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segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Escravas do século XXI

A escravidão não é algo que as "democracias" modernas tenham isolado para muito longe. Na realidade é algo que está mais próximo do que pensamos. Não somente porque cada vez é mais habitual o trabalho assalariado como uma escravidão em troca de dinheiro, mas porque a pobreza e a necessidade são fecundos canteiros para que o sistema sem escrúpulos que é o capitalismo se aproveite para conseguir beneficios a custa da vida, da dignidade, e da liberdade das pessoas.

Os paises do leste europeu são, talvez, o maior exemplo de como o capitalismo transformou a população em mercadorias competitivas no mercado de mão-de-obra, da droga ou da prostituição, obrigado a milhões de pessoas a fugir de seus paises para poder sobreviver, algo que os mafiosos (tão abundantes no capitalismo, alguns mais "legais" que outros) sabem aproveitar muito bem.

Nestes dias foi desmantelada na Espanha, em Vinaroz, uma rede que literalmente "comprava" mulheres romenas para obriga-las a prostituir-se na rodovia N-340, na província de Tarragona. No momento das prisões, o grupo estava lucrando com a exploração sexual de 11 mulheres entre 19 e 38 anos, todas romenas, que haviam chegado a Espanha sob uma falsa aparência de relação sentimenta, com promessas de uma vida melhor na Cataluña.


Vejam mais detalhes em
Un vallekano en Rumania / Un vallekan în România


terça-feira, 7 de abril de 2009

Moldávia: presidente descreve protestos como «golpe de estado»

O presidente da Moldávia descreveu os protestos violentos contra a vitória do Partido Comunista nas eleições como um «golpe de estado», dizendo que os líderes da oposição enveredaram por um «caminho para a tomada violenta do poder». Vladimir Voronin pediu ajuda ao Ocidente para auxiliar o país a restaurar a ordem pública, noticia a Reuters.

«Tudo o que eles fizeram nas últimas 24 horas não pode ser descrito de outro forma senão como um golpe de estado», disse o chefe de Estado numa comunicação televisiva muito crítica em relação à oposição, depois de manifestantes terem invadido o parlamento e o gabinete presidencial.

Mais no IOL Diário, via Google News.

FMI pressiona leste da UE a adotar o euro

Ainda que os líderes globais tenham elogiado o sucesso da cúpula do G20 na semana passada, os desafios da Europa oriental continuam existindo. Em meio a uma recessão que se aprofunda, Ucrânia e Letônia, dois Estados que já estão em programas do FMI, recentemente recusaram-se a aprovar as reformas exigidas pelo FMI. Um terceiro país, a Hungria, está com dificuldades para criar um governo capaz de implementar as reformas.

O relatório do FMI foi compilado para apoiar uma campanha de Reconstrução e Desenvolvimento do Fundo, do Banco Mundial e do Banco Europeu para persuadir a UE e os Estados do leste europeu a apoiarem uma estratégia anti-crise de amplitude regional, incluindo um fundo de resgate regional. A campanha fracassou em meio a uma oposição generalizada tanto dos Estados do oeste quanto do leste europeu.

Texto completo do Financial Times, no UOL.

quarta-feira, 20 de agosto de 2008

Escudo dos EUA: reação russa não será "diplomática"

A Rússia advertiu que sua reação ao acordo assinado hoje por Estados Unidos e Polônia para a instalação em território polonês de elementos do escudo antimísseis americano não se limitará a "medidas diplomáticas".

"O potencial estratégico americano se aproxima insistentemente de nossas fronteiras", denunciou o Ministério de Exteriores russo em comunicado.

LEIA MAIS AQUI.

domingo, 7 de janeiro de 2007

Para que serve a OTAN?

O texto abaixo foi publicado no jornal russo Pravda (em português) em fevereiro de 2006:
A criação da Organização Tratado do Atlântico Norte, em 1949, foi baseada em uma mentira: a da ameaça da União Soviética, que, com o fim da Segunda Guerra Mundial, estaria pronta e disposta a atacar a Europa ocidental.

A verdade, porém, é que a URSS não tinha a menor intenção de entrar em outra guerra, depois dos imensos sacrifícios que este país teve que sofrer para derrotar a Alemanha nazista; e mesmo que tivesse intenção, não tinha os meios: não podia manter grandes forças armadas, pois necessitava mão-de-obra para reconstruir-se; sua economia, embora produzisse grandes quantidades de aviões de guerra, tanques e fuzis, quase não conseguia alimentar sua população, então submetida a um severo racionamento; mais de 20 milhões de soviéticos morreram, um número muito maior de baixas que as de qualquer outro país; e enquanto os EUA tinham armas nucleares e aviões capazes de atingir alvos no território soviético, a URSS carecia de ambos.

A "ameaça vermelha" era uma farsa, criada para amedrontar os europeus e justificar a presença militar norte-americana nesse continente.

