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sábado, 10 de maio de 2008

O dossiê e o exercício da lógica

Deixe-me explicar a lógica que me leva a acreditar em armação, no caso do suposto “dossiê”. Sei que, hoje em dia, é trabalho quase impossível tentar conduzir uma discussão pelos caminhos da lógica, mas vamos lá.

A lógica pressupõe uma certa hierarquia de argumentos, a identificação dos aspectos mais relevantes para se entender uma situação, a análise da consistência das evidências. No vale-tudo atual, para embolar a discussão basta priorizar temas secundários ou avançar em suposições sobre intenções de pessoas, sem a preocupação de se basear em evidências. Vira sessão espírita.

Mesmo assim, vamos tentar, desdobrando o assunto por etapas, separando informações objetivas de hipóteses. E, no caso das hipóteses, submetê-las às evidências apresentadas até agora.

Analise as hipóteses junto com o Luis Nassif.


As peças se encaixam

Ontem, FHC veio com a história de que o “dossiê” sobre seus gastos era factóide. Por que isso, se permitiu que essa bobagem alimentasse a imprensa durante semanas e semanas da mais pura catarse, com ameaças de CPI, uma orquestração infernal da mídia, um patrulhamento virulento em cima de quem apontava para a armação?

Porque justo ontem? Ontem poderia ser um dia qualquer, não fosse o fato de que foi na véspera da divulgação da informação de que os dados saíram de um funcionário da Casa Civil direto para um assessor do senador Álvaro Dias. E, segundo a matéria do Jornal Nacional, há dois dias ele, JN, havia recebido a informação.

Não foi chantagem, foi armação.

Texto completo no blog do Luis Nassif.


sábado, 26 de abril de 2008

Deputado tucano admite que pagou despesas da mulher

O deputado Paulo Renato Souza (PSDB-SP) afirmou nesta sexta-feira (25) que suas despesas na época em que comandava o Ministério da Educação (1995-2002) são "regulares e efetuadas no exercício da função". Mas afirmou que se algum órgão do governo federal encontrar irregularidade está disposto a devolver o dinheiro aos cofres públicos.

O senador João Pedro (PT-AM) divulgou que o tucano usou dinheiro das contas "tipo B" quando era ministro da Educação para pagar a hospedagem em hotéis no Rio de Janeiro e Minas Gerais da então namorada e hoje esposa Carla Grasso.

Texto completo no G1.

Ao contrário do que possa parecer, coloquei este texto aqui porque concordo com o direito do ministro de pagar sua hospedagem e de sua companheira com diária das então "contas B", o que equivaleria a pagar com os tais cartões corporativos hoje. Que murrinhagem! Ou por outra, temos mais o que discutir, do que se havia vinhos franceses no cardápio do Palácio da Alvorada, no governo FHC, ou a tapioca do ministro do esporte, no atual governo. Quem acha que há abusos, é só apontar o abuso e encaminhar ao Tribunal de Contas da União, e à Controladoria Geral da República, para que estes poderes constituídos informem se de fato é um abuso ou não!

quarta-feira, 2 de abril de 2008

Senador tucano admite que recebeu dossiê anti-FHC; petistas cobram nome de "espião"

O senador Álvaro Dias (PSDB-PR) disse nesta quarta-feira que recebeu o suposto dossiê elaborado por funcionários da Casa Civil com informações sobre gastos sigilosos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PDSB) com cartões corporativos. Dias, entretanto, não admitiu ser o responsável pelo vazamento do dossiê para a imprensa.

Em seguida, argumentou que a Constituição Federal permite que os parlamentares usem dados que chegam às suas mãos como acharem mais conveniente, inclusive para repassá-los para a imprensa. "Os senadores não são obrigados a prestar informações sobre o que recebem. Se um parlamentar vazou informações para a imprensa, o fez dentro das suas atribuições parlamentares", afirmou.

