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terça-feira, 4 de setembro de 2012

Epidemia de indiferença


O Brasil convive, tragicamente, com uma espécie de "epidemia de indiferença", quase cumplicidade de grande parcela da sociedade e dos governos, com uma situação que deveria estar sendo tratada como uma verdadeira calamidade social. Em 2010, 8.686 crianças e adolescentes foram vítimas de homicídio. Estamos falando ao equivalente a cerca de 43 aviões da TAM, como o do trágico acidente em 2007, lotados de crianças e adolescentes.
De 1981 a 2010, o país perdeu assassinadas 176.044 pessoas com 19 anos ou menos, sendo que meninos representam em torno de 90% do total. Esses dados horripilantes nos alcançaram mais uma em meados de julho, quando foi divulgado o "Mapa da Violência 2012 - Crianças e Adolescentes do Brasil", do pesquisador Júlio Jacobo Waiselfisz, coordenador de Estudos sobre a Violência da Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais (Flacso) no Brasil. Os dados e análises compilados sistematicamente nos últimos anos pelo Mapa revelam um cenário de dor e horror que não tem obtido a atenção que merece na sociedade brasileira.

Confira no sítio da Anistia Internacional

terça-feira, 21 de junho de 2011

Jovem demais para morrer

A sistematização das bases de dados do Subsistema de Informação sobre Mortalidade em relatórios anuais é uma valiosa contribuição à cidadania no Brasil. Os "mapas da violência", como esses documentos são intitulados, são produzidos, com muita competência, por Julio Jacobo Waiselfisz. Disponibilizados na íntegra na internet, esse material se constitui em uma importante ferramenta para a reflexão e o planejamento na área de segurança pública.
O "Mapa da violência 2011: Os jovens do Brasil", lançado em março e disponibilizado na internet, aporta informações gravíssimas sobre a evolução das taxas de homicídios no Nordeste. Na região, essa taxa, quando medida para cada 100 mil habitantes, passou de 18,5 para 32,1, o que se traduz em um crescimento, em dez anos, de nada menos que 73,9%. Essa nova taxa traduz um crescimento dos homicídios em todos os estados da região, com exceção de Pernambuco, onde, em que pese uma alvissareira diminuição de 13,8, ainda se convive com 50,7 homicídios para cada 100 mil habitantes. No Rio Grande do Norte, em 1998, essa taxa era de 8,5 homicídios para cada 100 mil habitantes. Dez anos depois, a taxa pulou para 23,2, expressando um crescimento de 172,8%.

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terça-feira, 22 de janeiro de 2008

O holocausto brasileiro


Publicado no blog do Luiz Weis, no Observatório da Imprensa:
Decerto para não machucar os seus leitores no momento mesmo em que batem os olhos no jornal, o Estado deste domingo preferiu chamar discretamente na primeira página, em vez de alertar em manchete, como seria mandatório, para o pacote de matérias devastadoras que ocupa o espaço útil de quatro páginas do seu caderno Metrópole.
Trabalhando com os números do Data-SUS, do Ministério da Saúde, "a mais antiga e confiável base de dados sobre mortes no Brasil", o repórter Wilson Tosta, da sucursal carioca do Estado, estima que, no período de 30 anos a se completar em 2008, o país terá contabilizado 1 milhão de homicídos. Os registros iniciais do SUS datam de 1979. Não incluem os mortos na selva do trânsito.
Naquele ano, teriam sido 11.194 os assassinados no Brasil. Em 2005 (últimos dados disponíveis), 47.578. O repórter do Estado projeta 45.553 para 2006, 43.801 para 2007, 42.068 para 2008 e ainda 40.336 para 2009.
O ano em que mais se matou foi 2003, com 51.043 vítimas. Desde então, a tendência é declinante. (Antes, só em 1985, 1991 e 1992, morreu-se menos do que nos anos imediatamente anteriores.)
Ao longo desses três decênios, ocuparam o Palácio do Planalto os milicos Ernesto Geisel e João Figueiredo, os paisanos José Sarney, Fernando Collor, Itamar Franco, Fernando Henrique e Lula da Silva. Todos tiveram ou disseram ter políticas de segurança.
Vá dizer isso para Inês Maria da Silva, de 67 anos. A sua história é contada pela correspondente do Estado no Recife, Angela Lacerda. Inês teve cinco filhos. Todos foram assassinados. O primeiro, há 20 anos. O último, em 2007.
Para mim, nada do que tenham dito, escrito e assinado as citadas excelências para combater o holocausto brasileiro vale qualquer coisa perto da afirmação de Inês:
"A gente tem que se conformar, ficar calada."
Outra repórter, Adriana Carranca, foi ouvir Tim Cahill, o homem da Anistia Internacional para o Brasil. Diz ele:
"Um milhão de mortes em 30 anos é simplesmente inaceitável."
Errou. É aceitável, sim senhor.
Fosse inaceitável, os assassinados de hoje não seriam quatro vezes mais numerosos do que os de 1979.
Fosse inaceitável, a barbárie desses números ocuparia hoje toda a primeira página de um jornal como o Estado. Fosse inaceitável, um protesto jornalístico dessa envergadura não correria o risco de ser considerado um exagero

quinta-feira, 5 de julho de 2007

Colômbia é um dos países mais perigosos para sindicalistas

Aproximadamente 2.200 homicídios, 3.400 ameaças e 138 desaparições forçadas de sindicalistas. Em mais de 90% dos casos, os responsáveis não foram postos à disposição da justiça. Os dados documentados entre janeiro de 1991 e dezembro de 2006, pela organização colombiana Escola Nacional Sindical, mostram que a Colômbia é um dos lugares mais perigosos do mundo para os trabalhadores sindicalizados.
Leia no Vermelho