macri na Argentina, enquanto isso sabotam o poder dos governos e movimentos de tendência socialista, nacionalista e moderadamente patriótica, aos quais debilitam com variadas medidas de repressão, corrupção, cooptação, pressão e desestabilização, como tem feito contra a própria Cuba invicta, a cada vez mais contraditória Bolívia, a já muito desfeita Nicarágua ou o já traído Equador.

E mais, como muitos triunfos de passadas revoluções e rebeliões ou movimentos progressistas tem sofrido com o tempo, crescentes contradições, em todos eles e nas recentes lutas e vitórias democráticas e sociais, impulsionam políticas que tornam os países vítimas numa incessante desestruturação, desintegração, desorganização. Para isso se servem -com muitos outros recursos- das crescentes contradições em que caem os regimes de antigas revoluções como a mexicana ou dos governos populistas  e seus sucessores, como os do Brasil e Argentina. A todos lhe aplicam medidas de efeitos diretos e indiretos que, ao impulsionar a cultura da negociação e da globalização neoliberal privatizadora do Estado, tem promovido em muito, de um lado,  a cultura do individualismo, do enriquecimento multimilionário e da macro corrupcão, e do outro, o desmantelamento do Estado-nação ou de seus poderes, suas empresas e recursos estatais e nacionais, assim como a perda de sentido do "interesse geral" e o "bem comum" nos partidos políticos. Descartadas ideologias e programas nas lutas políticas, com alternativas que tenham alguma possibilidade de cumprir-se, seja no social ou no nacional, os projetos de futuro que se limitam a oferecer é um papo furado de terminar a corrupção ou o narco terrorismo sem explicar como o farão. Partidos e políticos profissionais do governo de plantão e da oposição nem sequer defendem um programa político que impeça o despojo dos recursos da nação ou inclusive um moderadamente patriótico que se proponha defender a educação pública das ciências, das técnicas e as humanidades a todos os formandos por brilhantes que sejam. E mais, nenhum partido político apresenta e defende um programa de controle monetário e produtivo ou de serviços que proponha as medidas necessárias para dar fim ao terror e sistemático despojo do solo e do subsolo da nação, com o conseguinte desemprego de inteligência e mão-de-obra, causa fundamental das crescentes migrações de camponeses já despojados de suas fontes de vida e de trabalho pelas grandes corporações agrícolas, mineiras, industriais, que por meio de capangas impõe o terror e o narcotráfico, os deixam sem segurança alguma, sem território nem terra, sem água, alimentação e saúde.

Assim, enquanto nenhum partido ou movimento institucional defende um programa coerente que permita sair de tão grave situação, surge um crescente repúdio aos imigrantes que tentam refugiar-se nos países sede das corporações e do poder imperial. Desestruturadas as nações em desenvolvimento -mesmo de forma desigual- de fato, os partidos já não tem nada que oferecer que possam cumprir. Seu papel na democracia simulada, neoliberal, globalizadora, rapinante, é obter postos remunerados de eleição "popular", cujos agraciados façam negócios com a venda dos bens que o Estado ainda conserva, mesmo sabendo que se forem acusados de corrupção nada lhes acontecerá, se chegam a ser denunciados ninguém os processará, se são aprovados ninguém os perseguirá e se os perseguirem ninguém os encontrará. Tudo isso ocorre porque do início ao fim e de cima a baixo, corrupção e capitalismo tardio constituem parte do atual sistema global e seu funcionamento, como política de acumulação de despojos e exploração dos recursos humanos e naturais e já despojada de seus antigos recursos pelos capangas do grande capital e os governos subordinados. Como os benefícios da ação formal e legal cabem na ordem dos delitos para seus beneficiados principais do centro e da periferia, os grandes bancos, que dominam o sistema, tem estabelecido suas próprias redes de "paraísos fiscais", que de passagem servem para não pagar impostos ao fisco e esconder os bilhões furtados com um efeito conhecido, pelo que velhos e novos multimilionários se enriquecem mais e mais com todo tipo de alianças e apoios das corporações e bancos, feitos com os que se convertem mais e mais em estados tributários, que com uma linguagem enganosa correspondem a crescentes taxas de lucros pelas crescentes e impagáveis dívidas. Tudo isso ocorre numa recolonização financeira que conta a mais das empresas qualificadoras, como a Moody's e com as redes de "bancos vampiros", dependentes ocultos da grande banca ou de pequenos Shylocks piedosos.

