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segunda-feira, 10 de outubro de 2022

 https://actualidad.rt.com/opinion/oleg-yasinsky/443889-neoliberalismo-privatizo-agenda-izquierda

 

Como o neoliberalismo privatizou a agenda da esquerda

Publicado:

  • "Se não é possível vencer teu inimigo, una-te a ele", diz um refrão herdado pelo poder desde os tempos antigos. Dentro do grande retrocesso histórico, que será lembrado pelos antropólogos do futuro, como o neoliberalismo, há poucas coisas resgatáveis. Quando o sistema mundial capitalista conseguiu a destruição de seu principal inimigo, à União Soviética, e a seus povos com toda sua beleza humana e uma total ingenuidade política, foi vendida a eles a falácia da "economia social do mercado" e o brutal laboratório pinochetista chileno, graças aos contos de fadas midiáticos se converteu para os governos no principal modelo a seguir, o grande projeto humanista de esquerda mundial que foi praticamente nocauteado.

    Mais além de uma outra resistência heróica aqui ou ali, o neoliberalismo se apoderou de tudo, e mais alem do crime econômico, converteu-se na única lógica do desenvolvimento, para assegurar a irreversibilidade de seu triunfo, ele se dedicou a acabar com as culturas e as memórias dos povos, convertendo a educação, a arte e o pensamento primeiro numa mercadoria e logo após eliminá-los porque desnecessários.

    Para poder nos dominar bem e sem riscos, havia que idiotizar-nos.

    Mas no umbral entre nossos séculos sucedeu algo mais. Se nas décadas anteriores, dentro da competência ideológica de dois sistemas, que não foi outra coisa que uma guerra mundial de uma cambiante intensidade, híbrida, como diriam agora, o capitalismo todavia era produtivo, ainda gerava uma aceitável distribuição dos recuros nos países metropolitanos, e apesar da costumeira e brutal exploração dos recursos de sua enorme periferia, mantinha um atrativo para uma boa parte da população, por níveis de bem estar material e liberdades individuais, pelo menos nos países mais ricos. As pessoas minimamente, em teoria, podia optar pelas vantagens e desvantagens de ambos os sistemas.

    Com o desaparecimento dos "socialismos reais" na Europa, perdeu-se um dos principais estímulos da lógica capitalista que é a competição, e como a opção socialista deixou de aparecer como uma possibilidade histórica e ameaça para os poderes do Ocidente, é lógico que as conquistas sociais até nos países mais ricos foram se reduzindo, abrindo o caminho para uma exploração sem limites como o sonho dos defensores do "fim da história". Ao mesmo tempo, junto à revolução digital, as especulações financeiras internacionais de longe ganharam a competição com os capitais nacionais produtivos.

    Gerar bens reais se tornou cada vez menos rentável e com o desenvolvimento do manejo da imagem e da psicologia humana, a televisão, internet e redes sociais em mãos dos de sempre, só num par de décadas serviram a nossas mesas um mundo paralelo, uma fuga perfeita da realidade insuportável, com uma promessa de mundo feliz para os que se comportarem bem.

    Os políticos tradicionais, os homens de Estado, rapidamente foram trocados pelos gerentes tecnocratas a serviço das grandes corporações e cujo único requisito é não saber distinguir entre uma empresa e um país, que além disso já não é praticamente o mesmo. Para assegurar seu triunfo, ao neolibealismo restavam somente as últimas quatro tarefas: a primeira, a destruição da educação pública, de onde no mundo anterior os cidadãos aprendiam as coisas básicas acerca deste mundo e que tradicionalmente foram os focos da dissidência social e do pensamento crítico; a segunda, acabar com a comunicação direta entre os seres humanos, rompendo o tecido social tradicional, uma função que nas grandes cidades cumpriram as redes sociais, com essa ilusão de unir, desunindo e viciados; a terceira,  muito relacionada com a anterior, que é a destruição de nossas culturas locais, gerando uma nuvem mundial cosmopolita de onde consumiremos somente um tipo de produção cultural criada e controlada por eles, algo que define os valores, os modelos e os hábitos sociais das gerações que virão, permitindo assim manipular-nos de uma forma simplificada e uniforme. E a última,  quarta tarefa, era tal vez a mais delicada: O que fazer com os que dizem ser da esquerda,  supondo que, com suas lutas, organizações, conhecimentos e olhar crítico desde os tempos imemoráveis poderiam impedir o cumprimento desses planos?


