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terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

"O Brasil não pode entregar um homem inofensivo a um governo fascista"


"Berlusconi tenta reescrever a história da Itália. Um dos sintomas é a situação de Cesare Battisti". As palavras são de José Luís Del Roio, 65, ex-senador (2006-2008) pelo Partido da Refundação Comunista, da Itália. Brasileiro, de Bragança Paulista, ele vê na vida política do país sinais do renascimento do fascismo. "É o governo mais direitista da Europa", diz ele, em entrevista à Carta Maior.

Dirigente do Fórum Mundial das Alternativas, uma das principais organizações do Fórum Social Mundial, e residente em Milão há 36 anos, Del Roio concedeu a seguinte entrevista à Carta Maior, em São Paulo.

Vejam a entrevista na Agência Carta Maior

sábado, 7 de fevereiro de 2009

A decisão do ministro Tarso é uma dessas dinâmicas radicalmente democráticas

CartaCapital e o país de Pinocchio

Giuseppe Cocco, 5/2/2009

GIUSEPPE COCCO , 52, cientista político, doutor em história social pela Universidade de Paris, é professor titular da Universidade Federal do Rio de Janeiro.
Entre outras obras, escreveu, com Antonio Negri, "Glob(AL): Biopoder e Luta em uma América Latina Globalizada".

No Brasil, as vivas polêmicas suscitadas pelo caso Battisti foram e são atravessadas por dois grandes vieses. Obviamente, um deles tem origem na Itália. O outro, só um pouco menos óbvio, é fato da conjuntura política brasileira.

A violenta reação da classe política italiana à decisão brasileira de conceder “refúgio” a Battisti tem dois determinantes.

O primeiro diz respeito à composição fortemente reacionária do atual executivo italiano presidido por Berlusconi. Se o berlusconiano ministro do exterior, Frattini, chamou de volta o embaixador, foram os pós-fascistas a ameaçar com a suspensão do “amistoso” de futebol entre Brasil e Itália; e um deputado da "Lega Nord" a declarar que o Brasil é conhecido por suas “dançarinas” e não por seus juristas.

O segundo determinante diz respeito à composição da classe política italiana considerada em conjunto. Até o Presidente italiano, apesar de seu pouco peso (o regime italiano é parlamentar, e quem 'manda' é o Primeiro Ministro), o pós-comunista Napolitano, protestou veementemente e de maneira deselegante, em carta aberta ao presidente brasileiro.

Vejam o texto completo no Grupo Beatrice.



sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

1989 - Golpe depõe Stroessner

O presidente paraguaio general Alfredo Stroessner foi deposto por um violento golpe de estado liderado por seu amigo o general Andrés Rodríguez. Stroessner estava havia 35 anos no poder, e era o mais antigo ditador da América Latina. Rodríguez assumiu a presidência com a promessa de restaurar a democracia e o respeito aos direitos humanos.
(...)

Stroessner pediu asilo ao Brasil e morreu em agosto de 2006, enquanto estava sendo processado por crimes contra a humanidade durante a operação Condor. Essa ação foi realizada nas décadas de 70 e 80 pelos serviços de inteligência das ditaduras da América Latina, com o objetivo de perseguir opositores na Argentina, Chile, Espanha, França, Itália e Paraguai. O general foi responsável pelo desaparecimento de ao menos 120 ativistas durante o período ditatorial.



Vejam no JB Online

domingo, 1 de fevereiro de 2009

SOBERANIA BRASILEIRA EM PERIGO

Berna (Suiça) - O caso Cesare Battisti pode ter um fim inesperado para todos quantos são contra sua extradição.

O governo italiano com suas pressões e ofensas, como a última, proferida por um deputado neofascista italiano de que o Brasil é mais conhecido por suas putas (dançarinas) que por seus juristas, parece ter conseguido seu intento, para grande alegria da imprensa entreguista e de muitos jornalistas sem brio do nosso país.

Articula-se um jeitinho, um arranjo, enfim uma pizza para o caso Battisti. O premiê italiano Silvio Berlusconi, que joga nossos emigrantes para fora, esquecendo-se dos milhões de emigrantes italianos que o Brasil acolheu e que ajudaram a construir nosso Brasil, vem utilizando da amizade dos nossos dois povos, para ofender e tentar diminuir a imagem do Brasil no Exterior. A última foi a de recorrer ao Conselho de Ministros da União Européia alegando incapacidade de julgar do nosso judiciário, denúncia rejeitada pelos europeus.

É hora do governo brasileiro, de nós brasileiros dizermos um Basta, antes que o Brasil, de rabo entre as pernas, entregue Cesare Battisti e perca toda credibilidade internacional.

Agora não deve mais interessar o que você acha sobre a extradição ou não de Cesare Battisti, é uma questão de honra, de brio, de dignidade nacional. Não haja como parte da nossa imprensa entreguista, diga Basta aos insultos do governo italiano.

Faz alguns anos, a Europa viu o desespero da Banda Baader, o grupo terrorista alemão que, logo seria imitado pela Brigada Vermelha italiana. Há, mesmo um filme passando aqui na Europa, O Complexo Baader Meinhof, rememorando aqueles anos em que uma parte da juventude alemã, entre o desespero de viver num país que jogara o mundo numa guerra racista e imperialista, e a de um país ocupado, partia para o terrorismo.

