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sexta-feira, 27 de junho de 2008

Baixa participação e intimidação da população marcam eleições no Zimbábue

No começo da manhã, apenas dez pessoas esperavam a abertura dos colégios eleitorais nos centros de Harare para poder votar, enquanto em outras localidades, apenas uma hora após sua abertura, às 7h horário local (2h, Brasília), os eleitores começaram a ser recebidos.


O dia de hoje contrastou com o da realização do primeiro turno, em 29 de março, quando horas antes da abertura dos colégios centenas de pessoas esperavam pelo momento de votar.


O Governo do Zimbábue tentou minimizar a pouca participação dos eleitores e informou através da rádio nacional sobre uma "resposta em massa" nas províncias de Mashonalandia e Manicalandia, redutos tradicionais da governamental União Nacional Africana do Zimbábue-Frente Patriótica (Zanu-PF).


Durante o dia todo, grupos de militantes da Zanu-PF dirigidos por veteranos da guerra da independência do Zimbábue e outras unidades paramilitares leais ao Governo percorreram as ruas de Harare convocando pessoas a votar, como a Agência Efe pôde constatar.


No distrito trabalhador de Mbare, na capital, que tradicionalmente apóia Tsvangirai, o grupo "Chipangano" (Nosso acordo, em idioma shona), pertencente à ala juvenil da Zanu-PF, foi casa por casa pedindo que os moradores fossem às urnas.

O texto completo no G1. Também no G1, uma análise sobre o que acontece no Zimbábue.

segunda-feira, 23 de junho de 2008

Oposicionista abriga-se em embaixada após retirar candidatura no Zimbábue

O líder oposicionista de Zimbábue Morgan Tsvangirai refugiou-se na embaixada holandesa no país nesta segunda-feira (23), segundo o ministério holandês de relações exteriores.

Segundo o ministério, Tsvangirai passou a noite na embaixada, depois de, neste domingo (22), ter retirado sua candidatura presidencial e denunciado pressões ilegais do regime do presidente Robert Mugabe contra seus partidários.

De acordo com a embaixada, Tsvangirai passou a noite na embaixada por uma questão de segurança, mas não pediu asilo. Seus partidários informaram que ele pode passar a próxima noite novamente na embaixada.

Em entrevista à CNN, Tsvangirai pediu à comunidade internacional que considere "nulas" as eleições presidenciais da próxima sexta-feira.

Mais no G1.


sexta-feira, 20 de junho de 2008

Oposição diz ter encontrado corpos de ativistas no Zimbábue

O partido de oposição do Zimbábue, Movimento por Mudança Democrática (MDC), afirmou nesta quinta-feira que os corpos de quatro de seus ativistas foram encontrados perto da capital, Harare.

Segundo o partido, os quatro jovens foram seqüestrados e assassinados em um distrito ao sul de Harare.

O MDC afirma que eles foram levados por militantes do partido do governo, o Zanu-PF. Os corpos foram encontrados a vários quilômetros do local do seqüestro.

De acordo com o correspondente da BBC em Johanesburgo, Peter Greste, o corpo da esposa do prefeito eleito de Harare, que é do MDC, também foi encontrado queimado em meio a arbustos.

O MDC afirma que mais de 70 integrantes do partido já foram mortos e centenas estão desaparecidos nos incidentes ocorridos durante a campanha presidencial no país.

Robert Mugabe, atual presidente, disputa no próximo dia 27 o segundo turno da eleição contra Morgan Tsvangirai, líder do MDC.

Texto completo na BBC Brasil.


segunda-feira, 28 de abril de 2008

Polícia prende até 300 em sede da oposição no Zimbábue

A polícia do Zimbábue invadiu nesta sexta-feira, 25, uma sede do Movimento pela Mudança Democrática (MDC), partido opositor do presidente Robert Mugabe, e deteve pessoas sob a acusação de incitar a violência pós-eleitoral no país. A informação foi divulgada pelo porta-voz opositor, Nelson Chamisa, e posteriormente confirmada pelas autoridades. O MCD afirma que pelo menos 300 pessoas, incluindo membros da equipe, foram levados por cerca de 250 oficiais.

Notícia completa no Estadão.

domingo, 30 de março de 2008

Zimbábue barra entrada de observadores eleitorais

Zimbábue barra entrada de observadores eleitorais

O Governo do Zimbábue está convencido de que parte da comunidade internacional conspira para derrubar o presidente Robert Mugabe, no poder desde 1980, e decidiu não aceitar observadores eleitorais procedentes de alguns países.


Só 47 Estados, a maioria da África e do mundo em desenvolvimento, foram autorizados a enviar observadores eleitorais para o pleito deste sábado, o primeiro na história do Zimbábue a reunir disputas presidenciais, parlamentares e regionais ou municipais.


A lista de observadores autorizados inclui todas as nações africanas que mostraram interesse e, de outros continentes, Brasil, Venezuela, Nicarágua, Jamaica, Rússia, China, Índia, Malásia, Indonésia e Irã.


Também receberam autorização representantes de organizações regionais africanas e outras como a Comunidade do Caribe (Caricom).


"Aqueles que pensam que só há uma eleição livre e justa quando a oposição ganha foram excluídos", afirmou o ministro de Assuntos Exteriores zimbabuano, Simbarashe Mumbengegwi.