     

    O grande computador que é o coração e o cérebro tecnocrata do sistema neoliberal deu uma resposta muito simples: o roubo, que é a especialidade e a expertise do sistema, que a estas alturas não pode oferecer ao ser humano absolutamente nada novo, nem sequer uma ilusão. E enquanto nossos dogmáticos permaneciam em sua eterna e cada vez mais estéril discussão sobre Trotsky, Stalin e Mao, o sistema neoliberal se apropriou da agenda da esquerda, de uma vez, privatizando todo o pacote de absolutamente todas as lutas de gerações e gerações.

    Nos últimos anos de sua vida, Fidel Castro nos advertia que a única coisa que poderia fazer fracassar a humanidade em sua luta contra o capitalismo seria a lumpenização que esta produz em todas as camadas sociais. Uma lumpenização que nos desumaniza e nos impede de compreender o sentido desta luta.

    Esta lumpenização foi o objetivo das políticas educativas e culturais das últimas décadas, quando desde a escola as matérias como história e filosofia foram declaradas supérfluas e a televisão nos acostumava ao "fast food" intelectual, sempre alinhado com certas doses de veneno ideológico anticomunista.

    Como o adversário é muito profissional, não vimos o momento do roubo. Só amanhecemos dando-nos conta que nossas bandeiras há muito tempo já estavam em mãos inimigas. Nossa luta histórica, pelos direitos das mulheres é convertida em feminismo agressivo, ameaçando o mundo com a guerra dos sexos, a defesa da dignidade e dos direitos das minorias sexuais se converteu num show indigno e autoritário que poderia ser a cátedra da hipocrisia e desrespeito, a luta vital por defender nosso planeta da voracidade do sistema é encabeçada e promovida por corporações verdes, dispostas a investir milhões em salvação de qualquer baratinha ou girino, menos na do ser humano.

    A imposição de oxímoros tipo "economia social do mercado", "desenvolvimento capitalista sustentável" ou "as guerras humanitárias" continuam decompondo o cérebro dos estimados espectadores, que já não tem sequer os elementos mais básicos para armar a realidade fragmentada dentro da enorme cratera gerada pelo cometa neoliberal que  chocou-se com nosso planeta. As verdadeiras lutas pelos direitos, antes sempre uniam as pessoas. As lutas atuais, manipuladas pelo sistema, nos desunem. Declarando a tolerância, se promove a hipocrisia, a desconfiança e o ódio.

    Agora dá risos recordar nossa crítica das sociedades socialistas por seus duplos padrões, que alguma vez nos indignaram tanto. Os padrões de agora montados sobre a areia movediça do relativismo, a ignorância e sobretudo a arrogância, promovidos pelo sistema ocidental, são múltiplos. Estão cheios de contradições que ninguém vê, já que não sabemos olhar com nossos próprios olhos. 

    Neste grande reinicio nada está oculto, a manipulação, o manejo e o autoritarismo estão totalmente abertos, só que ninguém quer ver, por medo, por desconforto ou simplesmente porque não sabe distinguir as formas e as cores.

    As massas indignadas dispostas a sair às ruas em diferentes lugares do planeta, milhares de jovens com valor e sacrifício dispostos a lutar por um mundo mais justo não sabem que o sistema em seu cálculo maquiavélico já tem preparado novos Boric ou Zelenski, para trocando-os nada mude, porque todas as lutas "por tudo que é do bem contra todo o mal" promovidas pelo sistema e seus porta-vozes, sempre são uma armadilha para abrir a tampa,, retirar algum vapor e devolver aos povos deixando-os dentro da mesma panela.

    Devemos recordar que as lutas culturais e éticas não podem não ser parte de um projeto de mudança política muito mais profundo. E este projeto é impossível sem uma organização cidadã com seu pensamento próprio, crítico, autônomo e respeituoso com o conhecimento humano acumulado. Este conhecimento crítico não pode ser trocado por memes, por 'hashtags' e pelos slogans radicais. Em caso contrário, constantemente estaremos devolvendo-nos ao mesmo ponto da ressaca social, de onde os donos do mundo sempre terão seus diferentes gerentes, segundo o gosto do cliente, sejam conservadores, liberais, socialistas ou capitalistas.

    domingo, 1 de setembro de 2013

    A importância da imaginação pós-capitalista

    David Harvey mergulha no estudo das contradições do sistema e busca alternativas: desmercantilização, propriedade comum, renda básica permanente e gratuidades. 

