quinta-feira, 13 de dezembro de 2007

Sobre regras, decretos e variáveis, segundo um certo ponto de vista


O porta-voz oficial dos interesses patronais de hoje dá voz à Elizabeth de Carvalhaes, presidente da Associação Brasileira de Celulose e Papel (Bracelpa).

Para Elizabeth,
"a falta de regras claras e a tomada de decisões por meio de decretos, que mudam de uma hora para outra as variáveis envolvidas na escolha de uma área de instalação, ameaçam a concretização de projetos como os que a Aracruz, Stora Enso e Votorantim Celulose e Papel (VCP) têm para a Metade Sul gaúcha. Outro foco de estresse, disse, são o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), os quilombolas e os povos indígenas", segundo o jornaleco da Azenha (Os grifos são de La Vieja).

Caramba. É possível tal falação distorcer mais a verdade?

Em primeiro lugar, nunca faltaram regras claras de licenciamento ambiental para a silvicultura extensiva aqui no RS. Os resultados do estudo de Zoneamento Ambiental para a atividade de Silvicultura no RS, iniciado ainda no governo de Germano Rigotto, o Meigo (2003-2006), está à disposição de Elisabeth e das empresas que ela representa no sítio da Fepam (
Fundação Estadual de Proteção Ambiental) já há um bom tempo. O que Elisabeth esqueceu de dizer ao jornaleco foi que tais regras não estavam suficientemente claras para os interesses das empresas que ela representa, tanto que somente em função disso, e a fim de atender tais interesses, foi que os novos jeitos de governar transferiram, da Fepam para a Secretaria Estadual de Meio Ambiente (SEMA), um órgão de governo sob controle e longe dos olhos do Conselho Estadual de Meio Ambiente (CONSEMA), atribuições antes exclusivas da referida Fundação.

Para conferir, basta se acessar o sítio da Fepam, aqui. Ver-se-á, então, que as resoluções do CONSEMA foram transferidas para o sítio da SEMA. Entre tais resoluções encontraremos, por exemplo, a que "
Dispõe sobre a qualificação dos Municípios para o exercício da competência do Licenciamento Ambiental dos empreendimentos e atividades considerados como impacto local, no âmbito do Estado do Rio Grande do Sul" (167/2007) e a que "Altera a Resolução CONSEMA nº 102, de 24 de maio de 2005, que 'Dispõe sobre os critérios para o exercício do Licenciamento Ambiental Municipal, no âmbito do Rio Grande do Sul' e dá outras providências" (168/2007), bem como inúmeras que habilitam "Municípios para realização do Licenciamento Ambiental das Atividades de Impacto Local", uma das estratégias encontradas pelo novo jeito de governar a fim de flexibilizar a interpretação e a aplicação das regras do referido zoneamento.

Ou seja, as regras sempre foram claras. O que houve foi que nem o novo jeito de governar atual e nem as papeleiras gostaram das referidas regras, estabelecidas a partir dos resultados do estudo de Zoneamento Ambiental para a Atividade de Silvicultura no RS realizado pela Fepam, estudo esse realizado por técnicos competentes que deixaram claro que, ao contrário do que afirmou Elizabeth, não mudariam "de uma hora para outra as variáveis envolvidas na escolha de uma área de instalação".

E foi somente por isso, e por nenhum outro motivo, que decisões foram tomadas por meio de decretos, como afirmou Elizabeth de Carvalhaes. Ou seja, a Bracelpa está reclamando de barriga cheia, pois as únicas decisões tomadas por meio de decreto aqui no RS assim o foram com o único objetivo de beneficiar a atividade de silvicultura, eufemismo para fabricantes de celulose e papel, e não para prejudicá-la. Foi por tal motivo, e por nenhum outro, que a Rainha das Pantalhas passou por cima das atribuições da Fepam e do CONSEMA, concentrando todo o poder de decisão sobre a atividade de silvicultura no RS sob a SEMA.

O texto continua em La Vieja Bruja.

E agora, José Agá?



Muito bem, José Agá, o diário do grupo RBS, fez nos últimos dias uma radiografia dos sindicatos de empregados cujos dirigentes prevaricam e/ou se perpetuam no poder de suas entidades classistas. Muito bem. Aguarda-se, agora, que José Agá, faça a mesma radiografia no chamado Sistema S (Sebrae, Senac, Senai e Sesc), mantido com verbas estatais e das entidades patronais. Mais: pode aproveitar e passar um pente-fino também nos sindicatos patronais, federações e confederações de defesa dos interesses dos empregadores.

