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quarta-feira, 15 de junho de 2011
Itamaraty alerta sobre problemas de brasileiros barrados na Espanha
O ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, afirmou nesta quarta-feira que as autoridades da Espanha continuam impedindo brasileiros que tentam entrar no país, o que poderia motivar a adoção de medidas de "reciprocidade".
Em pronunciamento na Comissão de Relações Exteriores da Câmara dos Deputados, o ministro destacou, no entanto, que, após um período em que esses casos chegavam a 250 por mês, a média agora caiu para cerca de 140.
Patriota lembrou que, há três anos, quando houve um princípio de crise diplomática diante do elevado número de brasileiros rechaçados nas alfândegas espanholas, criou-se um grupo binacional de nível consular que monitora de forma permanente o assunto, além de se reforçar a cooperação bilateral, inclusive no âmbito policial.
Ele ressaltou que, por meio dessas iniciativas, foram reduzidas as arbitrariedades na Espanha. "Apesar de tudo isso, continuam ocorrendo alguns casos que são inaceitáveis", declarou Patriota, que disse ter conversado sobre o assunto com a chanceler espanhola, Trinidad Jiménez, durante reunião em maio em Brasília.
Continue lendo a notícia da EFE, no UOL.
Em pronunciamento na Comissão de Relações Exteriores da Câmara dos Deputados, o ministro destacou, no entanto, que, após um período em que esses casos chegavam a 250 por mês, a média agora caiu para cerca de 140.
Patriota lembrou que, há três anos, quando houve um princípio de crise diplomática diante do elevado número de brasileiros rechaçados nas alfândegas espanholas, criou-se um grupo binacional de nível consular que monitora de forma permanente o assunto, além de se reforçar a cooperação bilateral, inclusive no âmbito policial.
Ele ressaltou que, por meio dessas iniciativas, foram reduzidas as arbitrariedades na Espanha. "Apesar de tudo isso, continuam ocorrendo alguns casos que são inaceitáveis", declarou Patriota, que disse ter conversado sobre o assunto com a chanceler espanhola, Trinidad Jiménez, durante reunião em maio em Brasília.
Continue lendo a notícia da EFE, no UOL.
segunda-feira, 26 de julho de 2010
Deportação de imigrantes aumenta no governo Obama, diz "Washington Post"
Numa tentativa de reforçar o cumprimento das leis de imigração -- em meio às discussões sobre a reforma migratória e a polêmica lei do Arizona -- o governo do presidente dos EUA Barack Obama vem aumentando o número de deportações e auditorias em empresas em busca de imigrantes ilegais.
As informações são do jornal americano "Washington Post" que publicou reportagem especial sobre o tema em sua edição desta segunda-feira.
De acordo com o diário a agência de Imigração e Alfândega espera deportar cerca de 400 mil pessoas neste ano fiscal, cerca de 10% a mais do que o total de imigrantes expulsos do país em 2008 e 25% mais do que em 2007, ainda no governo de George W. Bush.
A notícia continua na Folha.com .
quarta-feira, 14 de maio de 2008
'The Washington Post' acusa EUA de drogar deportados
BBC:
O governo dos Estados Unidos teria drogado centenas de estrangeiros deportados com remédios usados para tratar distúrbios psiquiátricos com o objetivo de mantê-los sedados durante a viagem de volta a seus países, segundo uma reportagem publicada nesta quarta-feira pelo jornal The Washington Post.
Segundo o jornal, o uso dos remédios em pessoas sem nenhuma história de doença mental e sem nenhuma razão médica inclui dezenas de casos nos quais o chamado "coquetel pré-vôo" teria tido um efeito tão forte que os deportados tiveram de ser transportados em cadeiras de roda.
O governo dos Estados Unidos teria drogado centenas de estrangeiros deportados com remédios usados para tratar distúrbios psiquiátricos com o objetivo de mantê-los sedados durante a viagem de volta a seus países, segundo uma reportagem publicada nesta quarta-feira pelo jornal The Washington Post.
Segundo o jornal, o uso dos remédios em pessoas sem nenhuma história de doença mental e sem nenhuma razão médica inclui dezenas de casos nos quais o chamado "coquetel pré-vôo" teria tido um efeito tão forte que os deportados tiveram de ser transportados em cadeiras de roda.
sexta-feira, 7 de março de 2008
Que fazer, se, para a Espanha, brasileiro é escória?
Gosto da Espanha, adoro a cultura espanhola, detestaria me indispor com os espanhóis, e fico ouvindo uma vozinha que me diz "por que no te callas? por que no te callas?". Mas não dá para ficar calado quando o governo espanhol começa a barrar indiscriminadamente a entrada de brasileiros no continente europeu.