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    sexta-feira, 24 de maio de 2013

    Povo russo condena Gorbachev e Yeltsin, e aprova Lênin e Stalin

    Lênin: 55% dos russos aprovam seu governo, quase 90 anos depois.

     Uma pesquisa realizada na Rússia, divulgada nesta terça-feira (22) pelo Instituto Levada Center, de Moscou, revela algumas coisas importantes na memória histórica do povo russo.

    Por José Carlos Ruy


    A primeira delas é a valorização dos governantes russos que, ao longo do século 20, defenderam a nação; a outra é a alta aprovação dos governantes comunistas; finalmente, transparece a condenação e o repúdio daqueles que traíram a Pátria e o socialismo.

    Os números são expressivos. O tzar Nicolau, que governou até a revolução russa de 1917 e conduziu o país durante duas guerras de grande envergadura (a guerra russo-japonesa de 1905 e a Primeira Guerra Mundial), foi visto de maneira positiva por 48% dos entrevistados, mesmo depois de 95 anos do fim de seu reinado.  


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    domingo, 20 de janeiro de 2013

    Raúl Castro, o verdadeiro dissidente





    Contrariamente a uma ideia amplamente difundida, particularmente no Ocidente, o debate crítico está presente na sociedade cubana.  

    No Ocidente, Cuba é representada como uma sociedade fechada em si mesma, na qual o debate crítico é inexistente e a pluralidade das ideias é proibida por quem está no poder. Na realidade, Cuba está longe de ser uma sociedade monolítica que compartilharia um pensamento único. Com efeito, a cultura do debate se desenvolve mais a cada dia e é simbolizada pelo Presidente cubano Raúl Castro (foto à esquerda), que se converteu no primeiro a falar dos reveses, das contradições, aberrações e injustiças presentes na sociedade cubana. 


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    sábado, 6 de outubro de 2012

    Mensalão e "exceção": Carl Schmitt e Lewandowsky

    Um artigo que publiquei na Carta Maior sobre a questão do “estado de exceção permanente” mereceu algumas considerações que reputo importantes para a cultura política e jurídica do Estado de Democrático de Direito e também para o meu próprio proveito, como pessoa que preza o debate de ideias e milita - por vezes assumindo cargos públicos- no campo do ideário socialista.

    Não desconheço as grandes contribuições de Agamben e sobretudo do maiúsculo Walter Benjamin sobre o assunto. Nem o juízo - sustentado por brilhantes analistas de esquerda - de que é possível, na profundidade do conceito de “exceção permanente” de Schmitt, matizar que o sistema de produção e reprodução das condições de existência no capitalismo ampara-se, sempre, na “excepcionalidade”. Tomada esta, enfim, como violação permanente das suas próprias normas de organização jurídica e política, de forma alheia às promessas das constituições democráticas, com seus “direitos fundamentais”. 

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    quarta-feira, 12 de setembro de 2012

    Entrevista com Marcello Musto, politólogo e filósofo italiano. O fantasma de Marx remexe Wall Street e o mundo

    Oliverio Comte
    Punto Final
    Quando em 1989 os adivinhos do neo-liberalismo anunciavam com júbilo o fim da história e o triunfo definitivo do capitalismo, jamais imaginaram que 19 anos mais tarde, o fantasma de Karl Marx percorreria o coração de Wall Street e dos principais centros de reprodução da usura mundial, invocado por eles mesmos.
    Hoje, com o crescente desespero, buscam na obra do proscrito Marx, as chaves para a compreender a magnitude da crise atual do capitalismo, que desde 2008 sacode a economia global. Buscam uma saída cosmética - que assegure os interesses do capital - no contexto de uma crise multifacética que inclui os setores econômico, financeiro, alimentar, energético e ambiental. 