Essas e muitas outras características de dominação e acumulação são as que caracterizam o sistema, e os que este segue defendendo com o aberrante pretexto de que correspondem às mais inovadoras e eficazes políticas científicas e à luta pela democracia e pela liberdade, argumentos com os quais atacam numa guerra integral, formal a informal, pacífica e violenta, a todos os movimentos e países que atentam contra seus "valores e interesses", entre os quais decidiram transformar em vítima "privilegiada" o atual governo da Venezuela.

O governo dos EEUU -com o apoio das grandes potencias do Ocidente- lança hoje a mais feroz ofensiva contra a pequena e valorosa Venezuela, a cujo, patriótico, rebelde e democrático governo acusa com indignação e sanha de oprimir e esfomear seu povo, quando na realidade é um país que com seu governo e a imensa maioria de seus cidadão está plenamente identificada com uma das maiores lutas libertadoras de nosso tempo.

Em ofensiva integral e crescente, o governo dos EEUU e o complexo empresarial, militar, político e midiático do qual ele participa mostram a mesma sanha que, desde 1959, tem mostrado contra a revolução cubana, e hoje mesmo não só esperam que a situação lhes seja favorável com o crescente peso que o mercado negro adquire, e com a eliminação de seus necessários provedores de combustíveis, que ao continuar recebendo não venham permitir que Cuba passe novamente a um maior desenvolvimento igualitário. Fomentam e toleram, por isso, o crescente mercado negro e criam eles mesmos misteriosos e reprovados ataques com "ruídos criminosos" que tornam vítimas boa parte do pessoal da embaixada dos EEUU e a ninguém mais nos arredores. Com semelhante engano pretendem renovar o medo à vizinha "ditadura comunista" com a qual "é impossível ter boas relações plenas".

Paradoxalmente -como já ocorreu em larga história do processo revolucionário em Cuba -hoje, frente ao duradouro e crescente ataque contra a Venezuela, nem o próprio povo venezuelano nem o poderoso império que com seus incontáveis enganos diz fazer "todo o possível para salvar o povo venezuelano de uma nova e feroz ditadura", nem o império nem o povo empobrecido e rebelde conseguem derrotar o "criminoso e inepto governo", por isso o império se vê obrigado a acrescentar outra grande tramoia, sustentando que a situação política da Venezuela representa sobretudo "um grande perigo para a segurança nacional dos EEUU".

Se semelhante argumentação da grande potência não de todo nova, pois se antes dizia defender-se do projeto "comunista", hoje é francamente ridícula, quando na maior parte do mundo reina o capitalismo, e o governo da Venezuela está muito longe de constituir um perigo para a segurança dos EEUU por oprimir barbaramente -segundo a acusam- a seu próprio povo. Na realidade é óbvio que o superpoder imperial esconde algo mais baixo que a suposta defesa do povo da Venezuela para livrá-lo de um governo que respeite a democracia e a liberdade do povo venezuelano, tal como entende o império, por exemplo nos casos do Brasil e Argentina, onde recentemente, com os tristemente famosos golpes brandos "triunfe a democracia", ao por na cadeira presidencial um Temer no Brasil e na Argentina um Macri, dois notórios milionários que adquiriram seus bens de formas comprovadamente ilegais.

O estranho é que semelhantes argumentos contra Temer e Macri, no caso da Venezuela, tem levado a um silêncio cúmplice e um grande apoio entre as grandes potências do mundo ocidental, de seus governos e suas mídias de comunicação massiva, que em versão uniforme da "realidade" hoje, mais que nunca, obedecem a uma subsidiada concatenação informática favorável a quem com milhões de dólares subsidiam os "meios", e que por os mesmos interesses que o governo dos EEUU se somem à luta contra "o bárbaro, cruel e inepto governo da Venezuela".

A denúncia da "barbárie" e das "barbaridades" do governo venezuelano contra seu próprio povo mostram uma estranha coincidência com os argumentos do atual governo dos EEUU e, de fato, correspondem a uma bem coordenada campanha apoiada diariamente em imagens fotográficas e vídeos de valentes aficionados, como em fotos e películas profissionais dos grandes canais de televisão, às quais se acrescentam análises críticas e respeitáveis publicadas nas páginas editoriais dos grandes diários do mundo, assim como comentários e notícias que os "pintam como são" em numerosas e não menos globais "redes sociais", e até em apoios que o governo dos EEUU recebem em amplos círculos de suas dependências, assim como nos foros econômicos e políticos que defendem "os direitos do homem", apoios que se acompanham de certa admiração e elogio a quem realizou um golpe suave, que à maneira de impeachment estavam há pouco de dar na Venezuela... quando, para o grande desagrado dos apátridas, sofreram uma acachapante  e inesperada derrota quando o governo venezuelano, tão criticado por inepto e autoritário, convocou eleições gerais para a instauração de um novo congresso constituinte que deveras represente o povo e realize eleições nas quais a máfia, supostamente "democrática", se nega a participar, com ridículos pretextos de perdedora e sabedora de que só conseguiria mostrar contar com uma minoria e impopularidade cidadã.

