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domingo, 11 de março de 2012

O sítio da tortura

Na zona sul de São Paulo um sítio isolado guarda histórias de terror que podem ajudar a entender um dos pontos obscuros da ditadura - os centros clandestinos de tortura. E a assombrosa colaboração civil

“Você está em poder do braço clandestino da repressão. Ninguém pode te tirar daqui”, é o que você ouve quando chega no sítio, depois de mais de uma hora metido no banco de trás do fusquinha com um capuz quente na cabeça, e a cabeça entre as pernas.
Você foi apanhado na Avenida Brigadeiro Luis Antônio, uma das mais movimentadas de São Paulo. Te enfiaram dentro do carro, dois homens grandes, meteram o capuz. Então você é todo ouvidos e corpo, e cada balanço ou ruído vai se gravando na sua mente tão vivo que você se lembrará deles para o resto da vida.
Minutos depois, pegam a estrada. Tráfego intenso. Saem da cidade, estradinha de terra, passa um trem, devagar. Quando o carro finalmente estaciona, você ouve a frase de boas-vindas e, apavorado, consegue memorizar o chão de cimento, por onde é empurrado antes de ser arremessado por escada que leva a um lugar subterrâneo. Os seus algozes chamam aquilo de “buraco”, com razão. Não tijolos, nem paredes, o calor é forteç cada vez que você apalpa à volta, caem blocos de terra molhada. O chão é lodoso. Seu cativeiro é úmido e infinito.  

Vejam o texto completo em PÚBLICA

segunda-feira, 5 de março de 2012

As bombásticas revelações de Míster DOPS

Por Marina Amaral, da Agência Pública | Imagem: Rubem Grilo 



Um agente da repressão pós-64 fala (muito) à repórter 
Marina Amaral: torturas, assassinatos, intimidades com
 mídia, os bancos, a CIA…


Aos 80 anos, José Paulo Bonchristiano conserva o porte imponente dos tempos em que era o “doutor Paulo”, delegado do Departamento de Ordem Política e Social de São Paulo, “o melhor departamento de polícia da América Latina”, não se cansa de repetir.“O DOPS era um órgão de inteligência policial, fazíamos o levantamento de todo e qualquer cidadão que tivesse alguma coisa contra o governo, chegamos a ter fichas de 200 mil pessoas durante a revolução”, diz, referindo-se ao golpe militar de 1964, que deu origem aos 20 anos de ditadura no Brasil. 

Vejam o texto completo em OUTRAS PALAVRAS

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Chile pedirá processo para quatro oficiais pelo assassinato de Víctor Jara (+vídeo)

O governo chileno, através do Programa de Direitos Humanos do Ministério do Interior, voltará a pedir o processo de quatro oficiais aposentados que declararam como culpados pelo assassinato do cantor e compositor Víctor Jara, cometido em 1973, disseram hoje à Efe fontes do órgão estatal.

O Programa já solicitou esta medida em dezembro passado, mas a Justiça se negou a acolher essa primeira petição.

Vejam mais detalhes em CUBADEBATE



sábado, 11 de dezembro de 2010

CD-Rom vai mostrar aos estudantes história das vítimas da ditadura

A história de 394 mortos e desaparecidos durante a ditadura militar (1964-1985) será conhecida dos estudantes do ensino médio de todo o Brasil. O relato está em um CD-ROM, elaborado pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), que será distribuído pelo governo federal para oito mil escolas públicas.

Montado a partir dos arquivos do projeto Direito à Memória e à Verdade, da Secretaria de Direitos Humanos (SDH) e outros documentos e com o apoio do Ministério da Educação (MEC), o CD-ROM conterá mais do que a biografia dos perseguidos políticos. Abordará também a criatividade da cultura brasileira no períodoque vai de 1962 a 1985.

Trezentas canções - Através do material, professores e estudantes conhecerão melhor o contexto histórico e cultural do período com acesso a quatro mil fotografias e ilustrações. E mais trechos de 300 canções e filmes que remetem o espectador/ouvinte para uma viagem no tempo circulando por três décadas da história do país, desde o governo constitucional de João Goulart, passando pelo golpe militar, a consolidação do autoritarismo até o retorno da democracia.

Vejam mais detalhes em BRASILIA CONFIDENCIAL

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Dilma Jane: “Tentaram ganhar na base da calúnia, mas não pegou”

Passada as eleições o jornal O Globo "descobre" o lado humano e familiar da presidente eleita Dilma Rousseff, e entrevistou por telefone a mãe dela, Dilma Jane, de Belo Horizonte.

Ao atender o telefonema e ao ser perguntada se era dona Dilma que estava falando, respondeu de pronto: “É a Dilma Rousseff. A verdadeira Dilma Rousseff sou eu, a Dilminha é Dilma Vana”.

Globo – Dilma lhe deu muita preocupação?
Dilma Jane - Dilminha nunca me deu trabalho. Toda filha escuta a mãe. Só não escuta mais quando não precisa. As preocupações começaram quando ela foi defender o país contra a ditadura. Eu não sabia de nada. Só fiquei sabendo quando ela foi presa. Nunca falei nem pedi para ela deixar de fazer as coisas dela. Quando descobri, ela estava naquilo e presa.

