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sexta-feira, 19 de julho de 2013

Raízes do Brasil: no levante dos bisturis, ressoa o engenho colonial

Credite-se à elite brasileira façanhas anteriores dignas de figurar, como figuram, nos rankings da vergonha do nosso tempo.

A seleta inclui a resistência histórica à retificação de uma das piores estruturas de renda do planeta.

Ademais de levantes bélicos (32,62,64 etc) contra qualquer aroma de interferência num patrimônio de poder e riqueza acumulado por conhecidos métodos de apropriação.

O repertório robusto ganha agora um destaque talvez inexcedível em seu simbolismo maculoso.

A rebelião dos médicos contra o povo.  

Visto no blog das Frases-CARTA MAIOR

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

NEM O APARTHEID DERROTARIA DILMA


Mesmo que o Nordeste - onde Dilma teve 10.717.434 de votos a mais do que Serra - fosse excluído do acesso às urnas, como acalentam o elitismo preconceituoso e a extrema direita política, ainda assim a petista venceria o tucano por um saldo de 1,3 milhão de votos, ou 0,9%.

(Carta Maior, com Valor; 02-11)

sexta-feira, 4 de julho de 2008

Lúcia Hippolito, a nova colonista

. Hippolito vai ensinar o pobre eleitor a votar para Presidente:
http://cbn.globoradio.globo.com/cbn/promocao/eleicoes2008_talkshow.asp
. O Conversa Afiada pretende assistir à referida Aula Magna.
. E, desde já, antecipa o que dirá a colonista a seus atentos ouvintes:
. Vote em quem:
. Se benzer quando passar pelo busto de Getulio Vargas, que o Brizola mandou erigir na Praia do Russel, no Rio.
. Virar o rosto quando passar em frente a um Ciep.
. Em frente ao Sambódromo.
. Considerar o Carlos Lacerda o Gênio da Raça – I.
. Considerar o Fernando Henrique Cardoso o Gênio da Raça – II.
. Considerar o Lula um “despreparado”.
. Tudo o que o Governo Lula tem de bom – e é muito pouco – é porque fez o que Fernando Henrique começou.
. Quem considerar o "Bolsa Família" uma "fábrica de vagabundos".
Há mais. Confira os eleitores que Lúcia Hippólito vai ajudar a votar no Conversa Afiada.

quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

Ministério Público quer fechamento do MASP

O Ministério Público de São Paulo entrou com uma ação civil pública pedindo à Justiça o fechamento do Masp (Museu de Arte de São Paulo) por conta da ausência de alvarás de funcionamento e atestado de vistoria do Corpo de Bombeiros. De acordo com a ação, há "risco iminente à vida e à saúde dos freqüentadores do museu, bem como ao inigualável patrimônio histórico e cultural que representa o acervo da instituição".

Confira o texto completo nas Últimas Notícias do UOL.