E aqui é o momento de esclarecer que outras medidas tem montado o império e as forças oligárquicas empresariais locais e dos países vizinhos, como Colômbia, Brasil e a pequena colônia que a Holanda conserva, todas destinadas a desestabilizar e derrubar o governo "inimigo da civilização", da "democracia", dos "direitos dos homens" e da "segurança dos Estados Unidos". A essa declaração será necessário acrescentar outras mais que o imperialismo empregou em intervenções anteriores, especialmente uma que parece ter aperfeiçoado com o auxílio das tecnociências da complexidade e da comunicação, que para o caso correspondem à construção mentirosa de fatos que comprovam as acusações feitas e outras novas mentiras  em que apareçam o ineficaz governo e suas instituições como o que não são. Também se faz necessário descobrir como não se trata só de lançar enganos e mentiras, mas de "semear provas da punível, cruel e inescrupulosa política" que cai em direito penal, e dão lugar a um processamento humanitário e judicial por juízes e tribunais que as grandes e humanitárias potências integram e dominam, e que agora é mais conhecido quando os tribunais do império e seus aliados jogam aos governos das nações recolonizadas.

À síntese desses feitos há que se acrescentar também outra circunstância significativa, e é que tamanha mentira não é só atribuível ao governo Trump e às oligarquias creoulas, senão que pelo menos começou durante o governo neoliberal e globalizador de Barack Obama, o que nos obriga a repetir esses feitos para não seguir estendendo a crença de que se trata da política de um presidente mentalmente insano, senão de uma medida acostumada pelo império, falsamente atribuída ao governo de um paciente mental metropolitano, e quando na realidade é uma a mais das tradicionais e renovadas intervenções do império e seus aliados e subordinados locais e regionais.


Mas inclusive  até aqui não teremos conseguido fazer a síntese da maior mentira do mundo se não esclarecermos que outra grande razão se esconde sob a "nobre luta", mas para perguntar-nos: por que tão grandes batalhas e tão poderosas forças, com tamanhas técnicas e políticas antigas e modernas agora renovadas e enriquecidas com as novas ciências e tecnociências, não tem conseguido derrotar o suposto governo ditatorial e bárbaro da Venezuela, que destrói, desgoverna, empobrece e esfomeia a seu próprio país? Por que?

Numa análise mínima das intenções de derrubar o atual governo da Venezuela podem ser destacadas além de algumas das múltiplas razões e políticas pelas que a resistência venezuelana tem triunfado e seguirá triunfando.

A capacidade exponencial de resistência começou desde que o comandante Hugo Chávez Frias mostrou, nas palavras e nos feitos, que a revolução venezuelana tem força apoiada pelo exército bolivariano venezuelano e a cargo de um crescente sistema de poder baseado na estruturação de comunas e de redes de comunas, seus conselhos e comissões promotoras e coordenadoras.

Na Venezuela construiu-se uma resistência invencível, que o presidente Chávez formulou e seu sucessor Nicolás Maduro continua, enriquece, apoia e explica, tanto em cada um de seus atos de governo como em seus discursos e entrevistas. Em todos eles aparece com força a coincidência de que suas palavras tem, tanto nos feitos como na estruturação da "realidade ética" de Chávez Frias foi precursor com um novo projeto de revolução, não somente venezuelana, mas bolivariana, não somente original pelo fato de que foi apoiada desde o princípio e até agora com êxito e crescente poder, após o erro da intenção de golpe de alguns militares traidores dominados e encarcerados pelo seu próprio exército, apoiado por uma imensa multidão de pessoas que desceram as colinas circundantes de Caracas para libertá-lo e protege-lo, convencidos de que era o mais valioso defensor do povo com os do próprio povo. Chávez  pode continuar assim  com mais força, firmeza e apoio um caminho que, entre variações concretas, tem e terá efetividade universal com aqueles exércitos que se unam por convicção ética e política aos empobrecidos povos do mundo. Povos e exércitos que façam seu o interesse geral poderão construir e construirão outro mundo sem dúvida possível, em que a organização da vida e o trabalho sejam capazes de alcançar a prática concreta da liberdade, a justiça e uma genuína democracia estruturada como poder dos cidadãos, em tudo diferente ao que deixa fora e até sem direito formal  de serem considerados cidadãos como cidadãos os pobres da terra, servos, meeiros ou assalariados e outros. que sendo "desaparecidos" em número crescente tenham sido reduzidos à escravidão.