Experiência pessoal é fogo. Em Miami, no aeroporto, pós-11 de setembro, um senhor verifica meu passaporte, vê minha foto com barba, olha meu rosto escanhoado e me pede para que saia da fila. Me encaminha até um grupo de policiais mal-encarados, que, educadamente, verificam minha bagagem de mão, pedem para que eu me sente em um banquinho, passam delicadamente um aparelho detetor de sei lá o que pelas minhas pernas. Uma moça me pergunta o que é um pacotinho que trago na mala. São palhetas para saxofone, explico. "Ah, o senhor toca saxofone?", diz, sorridente. "Se eu respondesse que sim, na frente de algum vizinho, ele lhe diria indignado que não, de maneira nenhuma", respondi. Os policiais, riem, me devolvem passaporte, pertences, e me liberam, com um pedido de desculpas pelo transtorno.
Madri, 1992. Policiais mal-encarados me detém, com minha mulher, no desembarque, no aeroporto de Barajas. Nem olham para mim, e pedem rispidamente para que minha mulhar acompanhe uma policial até não sei onde. Espero, sob a vigilância de um sujeito mal-encarado e mal barbeado, enquanto minha mulher, como me contou depois, era submetida a uma revista minuciosa, de alcance ginecológico. Não encontram o que quer que esperassem encontrar no estranho _ para eles _ casal brasileiro, ele barbudo com cara de iraniano ou descendente árabe sul-americano; ela branquíssima, ruiva e de olhos verdes. Nos liberam sem um comentário, um cumprimento, contrafeitos. Voltei depois à Espanha, nunca mais tive problemas. Pretendo voltar.
Mas, sei lá se não escapei de sofrer a indignidade a que o governo da Espanha vem submetendo brasileiros hoje em dia, por "não se enquadrarem nos critérios da União Européia". Aparentemente esses critérios são, atualmente: não ser mulher de pele escura, nem ser jovem aventureiro sem 70 euros para cada dia que pretende ficar em continente europeu, e ter dinheiro para hospedar-se em hotéis. Só que não adianta cumprir os requisitos, se o brasileiro em viagem simplesmente provocar, no policial de plantão, a amargura de alma que o magnífico _ ainda que amigo de facistas _ espanhol Ortega y Gasset via nos conterrâneos, cuja "moradia íntima", dizia ele, "foi tomada há tempo pelo ódio, que vive ali artilhado, movendo guerra ao mundo". O policial da imigração tem poder para te arrebentar a viagem, se não for com sua cara. E, a Espanha, eles não têm ido com a cara de gente a pampa.
No caso, a guerra espanhola não é contra o mundo, como exagerava o filósofo, mas contra o que seus sabujos da Imigração acreditam ser a escória do mundo, os brasileiros e outros latinos que chegam à Europa, muitos deles , invertendo o fluxo que, no século passado, levou centenas de milhares de espanhóis a buscarem melhores oportunidades de vida na América Latina.
Retaliar, barrando turistas espanhóis que vêm ao Brasil só criará problemas para os pobres coitados da classe média espanhola que, contra todos os preconceitos e avisos sobre a violência nas cidades brasileiras, acreditaram que aqui há belezas naturais e gente simpática. Há outro tipo de espanhol que levaria mais eficientemente a mensagem de desagrado do Brasil ao governo da Espanha.
Ora, não há classe com maior acesso aos corredores do poder que a emprsarial. E os empresários espanhóis estão aqui, ao nosso lado, contentes com as oportunidades do mercado brasileiro, dispostos a satisfazer as necessidades do consumidor brasileiro; certamente tão sensíveis quanto nós às maldades feitas por oficiais de imigração, que tratam turistas ou sonhadores brasileiros como lixo, trancados sem seus telefones celulares em salas sem alimentação, sem condições decentes de higiene, sob tortura psicológica.
No Brasil, os espanhóis, hoje, estão estão na aviação (Ibéria), no setor bancário (Santander, BBVA), no mercado editorial (Planeta, Alfaguara, Editora Moderna-Santillana), hotéis (Sol-Melliá), na telefonia (Telefónica, de péssimo desempenho, aliás, nos Procons da vida), e em muitos setores mais.. Em meu modesto papel de moderadíssimo consumidor, fico imaginando o que aconteceria se eu me abstivese de consumir produtos espanhóis ou de empresas espanholas enquanto a Espanha não mostrar que, em seu legítimo direito de conter a crescente onda de imigração para a Europa, pode tratar os brasileiros como gente, e não como escória. Fico imaginando o que aconteceria se muitos outros brasileiros passassem a fazer o mesmo.
Outro texto do Sérgio Léo, agora do Sítio. Este editor também recomenda seguir o linque do Sérgio Léo ao G1. Se você não seguiu, ainda tem chance de conferir o texto do G1, clicando aqui.
Experiência pessoal é fogo. Em Miami, no aeroporto, pós-11 de setembro, um senhor verifica meu passaporte, vê minha foto com barba, olha meu rosto escanhoado e me pede para que saia da fila. Me encaminha até um grupo de policiais mal-encarados, que, educadamente, verificam minha bagagem de mão, pedem para que eu me sente em um banquinho, passam delicadamente um aparelho detetor de sei lá o que pelas minhas pernas. Uma moça me pergunta o que é um pacotinho que trago na mala. São palhetas para saxofone, explico. "Ah, o senhor toca saxofone?", diz, sorridente. "Se eu respondesse que sim, na frente de algum vizinho, ele lhe diria indignado que não, de maneira nenhuma", respondi. Os policiais, riem, me devolvem passaporte, pertences, e me liberam, com um pedido de desculpas pelo transtorno.