quarta-feira, 9 de janeiro de 2008

Vocês são invasores, nós tenistas

Vocês são invasores, nós somos tenistas


ERA UMA TROPA DE ELITE . No último dia 28, sob o comando de Carlos Minc, secretário do Ambiente do governo do Rio de Janeiro, um combinado de fiscais, peritos e policiais subiu a encosta do morro Dois Irmãos e entrou na favela da Chácara do Céu. Na véspera, Minc sobrevoara o morro num helicóptero.
A tropa de ambientalistas procurava a espantosa expansão da favela sobre as matas do Parque Natural Penhasco Dois Irmãos. Os bárbaros ameaçavam os moradores do Alto Leblon. Temia-se até mesmo que traficantes da Rocinha ("fábrica de marginais", segundo o governador Sérgio Cabral) estivessem mercadejando na comunidade. Constatou-se que não acontecera expansão alguma. (Minc trazia consigo uma fotografia aérea, tirada em 2004.) Há no morro umas 200 casas. Delas, 21 estão acima da cota de 100 metros sobre o nível do mar, linha a partir da qual é proibido edificar. Como são todas antigas, não poderão se expandir, nem deverão ser derrubadas. Seria absurdo pensar que tantas autoridades subam a uma favela para não encontrar nada de errado. Havia a obra de um puxadinho, com uns 20 metros quadrados. Como o dono não estava lá, demoliram-no. Salvaram-se assim a mata atlântica e a paz do Leblon.
A expansão da favela fora produto de uma alucinação demofóbica. Tudo poderia ficar reduzido à Batalha do Puxadinho se não aparecesse um cidadão com uma lembrança: e a quadra de tênis? Que quadra? A de um condomínio do Alto Leblon, logo ali, a 200 metros do alto da favela.
Bingo. Lá estava a quadra de tênis, construída acima da cota cem. (Quem quiser vê-la pode ir ao Google Earth na posição 22º59'16" sul e 43º14'06" oeste. Vêem-se ainda outras quatro quadras e três piscinas, mas não se pode dizer que haja algo de errado com elas.) Segundo a Secretaria do Ambiente, o condomínio "Quinta e Quintais" anexou um pedaço da mata. O síndico da propriedade explicou que a quadra, construída em 1979, é anterior à criação do parque e os moradores pagam R$ 2,3 mil por mês à prefeitura pela ocupação do terreno.
Foram procurar a invasão do andar de baixo e acharam a do andar de cima. O condomínio ocupa uns mil metros quadrados de espaço público e a Viúva recebe R$ 2,30 por metro. Admitindo-se que uma família pobre do Rio de Janeiro vive confortavelmente num lote de 50 metros metros quadrados, governo e prefeitura poderiam oferecer terrenos à patuléia R$ 115 mensais por cada lote.
Suponha-se que a brigada ambiental tivesse encontrado dez construções ilegais. Pior, que alguns desses imóveis se destinassem ao lazer e à valorização das casas vizinhas. Uma pista de skate ou um galpão de pagode. Seria o suficiente para excitar a demonologia demófoba: não pagam IPTU, têm aquela vista, moram perto do trabalho e ainda querem se divertir. Aborto neles. Acharam a quadra de tênis, mas o assunto ficou para depois. Afinal de contas, há toda uma gestação burocrática a cumprir. Enquanto não se descasca o abacaxi da quadra, ela poderia ser franqueada aos demais moradores.
A barbárie não se expandira. Entrou um pouco de poesia no surto demófobo. Na voz do egípcio Constantino Kavafis:
"E agora, que será de nós sem os bárbaros? De certo modo, essa gente era uma solução".

Trecho da coluna do Elio Gaspari, na Folha de São Paulo, 06/01/2008 (para assinantes).

terça-feira, 18 de dezembro de 2007

Plano 3.000 e a luta de classes em Santa Cruz, Bolívia

"O curto trajeto de seis ou sete quilômetros que separa a rica cidade boliviana de Santa Cruz do bairro periférico chamado Plano 3.000 equivale a uma viagem ao longínquo altiplano do país. Na maior parte do Plano 3.000 não há água, luz, ou saneamento básico.

No total, 60% da população vive na pobreza e os outros 40%, na miséria. As ruas asfaltadas são apenas duas, uma delas levando a um amplo mercado a céu aberto onde se vende desde CDs piratas até carne de lhama - exposta por horas num balcão de madeira apesar do calor de 30 graus das terras baixas bolivianas nessa época do ano. "
Trecho de texto do jornal O Estado de São Paulo, que é comentado no Diário da Cratera Urbana, e indicado por La Vieja Bruja. (Entendeu agora por que um dos "W", da WWW, é teia? De preferência de aranha armadeira! :) ) O texto completo, com fotos, deve ser buscado no Diário da Cratera Urbana.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2007

Marinho | Sobre a vida dura das madames endinheiradas neste Natal

BLUE BUS:

Um esclarecedor levantamento feito pela InterScience em outubro passado, com 100 mulheres da elite paulistana, joga um foco de luz sobre um outro país, por acaso incrustado no Brasil. Para você ter uma idéia, essas senhoras pretendem gastar em média, somente com presentes de Natal, a bagatela de R$ 8 mil. Cada ‘lembrancinha’ vai custar pelo menos R$ 450. A esmagadora maioria das compras (93%) será feita em shoppings, mas, surpreendentemente, 1/3 das entrevistadas afirmou que gastará parte dessa verba atraves da internet. A maior parte das madames paulistanas dará brinquedos e roupas. Cerca de 10% delas, entretanto, prometem incluir na lista de presentes um iPhone, mesmo sabendo que ele ainda nao está a venda legalmente no país. Dos maridos, elas esperam ganhar viagens (36%) ou carros 0km (33%). A maioria da elite paulistana, veja só, planeja pagar suas compras usando o parcelamento do cartao de crédito.