Se nas alternativas ao mundo atual, o movimento de 26 de julho em Cuba e do EZLN no México, tem aberto caminhos de vida, liberdade, justiça e democracia que são referencias universais, a eles se acrescenta hoje que na Venezuela iniciou o general revolucionário Chávez, não só ao expressar formas éticas e ideológicas das quais Nicolás Maduro é fiel e irrepreensível herdeiro, mas também de formações de luta em que a moral fundamenta ou pratica com a estruturação nos feitos e vai muito mais além das palavras sobre uma sociedade "libre, democrática y socialista". Vai das palavras aos feitos.

Assim, quando queremos esclarecer o porque da grande mentira não derrubar o governo revolucionário da Venezuela temos que explorar tanto o novo nos ideais e valores dos insubmissos, como os que se fazem realidade na variada organização da resistência militar, à qual se soma a forte e estruturada resistência intelectual e moral, que fortalece os valores com palavras e feitos.

A tamanha união se acrescentam outras forças não menos importantes, que de um lado incluem o poder defensivo nessa guerra integral -chamada de quarta geração-, cujo campo de luta abarca todas as atividades materiais e intelectuais, financeiras, econômicas, políticas e bélicas, articuladas entre si, e nas de não menor importância, que não só respeitam e fazem respeitar as diferenças religiosas e filosóficas, senão com as que no caso da Venezuela identificam sua maneira de pensar com as de crer e fazer de dirigentes, como o fez reiteradamente Chávez, com o catolicismo no religioso, com o marxismo no científico e revolucionário e com o liberalismo ilustrado e radical, como o que Bolívar -pai da Pátria- representa na Venezuela, com as ideias que vieram da ilustração e da revolução francesa e que na América hispânica se reformularam por Bolívar ao propor como meta alcançar um governo em que se estruture "a soberania do povo, única autoridade legítima das nações", e por isso, capaz de impor, com seu poder organizado, "a máxima felicidade possível possível de todos os habitantes", e capaz de conseguir como realidade a união de nossos países numa grande nação que os inclua.

Chegados a este ponto, podemos traçar um esboço mínimo de uma visita real a uma pequena cidade que já se encontra no seio da nação venezuelana. Trata-se de uma cidade na qual o poder político e todas as atividades da mesma estão sob a responsabilidade de uma comuna de comunas. Vemos assim que nela cada comuna ou grupo de comunas e sua atividade coordenadora acordada tem construído suas casas e seus lares onde dormem, se asseiam e trabalham, com materiais e instrumentos que sai do cérebro e os braços de seus habitantes. As distintas comunas cultivam seus alimentos necessários como o pão, as verduras, as frutas, as carnes de gado menor, mais abundantes do aquelas do gado maior e as que obtém de algumas aves como as galinhas, ou a água que bebem e extraem dos poços que cavaram e purificaram, em que atendendo a útil divisão de trabalho os leva a completar o necessário com a troca e seus mercados, nos quais além da troca usam a criptomoeda chamada petro, que o Estado venezuelano emite e já é aceita no mercado internacional por alguns países do oriente. À organização do mercado acrescente-se a de várias comissões destinadas a atender os problemas de saúde, creche e educação de crianças ou de jovens e adultos, e nesse terreno destaca-se um incrível projeto, o da formação de quadros revolucionários e de uma força defensiva que está preparada para coordenar-se com o exército nacional bolivariano. O número dos contingentes preparados e armados alcança a cifra de 400 mil jovens de ambos os sexos, adestrados pelas comissões dos comuneiros da nação venezuelana. Deles, 200 mil estão adestrados e armados para a luta; outros 200 mil estão adestrados, ainda que carecem de armas, vitalmente participam na defesa da Pátria, para que, conforme aqueles que já estejam armados percam suas vidas na batalha heroica, eles façam uso de suas armas. E ali não acaba o projeto, mas segundo o que sabemos tem como meta alcançar um contingente de aproximadamente um milhão de habitantes.

Muito se poderia contar de nossa visita a esta cidade das comunas, mas não resta dúvida de suas capacidades concretas para enfrentar as políticas com que ontem o imperialismo derrotou Salvador Allende e com que ameaça destruir a Venezuela: já nem uma pode funcionar, nem a desvalorização da moeda, nem o ocultamento de víveres e nem muito menos o exército bolivariano nas antípodas do pobre diabo do Pinochet.

