Denise Nunes, para Correio do Povo
Se alguém espera mea culpa no Fórum da Liberdade, o primeiro após o caos global, há risco de frustração. Embora boa parte do mundo atribua a atual crise à política neoliberal e à chamada economia de mercado, os defensores do modelo não se abalam. No almoço de abertura da 22ª edição do evento houve até alerta para os riscos do intervencionismo. O alerta é coerente com a defesa do Estado mínimo ou enxuto. Mas, em plena crise, quando as intervenções governamentais se deram justamente para socorrer bancos, indústrias e tentar manter pelo menos algum grau de consumo e emprego em uma economia tombada pela especulação financeira, fazê-lo soa um tanto estranho. E ingrato, se considerarmos que houve brados privados por intervenção. O ex-presidente mexicano Vicente Fox foi mais longe. Após criticar governos que considera personalistas (Venezuela, Bolívia, Equador e Nicarágua), garantiu serem os liberais os entendidos sobre os bons rumos do desenvolvimento.