Porém, em 1990, seu rival, o Pacto de Varsóvia, deixou de existir; em 1991, a própria URSS desapareceu; ao longo da década de 90, o poderio militar russo encolheu muitíssimo, e as últimas bases militares russas fora do território da antiga URSS foram fechadas. O mais lógico seria que os EUA fizessem o mesmo e a OTAN também deixasse de existir, o que permitiria aos norte-americanos e europeus economizar recursos e eliminar definitivamente as tensões com a Rússia. O surpreendente, porém, é que a OTAN não apenas foi mantida, como está sendo continuamente expandida. Por quê?

Parecem haver três motivos. O primeiro é que a OTAN permite aos EUA manter a Europa sob seu domínio estratégico. A Zona do Euro, na União Européia, é a maior economia do mundo, muito mais produtiva e com maior renda per capita que os EUA. Se quisesse, a Europa poderia constituir um poderio militar autônomo, capaz de competir com os Estados Unidos. A OTAN garante que isso nunca ocorrerá: a existência desta aliança faz com que os países europeus permaneçam sob total dependência estratégica dos EUA.

O segundo é político-econômico: a OTAN não é apenas uma imensa força militar, é também fonte de empregos para milhares de burocratas e de contratos bilionários para grandes empresas militares. As exportações de armas norte-americanas aos seus ricos aliados europeus garantem aos EUA a liderança no comércio internacional de armamentos.

E o terceiro é a Rússia. Embora este país tenha reduzido muito seus arsenais nucleares e convencionais, e sempre tenha se esforçado por melhorar as relações com os EUA e a Europa, nunca aceitou submeter-se ao papel que estas potências querem impor-lhe: a de mero exportador de matérias-primas e fonte de mão-de-obra barata. A Rússia, longe de desmoronar-se por completo, como muitos imaginavam, está em rápida recuperação e voltando a ser uma potência mundial de primeiríssima grandeza. Além disso, a Rússia é o único país com tecnologia militar, espacial e nuclear capaz de competir (e, em muitos casos, até de superar) os Estados Unidos. Logo, a OTAN tem que ser expandida até cercar por completo a Rússia, rival natural dos EUA.

Afirma-se freqüentemente que os países que eram membros do Pacto de Varsóvia, e agora pertecem à OTAN, já não estão mais submetidos a um "império" e são livres. Em primeiro lugar, a URSS não era um "império", e o Pacto de Varsóvia não foi criado para conquistar outros países, mas defender-se contra a OTAN (pois a aliança de países socialistas foi criada em 1955, 6 anos depois que a OTAN).

Mesmo que a União Soviética fosse imperialista, é difícil imaginar o que teria mudado para os países da Europa oriental: antes estavam submetidos política, econômica e militarmente a Moscou, e agora a Washington. Na melhor das hipóteses, simplesmente trocaram de chefe.

Com a grande diferença que a URSS não era tão imperialista ou agressiva quanto os EUA, e seus aliados não necessitavam enviar tropas a lugares distantes sem outro motivo além de agradar a potência que os comanda. O que ganha a Polônia ao enviar tropas para o Iraque? Aplausos de Washington, sem dúvida; mas sobretudo gastam dinheiro e sacrificam vidas numa guerra sem sentido, e recebem a desaprovação e o desprezo da comunidade internacional.

A idéia de que uma aliança de defesa mútua impede guerras é um sofisma que já provou na prática ser falso: o conflito de 1914 foi a Primeira Guerra Mundial exatamente pelos grandes sistemas de alianças que começaram a formar-se desde o fim do século XIX. Tudo o que as alianças deste tipo conseguem é fazer com que conflitos pontuais entre dois países cresçam, envolvendo também seus respectivos aliados: pois o princípio básico de funcionamento é, se um país da aliança entra em guerra, todos os demais automaticamente se unem.

Aliás, aí reside o principal perigo da expansão da OTAN: já foram aceitos nesta aliança os países bálticos soviéticos, Lituânia, Letônia e Estônia; é de se esperar que em breve também será membro a Geórgia. E estes quatro países não perdem uma única oportunidade de provocar a Rússia. A Geórgia, por sinal, já fala em declarar guerra à Rússia, por "tentativa de anexação" (assim é como as autoridades georgianas se referem às missões de paz russas na Abkházia e Ossétia do Sul, regiões que estiveram em guerra com as autoridades centrais georgiana na década de 90, cujos conflitos foram encerrados exatamente graças às tropas russas, enviadas a pedido tanto do governo georgiano na época, quanto pelas populações dessas regiões). Assim, não é difícil imaginar que, devido a líderes lunáticos em países insignificantes, a OTAN e a Rússia entrem em guerra em um futuro próximo.

Se os europeus tivessem bom-senso, não teriam permitido jamais a formação da OTAN; pelo menos, teriam feito como a França, que já na década de 60 se afastou (sem desvincular-se por completo) da aliança atlântica, exatamente para garantir maior autonomia estratégica. Mas, principalmente, não permitiriam a expansão da aliança. Os europeus não ganham nada com a entrada de novos países à OTAN (só os EUA lucram com isso), e se arriscam a sofrer pela terceira vez uma grande guerra mundial em seu continente.

Carlo MOIANA
Pravda.ru
Buenos Aires