Para entender melhor esse país habitado por pessoas tao abastadas, vale dizer que as mulheres entrevistadas pela InterScience têm renda familiar superior a R$ 30 mil mensais. Elas viajam em média 3 vezes ao ano para o exterior, têm pelo menos 2 empregados em casa, vao ao cabeleireiro ao menos 1 vez por semana e sao donas de carros do ano. Mas nao pense que tudo sao flores na vida dessas privilegiadas. Até o Natal elas terao que trabalhar duro para dar conta de algumas importantes tarefas - 33% precisam trocar de carro, 29% vao cortar um dobrado atualizando o guarda roupa com as peças da nova estaçao, 24% estarao planejando a bagagem da viagem de férias ao exterior e 24% sofrerao nas maos dos seus cabeleireiros, porque pretendem mudar ou atualizar o corte do cabelo. Dura tambem é a vida das madames ;- ).

sábado, 25 de agosto de 2007

O caos terrestre de Serra / Kassab

Cerca de quinze quilômetros separam a origem de nosso ônibus do destino.

Estava tudo normal no trânsito e a viagem durou uma hora e quarenta minutos.

Sem contar quarenta minutos de caminhada para chegar ao ponto inicial e ao destino final.

De ônibus, levamos em média mais de 6 minutos para percorrer 1000 metros.

Para quem não consegue um assento a viagem é cansativa: as pessoas se espremem no ônibus e chegam ao destino amassadas - foi o meu caso.

Leia o ótimo artigo no sítio do Azenha.

quarta-feira, 22 de agosto de 2007

As neo mentiras contra a boa e velha verdade.

Em todos os países onde o neoliberalismo foi implementado, a arrecadação tributária, ao invés de diminuir, aumentou.

Veja o caso do Brasil: quando Fernando Henrique Cardoso chegou ao poder, nossa carga tributária correspondia a 29% do PIB. Ao sair, oito anos depois, ela tinha subido para 35,5% do PIB. E, com Lula, continuou subindo, chegando hoje a 37% do PIB.

Aí é que está a questão: o Estado extrai mais impostos dos cidadãos, mas não para melhorar os serviços públicos, mas sim para pagar a dívida e seus juros. O Estado é reduzido ao mínimo para o social – saúde, educação, habitação, transporte, trabalho etc. -, mas é aumentado para o capital financeiro.

Vamos tomar o caso das privatizações. Um dos dois principais motivos alegados para a privatização das empresas estatais era o pagamento da dívida pública: com os recursos oriundos da venda destas empresas, reduziríamos a dívida. O que ocorreu de fato?
Leia esta ótima entrevista com o Professor, Mestre, Doutor, Escritor Ivo Lesbaupin no sítio do Azenha.

sexta-feira, 10 de agosto de 2007

Som na caixa: melô dos cansados

Pau nos cansadinhos. Esta não vai tocar no rádio. Chico deve ter gostado. Gil também. O mesmo vale para Herbert Vianna. Acho que Caetano também gostou (mas, talvez, jamais admita publicamente). Já o Seu Jorge, o negro que e elite pode chamar de seu... Tsc, tsc, tsc...
Vale a pena ver e ouvir Max Gonzaga e a Banda Marginal Clique aqui.

O uivo dos cansados: acorda milico!

“Com os cabelos loiros e impecavelmente alisados, a empresária e estilista Patrícia Guizarddi recusava ser chamada de representante da ‘elite branca’ (expressão cunhada pelo ex-governador Cláudio Lembo). ‘Eu acho esse comentário até racista. Sou povão. Passei dez carnavais seguidos no Rio de Janeiro, sambando no meio dos negros’. Na frente do Segundo Exército, depois de andar três quilômetros, o pessoal ainda teve forças para gritar ‘acorda, milico, acorda milico’”, descreve a reportagem da Folha de S.Paulo.

O jornalista Altamiro Borges fala das vaias dos ricos, aqui no Vermelho.


