sábado, 9 de maio de 2009

PIB: Estamos fazendo a conta errada, por Ladislaw Dowbor

Crescer por crescer, é a filosofia da célula cancerosa" - Banner colocado por estudantes, na entrada de uma conferência sobre economia.

PIB, como todos devem saber, é o produto interno bruto. Para o comum dos mortais que não fazem contas macroeconômicas, trata-se da diferença entre aparecerem novas oportunidades de emprego (PIB em alta) ou ameaças de desemprego (PIB em baixa). Para o governo, é a diferença entre ganhar uma eleição e perdê-la. Para os jornalistas, é uma ótima oportunidade para darem a impressão de entenderem do que se trata. Para os que se preocupam com a destruição do meio-ambiente, é uma causa de desespero. Para o economista que assina o presente artigo, é uma oportunidade para desancar o que é uma contabilidade clamorosamente deformada.

Peguemos o exemplo de uma alternativa contábil, chamada FIB. Trata-se simplesmente um jogo de siglas, Felicidade Interna Bruta. Tem gente que prefere felicidade interna líquida, questão de gosto. O essencial é que inúmeras pessoas no mundo, e técnicos de primeira linha nacional e internacional, estão cansados de ver o comportamento econômico ser calculado sem levar em conta – ou muito parcialmente – os interesses da população e a sustentabilidade ambiental. Como pode-se dizer que a economia vai bem, ainda que o povo vai mal? Então a economia serve para quê?


Vejam o texto completo no Portal da Fundação Perseu Abramo

7 comentários:

Jean Scharlau disse...

Primoroso, Zejustino. Como já estou espalhando por aí, é o melhor texto curto sobre economia, escrito por um economista, que tenho lido nos últimos 20 anos. E certamente o melhor artigo sobre PIB que já li.

Vicente disse...

Excelente artigo: informativo, claro e em linguagem acessível a não entendidos em economia.

Yvy disse...

Então...Zejustino,li e reli,faço sempre que vocês atualizam blog.
Quando não entendo,saio fora.Você sabe estou em fase de aprendizado:).Li os comentários, Jean exalta e Vicente diz acessível.Tentarei outra vez :).
Urge mudar meu universo musical e poético.Caso contrário,vão dizer que sou alienada :).

Abrs!

zealfredo disse...

O texto do Dr. Ladislau Dowbor é bem interessante, mas ele requer que nós nos tornemos racionais, puramente racionais, coisa que claramente não somos.
É por isso que vamos continuar dilapidando os recursos do planeta (e talvez procurar recursos em outros corpos celestes ao redor quando se acabarem alguns do planeta).

zejustino disse...

O texto do Ladislau Dowbor trás à memória, novamente, a historinha de um certo ministro (borracho, com fama de cantante e chegado aos números e às garrafas de Scotch) da falecida e mal-cheirosa ditadura militar.

O economês, ou a linguagem da enrolação, para mim e para outros que não são iniciados havia se tornado comum naquela época porque era preciso enganar a população com eufemismos e neo-logismos para explicar o "milagre" do PIB e a consequente pobreza (material e cultural) do povo brasileiro. Alguns ainda se lembram do "bôlo que deveria crescer antes de ser repartido" e dos "resíduos inflacionários". Este eufemismo, por exemplo, era a explicação "default" para os reajustes salariais sempre menores que a inflação.

O ministro "matemático" que refiro acima, que tentou "demonstrar" os erros do Capital (K.Marx) em apenas uma página do Jornal do Brasil, foi um dos que difundiram essa linguagem econômica hermética. Trata-se da economia matemática, acadêmica ou universitária, onde o ser humano nem sempre, ou quase nunca, figura como variável. Pode figurar, sim, como um ser consumidor e nesta forma funcionar perfeitamente como um objeto matemático. Um ser humano significaria matematicamente uma complexidade muito maior que por si só já seria uma imensa matriz de variáveis (já estou escorregando, infelizmente, para o lado escuro da fôrça).

Trocando em miúdos, quando se trata de envolver o ser humano com matemática basta lembrar aquela impossibilidade de explicar porque êle acaba morrendo ao ficar com a cabeça num forno a 100 graus e os pés num freezer a 40 graus NEGATIVOS se a média das temperaturas dá 30 graus.

Enfim, os "números" servem realmente para termos conhecimento de uma das faces da realidade mas a questão da manipulação deles, na economia principalmente, fica por conta dos interesses ideológicos e, no caso da Economia, são os das classes dominantes.

Yvy disse...

Uuuuuuuufa, quando eu crescer, quero escrever igual Ti,
Zejustino :).

Abrs.

Jean Scharlau disse...

É isso aí. Mandou ver, Zejustino. E a gente vai lá e vê mesmo.