sábado, 11 de junho de 2011

Ensinar o quê?

Já comentei neste espaço um programa Roda Viva que entrevistou Fernando Reinach. Ao final, perguntaram-lhe por que, na opinião dele, apesar de tamanho progresso científico em biologia, ainda há criacionistas. Sua resposta me impressionou: é que ensinamos ciência como se ensina religião, como se se tratasse de fé. Sua sugestão, para que este estado de coisas mude, é escolher alguns tópicos e "ensinar" o máximo possível sobre esses casos (já que é impossível ensinar tudo de maneira detalhada).
Exemplo: em vez de decorar as leis de Newton e fazer alguns exercícios, deve-se estudar a história que vai da ruptura com as teorias ptolemáicas até a física newtoniana. Tratar-se-ia de informar-se sobre os procedimentos de Tycho Brahe, de Kepler, de Galileu e de Newton: quais foram os dados coletados, como os coletavam, como chegaram a eles e como os organizaram até chegar a leis simples e gerais. Uma passada pela história de Giordano Bruno seria importante, para que os estudantes soubessem que, dependendo dos interesses confrontados pelas pesquisas, o cientista pode ser literalmente queimado (nos últimos tempos, não tem havido fogueiras, mas houve exílios, censura e muito emprego ameaçado; eventualmente, alguém poderia (os lingüistas, por exemplo) ser metaforicamente queimado por "inquisidores"...).


O texto continua ano Terra Magazine.

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