Mostrando postagens com marcador monocultura. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador monocultura. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

A monocultura que vai terminar na pobreza

Uma cidade, Encruzilhada do Sul. Uma monocultura, eucaliptos. Uma situação insustentável. Miséria, favelas, pobreza e desilusão que tende a piorar. Basta conhecer, observar e conversar com as pessoas, com os agricultores e as agricultoras familiares do município para perceber o que está em curso. A monocultura dos eucaliptos modificou a paisagem, a economia e principalmente a estrutura social do município. Indo lá, vendo e conversando, observamos que a invasão dos capitalistas está desequilibrando rapidamente a paisagem da região e a estrutura social e econômica da cidade.

Quem ainda não vendeu suas terrinhas e insiste em ficar, convive com as visitas dos desesperados animaizinhos que fogem da invasão. São mulitas, mão-pelada, gato-do-mato, ratões e capivaras famintos que devoram tudo que veem pela frente. As plantações, os maciços estão cada vez mais absorvendo a paisagem e desalojando tudo que ali existe. As matas ciliares estão cercadas e desprotegidas pela baixíssima possibilidade de alguém conferir se está dentro ou não da lei ambiental.

Continua no RS Urgente.

quarta-feira, 23 de julho de 2008

Redução da Fronteira não traz benefícios à metade Sul do RS

A redução da área de faixa de fronteira no Rio Grande do Sul foi o tema de audiência pública nesta segunda-feira (21), na Assembléia Legislativa, na Capital gaúcha. Estiveram presentes o autor do projeto de lei que reduz a faixa de fronteira de 150 para 50 km, senador Sérgio Zambiasi (PTB), representantes do governo federal e de entidades ambientalistas, movimentos sociais e sindicais.


Através da leitura da carta do Movimento Gaúcho em Defesa do Meio Ambiente, as entidades contrárias à redução da faixa de fronteira afirmaram que a medida beneficiaria as multinacionais, inclusive as papeleiras. Caso recente é da empresa de celulose sueco-finlandesa Stora Enso, que comprou terras na área de fronteira de forma ilegal para a monocultura de eucalipto.


Vejam mais no Brasil de Fato.


sábado, 17 de maio de 2008

Bancada das papeleiras vai ao Chile conhecer maior deserto verde da América Latina

Os deputados que defendem os interesses das grandes empresas de celulose na Assembléia Legislativa gaúcha viajaram ao Chile, na manhã desta quarta-feira, para conhecer a “maior plantação de florestas para celulose e madeira da América Latina”. Segundo o deputado Berfran Rosado (PPS), coordenador da Frente Parlamentar Pró-Florestamento (também conhecida como bancada das papeleiras), “a intenção é antecipar soluções para as questões de preservação e de desenvolvimento que ocorrerão no Estado com a concretização das novas fábricas de celulose e do crescimento de toda a cadeia produtiva da madeira, que se instalará na Metade Sul”.

O texto continua no RS Urgente. Há ainda um linque para o Observatório Latino-Americano de Conflitos Ambientais, onde há um longo relato, em espanhol, sobre a situação do tal deserto verde no Chile.

domingo, 11 de maio de 2008

jornalista expõe o impacto dos desertos verdes: riachos estão secando no Uruguai

O jornalista Lúcio Vaz, do Correio Braziliense, publicou mais uma matéria sobre o impacto das papeleiras. Ele foi ao Uruguai e constatou: a subsistência dos agricultores está ameaçada pelas plantações de eucaliptos. A matéria relata:

“A invasão dos pampas pelos maciços de eucaliptos começou pelo Uruguai, onde atuam as multinacionais Botnia (finlandesa) e Ence (espanhola). O país conta com pelo menos 700 mil hectares ocupados com florestas de eucaliptos. A Ence ainda está implantando sua base florestal, mas a fábrica de celulose da Botnia, em Fray Bentos, na fronteira com a Argentina, já está em operação. Com investimentos de US$ 1,1 bilhão, vai produzir 1 milhão de toneladas de celulose por ano. Os espanhóis vão produzir a metade disso. O governo e os empresários locais saúdam a nova frente econômica, como acontece no Rio Grande do Sul, mas os efeitos dos "desertos verdes" de eucaliptos já são sentidos por agricultores na região de Mercedes, no departamento de Durazno”.

