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terça-feira, 9 de março de 2010

Algodão: subsídios, retaliação comercial e trabalho escravo

A discussão gerada pela lista de produtos norte-americanos que devem sofrer sobretaxa de importação como forma de retaliação pelos subsídios concedidos aos produtores de algodão dos Estados Unidos – que prejudicaram os agricultores brasileiros – é um bom momento para tratar de um problema interno. Como estamos discutindo a imagem internacional das mercadorias que vendemos, creio que vale a pena ver como o esforço de alguns para gerar produtos de qualidade pode ser posto por água abaixo por aqueles que querem lucro fácil obtido com a transformação de pessoas em instrumentos descartáveis.

Há incidência de trabalho escravo não apenas em lavouras de algodão, mas também em outros pontos da cadeia – como bem mostra as repetidas libertações de imigrantes latino-americanos, principalmente bolivianos, em oficinas de costura em São Paulo. Hoje, os casos de empregadores flagrados com escravos nas fazendas de algodão representam cerca de 3,7% da “lista suja” do Ministério do Trabalho e Emprego, que relaciona pessoas físicas e jurídicas que se utilizaram desse tipo de mão-de-obra. Como a atividade pode ser intensiva em força de trabalho, o número de libertados chega a 7% do total da lista. Nada comparado ao gado bovino, primeiro lugar em fazendas fiscalizadas devido a esse crime, ou à cana-de-açúcar, que vem sendo campeã no número de libertados nos últimos anos. Mas ainda assim preocupante.

Texto completo no blog do Sakamoto.

Falar em aumento do pãozinho é “terrorismo”, diz Stephanes

Danilo Macedo
Repórter da Agência Brasil

Brasília - O ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, disse hoje (9) que “estão fazendo terrorismo” os que falam que o preço do pão vai aumentar por causa da sobretaxa que o país pode aplicar à importação do trigo americano.

Ontem (8), a Câmara de Comércio Exterior (Camex) anunciou a medida, como parte da retaliação autorizada pela Organização Mundial do Comércio (OMC) à prática do governo dos Estados Unidos de pagar subsídios aos produtores de algodão.

“Já tem gente querendo ganhar dinheiro à custa de uma determinada situação”, comentou Stephanes em entrevista coletiva para apresentar o sexto levantamento da safra de grãos 2009/2010.

Vejam mais na AGÊNCIA BRASIL

segunda-feira, 18 de maio de 2009

PONTO DE VISTA LIBERTÁRIO: CAPITALISMO COM ROUPAS REMENDADAS

As distâncias do Sistema Solar já não servem como referência aos números da crise. O novo pacote para reerguer o sistema bancário estadunidense pode chegar a 2 trilhões de dólares, muito além, por exemplo, da distância de Plutão ao Sol, que não chega a 6 bilhões de quilômetros. A diferença é de três dígitos. E uma coisa a ver com a outra? Nada, como a maioria das explicações dos economistas de plantão que parece não enxergar, ou não quer enxergar, ou quer esconder que o capitalismo não ruiu, mas mudou substancialmente de natureza após a crise.  

Subsídios, ajuda a banqueiros e industriais não é nenhuma novidade no vai-e-vem das crises do sistema. Mas desta vez – e esperamos – a dimensão das quantias envolvidas, a extensão do rombo mundo afora, mudou a natureza da crise, assim como os atentados de 11 de setembro modificaram as relações políticas internacionais. Ainda que o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Timothy Geithner, queira manter intacta a independência operacional dos bancos isto se torna muito difícil na prática diante do montante da ajuda estatal. Na década de 90 do século passado manchetes do mundo inteiro saudaram o fim da União Soviética, o fim da experiência apelidada de socialismo e o triunfo do capitalismo na versão neoliberal como o sistema do futuro. Não se passaram nem 20 anos – um lapso quase imperceptível em termos históricos – e o neoliberalismo vira um Titanic com os sobreviventes tentando como podem salvarem-se nas barcaças estatais.  
 
Vejam o texto completo em anarco.net