A Alemanha de hoje já enterrou esse assunto, uma das últimas participantes do grupo Andreas Baader foi libertada recentemente. Já lá se vão mais de trinta anos. Mas a Itália, ao contrário, sopra as cinzas do passado para querer recuperar um fugitivo, já integrado na sociedade, como fez, no passado, o imperador romano ao mandar empalar, na Via Ápia, todos os seguidores da revolta de Spartacus.

E, ontem, um deputado da Liga do Norte ousou mesmo dizer que o Brasil é mais conhecido por suas dançarinas que por seus juristas. Em outras palavras, o Brasil é mais conhecido por suas putas que por seus juristas.

Sabem o que é a Liga do Norte ? É um movimento neofascista que luta pela separação do norte italiano da Itália, mais ou menos com o mesmo argumento de certos separatistas sulistas neonazistas que, felizmente minoritários, querem a separação do sul do Brasil.

Faz duas semanas, depois da decisão do ministro Tarso Genro de não extraditar Battisti, que o governo italiano trata o ministro brasileiro, a justiça brasileira, o governo brasileiro de tudo quanto é ofensa.

Ora se fosse só em Roma, onde o Papa reabilita negacionistas, nada grave. Dentro de casa, cada país faz o que quer. Mas o governo Berlusconi, autor de uma lei que o protege dos processos por corrupção e detentor do total controle da televisão italiana, decidiu meter sua colher dentro de nossa casa. Foi até pedir apoio para o Conselho da Europa contra uma decisão soberana do Brasil e, nosso presidente do Supremo Tribunal Federal, em lugar de como Floriano Peixoto defender nosso brio e nossa honra, cede, deixa mesmo ter acesso ao processo, e provavelmente, depois de acuado, votará pela extradição de Battisti.

Battisti deixou de ser um fugitivo para ser um símbolo. De todos nós que na juventude lutamos contra o Sistema. As acusações e os temores dos anos 60, mesmo em países pretensamente democráticos, mas governados como a Itália por uma coligação da qual fazia parte a Máfia, se confirmam hoje.

Contra quem lutava o grupo Baader Meinhof e a BrigadaVermelha ? Contra o capitalismo e sua degenerescência. E o que aconteceu 40 anos depois ? A crise que assola hoje toda Europa e que chega, embora em menor escala ao Brasil. Esse jovens foram extremados, cometeram erros graves, mas viram longe e muitos deles pagaram com seu próprio sangue a visão profética.

Há em nós todos, que fomos contra a ditadura brasileira, um pouco do jovem Battisti que lutou contra o governo italiano, onde máfia e ex-fascistas conviviam.

Na questão de Cesare Battisti nenhum de nós pode lavar as mãos. De um lado Mino Carta, Carta Capital, que querem vê-lo apodrecer na prisão e tantos outros que o acusam de criminoso mas que alegremente se unem como cúmplices do projeto e desejo de matá-lo devagar numa prisão italiana, baseados apenas em acusações de neofascistas e de corruptos políticos italianos, que ousam mesmo ofender nosso país, nosso ministro e nossos juristas.

O caso Battisti não é só uma questão jurídica. É um questão de direito, de humanidade, de compaisão, enfim, uma questão política. E também uma questão de honra nacional.

PS. se você também concorda ser uma questão de honra nacional, redistribua esta coluna para todos seus amigos e todas suas listas.





Vejam em Direto da Redação

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Cesare Battisti: martírio sem fim

Celso Lungaretti

Foi das mais decepcionantes a iniciativa do ministro Cezar Pelulo, relator do processo de extradição de Cesare Battisti no Supremo Tribunal Federal, de adiar mais uma vez o desfecho de uma pendenga que já está verdadeiramente decidida desde o momento em que o governo brasileiro concedeu o refúgio humanitário ao perseguido político italiano.

O ponto final da novela seria na próxima 2ª feira. Não será mais: Peluzo concedeu à Itália cinco dias para apresentar seus argumentos, aliás sobejamente conhecidos.

Quando um caso ganha a repercussão que este adquiriu, trava-se uma verdadeira guerra de versões, tão discrepantes entre si que torna quase impossível a qualquer cidadão isento situar-se nesse cipoal de informações e interpretações conflitantes.

Então, chega um momento em que se deve confiar, acima de tudo, na própria sensibilidade e espírito de justiça.

O que salta aos olhos no caso é que Cesare Battisti foi inicialmente condenado por delitos menores e anos depois, graças à delação premiada de um indivíduo obcecado em transferir suas responsabilidades para costas alheias, recebeu a pena máxima.

É indiscutível que esse julgamento final transcorreu num momento político no qual já não se faziam verdadeiros julgamentos na Itália, mas sim linchamentos com verniz de legalidade.