Em nenhum momento do discurso no plenário do Senado, Dias admitiu o vazamento. Mas deixou claro, após ser questionado pelo senador Tião Viana (PT-AC), que a Constituição concede liberdade para que os parlamentares usem ou divulguem as informações que recebem.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse hoje que o responsável pelo vazamento deveria dizer logo quem foi o autor do suposto dossiê. "Não quero acusar ninguém, porque é muito ruim você acusar sem saber. Hoje tem jornais que já dizem que teve senadores que participaram disso. Eu ainda não li a matéria, mas acho lamentável", disse Lula se referindo à reportagem publicada hoje pelo jornal "O Globo", que informa que o dossiê chegou ao Congresso antes da instalação da CPI dos Cartões.

"Nós estamos tranqüilos, obviamente que tristes, porque quem recebeu [o suposto dossiê] na imprensa sabe quem foi. Nós vamos ter que fazer uma investigação e, possivelmente, nunca saberemos quem foi que pegou documento de um banco de dados e vendeu como se fosse dossiê. Isso é lamentável para o país", afirmou Lula. "Só tem algumas pessoas que sabem: os jornalistas que receberam o tal do documento, que era do banco de dados e foi transformado em dossiê, e o cidadão, a cidadã, sei lá quem, que pegou esse documento."

Dias cobrou explicações do Palácio do Planalto sobre o vazamento dos dados que deram origem ao dossiê. "Eu tenho certeza absoluta que o senador [Tião Viana] não me imagina travestido de James Bond, forjando senhas e bisbilhotando computadores do governo. Essas virtudes hollywoodianas eu não tenho. Eu afirmei que tinha visto o dossiê. Mas por ordem da ministra Dilma Rousseff [Casa Civil] se elaborava um relatório de gastos do governo Fernando Henrique", afirmou.

Revanche

Líderes governistas no Senado afirmaram que as palavras de Dias mostram que o governo não é o "algoz" no episódio do dossiê, mas vítima da oposição que usou informações do banco de dados da Casa Civil montado para detalhar gastos da gestão Fernando Henrique Cardoso (PSDB) com cartões corporativos.

Os governistas desafiaram o tucano a revelar o nome da pessoa que lhe encaminhou o dossiê --que supostamente seria um funcionário da Casa Civil. "Não adianta o PSDB apresentar requerimento para acompanhar a comissão de sindicância do Palácio do Planalto [que investiga o vazamento de informações]. Está nas mãos do senador Álvaro Dias dizer quem lhe mostrou o documento, quem lhe deu o documento", disse a líder do PT no Senado, Ideli Salvatti (SC).

O líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), afirmou que o banco de dados do governo sobre cartões corporativos foi "espionado". "Temos aqui um caso de espionagem. Se o senador Álvaro Dias não quer que se punam inocentes, acho que deveria declinar o nome da pessoa que vazou o material. Alguém do governo ou do Palácio do Planalto pegou os dados e repassou ao senador Álvaro Dias."

O tucano, por sua vez, negou ter conhecimento do funcionário que vazou as informações. "Se eu soubesse quem vazou, eu diria. Não sei quem vazou as informações. Mas eu sei quem é responsável maior, isso eu sei, por aqueles incluídos entre os suspeitos de vazar as informações. Eu não disse que foi a ministra Dilma responsável pelo vazamento, mas por administrar o setor", afirmou.

Da Folha Online. Aguardemos. Mas a princípio parece uma reviravolta e tanto...

PSDB e DEM dizem que relatório foi feito por petista para constranger oposição

PSDB e DEM dizem que relatório foi feito por petista para constranger oposição

Publicada em 02/04/2008 às 00h35m

O Globo Online

BRASÍLIA - Reportagem de Adriana Vasconcelos e Gerson Camarotti em 'O Globo' nesta quarta-feira mostra que o dossiê com gastos sigilosos do governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (1998-2002) circulou pela mão de alguns parlamentares antes mesmo da instalação da CPI do Cartão Corporativo, no Congresso, no início de março. Pelo menos um senador de oposição recebeu o dossiê na ocasião. Na semana passada, numa reunião da bancada tucana, o senador Álvaro Dias (PSDB-PR) informou aos seus colegas que, no fim de fevereiro, já tinha em mãos o dossiê publicado na edição daquela semana da revista "Veja". Pelo menos três parlamentares tucanos confirmaram nesta terça essa versão. Procurado pelo 'Globo', Dias evitou comentários.