Já pode a maior mentira do mundo seguir armando crescentes formas de ataque, como a que busca com os países que mandam a seus seguros e servis chefes de Estado à reunião do Ministério das Colônias e apoiem na realidade a maior mentira do mundo para apoderar-se da maior reserva de petróleo do mundo. Agora sim, nos feitos, não passarão!


México, 12 de abril de 2018

http://www.jornada.unam.mx/2018/04/14/opinion/002a1pol

segunda-feira, 7 de maio de 2018

O general estadunidense aposentado Wesley Clark confirma que países amigos e aliados dos EEUU criaram o grupo terrorista Daesh


Hispan TV
O general estadunidense aposentado Wesley Clark, voltou a dar palestras informativas, declarando que países amigos e aliados dos EEUU criaram o grupo terrorista EIIL (Daesh, em árabe) com o propósito de lutar contra o Hezbollah e o Irã. 
Através de suas intervenções, Clark confirma o que era um "segredo para o público". Segundo especialistas, as declarações estão gerando questionamentos sobre as relações dos EEUU. 
Recorrer a grupos extremistas para conseguir objetivos, não é algo novo. Estas práticas já foram utilizadas no passado. 
Clark menciona aliados dos EEUU sem especificar quais seriam esses aliados. Especialistas dizem que os antecedentes históricos mostram às claras certos países com interesses geopolíticos no Oriente Médio.
Talibán e Al Qaeda foram os antecedentes do EIIL que agora, converteu-se num monstro cuja sombra preocupa os EEUU.

quarta-feira, 2 de maio de 2018

Moro e a "guerra judicial" (lawfare)


O termo lawfare, composto pelas palavras law (lei) e warfare (guerra), foi inventado em Harvard nos anos 90 por intermédio dos programas de empréstimos dos EEUU, em especial do BID, com títulos tão impecáveis como "modernização judicial" ou "fortalecimento do estado de direito". O lawfare se estende pela região e hoje chega até a prisão federal de Curitiba, Brasil, onde o juiz Sério Moro, que em pleno mau uso e abuso do sistema judicial do Brasil já pôs em marcha a reclusão de Lula, para tirá-lo das disputa eleitoral tratando de evitar qualquer reclamação de soberania ante as conquistas oligárquicas-imperiais dos EEUU, em especial do BID

Moro estudou em Harvard, berço do lawfare, e como observou o diplomata Samuel Pinheiro Guimarães, em entrevista a Dario Pignotti (Página/12, 14/02/2017), não deve perder-se de vista "que estamos falando de um membro do Poder Judiciário que foi adestrado no Departamento de Estado, que viaja permanentemente aos EEUU (...) Moro sabe como ganhar a aprovação de Washington". O faz coordenando e ajustando sua função judicial ao golpismo judicial que derrubou Dilma para implantar e agora manter a brutal guerra de classe chamada neo-liberalismo.

Antes de ir para a prisão, Lula ofereceu na semana passada uma histórica reflexão ante dezenas de milhares que encheram as ruas de São Paulo que levam ao Sindicato dos Metalúrgicos. Transmitida pela Telesur da vasta mobilização escutou-se fortemente a voz pública contra a reclusão enquanto Moro, em plena ofensiva judicial, guarda silêncio ante indícios graves de generalizada corrupção de Michel Temer, o ocupante da presidência e informante do Comando Sul. A Europa Press informou que a Procuradoria havia denunciado Temer por subornos da maior processadora de carne através de um de seus assessores. Outros informes oficiais completam um pacote de denúncias do procurador que incluem a obstrução de justiça e suposta associação criminosa.  Com suficientes votos, a parte do congresso favorável a Temer rechaçou a iniciativa de processo que terá que esperar janeiro de 2019, quando termina o mandato deste.

A judicialização da política e/ou a politização do sistema judicial, se realiza a partir de processos vinculados a programas de empréstimos que aumenta o poder do sistema judicial nos estados e na federação a tempo que o penetram. O BID, por exemplo,maneja os empréstimos ao judiciário sob protocolos de funcionamento operacional similares aos aplicados aos programas de "ajuste estrutural", isto é, incluindo as "generosas" e legais comissões para aqueles , sejam altos funcionários ou juízes, operam empréstimos destinados à "modernização judicial", isto é, virtuais "aparatos de suborno" que neste caso fomentam vínculos que alimentam a função judicial com dados selecionados pela espionagem sobre fortalezas e debilidades das elites.

Num estudo de alta qualidade Silvina Romano et al, Lawfare: la vía ‘justa’ al neoliberalismo, detalham o uso político da justiça. Um dos objetivos a curto e médio prazo do lawfare "é conseguir a restauração do neo-liberalismo também por via judicial". Os e as autoras planejam que "se recorra a um estado de exceção por meio de ferramentas (supostamente) legais (assim definidas por um aparato judicial que se elevou por cima dos demais poderes), que nos feitos conduzem à omissão da lei a favor da imposição vi0olenta de uma nova ordem".