    Paralelamente, um grupo de intelectuais de diversas partes do mundo, agrupados na Fundação Internacional Marx Engels (IMES), trabalha há anos numa tarefa longamente inconclusa: realizar uma edição integral e científica da obra de Marx e Friedrich Engels. A publicação das obras completas de ambos pensadores, iniciou-se em 1920 na ex-URSS, iniciativa conhecida como Projeto MEGA por suas siglas em alemão. Nele participaram intelectuais soviéticos e alemães, mas sucumbiu por causa dos expurgos stalinistas e o auge do nazismo na Alemanha. Em 1975 foi reiniciado como MEGA 2, que teve a mesma sorte com o o fim da URSS e dos socialismos reais em 1989. 
     
    Vejam o texto completo em Rebelion.org ou uma tradução livre no blog NEBULOSA.DE.ÓRION

    quinta-feira, 30 de junho de 2011

    Filha de Che teme que reformas afetem consciência social em Cuba

    A sra. não acha que isso se conflita com o princípio socialista?
    Não. Isso não tem nenhum tipo de problema com os princípios socialistas. A questão não está em vender a tua casa ou o teu carro ou trocá-lo. Isso me parece que é muito bom que possamos fazê-lo livremente, sem nenhum tipo de trava. A questão está em que agora há trabalhadores por conta própria. Esses trabalhadores vão buscar o seu benefício pessoal. O meu temor pessoal como cidadã a pé eu não tenho nada a ver com a direção do governo cubano; sou uma médica cubana meu temor é que as pessoas que comecem a trabalhar para si mesmas percam um pouco a questão social, a consciência social. Vivendo numa sociedade socialista, nós trabalhamos para um povo. Quando tu começas a trabalhar para o teu bolso, para o teu bem estar pessoal, temos o risco de perder essa conexão social que mantivemos por toda a vida. Essa é a minha preocupação pessoal. O Estado socialista e segue sendo socialista porque não há privatização nos grandes meios de produção. Isso não se tocou e não se vai tocar. O povo cubano segue sendo dono de tudo o que se produz no país. Podes ser dono do que tu fazes em tua casa, um restaurante, um salão de beleza, serviços. Mas os grandes meios de produção, tudo está com o Estado, que, portanto, é do povo. Nesse sentido não há nenhum tipo de mudança.


    Confira a interessante entrevista de Aleida Guevara à Folha.com

    segunda-feira, 13 de junho de 2011

    Morte e renascimento da ciência de Marx

    Quando a gravitação dos dogmas do poder distorce o método científico, este quebra como uma casca de ovo. E a evolução condena o sistema que o faz à morte.

    Heinz Dieterich

    1. O estancamento da ciência marxista

    Para derrubar um sistema social fisicamente há que derruba-lo primeiro ideologicamente. Este é o campo de batalha em que a esquerda ocidental tem fracassado há um século. A explicação científica deste fracasso oscila entre dois teoremas Engels e Marx: 1. “Sem teoria revolucionária não há praxis revolucionária"(Engels); 2. “A teoria se realiza no povo somente na medida em que é a realização de suas necessidades” (Marx).

    Enquanto primeira dimensão do problema, a ciência de Marx e Engels no Ocidente está truncada desde a morte de Lenin, quem desenvolveu os últimos grandes paradigmas científicos da transição pós-capitalista. É comparável a situação da ciência de Marx/Engels a uma física que ficasse travada em Newton, sem as posteriores evoluções de Einstein, Planck, Heisenberg, Gell-Man et al. Que práxis inovadora e transformadora poderia ter tal ciência no século XXI?

    Vejam o texto completo (castelhano) em KAOSENLARED.NET ou em tradução livre no blog NEBULOSA DE ÓRION

    segunda-feira, 7 de março de 2011

    Politizar o software livre

    Ciudad CCS

    A construção de uma sociedade socialista requer fundamentalmente da proposição de modelos constituidos pelo conhecimento teórico e empírico, adaptados à realidade e provenientes da realidade. No tecido social, as relações sociais de produção definem implicitamente o modelo ideológico estabelecido, projetando, de alguma forma, suas políticas e valores. Por exemplo, se em nossa sociedade a especulação é uma atividade normal, socialmente aceita, e admitida em todos os nossos intercambios comerciais, então as novas gerações herdarão e reproduzirão estes valores, sem necessidade de um plano de formação capitalista.

    O capitalismo e seu modelo, que muda segundo seus interesses, prevalece fundamentalmente porque todavia hegemoniza as relações sociais de produção na sociedade. Daí, a necessidade de ensaiar novos modelos que transformem essas relações.