Vejam mais no blog OS AMIGOS DA PRESIDENTE DILMA

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

CENSURA EU, FOLHA!!!



"Na semana passada, uma forte crise nostálgica atingiu a família Frias. Podia ser saudade dos anos 80, época em que a Folha de S. Paulo era chamado de "jornal das Diretas" e tido como um legítimo aliado das lutas democráticas. Mas não. A Folha sentiu saudade foi dos bons e velhos anos 70. E não era vontade de usar costeletas, vestir calças boca-de-sino e dançar Staying Alive. Era a saudade da rigidez viril dos anos de ditadura, quando a Folha era uma maria-caserna tão próxima dos generais que emprestava seus carros para as ações de tortura e morte de "inimigos do regime" praticadas pelos paramilitares da Operação Bandeirantes.

Em 30 de setembro, o jornal conseguiu uma liminar que obrigava os irmãos Lino e Mario Bocchini a tirar do ar o conteúdo da Falha de S. Paulo, um site de humor que tirava um barato do indisfarçável viés pró-tucano que aterrissou com mais força do que nunca na Barão de Limeira dos últimos tempos. Os dois foram obrigados a remover do ar todo o conteúdo do site, sob pena de pagar multa diária de R$ 1.000. Segundo Lino, a empresa nem chegou a enviar uma notificação extrajudicial ou um pedido por e-mail: já foi logo apelando para o processo. Assim, a seco, sem KY nem piedade."


É chocante a hipocrisia da Folha. Se isso não é censura e um atentado inaceitável à liberdade de expressão, juro que não sabemos o que é. Chega a ser cômico: o mesmo jornal que faz dezenas de editoriais acusando o governo de censura e bradando indignado por ‘liberdade de expressão’ comete esse ato violento de censura — afirmava o site, no seu último comunicado. Que também teve de sair do ar, neste final de semana, porque ate o domínio falhadesaopaulo.com.br acabou congelado no Registro.br por conta da decisão judicial.

A Folha não teve a menor vergonha de apelar para a censura. A advogada do jornal, Taís Gasparian, alegou que a intenção não era censurar o site, mas impedir o uso indevido da marca Folha de S. Paulo. Para o Portal Imprensa, a advogada deu a entender que ainda foi boazinha, pois podia ter pedido multa diária de R$ 100 mil.

Taís Gasparian é a mesma advogada que defendeu o direito da Folha de S. Paulo de publicar fotos do Raí pelado no vestiário do São Paulo ou o direito do colunista José Simao de afirmar que Juliana Paes tinha a bunda grande e não era casta. Na época em que o Macaco Simão foi vítima de censura judicial por conta destas "afirmações polêmicas", Dona Taís disse na própria Folha que a decisão do juiz tratava

"o humor como ilícito e, no fim das
contas, é a mesma coisa que censura".
Entendeu? Olha só, Lino, Dona Taís já deixou pronta a linha de defesa que vocês podem usar. É só copiar as mesmas alegações que a Folha usou em casos semelhantes — quando era vítima, e não autora, de censura. A mesma Folha que transforma qualquer reclamação de Lula sobre a imprensa em ameaça à liberdade de expressão, mas se cala quando reclamações semelhantes, ou até piores, partem de José Serra.


Vejam mais em FALHADESÃOPAULO-Um Jornal a serviço do BraZil

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Desaparecidos: à margem do rio dos Mortos

Hoje, no Brasil, ainda são 144 os desaparecidos políticos da ditadura civil-militar. Corpos à espera do sepultamento. Familiares à espera de concretizar o luto, de acabar com a incerteza. Almas à espera da travessia do Aqueronte. Como definiu Ivan Seixas, da Comissão de Familiares de Mortos e Desaparecidos Políticos, “são os fantasmas que voltam sempre. São os fantasmas que querem lembrar que não podem ser esquecidos”. A reportagem especial é de Paula Sacchetta, publicada originalmente no Brasil de Fato. Queres tu, realmente,
sepultá-lo, embora isso tenha
sido vedado a toda a cidade?

Fala de Ismênia na tragédia Antígona

Cena 1: o começo ou sepultamento inusitado
Segunda-feira, 18 de maio de 1992. Em Jales, a 600 quilômetros de São Paulo, um caixão fechado é velado na Câmara Municipal. Foi decretado feriado, a cidade inteira está parada. A Câmara está lotada. Presentes crianças e adolescentes, gente de todas as idades. É um dia de sol muito quente, daqueles que nem ferro de marcar. Após o velório, um cortejo segue a pé até o cemitério.


Vejam o texto completo em CARTA MAIOR

sábado, 1 de maio de 2010

A sociedade brasileira não está nem aí para a tortura cometida no País, tanto faz se no passado ou no presente.