O Melhor e o Pior do Brasil

Dentre as coisas ruins da Paulicéia, existe, ainda e sempre, um tipo de reacionarismo proto-separatista sem paralelos no Brasil.
Assim, um artigo do deputado estadual paulista João Mellão Neto (“Os perigos da incomPeTência”), do DEM, publicado no Estadão em 3/08/2007, critica (com razão) a ausência de Lula junto às famílias das vítimas do Airbus em São Paulo, mas conclui com a seguinte reflexão: “Nada contra o fato de o presidente se refugiar nos Estados nordestinos. Afinal, é neles que se encontra a grande maioria de seus eleitores, todos eles devidamente subornados pelo Bolsa-Família. Mas, a bem da Nação, a sua passagem deveria ser só de ida. Chegou a hora de dizer: Basta!”
Subornados? BNH, correção monetária, juros altos para os bancos, juros negativos e perdão de dívidas para os usineiros, Proer, tudo que engordou a conta da classe média e de muita gente rica durante décadas desaparece diante do “suborno” do Bolsa-Família. Ora, como escreveu outro dia
Fernando Canzian no Folhaonline, “O difamado Bolsa Família é apenas uma fração dos juros pagos a quem tem dinheiro no banco, são 0,4% do PIB contra quase 7%”.

Texto completo no Seqüências Parisienses.

segunda-feira, 30 de julho de 2007

"Pas-se-a-ta"

FSP: candidatando-se a ser o veículo oficial dos golpistas


Além da distribuição gratuita da água "promocional" da Sabesp, outras novidades na passeata do "Cansei" foram, basicamente, as pessoas que dela participaram. Muitas sem qualquer experiência em passeatas. Ao celular, uma senhora usando casaco de pele tinha dificuldade para explicar a alguém onde estava: "Eu tou na passeata. É, passeata. Pas-se-a-ta".
Confira aqui no Blog Entrelinhas a íntegra da esclarecedora matéria produzida pelo Terra Magazine sobre o protesto dos endinheirados paulistas (e golpistas).

Os cansados

Publicado no Blog do Josias.

sábado, 30 de junho de 2007

Racismo e inconsciência branca no Brasil

A professora Cláudia Fonseca, a partir do RS Urgente:
clipped from rsurgente.zip.net
"Brasil não é um país racista", ouvi na televisão ontem de um professor da UFRGS se manifestando contra cotas raciais. Que alívio, penso eu. Então o fato de brancos no Brasil viverem na média seis anos mais do que negros deve ser conseqüência de algum problema físico desses "outros".Brasil "não tem segregação racial", leio numa coluna de opinião contra as cotas. Que bom. Aquela porção (quase o dobro dos brancos) que vive amontoada nos aglomerado subnormais deve refletir um gosto cultural pela vida simples. "Não há prova estatística impedindo a ascensão social de negros", leio de outro autor escrevendo contra cotas. Que consolo pensar que aquele grande número de negros vivendo abaixo da linha de pobreza ( 46.8% contra 22,4% dos brancos) deve ser porque eles simplesmente não se esforçam mais!".
blog it

quinta-feira, 14 de junho de 2007

Nosso sivuqueiro na Bolívia

"Meus clientes bolivianos são quase todos brancos. Dizem barbaridades de Evo Morales. Seus serviçais índios escutam calados, olhos baixos, mas posso ver em seus rostos a expressão de revolta. Resistem muito a falar de política por evidente medo de perderem seus empregos, mas os poucos que aceitaram falar comigo sobre o assunto revelaram-se esperançosos de levarem uma vida melhor um dia por conta do congênere deles que chegou finalmente ao poder."
Do Eduardo Guimarães, blog Cidadania.com.

O Blogoleone publicou ontem, 13/6, 18 notícias, pela mão e escolha de 5 editores e uma editora. Dê-se o prazer de lê-las, bem como as dos dias anteriores, pois as notícias que publicamos raramente são efemérides - elas têm por objetivo fornecer evidências que sirvam de suporte ao entendimento da realidade pelos veios da verdade dissimulada e escondida pelos sabujos dos interesses escusos, pelo quê revestem-se, essas notícias, de características com extensa validade, senão perenidade.

sábado, 9 de junho de 2007

O triunfo da frivolidade

A glória. Estátua da Paris Hilton no Museu de Cera de Madame Tussauds, em Nova York.