    Vejam o texto completo em REBELION.ORG

    sábado, 25 de dezembro de 2010

    Nasceu o rei dos miseráveis


    Era filho de um explorado carpinteiro, pela mais-valia das portas e janelas, e da humilde e doméstica María.
    Nascido em Belém, sob a sangrenta estrela de David e na aldeia mais esquecida do mundo num 25 de dezembro de um ano que agora chamam de zero.

    Ali nasceu, em meio ao esterco do gado, entre pobres bestas de carga e num humilde e vulgar casebre nasceu o maior homem deste mundo.

    Foi filho de um explorado carpinteiro, pela mais-valia das portas e janelas, e da humilde e doméstica Maria.

    Cresceu vendo as misérias de seu povo e a tristeza dos judeus pisoteados pelo imperador romano. O rei dos judeus miseráveis, se voltou subversivo e planejou o destino contra Roma, não como uma revolta sem transcendência e de imolação, na qual morreram inutilmente muitos zelotes com coragem mas sem estratégias, senão como predizendo com a clareza dos processos históricos que os sistemas imperiais se reviram na lassitude pueril de suas contradições, até virar pó.

    Foi capturado pelo sistema, torturado e assassinado injustamente na cruz, cravado nos pés e nas mãos, frente ao sol morreu o homem. Vendo a utopia azul em forma de nuvem que havia embasbacado a grandes religiões históricas que se embriagaram de céus e perderam o apoio do solo.

    Abaixo o mundo caiu derrotado para sempre pela força dos onipresentes status quo.

    Hoje se o recordam entre árvores e enfeites natalinos, e cada um se programa para ser bom, para dar migalhas, para vestir-se de um velho barbudo bobo que presenteia brinquedos e sorrisos com a ideia clara de que suas fábricas fazem as horas extras da rentabilidade desumana. Entre falsas luzes que parodiam o brilho das estrelas e entre compras suntuárias de consumo imediato, segue-se crucificando de novo ao maior homem de todos os tempos. Aquele que não deram de beber e nem de comer, nem o visitaram no cárcere quando se fez subversivo, nem o deram nem de viver e nem bem de morrer: Jesus o nazareno, o messías que anunciouas boas novas do socialismo pelos séculos dos séculos.

    Allan McDonald


    quinta-feira, 7 de outubro de 2010

    O fascismo do século XXI


    Em Honduras os golpistas usaram a Corte Suprema de Justiça para justificar a ação militar que depôs o presidente constitucional e democraticamente eleito Manuel Zelaya. No Equador os golpistas usaram um protesto trabalhista da polícia para promover a sublevação orientada para criar um vazio de poder que permitisse uma fórmula extra-constitucional de substituição do presidente Rafael Correa.

    No primeiro caso, o mecanismo funcionou, o governo dos Estados Unidos foi complacente com o golpe e, finalmente, houve uma transição que foi apresentada como democrática, ignorando a ruptura constitucional e criando um péssimo antecedente para a democracia na região.

    Em compensação, no Equador, a firmeza do presidente Correa, a mobilização social em todo o país e o respaldo da comunidade internacional, evitou que se consumasse um golpe de estado, por trás do qual estariam poderosos interesses nacionais e internacionais que, com os mesmos argumentos dos golpistas de Honduras e de setores de extrema direita de outros paises da região, pretendem justificar seus ataques ao sistema democrático.

    Já não são os militares os que se apossam do poder como nos anos 70 e 80. Agora usam outros atores institucionais que representam os mesmos interesses. Não é casual que os principais intentos golpistas se concentram naqueles paises que decidiram reformular o modelo neo-liberal ou assumiram propostas democráticas sob o lema do socialismo do século XXI.


    Vejam mais detalhes em CODHES-Consultoria para los Derechos Humanos y el Desplazamiento

    quarta-feira, 25 de agosto de 2010

    A tendência à barbárie e as perspectivas do socialismo

    por James Petras [*]

    As sociedades ocidentais e os Estados estão se deslocando inexoravelmente para condições semelhantes à barbárie; mudanças estruturais estão revertendo décadas de bem-estar social e sujeitando o trabalho, os recursos naturais e as riquezas das nações à exploração bruta, à pilhagem e ao saque, rebaixando os padrões de vida e causando descontentamento num nível sem precedentes.

