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terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Organizações timorenses manifestam apoio aos palestinos

Uma aliança de organizações civis do Timor Leste manifestou, na capital Díli, o seu apoio aos palestinos da Faixa de Gaza, condenando a recente operação militar de Israel na região.

A coligação de 17 organizações pediu que Israel e os palestinos "encontrem uma solução pacífica em Gaza".

A declaração coletiva lembrou que muitos timorenses "sentem" a ocupação de Gaza por Israel porque o Timor Leste esteve 24 anos sob ocupação indonésia.

"Como povo que viveu 24 anos sob ocupação, sentimos grande empatia com o sofrimento infligido ao povo palestino em Gaza", afirmaram vários responsáveis das principais organizações cívicas e não-governamentais timorenses.

Texto completo no UOL Notícias.

quinta-feira, 17 de julho de 2008

Indonésia assume responsabilidade institucional por crimes no Timor-Leste

A Indonésia assumiu hoje formalmente sua "responsabilidade institucional" pelos crimes ocorridos no Timor-Leste em 1999, embora a confissão não represente um pedido de desculpas nem alguma ação judicial contra os culpados.

O presidente da Indonésia, Susilo Bambang Yudhoyono, em reunião na ilha de Bali com seu colega timorense, José Ramos-Horta, recebeu o relatório da Comissão de Verdade e Amizade da Indonésia e do Timor-Leste. Segundo ele, "não é possível enterrar o passado".


O documento, elaborado por cinco indonésios e vários timorenses, atribui à Indonésia assassinatos, torturas, estupros e outros crimes, e ao Timor-Leste crimes menores como prisões forçadas.

Notícia completa no G1.


terça-feira, 8 de julho de 2008

Polícia prende 21 estudantes em protesto no Timor Leste

A polícia na capital do Timor Leste prendeu 21 estudantes durante um protesto na capital Dili depois de usar gás lacrimogêneo para dispersar a multidão.


A manifestação era contra planos do Parlamento de gastar US$ 1 milhão em carros novos para os deputados.


Segundo testemunhas, tratava-se de um ato pacífico em que estudantes com a boca tapada com fita isolante formaram fileiras em uma escadaria no campus da universidade nacional.

Mais no G1.


sexta-feira, 30 de maio de 2008

Timor-Leste: Conspiração acentua-se quando ocorre a rendição do líder duma alegada tentativa de “golpe”

Depois da negociação da sua prisão com as forças ocupantes da Indonésia, Xanana Gusmão não para de descer o plano inclinado em que então mergulhou. Agora, com a divulgação de notícias sobre a morte do ex major Reinado e os subsequentes acontecimentos políticos, avolumam-se interrogações sobre as circunstancias que envolveram o atentado contra Ramos Horta. É igualmente muito estranho o pesado silêncio do Governo e dos media portugueses sobre a evolução dos acontecimentos em Timor.

Gastão Salsinha, o alegado co-líder do que foi rotulado «tentativa de assassínio contra o Presidente José Ramos Horta e o Primeiro-Ministro Xanana Gusmão» em 11 de Fevereiro, rendeu-se às autoridades em Dili na Terça-feira. Salsinha é especificamente acusado de atacar o veículo de Gusmão depois do antigo major Alfredo Reinado ter sido morto a tiro por soldados, na residência de Ramos-Horta. O antigo tenente das forças armadas nega essas acusações e insiste que nem ele, nem Reinado, tentaram orquestrar um golpe ou um assassínio.

A rendição de Salsinha veio, conjuntamente, com o temor de mais revelações que colocam mais dúvidas sobre a explicação oficial para os acontecimentos lamacentos de 11 de Fevereiro, e apontam mais uma vez para a possibilidade de o próprio Reinado ter caído numa cilada de assassínio.

Texto completo em O Diário. Visto Na Periferia do Império.

sábado, 2 de fevereiro de 2008

Intriga e Batatinhas em Timor Leste


"Falam português; podem ser portugueses ou brasileiros. vamos segui-los!"


Eram dois rapazes do Timor Leste, enviados à Indonésia em um momento de distensão da ditadura Suharto, que, antes simplesmente isolava os timorenses do mundo. Agora, estudantes podiam cursar a Universidade, desde que em áreas como agronomia, ou veterinária. Direito, Ciências Sociais, Engenharia, Economia ainda eram tabu para pretendentes timorenses ao ensino superior.


Os dois, universitários, pois, estavam em um supermercado, quando ouviram vozes numa língua familiar, na língua do colonizador que havia se tornado língua da resistência. O português, por uma das ironias que são privilégio da História, havia se tornado fator de unidade nacional, elemento citado com orgulho pelos timorenses para argumentar que seu povo não e sujeitaria a ser satélite da anglófona Austrália, e era diferente dos que habitavam o arquipélago da Indonésia, sujeitos a uma eficiente ditadura, do agrado dos Estados Unidos e Europa e cruel como só os viventes na ditadura sabiam ser possível.


Os dois conspiradores timorenses descobriram, pela língua, dois turistas de língua portuguesa, e os seguiram, até um restaurante, onde, após algum tempo de vigilância, decidiram apelar aos irmãos de idioma para fazer chegar seu apelo ao mundo. Não sabiam que os turistas eram brasileiros vivendo em Portugal (circunstância que seria preciosa, como descobriram mais tarde).


Estavam em 1989, ano da queda do muro de Berlim, símbolo do fim da Guerra Fria que acobertou o expansionismo de Suharto, invasor de Timor Leste em 1975, ano da queda do fascismo em Portugal.


O problema dos insurgentes de Timor, país com uma patética população de uns 600 mil habitantes, era tornar conhecida a reivindicação de independência do povo timorense. Ao abordarem a dupla de falantes de português, foram saudados com entusiasmo; brasileiros, integrantes de um grupo artístico de relativo sucesso chamado "Os Batatinhas", eles ficaram encantados em ser abordados na língua materna, ainda que seus interlocutores falassem com alguma dificuldade. Um deles, como muitos em Timor, havia aprendido português na escola secundária e relegado a língua ao mesmo porão cinzento onde costumamos largar os conhecimentos impostos e inúteis. Era a língua da resistência, sim, mas, como os insurgentes, sofria um bocado para ter direito a um lugar seu, naquele canto da Ásia.


Com ligeira relutância e muita solidariedade, Os Batatinhas gravaram, com equipamento de turista, os manifestos de 14 insurgentes timorenses, inclusive os dois que os haviam abordado no supermercado. Um deles pedia armas para a guerra contra a Indonésia. Outros falavam da repressão e das esperanças em Timor. Ao voltarem a Portugal, Os Batatinhas entregaram a fita na RTP, a brava tv estatal portuguesa, e desencadearam uma saraivada de reportagens sobre os irmãos de língua portuguesa que ambicionavam a independência no Sudeste Asiático. Tenho dúvidas sobre o que aconteceria com esse vídeo se chegasse a alguma tv comercial brasileira. Sei que muito possivelmente não despertaria a repercussão que causou em Portugal.


A diáspora timorense passou a se articular. A Embaixada do Brasil na Indonésia se tornou ponto seguro para os conspiradores. Dez anos depois, Timor era um país livre, motivo até de um belo documentário da eterna escrava Isaura, a minha, a sua, a nossa Lucélia Santos.


Suharto, por coincidência morreu na mesma semana em que os timorenses fizeram brindes emocionados com Lula.

Confira o restante do texto no Sítio do Sérgio Léo.