Texto completo no RS Urgente.

quarta-feira, 5 de março de 2008

Via Campesina ocupa fazenda de fábrica de celulose no Rio Grande do Sul

Rio de Janeiro, 4 mar (EFE).- Cerca de 900 mulheres da Via Campesina ocuparam e destruíram parte da fazenda Tarumã, da empresa Stora Enso, no Rio Grande do Sul, informou hoje o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).

As manifestantes cortaram eucaliptos e plantaram espécies nativas em seu lugar na propriedade de 2.100 hectares, no município de Rosário do Sul, a aproximadamente 400 quilômetros de Porto Alegre.

Os integrantes da Via Campesina e do MST afirmaram que a Stora Enso mantém plantações ilegais na região.

A Constituição proíbe que empresas estrangeiras adquiram terras em uma faixa de 150 quilômetros da fronteira do Brasil com outros países, destacaram os manifestantes.

A Stora Enso comprou terras perto da fronteira com o Uruguai, onde a companhia também possui plantações e pretende formar uma base florestal de mais de 100 mil hectares e implantar fábricas na região, argumentaram.

Texto completo da Agência EFE, no UOL.

segunda-feira, 3 de março de 2008

Papeleiras adquirem senador para mudar a lei

O interesse da multinacional finlandesa de celulose no Rio Grande do Sul é tanto, que a estratégia para garantir que seus interesses não sejam contrariados, penetrou fundo nas estruturas públicas. Como a legislação brasileira ainda não prevê financiamento público de campanha, fica muito fácil adquirir apóio no Parlamento e no Executivo.



Leia o restante no Celeuma. Nota do editor: não estou certo se concordo com o que diz o pessoal do (da?) Celeuma, mas que o título foi muito criativo, isto foi!

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

Neofalaciosos

Para a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, segundo a Zero Hora, "o Estado deveria se mobilizar em torno da causa" da redução da faixa de fronteira brasileira, atualmente de 150 quilômetros a partir do limite com outras nações.

Aguerridos defensores da diminuição, entre eles o deputado federal Nélson Proença (PPS) e o deputado estadual Berfran Rosado (PPS)
, parecem acreditar que "A atual dimensão limita investimentos em áreas de 197 municípios gaúchos, já que estrangeiros e companhias de fora do país não podem adquirir terras nestes locais". Para Proença, inclusive, "a dimensão das perdas que os municípios compreendidos nesta área tiveram com a atual lei só poderá ser conhecida após a alteração", referindo-se aos municípios das empobrecidas metade sul e fronteira oeste gaúchas localizados na referida faixa.

Talvez Proença, antes de incensar um ainda projeto de investimento privado, devesse ler outros depoimentos sobre perdas, como um comentário no Fazendo Média, via Dialógico, do leitor Leandro Alves, sobre a ação da Aracruz no norte do Espírito Santo:

"Só se vê por todo lado, a triste, desabitada e agourenta floresta de eucalíptos, é assustador. Conversei com nativos da região e as falas são de pura revolta e indgnação pelas terras perdidas, desemprego, miséria, fome e a total depredaçao do meio ambiente".
_________________

Bem, mas o que de fato está por detrás de tais desprendidas motivações, afora a discutível tese de que efetivamente tal projeto possa trazer desenvolvimento para a metade sul gaúcha?


