Por Dulce Maia em 17/6/2010 | |
| Houve um tempo em que mentira tinha pernas curtas. Agora, a internet faz exercícios diários de alongamento da mendacidade. Nos últimos meses, uma torrencial campanha caluniosa circula pela rede mundial de computadores tomando por base artigo do jornalista Elio Gaspari, publicado originalmente nos jornais Folha de S.PauloO Globo em suas edições de 12 de março de 2008 [ver aqui, para assinantes]. e Quem tiver curiosidade de buscar na internet o número de vezes em que aparecem variantes da infame sentença "Agora a surpresa: adivinhem quem é Dulce Maia? Sim, ela mesma: Dilminha paz e amor! Esse é só mais um codinome da terrorista Estela/Dilma" – colada ao final do artigo de Gaspari – verá que estão hospedadas em mais de 500 páginas da rede (marca muito próxima à moda nazista de cunhar a verdade repetindo-se mil vezes uma mentira para torná-la veraz). Ao contrário do que afirmam, Dulce Maia existe e resiste. Quem é Dulce Maia? Sou eu. Antes de mais nada, quero deixar claro que não me arrependo de nenhuma das opções políticas que fiz na vida, inclusive de ter participado da luta armada e da resistência à ditadura militar implantada em 1964. Eu me orgulho de ter sido companheira de luta de brasileiros dignos como Carlos Lamarca, Onofre Pinto, Diógenes de Oliveira e Aloysio Nunes Ferreira. (O trecho em negrito no terceiro parágrafo é de responsabilidade deste editor) Vejam o texto completo em OBSERVATÓRIO DA IMPRENSA | |
segunda-feira, 21 de junho de 2010
JOGO SUJO
terça-feira, 9 de março de 2010
Elio Gaspari retira direitos de A Tribuna publicar sua coluna
O jornal A Tribuna perdeu o direito de publicar a coluna de Elio Gaspari por ter deixado de veicular o texto do jornalista no último domingo (07/03). Gaspari afirmou ao Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Espírito Santo (Sindijornalistas/ES) que ficou sabendo do caso após ler a notícia na Folha Online, e logo em seguida procurou a Agência O Globo, que comercializa a coluna, para fazer a confirmação.
Gaspari disse que os motivos que levaram A Tribuna a não publicar a coluna “parecem óbvios". O texto “As masmorras de Hartung aparecerão na ONU” tratava do sistema prisional do Espírito Santo, com duras críticas ao governador do estado, Paulo Hartung (PMDB-ES). O jornal alega que uma falha técnica impediu a publicação.
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Marcadores: "masmorras".
domingo, 17 de fevereiro de 2008
A DESORDEM DA ORDEM ESBARROU NO STJ
O Superior Tribunal de Justiça rebarbou uma lista de seis nomes enviados pela Ordem dos Advogados do Brasil para o preenchimento de uma vaga aberta na corte. Fez isso com astúcia, dando a impressão de que nenhum doutor do plantel conseguiu o quórum de 17 votos. Foi mais diplomático que o Tribunal de Justiça de São Paulo. No ano passado, ele devolveu, por inepta, uma lista da OAB local. Um de seus candidatos a desembargador havia sido reprovado nove vezes em concursos para juiz de primeira instância. No Rio, há alguns anos, um dos nomes oferecidos pela Ordem anexara documentos falsos ao seu processo.
O que parece ser uma crise institucional entre um tribunal superior e a OAB é mais um episódio de desgaste de uma instituição coberta por glórias de outrora. Houve a Ordem dos Advogados de Vitor Nunes Leal, Miguel Seabra Fagundes e Raymundo Faoro. Sua história confundiu-se com a defesa das instituições, das prerrogativas dos advogados e os direitos dos indivíduos. E só. Seu mérito esteve na militância restrita.
Passou o tempo, e a Ordem acumulou atividades. Tornou-se administradora de imóveis, colônias de férias e mesmo parceira em programas de geração de emprego. Sustentada por contribuições compulsórias dos advogados, ela movimenta mais de R$ 100 milhões por ano e blinda suas contas ao exame externo.
Até aí, sorte do advogados, pois são eles que elegem os dirigentes da OAB nos estados e municípios. O que fazem com os mandatos que recebem é outra questão.
No ano passado, a OAB de São Paulo tornou-se carro-chefe do movimento 'Cansei'. Em Foz do Iguaçu, o presidente da Ordem local classificou de 'violação dos direitos humanos' as filas provocadas pela fiscalização da Receita Federal sobre os muambeiros do pedaço.
Valendo-se do santo nome da Ordem, há doutores que condenam a transposição do rio São Francisco. Podem ter toda razão, mas certamente há muitos outros inscritos na OAB que pensam diferente. O mesmo aconteceu quando a instituição associou seu nome a projetos de reforma política, flertando com os plebiscitos que seriam celebrizados pelo chavismo.
Nos anos 70, Raymundo Faoro reergueu a Ordem centralizando sua ação na defesa do restabelecimento do habeas corpus. Soube, como ninguém, dispensar a toga de Catão de Geladeira, aquele que começa a discursar quando a luzinha se acende.
Em 2005, após a absolvição do deputado cearense José Nobre Guimarães pela Assembléia Legislativa, o presidente da OAB federal classificou a decisão de 'escárnio'. Tudo bem, pois um assessor de Nobre havia sido apanhado com 100 mil dólares na cueca. Contudo, o companheiro fora defendido pelo presidente da Ordem do estado. Havia duas OABs, a escarnecida e a escarnecedora.
Uma Ordem de Advogados não é tribunal de última instância para grandes (e pequenos) itens da agenda nacional. Quando uma guilda assume esse papel, deformam-se os poderes republicanos e acaba-se mal. A marca OAB transformou-se em franquia desconexa. Diluiu sua autoridade, indo a um varejo no qual muitas vezes é confundida com projetos dos profissionais no exercício de mandatos recebidos de seus pares. Há advogados comprometidos com a democracia e o bem público, mas, como em qualquer profissão, há os que nada têm a ver com eles. Francisco Campos, autor da Carta ditatorial de 1937, e Luís Antonio da Gama e Silva, pai do texto do ato institucional nO 5, eram grandes advogados, convencidos de que tinham o melhor a dar ao Brasil. 'Gaminha' chegara a dirigir a Faculdade de Direito de São Paulo.
Se a Ordem não conseguiu fazer uma lista aceitável pelo Superior Tribunal de Justiça, que contrate bons advogados. Até lá, o melhor que se poderia fazer seria anunciar uma recomendação expressa aos titulares de cargos na OAB para que evitem misturar certezas, causas e objetivos individuais com o mandato que a guilda lhes deu. Se a Ordem não fala em nome de toda (ou quase toda) a comunidade de advogados, ouvi-la é perda de tempo.