    Inicialmente, descreveremos os processos econômicos, políticos e militares que vêm abrindo este caminho à decadência e à decomposição social, e a seguir mostraremos a reação das massas populares à deterioração de suas condições de vida. As profundas mudanças estruturais que acompanham a ascensão da barbárie constituirão a base para considerar as perspectivas para o socialismo no século XXI.

    Vejam o texto completo em RESISTIR.INFO

    quarta-feira, 21 de julho de 2010

    Charge de Josetxo Ezcurra


    Tradução livre:

    "Não me falem de socialismo porque não quero entrar em filas até para comprar pão!"



    Vejam em REBELION.ORG

    terça-feira, 13 de julho de 2010

    Cuba: Sicko" (S.O.S. Saúde)


    “Esta noite milhões de crianças dormirão na rua, mas nenhuma delas é cubana” - (Fidel Castro) “E se alguma criança adormecer na rua é porque quer ver as estrelas......”

    Cuba, o­nde as crianças não têm acesso a Play Stations (pelo menos com facilidade).

    Nem se sentem inferiorizadas por não vestirem roupas de marca.

    Onde os supermercados não apresentam 60 marcas de manteiga diferentes.

    E a TV não mente a publicar que os Danoninhos ajudam as crianças a crescer.

    Os carros de luxo não abundam.

    Nem as malinhas Louis Vuitton.

    Mas têm talvez o mais avançado sistema de saúde de todo o planeta.


    Vejam o texto completo do Michael Moore em KAOSENLARED.NET

    domingo, 4 de julho de 2010

    A mais nova falência da Internacional Socialista

    O Conselho da Internacional Socialista, entidade que coordena os partidos de inspiração social-democrata, reuniu-se nos dias 22 e 23 de junho, em Nova Iorque. A imprensa não deu muito bola para o evento, mas trata-se de um momento importante para entender o que pensa e como age essa família política.

    A organização foi fundada, em 1951, com o intuito de agrupar a esquerda não-comunista, então ensanduichada pela guerra fria. Estão entre seus principais membros o Partido Socialista Francês, o Partido Social-Democrata Alemão, o Partido Socialista Operário Espanhol e o Partido Trabalhista Inglês.

    Os filiados alinhavam-se ao campo capitalista, aceitavam a hegemonia norte-americana e majoritariamente renunciavam ao marxismo. Mas defendiam a ampliação do bem-estar social e adotavam circunstancialmente posturas antiimperialistas.

    Vejam o texto completo em OPERA MUNDI

    segunda-feira, 8 de março de 2010

    Mulheres: protagonistas e forças renovadoras na sociedade cubana

    Havana, 8 mar (Prensa Latina) Diferentes gerações de mulheres cubanas celebrarão hoje o Dia Internacional da Mulher com o orgulho de viver em uma sociedade que reivindicou seus direitos e as tem há meio século como verdadeiras protagonistas.

    Alunas, trabalhadoras, dirigentes, aposentadas, donas-de-casa, todas receberão o acolhimento em instalações estudantis, centros trabalhistas e bairros dos mais diferentes lugares desta ilha caribenha.



    Vejam mais em PRENSA LATINA-Agencia Informativa Latinoamericana

    Centenário do Dia Internacional da Mulher

    Cem anos passam desde que Clara Zetkin propôs o dia 8 de Março como Dia Internacional da Mulher, aquando da II Conferência Internacional de Mulheres Socialistas.

    Muitas histórias se contam sobre a origem deste dia, mas “Em busca da memória perdida”, recontam-se os acontecimentos que marcaram o início da luta feminista desde o séc. XIX, que antecedem e são consequência da proclamação de um “Dia da Mulher”.

    Na altura, dava-se início à organização política das mulheres, das mulheres socialistas e é sobre isso que Alexandra Kollontai, a famosa feminista russa, nos conta no seu texto publicado em 1920 - Uma celebração militante.

    Vejam mais em ESQUERDA.NET


    segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

    Mais cedo ou mais tarde a fatura deverá ser cobrada

    Ricardo Zedano, RIA Novosti

    Em uma entrevista a Raúl Fajardo, correspondente de guerra mexicano, autor do impactante documento "Osetia do Sul: crônica de genocídio e liberdade", comentei que o continente latinoamericano novamente cai na dependência depois de liberar-se do jugo espanhol.