O motoboy Eduardo Pinheiro dos Santos nasceu um ano depois da promulgação da lei da Anistia no Brasil, de 1979. Aos 30 anos, [...] Pinheiro foi espancado seguidas vezes, até a morte, por um grupo de 12 policiais militares com os quais teve o azar de se desentender a respeito do singelo furto de uma bicicleta. Treze dias depois do crime, a mãe do rapaz recebeu um pedido de desculpas assinado pelo comandante-geral da PM. Disse então aos jornais que perdoa os assassinos de seu filho. Perdoa antes do julgamento. Perdoa porque tem bom coração. O assassinato de Pinheiro é mais uma prova trágica de que os crimes silenciados ao longo da história de um país tendem a se repetir. Em infeliz conluio com a passividade, perdão, bondade geral.

Encaremos os fatos: a sociedade brasileira não está nem aí para a tortura cometida no País, tanto faz se no passado ou no presente.
Leia este artigo de Maria Rita Kehl - n'O Estado de S.Paulo.
Dica de TecaRadar.

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

TRF reabre processo que pede condenação de acusados de tortura durante a ditadura militar

São Paulo - Por unanimidade, a Quinta Turma do Tribunal Regional Federal (TRF) da 3ª região, em São Paulo, anulou decisão em primeiro grau da Justiça que havia extinguido uma ação civil pública proposta pelo Ministério Público Federal (MPF) e que pedia a condenação de sete servidores públicos federais que tiveram participação na prisão, tortura e morte do operário Manoel Fiel Filho.

Com isso, o TRF determinou a reabertura do processo, que deverá ser julgado na primeira instância da Justiça Federal. Na ação, o MPF pede que os sete servidores reparem os gastos da União com indenizações aos parentes das vítimas, estimados em R$ 483 mil e também sugere a perda de suas funções e cargos públicos e cassação de aposentadoria.


Vejam mais na Agência Brasil

domingo, 26 de julho de 2009

Capturan a líder popular que se reuniría con Zelaya

Rafael Alegría se dirigía al lugar en que acampa el mandatario depuesto; activistas confirman que fue hallado el cadáver, con signos de tortura, de un prozelayista detenido anoche por la policía.

Notimex y Afp
Publicado: 25/07/2009 13:15

Tegucigalpa. El dirigente campesino hondureño Rafael Alegría, del Bloque Popular y amigo personal del presidente de Venezuela Hugo Chávez, fue detenido en la carretera a la frontera con Nicaragua, dijeron fuentes de esa coalición de movimientos sociales.

El arresto se produjo cuando Alegría iba a reunirse con el derrocado mandatario Manuel Zelaya, según denunció esta tarde el Bloque Popular, integrado por obreros, educadores y campesinos, de los cuales unos tres mil se encuentran en la aduana terrestre de Las Manos.

El depuesto presidente Zelaya llegó este sábado al sector de Las Manos, donde permanecerá acampado, en espera de que se congreguen más seguidores, para un eventual ingreso a Honduras.

Otros dirigentes del Bloque, como Eulogio Chávez, líder del poderoso gremio magisterial, o Carlos Reyes, del sector obrero, se encuentran en la carretera a El Paraíso, a unos 50 kilómetros de Tegucigalpa, retenidos los militares que están desplegados en toda la zona.


Vejam mais em La Jornada

segunda-feira, 15 de junho de 2009

Diário de Fernando: Nos cárceres da ditadura militar brasileira

Eis um documento histórico, inédito, que esperou 36 anos para vir a público: trata-se do diário de prisão do frade dominicano Fernando de Brito, prisioneiro da ditadura militar brasileira, ao longo dos quatro anos (1969-1973) em que foi submetido a torturas e removido para diferentes cadeias. Fernando, em companhia de outros frades dominicanos, vivenciou algo inusitado em se tratando de presos políticos do Brasil: foi obrigado a conviver, durante quase dois anos, com presos comuns, em penitenciárias de São Paulo.

Assim como o "Diário de Anne Frank" nos revela a natureza cruel do nazismo, Diário de Fernando retrata o verdadeiro caráter do regime militar que governou o Brasil entre 1964 e 1985. Não se conhece similar entre as obras publicadas sobre o período.

Vejam mais em KAOSENLARED.NET


terça-feira, 7 de abril de 2009

Quem é democrata no Brasil?

Quem tem as mãos sujas de sangue pelo comprometimento com a repressão da ditadura, como a FSP (Força Serra Presidente), deveria calar sobre tudo o que tenha a ver com aquele período, pelo menos até esclarecer as gravíssimas acusações do livro de Beatriz Kushnir, Cães de guarda (Boitempo), de que a empresa dos Frias emprestou carros para acobertar operações da Oban.

Acontece que o jornal tem que desempenhar seu papel de release da campanha do governador de São Paulo à presidência – em que o editor chefe participa do QG da campanha, os editores, colunistas e jornalistas fazem seu papel, alguns fingindo que criticam o governo pela esquerda, outros assumidos como direitistas. A empresa dos Frias está nervosa, FHC está nervoso, o candidato está nervoso, Tasso e o resto da elite tucana estão nervosos.


Vejam o texto completo do professor Emir Sader na Agencia Carta Maior