Madri, 1992. Policiais mal-encarados me detém, com minha mulher, no desembarque, no aeroporto de Barajas. Nem olham para mim, e pedem rispidamente para que minha mulhar acompanhe uma policial até não sei onde. Espero, sob a vigilância de um sujeito mal-encarado e mal barbeado, enquanto minha mulher, como me contou depois, era submetida a uma revista minuciosa, de alcance ginecológico. Não encontram o que quer que esperassem encontrar no estranho _ para eles _ casal brasileiro, ele barbudo com cara de iraniano ou descendente árabe sul-americano; ela branquíssima, ruiva e de olhos verdes. Nos liberam sem um comentário, um cumprimento, contrafeitos. Voltei depois à Espanha, nunca mais tive problemas. Pretendo voltar.
Mas, sei lá se não escapei de sofrer a indignidade a que o governo da Espanha vem submetendo brasileiros hoje em dia, por "não se enquadrarem nos critérios da União Européia". Aparentemente esses critérios são, atualmente: não ser mulher de pele escura, nem ser jovem aventureiro sem 70 euros para cada dia que pretende ficar em continente europeu, e ter dinheiro para hospedar-se em hotéis. Só que não adianta cumprir os requisitos, se o brasileiro em viagem simplesmente provocar, no policial de plantão, a amargura de alma que o magnífico _ ainda que amigo de facistas _ espanhol Ortega y Gasset via nos conterrâneos, cuja "moradia íntima", dizia ele, "foi tomada há tempo pelo ódio, que vive ali artilhado, movendo guerra ao mundo". O policial da imigração tem poder para te arrebentar a viagem, se não for com sua cara. E, a Espanha, eles não têm ido com a cara de gente a pampa.
No caso, a guerra espanhola não é contra o mundo, como exagerava o filósofo, mas contra o que seus sabujos da Imigração acreditam ser a escória do mundo, os brasileiros e outros latinos que chegam à Europa, muitos deles , invertendo o fluxo que, no século passado, levou centenas de milhares de espanhóis a buscarem melhores oportunidades de vida na América Latina.
Retaliar, barrando turistas espanhóis que vêm ao Brasil só criará problemas para os pobres coitados da classe média espanhola que, contra todos os preconceitos e avisos sobre a violência nas cidades brasileiras, acreditaram que aqui há belezas naturais e gente simpática. Há outro tipo de espanhol que levaria mais eficientemente a mensagem de desagrado do Brasil ao governo da Espanha.
Ora, não há classe com maior acesso aos corredores do poder que a emprsarial. E os empresários espanhóis estão aqui, ao nosso lado, contentes com as oportunidades do mercado brasileiro, dispostos a satisfazer as necessidades do consumidor brasileiro; certamente tão sensíveis quanto nós às maldades feitas por oficiais de imigração, que tratam turistas ou sonhadores brasileiros como lixo, trancados sem seus telefones celulares em salas sem alimentação, sem condições decentes de higiene, sob tortura psicológica.
Falar com embaixador adianta pouco. Além do desgosto de ouvir uma explicação cínica, quem manda nesse assunto não é o ministério de Relações Exteriores, mas o do Interior. Que, aparentemente, não se preocupa com um punhado de basbaques do terceiro mundo que, vejam só, querem fazer turismo, ou, pretensão das pretensões, apresentar trabalhos em algum congresso europeu. Os diplomatas sérios da Espanha devem estar constrangidos, mas pouco fazem além de entrar numa disputa de burocracias por lá. Já os empresários, as empresas, essas têm acesso, e voz grossa.
No Brasil, os espanhóis, hoje, estão estão na aviação (Ibéria), no setor bancário (Santander, BBVA), no mercado editorial (Planeta, Alfaguara, Editora Moderna-Santillana), hotéis (Sol-Melliá), na telefonia (Telefónica, de péssimo desempenho, aliás, nos Procons da vida), e em muitos setores mais.. Em meu modesto papel de moderadíssimo consumidor, fico imaginando o que aconteceria se eu me abstivese de consumir produtos espanhóis ou de empresas espanholas enquanto a Espanha não mostrar que, em seu legítimo direito de conter a crescente onda de imigração para a Europa, pode tratar os brasileiros como gente, e não como escória. Fico imaginando o que aconteceria se muitos outros brasileiros passassem a fazer o mesmo.
Outro texto do Sérgio Léo, agora do Sítio. Este editor também recomenda seguir o linque do Sérgio Léo ao G1. Se você não seguiu, ainda tem chance de conferir o texto do G1, clicando aqui.
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