O ponto é que "O problema da faixa de fronteira ganhou força após o ingresso da sueco-finlandesa Stora Enso na Fronteira Oeste, em 2005. A indústria de celulose, que pretende instalar uma planta de mais de US$ 1 bilhão na região, previa adquirir 100 mil hectares no Rio Grande do Sul para fazer sua base florestal (...)

Por meio da Derflin, braço brasileiro da multinacional, foram comprados 46 mil hectares para o plantio de eucalipto, mas o processo foi interrompido após as dificuldades para registrar as terras no cartório, decorrentes da atual legislação. Pelo menos US$ 100 milhões em investimentos estão suspensos devido ao imbróglio jurídico" (Os grifos são meus).

Ou seja, uma multinacional tentou bancar a espertinha e se ralou, pois o processo de compra de terras por ela através de laranjas e de registro em cartório foi interrompido graças à legislação nacional, e não após as dificuldades para registrar as terras no cartório decorrentes da legislação nacional, como eufemiza ZH, uma vez que não é que seja difícil registrar terras nesse caso, mas sim que é impossível, desde que provada a relação de triangulação.

Mas que bom para ela que seus interesses no Brasil contam com a simpatia de deputados federais e estaduais, muito embora La Vieja acredite que se uma empresa brasileira tentasse passar a perna no estado finlandês ou sueco nenhum de seus deputados sairia em seu socorro ou defenderia qualquer de seus interesses.
__________________

Por sua vez, José Antônio Alonso, economista da Fundação de Economia e Estatística (FEE-RS), não concorda nem com Proença e nem com Rosado.

Alonso teria dito, segundo ZH, que "a modificação pode até ajudar no desenvolvimento de algumas localidades, mas não será determinante na alteração do panorama geral da Metade Sul. A base do empobrecimento estaria em outros fatores, como estrutura fundiária e matriz produtiva pouco diversificada".

Ou seja, latifúndio e monocultura ou pecuária extensiva, como qualquer pessoa que tenha estudado minimamente a história econômica do RS sabe, e até mesmo alguns analfabetos.

Que pena que eles sejam inelegíveis.
__________________

Finalizando, como La Vieja já havia dito ao comentar matéria veiculada em ZH por Lucia Ritzel, que viajou a São Paulo a fim de escrevê-la a convite da Aracruz e da Votorantim Celulose e Papel, é uma falácia se supor que a Aracruz, a Stora Enso e a Votorantim Celulose e Papel tenham projetos de desenvolvimento para a metade sul gaúcha. Empresas privadas só têm projetos de desenvolvimento para si próprias, e acidentalmente tais projetos podem ou não promover determinado ganho social. Empresas, como todo e qualquer almofadinha com MBA sabe, têm como objetivo final o lucro, e não os interesses das comunidades das quais exploram os recursos naturais.

O fato é que, escrevia La Vieja acerca do também falacioso comentário de Elizabeth de Carvalhaes, presidente da Associação Brasileira de Celulose e Papel (Bracelpa) entrevistada pela jornalista de ZH, segundo o qual "Os escandinavos deixaram de investir em seus países para investir no Brasil. Então, é nosso papel assegurar esses projeto",

"(...) está esgotada a capacidade de expansão territorial das papeleiras na escandinávia, e somente por isso, além dos preços da terra e da mão-de-obra, eles estão aqui, para não mencionar a peculiar simpatia que alguns novos jeitos de governar lhes devotam por conta do afrouxamento da legislação ambiental. E o fato dos escandinavos terem deixado 'de investir em seus países para investir no Brasil' não é condição suficiente, e sequer necessária, para que seja 'nosso papel assegurar esses projetos', pois mais essencial do que empresas multinacionais terem deixado de expandir suas matrizes seja lá por qual motivo é saber se realmente é do interesse e importante para o RS assegurá-los. Tais projetos é que precisam se submeter ao nosso crivo, e não o contrário. Eles é que podem não ser bons o suficiente para nossos interesses de desenvolvimento".

Também da Vieja Bruja, que, por sinal, gerou acalorada discussão.