Os observadores designados, segundo o chanceler, se destacam pela "objetividade e imparcialidade" de seus países nas relações com Harare.

Veja mais no G1.

sábado, 29 de dezembro de 2007

Pedindo uma cerveja no Zimbábue

Keynes disse certa vez que numa situação de hiperinflação é melhor pedir três cervejas ao entrar num bar, porque o preço da bebida irá subir ao longo da noitada. Pensei na frase do economista ao ler o post de Chris Blattman (que toca um dos melhores blogs que conheço a respeito de desenvolvimento e questões afircanas) sobre o Zimbábue, país que vive uma terrível crise política e econômica. A foto mostra a quantidade de dinheiro necessária para comprar um copo de cerveja. Há polêmicas sobre o índice de inflação, mas acredita-se que possa ser de mais de 10.000% anuais - os piores na América Latina estiveram em torno de 3.000%. A expectativa de vida baixou para 37 anos.

Na época colonial, o Zimbábue se chamava Rodésia, batizado em homenagem ao empresário e explorador britânico Cecil Rodes, que se tornou conhecido por sua declaração de que ficava angustiado ao ver o céu estrelado, porque ali estavam vários planetas que ele nunca poderia colonizar. Para azar dos africanos, boa parte do continente estava disponível. A África Austral, com seu clima ameno, foi especialimente propícia ao estabelecimento de milhões de colonos brancos. Não por acaso, foi lá que as independências não puderam ser negociadas e tiveram que ser conquistadas à bala: África do Sul, Angola, Moçambique, Namíbia, Zimbábue.

No Zimbábue, a minoria branca fez uma célebre declaração unilateral de independência dos britânicos, porque acreditava que Londres iria chegar a algum tipo de acordo com a maoria negra. Esta, evidentemente, não gostou da perspectiva de viver num regime racista e o resultado foi uma feroz guerra civil. O líder do governo branco, Ian Smith, morreu há poucas semanas. O chefe dos rebeldes, Robert Mugabe (foto) governa o pais desde os anos 1980.

O texto continua em Todos os Fogos o Fogo, inclusive com figurinha.

segunda-feira, 17 de dezembro de 2007

A hipocrisia sobre direitos humanos na cúpula União Européia-África

O maior ausente da recentemente encerrada reunião de Cúpula União Européia-África foi o primeiro-ministro britânico Gordon Brown. O motivo alegado para o boicote à reunião foi a presença do presidente Robert Mugabe do Zimbabwe, uma ex-colônia britânica. Acusado de ditador, Mugabe despertou a ira do governo britânico ao expropriar as terras de milhares de fazendeiros brancos, a maioria de origem britânica.

Contudo enquanto Gordon "defensor dos direitos humanos" Brown preparava seu boicote à reunião de cúpula, ele se reunia com um "grande democrata", rei Abdallah, da Arábia Saudita, um dos maiores produtores de petróleo e compradores de armas no mundo, líder de um país que a Anistia Internacional diz ser palco de violações diárias dos mais fundamentais direitos humanos.

No entanto devemos ser justos com o primeiro-ministro britânico. A hipocrisia não é uma "virtude" somente de Sir Brown. Como afirmou Mamadou Ba, dirigente do SOS Racismo em Portugal, Mugabe era apenas a árvore que escondia a floresta de ditadores presentes à cúpula, dos quais os zelosos defensores dos direitos humanos fizeram questão de ignorar, pois o que estava em jogo naquela reunião era a nova partilha dos recursos e das matérias primas africanas. Leia abaixo um trecho do artigo "Cimeira Europa-África: Mugabe não pode ser a árvore que esconde a floresta"

"Pois a presença de senhores como Omar Bongo do Gabão, há um mais de um quarto de século no poder; Blaise Compaoré do Burkina Fasso, fomentador e financiador das maiores atrocidades cometidas em África desde o genocídio do Ruanda, nomeadamente, na Serra Leoa, na Libéria e no Costa de Marfim; o ditador líbio, Khadafi, no poder desde 1969 e outrora inimigo número um do Ocidente; o sanguinário predador das liberdades, Teodoro Obiang Nguema Mbasogo, no poder desde 1979 na Guiné-Equatorial; Omar El Bachir do Sudão, há décadas no poder e patrocinador do actual genocídio do Darfur; José Eduardo dos Santos que transformou as receitas das matérias-primas angolanas em bens e riqueza pessoal e familiar, no poder desde 1979 em Angola; Hosni Mubarak, o déspota egípcio desde 1981 no poder no Cairo e que se prepara para fazer do Egipto uma aristocracia, lançando para a sua sucessão o filho Gamal etc, etc, não incomoda os mais virulentos críticos da presença do Mugabe em Lisboa. Não será caso para se perguntar, qual afinal é o critério empregue pelos tais defensores da democracia, da liberdade, dos direitos humanos e do progresso económico em África quando, pelos vistos, dormem descansados com a presença dos piores ditadores africanos em Lisboa?

Esta duplicidade de critérios revela o mais ignóbil da agenda da União Europeia: o seu único interesse, não são, de modo algum, os direitos humanos nem a democracia, mas sim os interesses económicos."


Via Na Periferia do Império.