sábado, 7 de março de 2015

Um Cartão-Postal de Guantánamo: Como Mohamedou Ould Slahi se Tornou Suspeito de Terrorismo e Depois Autor de um Best-seller

Slahi começou uma nova vida na Mauritânia, trabalhando como especialista em computação. Mas, em 29 de setembro de 2001, ele foi detido pelas autoridades mauritanas, de novo a pedido dos EUA, e interrogado por agentes mauritanos e americanos.


Slahi foi levado para depor e liberado diversas vezes até 20 de novembro, quando, depois de mantê-lo sob custódia por uma semana, os EUA arranjaram um jeito de enviar seu prisioneiro para a Jordânia. Esse era um processo pouco conhecido na época chamado rendição extraordinária (ou "tortura por procuração"), em que o cativo é mandado para uma prisão estrangeira a fim de se contornar leis domésticas que restringem os interrogadores americanos.

"Cara, o que aconteceu comigo lá está além de descrições", Slahi afirmou a um painel de revisão anos mais tarde, descrevendo seu período na Jordânia. Ele diz que foi espancado, passou fome e foi ameaçado com tortura se não confessasse estar envolvido na Conspiração Milênio. Depois, no dia 19 de julho de 2002, um time de rendição da CIA na Jordânia despiu e vendou Slahi, o vestiu com uma fralda e o algemou antes de jogá-lo num jato Gulfstream de propriedade da CIA. Esse avião, usado rotineiramente para transportar detidos secretamente pelo arquipélago de bases militares e "pontos escuros" do mundo, ficaria conhecido nos círculos dos direitos humanos como "táxi da tortura". No caso de Slahi, o jato o levou da Jordânia para o Campo Aéreo de Bagram, no Afeganistão, onde ele foi interrogado por duas semanas antes de ser levado para a Baía de Guantánamo. Lá, em 5 de agosto de 2002, ele se tornou o detento 760 do Campo Delta.

Confira no Vice.

Um comentário:

zealfredo disse...

Atenção para possíveis comentários de trolls:
- Isso é culpa do PT, do Lula e da Dilma...
- Se o cara foi preso e está há treze anos em Guantánamo é porque fez alguma coisa...
- Tem que morrer lá mesmo...

Outras?...