A prisão da perua milionária continua animando a mídia especializada em gossips sobre os ricos e famosos. Tablóides americanos estão oferecendo até US$ 500 mil (cerca de R$ 1 milhão) para quem conseguir tirar uma foto de Paris Hilton dentro da cadeia e com o tradicional uniforme laranja dos presos. A queda do Império Romano começou assim. A notícia completa está aqui no G1.

terça-feira, 10 de outubro de 2006

O bad boy de butique no seu habitat

Imagem no Diário Vermelho.

Modernidade, estilo elite paulista, gaúcha etc.

No Diário Gauche:

Ora, não é nenhuma novidade num país em processo de escolha eleitoral ficar dividido. É natural e desejável, para o bem da democracia republicana que buscamos. O que espanta na boca de um professor que já foi qualificado de “príncipe dos sociólogos brasileiros” (sempre que eu escuto isso, não sei por quê, lembro do Clóvis Bornay com suas fantasias principescas no Carnaval do Hotel Glória, no Rio), é o fato de classificar arbitrariamente o “moderno” e o “atrasado”. Para o “príncipe” (no sentido de Bornay, não de Maquiavel) Cardoso, ele e seus pupilos tucanos-pefelês é que são modernos, e mais todos os eleitores alckmistas. Os “atrasados” são os eleitores do presidente Lula. A Folha, conservador jornal da família Frias de São Paulo, chegou a fazer uma matéria praticamente sugerindo o retorno do voto censitário ao País, mecanismo excludente proposto por outorga imperial de Pedro I na Constituição de 1824. Vejam o grau de regressismo a que chegamos! Os “mudernos” são regressistas – é o que acaba se concluindo, hoje no Brasil.

A elite rude

Para o blogueiro boz, Alckmin se arrisca a perder votos ao ser rude com uma pessoa querida pelo povo como o presidente Lula.

A elite brasileira é rude, e está nua. Iagê apresenta bem o quadro:

[...] O preconceito está literalmente colado a alguns indivíduos. Não bastasse a histórica e asquerosa birra direitista com a educação de Lula, recorrentemente desqualificado e menosprezado por sua origem operária, a tática agora é ainda mais leviana: ofensa em razão de uma deficiência física. A mão com quatro dedos, atravessada por uma faixa vermelha em sinal de proibição, denota a verdadeira natureza de uma direita que se intitula tão democrática e ética. É sintoma de puro desespero, levando ao abandono da disputa política.

Assim como Geraldo, o Alckmin, fez no debate da Bandeirantes, esquivando-se da discussão programática e partindo para um fuzilamento de munição dita "ética", os militantes tucanos (ao menos no Rio Grande do Sul, pois não sei se isso se repete no resto do País), estão se valendo de subterfúgios tão virulentos quanto os de seu candidato. O rótulo que desde 1989 tentaram colar a Lula - que sua formação intelectual era deficitária, já que vinha de uma classe popular e de emprego menos glamouroso - aparece agora em versão ainda mais hedionda. Tanto se cobra moralidade da campanha eleitoral e ética da política, mas nada se vê partindo destes paladinos para barrar preconceitos desta ordem, que não ofendem apenas ao Presidente da República, mas a qualquer um que enxergue o mínimo de dignidade em um ser humano.

A "raça a ser extinta", como convocou o senador nazi do PFL, Jorge Bornhausen, na figura de Lula, causa tamanho incômodo às elites que, no desespero e abstinência do poder sobre o Brasil, acabam desnudando seu caráter. Ou melhor, desnudam-se por inteiro, mostrando sua falta de caráter. A falta de capacidade e de autoridade moral e política para enfrentar diversos avanços notórios deste governo, cujo exemplo máximo me parece ser a transferência de renda, que atingiu dimensões jamais imaginadas neste País, faz com que o tucanato e todos outros pássaros que freqüentam esta árvore torta à direita e de raízes contaminadas por uma sede de opressão, apelem a táticas repugnantes, permeadas por preconceitos de classe, físico, racial e ideológico.[...]