    Dentro deste contexto, a Colômbia ocupa um lugar especial devido à "ingenuidade" de seus governos, sobretudo ao do presidente Álvaro Uribe. Durante muitos anos os Estados Unidos vem "apoiando" o governo colombiano de diversas maneiras, como por exemplo, mediante convenios de assistência social, económica e humanitária através de diferentes organizações.

    Vejam o texto completo em RIA NOVOSTI

    quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

    COP15: o odor pútrido do capitalismo

    O que o encontro de Copenhague deixou claro é que o capitalismo imperialista não está disposto a ceder em sua acelerada carreira por mais e maiores beneficios.

    O Encontro da ONU sobre a Mudança Climática em Copenhague terminou em fracasso total. O acordo meramente formal alcançado a última hora (que a Venezuela, Cuba, Bolivia, Nicarágua e Sudão se negaram a subscrever) não obriga aos firmantes, nem volumes concretos de redução das emissões de gases de efeito estufa (que ficam pendentes de posteriores compromissos "voluntarios"), nem estabelece prazos. Foi o presidente dos EEUU, Barak Obama, o primeiro a declarar na capital dinamarquesa que o documento, quando ainda estava sendo redigido, não seria vinculante. O mesmo secretário executivo do encontro, Ivo de Boer, qualificara-o de "declaração de intenções". O anunciado objetivo de limitar a elevação das temperaturas em dois graus com respeito a 1900 fica assim em mera fantasia.
    (...)
    Mas as potencias imperialistas distorcem os fatos para exigir aos paises pobres que "compartilhem" a mesma responsabilidade que elas e façam mais "contribuições". Em Copenhague, essas potencias imperialistas, meras representantes dos interesses depredadores de suas grandes transnacionais, se negam a comprometer-se a reparar parte do dano que tem causado à sobrevivência da vida no planeta.
    (...)
    O que tem deixado claro o encontro de Copenhague é que o capitalismo imperialista internacional não está disposto a ceder em sua acelerada carreira
    por mais e maiores beneficios, ainda que isso ponha mesmo em perigo a sobrevivência da vida no planeta. A alternativa continua sendo socialismo ou barbárie.


    Vejam o texto completo em LA HAINE.ORG

    sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

    Cuba y Angola: El Partido Comunista Cubano hace presencia en el congreso burgués y clasista del MPLA

    (...)

    Cuba, la Angola de ayer no es la de hoy.

    Durante el segundo día del congreso hizo intervención el General cubano Leopoldo Cintra Frías, Viceministro Primero de las Fuerzas Armadas Revolucionarias y miembro del Buró Político, como representante del Partido Comunista Cubano, recordando el esfuerzo de los soldados cubanos muertos en la guerra de Angola que ayudaron solidariamente al gobierno del MPLA frente a la guerrilla de la UNITA respaldada por Estados Unidos y el gobierno del apartheid racista de Sudáfrica. Leopoldo también afirmó en su discurso que las relaciones cubanas y angoleños, iniciadas por Agostinho Neto y Fidel Castro tras la independencia de Angola de la metrópoli de Portugal en 1975, “continúan hoy fortaleciéndose”.

    Nadie puede poner en duda la solidaridad internacionalista cubana hacia Angola en pleno conflicto entre 1977 y 1988, donde miles de militares y civiles voluntarios viajaron de la isla al país africano para hacer frente a la guerrilla de la UNITA, dejando a Cuba con servicios militares escasos para su defensa contra posibles acciones en su contra por parte del país vecino, el imperio de los Estados Unidos. Recordar las buenas acciones del pasado no debe dejar de lado el presente. Si Cuba ofreció todos los medios posibles para ayudar en el proyecto de Angola como estado socialista, llevando también médicos y profesores cubanos, pero finalmente no cuajó y el país africano pasó a ser un estado occidentalizado y pro-capitalista desde la actual Constitución de 1992, no debe ocultar el contexto actual de la sociedad clasista y bipolarizada de Angola, donde uno de los aparatos que permitió construir una sociedad de clases y la elevada desigualdad económica actual fue el mismo MPLA al aceptar el “libre” mercado y dejar de ser un partido marxista-leninista en octubre de 1990, después de su III Tercer Congreso.

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