Sobre Lula dizem que "na sentença condenatória e durante todo o período de instrução e tramitação que leva o expediente, foram deformados: 1) o estado de inocência; 2) a imparcialidade do juiz; 3) as motivações (doutrinárias) nas decisões jurídicas; 4) a proibição de provas ilícitas; 5) o princípio da igualdade ante a lei; 6) a publicidade dos atos processuais; 7) a ampla defesa; 8) a exigência de jurisdição natural".

Em síntese: a sentença de 238 folhas do juiz Sérgio Moro que como se sugere neste estudo, "mostra o modo em que se constrói uma condenação de 'exceção' no contexto de um estado de exceção". (Ibid) Um Lula sob vingança de Moro, isolado da convivência humana.

O contexto que permite apreciar o fundo deste acontecimento histórico foi oferecido ao público pela maestria jornalística de Stella Calloni no "Brasil: o assassinato da justiça: um golpe no golpe" (La Jornada, 9/04/2018). Antes da decisão do Tribunal Superior Federal  o general Luiz Gonzaga Schroeder Lessa disse ameaçador que o tribunal "induziria a violência no país se Lula não fosse preso e ameaçou com um golpe de Estado".

Fuente: http://www.jornada.unam.mx/2018/04/12/opinion/022a1eco

Lula, o fascismo e a esperança

Página 12


Não há eufemismos banais: o Brasil mostra nestas horas o pior e mais descarnado fascismo contemporâneo. Tirar o Lula da disputa presidencial, e colocá-lo preso, é uma decisão do fascismo brasileiro.

Começa pela mídia corporativa -que na realidade são uníssonos em sua missão de enganar- infetou-se a absurda condenação e veloz prisão. Sem nenhuma prova, nenhuma, de que o ex-presidente brasileiro haja cometido ilícito algum.

Carece de importância o departamento em suposto pagamento de uma suposta propina, que nem sequer é delito provado mas sim apenas "convicção" de um juiz midiático a serviço da Rede Globo. Pode ser um Rolls Royce dado rainha da Inglaterra, ou uma paquera com Natalia Oreiro, ou um avião presenteado por algum narcotraficante. Qualquer fábula disparatada poderia servir a Sergio Moro e/ou qualquer outro juiz ou procurador equivalente em prevaricação, dos que há tantos, muitíssimos, lá e cá.

À operação do grupo Globo, camarada dos mentimedios argentinos, somou-se a prédica de várias décadas de docência reacionária a cargo de dezenas de igrejas espertalhonas e abusadoras da ingenuidade popular. Que no Brasil tem um imenso poder. Dizem-se missionárias, salvadoras e milagreiras, lá estão -como aqui cada vez mais, e patrocinadas por quase todos os governos nacionais e provinciais- para formatar a ignorância de milhões de seres humanos, pobrezinhos, que fartos de serem caloteados acreditam em qualquer coisa.

Com esses ingredientes -mentiras, falsas convicções, carência de provas e muita agitação na televazia nacional- e com poderes judiciais, com minúsculas, que são proverbialmente injustos servidores do poder de plantão, hoje se pode condenar a qualquer pessoa. Sobretudo se essas pessoas tem influência, ideias, reconhecimento e trajetórias de decência e honradez. E nem se projeção política, como é o caso de Lula da Silva, cujo teto político é todavia, e apesar destas bestialidades jurídicas, incalculável.

É claro que as exceções a estes barbarismos políticos e judiciais -que há, claro, lá e cá- são simplesmente só isso: exceções. Porque a regra epocal, a marca destes tempos, é a mentira e o engano; o calote e a banalização; o envolvimento das massas que "creem" ao invés de pensar.


Assim as mídias e a telelixo, do Brasil mas também de todo o continente -e do mundo, se me permitem- inventou e plantou e regou esta rede destruidora de uma das figuras políticas mais interessantes, atrativas e reformistas de Nossa América. E o fez com a mesma estratégia que impera entre nós e que se impôs há anos na república irmã do Chile, que hoje encabeça o ranking mundial de desigualdade social. Como o mostro invertebrado e sigiloso que é, capaz de entrar em todos os lugares e submeter todas as mentes e todos os corações, se impõe dia a dia e hora a hora abusando da "pobre inocência das pessoas" (León), essa que "acredita nas revistas" (Charly) e a televisão, e agora às infâmias reproduzidas ao infinito pelas chamadas redes sociais, que na realidade são anti-sociais e inclusive contra-sociais.