Dias explicou, em conversas reservadas, que o dossiê serviria para intimidar o discurso da oposição ao mostrar gastos semelhantes feitos pela Presidência nas gestões Fernando Henrique e Lula.

Nesta terça, havia três hipóteses em debate nos bastidores de governo e oposição sobre quem produziu e repassou o dossiê. Tucanos e democratas apostam em duas possibilidades: a produção do dossiê por um petista instalado no Planalto ou um parlamentar petista, com o objetivo de constranger a oposição; e a alternativa de um eventual "fogo amigo" do PT, para prejudicar a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil). Já os governistas consideram mais provável a hipótese de algum tucano que ainda tem acesso a dados da Presidência ter montado o dossiê.

De O Globo Online.


sábado, 2 de fevereiro de 2008

Cartões corporativos e transparência

O que vai abaixo é o artigo do autor destas Entrelinhas para o Correio da Cidadania. Em primeira mão para os leitores do blog.

O governo federal decidiu mudar as regras para o uso dos cartões corporativos. Fez bem, pois de fato estavam ocorrendo abusos.

Há um aspecto desta questão, porém, que o público não está percebendo muito bem: saques de dinheiro vivo à parte, o uso do cartão corporativo ajuda o controle da sociedade sobre o gasto dos altos funcionários da burocracia federal. Sabemos que o ministro Orlando Silva passou o cartão em uma tapiocaria ou que a ministra Matilde gastou R$ 100 no bar Canto Madalena exatamente porque esses gastos estão sendo feitos por cartão de crédito. Ou seja, o cartão é um instrumento que favorece a transparência no trato da burocracia com o dinheiro público. Com o veto aos saques de dinheiro vivo, tal instrumento fica limitado exatamente ao que se imagina que ele deva servir, isto é, para que os funcionários públicos paguem suas despesas em situações de trabalho (almoços, viagens etc) de forma prática e ágil. Desta forma, cada centavo gasto pode ser verificado pela opinião pública.

É preciso deixar a hipocrisia de lado na questão dos gastos (e também dos salários) da burocracia estatal. Alguém já se interessou em saber como o governador José Serra (PSDB) e seus secretários gastam o dinheiro do contribuinte? Há alguma transparência na prestação de contas do governo paulista? Ou do governo de Minas, do também tucano Aécio Neves? Desde a sua gestão prefeitura, por exemplo, Serra tem arrumado maneiras nem sempre muito éticas de pagar melhor seus secretários e funcionários de alto escalão. Em geral, ele nomeia os secretários para vagas disponíveis em conselhos das poucas estatais que os tucanos ainda não venderam em São Paulo, fazendo com que cada um receba jetons e verbas extras pela representação nos tais conselhos.

Se Serra acha que os salários do funcionalismo estão baixos, especialmente os do primeiro escalão, deveria ter a coragem de comprar esta briga. Na Inglaterra, os salários dos funcionários públicos são comparados com os da iniciativa privada e ajustados periodicamente, para que não resultem discrepantes com o que se paga em média no mercado. O presidente do Brasil ganha hoje exatamente R$ 8.883,45, o que é um salário ridículo para as responsabilidades que o cargo apresenta. O mesmo raciocínio vale para os ministros e secretários de estado. Remunerar melhor a alta burocracia estatal não é apenas uma maneira de evitar a corrupção, mas uma questão de justiça, dada as qualificações exigidas para os altos cargos.


O texto continua no Blog Entrelinhas.