Vejam o texto completo no Consciência.Net

BATTISTI: ASSOCIAÇÃO ITALIANA DEFENDE DECISÃO DE GOVERNO BRASILEIRO

ROMA, 28 JAN (ANSA)- A associação italiana Antigone, que luta pelos direitos e garantias no sistema penal, declarou apoiar a decisão do governo brasileiro de conceder refúgio político ao ex-militante Cesare Battisti, condenado à prisão perpétua na Itália por quatro assassinatos cometidos na década de 1970.
Segundo o presidente da instituição, Patrizio Gonella, a Itália ficou famosa no exterior por uma legislação de emergência imposta durante os anos de chumbo [de 1968 ao início da década de1980]. "As penas durante os anos de chumbo eram desproporcionais", afirmou.


Vejam mais na Ansalatina

domingo, 25 de janeiro de 2009

Na resposta a Napolitano, Lula reafirma soberania brasileira

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva fechou definitivamente a porta para qualquer interferência italiana na decisão do governo brasileiro, de conceder refúgio humanitário ao perseguido político Cesare Battisti.

Sua resposta à carta do presidente da Itália Giorgio Napolitano foi taxativa: "Esclareço a Vossa Excelência que a concessão da condição de refugiado ao senhor Battisti representa um ato de soberania do Estado brasileiro".

Fontes palacianas já haviam revelado que Lula se ofendera com o fato de Napolitano ter tornado pública sua carta antes mesmo que lhe chegasse às mãos, o que representaria uma indelicadeza para com qualquer destinatário e, muito mais, quando o destinatário é o presidente de uma nação.

Vejam mais na Consciência.Net

domingo, 18 de janeiro de 2009

Ministro da Justiça sobe tom e declara que críticas à decisão de dar refúgio ao terrorista italiano são ideológicas

Um dia depois de presidente Lula dizer que a Itália terá de respeitar a concessão de status de refugiado ao terrorista italiano Cesare Battisti, o ministro da Justiça, Tarso Genro, defendeu a decisão do governo brasileiro e subiu o tom contra seus críticos, a quem chamou de "juízes ideológicos".

"A minha decisão está na esteira da tradição jurídica e política do país, e até agora eu não vi nenhuma crítica à decisão que eu tomei que não fosse uma crítica ideológica", declarou o ministro durante visita ao município de Canoas, na região metropolitana de Porto Alegre.

Vejam mais no novojornal.net

Em carta, ex-presidente italiano inocenta Cesare Battisti

O ex-presidente italiano Francesco Cossiga admitiu em carta endereçada ao ex-militante comunista Cesare Battisti ter existido perseguição política do governo italiano, de setores da imprensa, de sindicatos e da Democracia Cristã italiana contra organizações radicais de esquerda e de direita.

De acordo com a carta, datada de fevereiro do ano passado, o hoje senador Cossiga afirmou ter existido um acordo para, em um instrumento de “luta psicológica, fazer passar os subversivos de esquerda e os subversivos de direita como simples terroristas, ou absolutamente como criminosos comuns”.

Cossiga começa o texto lembrando que nas décadas de 70 e 80, quando foi primeiro-ministro e ministro do Interior, foi um “duro opositor da subversão de esquerda e de direita” e que por ter usado “meios fortes” para reprimi-la, passou a ter seu nome redigido com ‘k’ e com letras ‘s’ em estilo rúnico, que remetiam ao nazismo.

O ex-presidente ressaltou ainda que os delitos cometidos pelos militantes não podem ser considerados transgressões comuns. “Os crimes que a subversão de esquerda e a subversão de direita cumpriram, são certamente crimes, mas não certamente ‘crimes comuns’, porém ‘crimes políticos’”.

Ao final, Cossiga autoriza Cesare Battisti a utilizar a carta como desejar, inclusive com valor jurídico.

Vejam mais no Vermelho

sábado, 17 de janeiro de 2009

Greenhalgh diz que Serra esqueceu o passado ao criticar refúgio concedido a Battisti

Brasília - O advogado Luiz Eduardo Greenhalgh, um dos responsáveis pela defesa do escritor italiano Cesare Battisti – que teve esta semana refúgio político concedido pelo governo brasileiro – atacou hoje (16), em entrevista à Agência Brasil, a postura do governador de São Paulo, José Serra (PSDB), autor de críticas ao ato assinado pelo ministro da Justiça, Tarso Genro.

Ontem, Serra admitiu “não conhecer detalhes” do processo, mas afirmou que lhe parecia um “exagero o asilo dado”, com base no que acompanhou pela imprensa.

“Eu acho que o Serra está se esquecendo do que é uma perseguição política. Ele foi perseguido, esteve exilado no Chile. Seu principal assessor, Aloísio Nunes Ferreira, foi tachado como terrorista procurado. Lamento esse tipo de opinião distante, de quem não conhece o processo”, afirmou Greenhalgh, em referência ao período que Serra foi exilado político na Bolívia, Uruguai e Chile durante os anos da ditadura militar no Brasil (1964-1985).

“O Serra deve saber que não se fala sobre assunto que não se conhece nem se senta na cadeira antes. Não aja como presidente da República, se metendo em assuntos que não lhe dizem respeito”, acrescentou o advogado, ex-deputado federal pelo PT.

Vejam mais na Agência Brasil