É por isso que velhos diários e a velha televisão, agora envolvidos com cabos e netflixes, de maneira cada vez mais precisa e veloz e voraz, agora também se apoderaram aqui -servidos pelo governo atual- do universo óptico das telecomunicações. Esse novo, gigantesco e irrefreável sistema tecnológico a serviço de negócios fabulosos e ilícitos quase todos, encarregados de executar o arrasamento de todos os princípios e normas constituicionais.

Então a pergunta é: quem detém estes tipos, estes meios, estes juízes, estes governos, esta maldade de terno e gravata e carros suntuosos que chama de "alta classe"? Quem os para agora que voltam a adoecer de antidemocracia às forças armadas que tanto custou democratizar? Quem, se o único argumento final destes tipos são as forças de choque e o chocobarismo santificado por uma montonera conversa a serviço de portadores de Panamá Papares a rodo? A que magistratura recorrer, a que justiça?

O panorama é desolador. No Brasil e também aqui, onde o silêncio do governo só se pode ler como cumplicidade. Aqui onde se substitui o procurador do caso escandaloso do Correio e a família presidencial.

Então o que nos resta é primeiro informar-nos. E refrescar a memória dos conscientes  e ainda restam, dizendo-lhes que isto se chama Fascismo. E que assim sempre funcionou. Na Europa e na Ásia e na África, e em toda a América.

Refrescar a memória é necessário, e com as palavras precisas: quando os fascistas procedem, como agora contra Lula no Brasil, isso é só espelho do que nos passa e seguirá passando com estes tipos que marcham dia a dia até o funeral da Democracia.

O que nestas horas se vive no Brasil equivale a um golpe de Estado. Sem dissimulação, sobra de hipocrisia, com um cinismo fenomenal que em todo o continente com com "jornalistas" -e há tolos entre eles- que são capazes de justificar o que seja. E assim o fazem.

Nesse espelho devemos ver-nos hoje. Mas não para chorar e desesperarmos, mas sim para remontar. Porque a esperança não morre, apesar de tudo. E porque apesar de dirigências que mostram suas mesquinharias diariamente, a esperança segue chamando democracia, paz, consciência cívica e sobretudo decência.

Em países corruptos a mancheias, a esperança está em não sê-lo. Em países de mentiros, a esperança está em não mentir. Em países conquistados pelo fascismo, a esperança e a carta de triunfo está em pensar e dizer o que se pensa, e logo atuar como se diz. Somente assim a política é digna e é boa, e vence, como sempre venceu, aos fascistas.


Fuente: https://www.pagina12.com.ar/106836-lula-el-fascismo-y-la-esperanza

Da guerra anticomunista à guerra anti-corrupção

Ollantay Itzamná

A guerra contra a corrupção é tão falsa como foi a guerra contra o comunismo.

Durante o século XX, em especial em sua segunda metade, a América Latina foi um campo sangrento da falsa guerra anticomunista jamais vista no mundo ocidental.

Somente na Guatemala, os projéteis 'made in USA', assassinaram mais de 200 mil pessoas inocentes (cerca de 90% indígenas). O Plano Condor, na América do Sul, deixou cenários dantescos similares perseguindo comunistas inexistentes.

Nesse período, o defensor da democracia derrubou presidentes constitucionais, e promoveu ingentes golpes de Estado. Cooptou os órgãos executivos dos estados centenários com militares servis para aniquilar as legítimas expressões políticas de emancipação.

Décadas depois, os povos sobreviventes daquele holocausto constatamos que a Doutrina de Segurança Nacional e sua guerra anti-comunista, não só era falsa, mas também uma efetiva dose de veneno social que paralisou sócio-politicamente por várias décadas. Enquanto isso, a desigualdade, a miséria, e o saque violentos de nossos bens comuns fizeram gemer até os próprios deuses e demônios insensíveis do céu longínquo.

A aurora do século XXI nos encontrou, a muitos povos latino-americanos, com brios de liberdade e vontade para prosseguir com nossos processos emancipatórios truncados. E, em menos de duas décadas, nossos governos progressistas (com políticas de investimento social e redistribuição direta de renda) conseguiram tirar da condição de pobreza mais de 60 milhões de latino-americanos.

Assim, estes governos dignos fizeram retroceder as porcentagens de pobreza e desigualdade a nível global na região. Enquanto isso, em países como os EEUU, México, Guatemala, Honduras, Colômbia, Peru e outros, no mesmo período, milhões de pessoas da classe média ingressaram nos nichos de pobreza, com descomunais dívidas públicas.

Neste contexto, e ante os soberanos acordos de integração latino-americana sem a presença norte-americana, aparece a farsante e midiática guerra anticorrupção. Com o argumento de: a corrupção pública é a causa do atraso dos povos latino-americanos.

Ninguém duvida que a corrupção pública seja um mal a superar. Mas, este mal é apenas um lubrificante do mal maior. Isto é, o mal fundamental da desgraça de nossos povos é o sistema hegemônico vigente que nos saqueia, explora e subordina. A corrupção pública é só um óleo que lubrifica o saque que sofremos.

Mas, a hegemonia midiática (aceita pela corrupção) conseguiu instalar no vulnerável imaginário coletivo de muitos povos da América Latina a ideia sobre a corrupção como pecado original de suas desgraças. E, em consequência, esquecer-se do crescente saqueio multidimensional que sofremos.

A guerra anticorrupção é para aniquilar e escaldar incômodos governos progressistas na região.

Uma vez configurado os sentimentos "pátrios" contra a corrupção, os gringos, mediante os órgãos judiciais dos países sob seu controle, sentaram no banco dos acusados todos os governantes latino-americanos que defenestraram o projeto de anexação comercial denominado Área de Livre Comércio das Américas (ALCA), EM 2005.

Hugo Chávez, Néstor Kirchner, foram demonizados na alma latino-americana antes de serem linchados judicialmente. Ao legendário Lula do Brasil, que tirou da pobreza cerca de 50 milhões de pessoas, o lincharam judicialmente, sem respeitar o devido processo. Com a evidente intenção de prevenir um terceiro governo dele.

Evo Morales,, da Bolívia, Daniel Ortega da Nicarágua, Rafael Correa do Equador, Nicolás Maduro da Venezuela, e outras/os, não participaram do IV Encontro das Américas no Rio da Prata. Mas a ordem para o linchamento judicial já estava em movimento.

O ridículo desta falsa guerra contra a corrupção é seu caráter de duas medidas. Enquanto isso os sistemas judiciais, operacionados pela cooperação técnica e financeira gringa (USAID), são ágeis para sentenciar/encarcerar funcionários ou ex-funcionários de governos progressistas, mas com os corruptos neo-liberais são lentos e permissivos.

Fizeram crer aos guatemaltecos e latino-americanos sobre a eficiência da luta contra a corrupção na Guatemala. Inclusive encarceraram a dois ex-presidentes, envolvidos em atos de corrupção. Mas a três anos da apoteótica inauguração desse teatro, não existe sentença judicial condenatória alguma contra os ex mandatários. E mais, estes ex-governantes vivem num quartel militar exclusivo, com todos os serviços necessários que milhões de guatemaltecos "livres" não tem. Esperando o descumprimento oportuno. Enquanto isso, são bodes expiatórios no teatro gringo da luta anticorrupção.

O Peru, é outro caso de sociedade teledirigida enganada com o vulgar teatro da luta contra a corrupção. Aplaudem e festejam as momentâneas detenções judiciais de seus ex-governantes corruptos e neo-liberais. Mas, este saem livres dos cárceres e são recebidos como heróis pelos gringos nos EEUU.

Por que o presidente Macri da Argentina, ou Temer do Brasil, com denúncias e evidência de atos de corrupção, não são destituídos e encarcerados? Por que os ex-presidentes Fujimori, Garcia, Toledo, Humala, Kuczynski... andam soltos pelo mundo?

O peruano ou o guatemalteco médio acredita que os agentes e ex-agentes dos governos progressistas latino-americanos são os mais corruptos. Mas, enquanto se distraem crédulos no teatro de mau gosto da luta contra a corrupção, consórcios norte-americanos, canadenses e outros rapinam e saqueiam as riquezas comuns que ainda restam nestes povos.

Em outras palavras, a guerra contra a corrupção é tão falsa como foi a guerra contra o comunismo. Os gringos, nestas duas últimas décadas ocuparam mediante a USAID e outras agências de cooperação os órgãos judiciais para operacionalizá-las para seus interesses e vingar-se dos governantes latino-americanos "mal educados" que abortaram a ALCA.

Neste sentido, a ditadura ianque jamais terminou na América Latina. Só mudou de uniforme. Antes operaram os órgãos executivos, com homens de uniforme militar. Agora, operam a partir de órgãos judiciais, com civis de toga e terno. O objetivo é o mesmo: castigar e sabotar qualquer processo de emancipação dos povos. Mesmo eles sabendo mais que ninguém que a corrupção pública é para o sistema neo-liberal o que o óleo é para o motor.


CALPU

Texto completo em: https://www.lahaine.org/de-la-guerra-anticomunista-a