Os desvios encontrados nos sindicatos de empregados são lilliputianos, perto dos desvios gulliverianos dos patronais.

Aguardamos impacientes.


Do Diário Gauche.

FHC manda, Arthur Virgílio obedece


O senador tucano Arthur Virgílio (AM) está tendo papel fundamental na tramitação da Emenda que prorroga a CPMF. Se não fosse ele, os governadores José Serra e Aécio Neves já teriam conseguuido convencer metade da bancada a votar pela prorrogação do imposto do cheque. A postura belicista de Virgílio tem nome e sobrenome: Fernando Henrique Cardoso. Virgílio mesmo, coitado, não passa de um fantoche. Quem está no comando da operação é o ex-presidente, hoje um adepto incondicional do "quanto pior, melhor" para o governo Lula.

Do Blog Entrelinhas.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2007

Lei que autorizou contratação de professores para UERGS é inconstitucional

O Órgão Especial do TJ-RS (Tribunal de Justiça Rio Grande do Sul) julgou procedente a ação direta de inconstitucionalidade
proposta pelo procurador-geral de Justiça contra a Lei Estadual 12.678/06, que autorizou a contratação temporária de professores para a UERGS (Universidade Estadual do Rio Grande do Sul), em caráter emergencial.

A eficácia da decisão vigora a partir de 30 de abril de 2008, quando vencerá o tempo de trabalho de 151 professores contratados temporariamente com base na lei.

Em janeiro deste ano, o desembargador Luiz Felipe Brasil Santos suspendeu liminarmente a vigência da lei. Contra essa decisão, a procuradoria-geral do Estado agravou ao Órgão Especial.

Para o relator, desembargador Brasil Santos, “não se enquadra no conceito de urgência a necessidade cunhada pelo próprio Estado, que primeiro cria o serviço, sem previsão de quadros regulares, e depois invoca tal situação como caracterizadora de emergência para contratações temporárias”. Considerou que “a urgência aí é fruto exclusivo da própria ineficiência da administração”.

Entendeu o magistrado que houve flagrante desrespeito à decisão da Corte que, em 27 de novembro de 2006 declarou a inconstitucionalidade da Lei Estadual precedente, de nº 12.416/05: “ao fim e ao cabo, não há diversidade no conteúdo das normas postas em julgamento, pois tendo sido a lei anterior (que prorrogava contratos) julgada inconstitucional, a administração, editando outro diploma, cuidou de autorizar novas contratações”.

Para propor o final do mês de abril de 2008 como início da eficácia da decisão, o desembargador Luiz Felipe considerou o excepcional interesse público e o fato de o Estado do Rio Grande do Sul estar tomando providências para realizar concursos e prover os cargos já criados. Considerou também que já existem 77 professores concursados aguardando nomeação. Notícia do Última Instância.

O que não decolou em 2007

Os brasileiros compraram em 2007 mais de 10 milhões de computadores, 23% mais que em 2006, segundo dados da Abinee. Desse total, 2,1 milhões foram notebooks - nunca se vendeu tanto laptop no Brasil.

Muitas dessas máquinas se conectaram à Web e a Internet brasileira cresceu 21%, alcançando a marca histórica de 39 milhões de usuários, de acordo o Ibope/NetRatings. Esses internautas ajudaram a empurrar a banda larga no País, com conexões que já chegam a velocidades para o usuário final de até 10 MB.

E, a telefonia celular deverá fechar este ano com 118 milhões de terminais em uso, prevê a Anatel. Com tantos consumidores ávidos por novidades hightech, a indústria jogou muitos lançamentos no mercado em 2007, mas nem tudo caiu no gosto popular. O WNews fez uma pesquisa sobre algumas tecnologias que ainda não emplacaram, que ficaram para o próximo ano e histórias que foram vexatórias para o mundo da tecnologia. Confira!

PARA CONFERIR, CLIQUE NO TÍTULO DA PRESENTE POSTAGEM.

Brasil estará entre as 5 maiores potências mundiais, segundo pesquisa divulgada nos Estados Unidos

Durante a última Conferência Mundial da TEC/Vistage nos Estados Unidos, um dos líderes da Fundação Milken, Michael Milken, divulgou resultados de uma pesquisa que aponta o Brasil entre as 5 maiores potências mundiais até 2040. É a primeira vez que o país é incluído num levantamento como este, ao lado da China, Estados Unidos, Alemanha e Estados Unidos.

Fatores como o desenvolvimento de uma tecnologia única do país em agricultura tropical, uma elite bancária eficiente, um sistema financeiro sólido e de alta tecnologia, recursos naturais e grandes descobertas de novas reservas minerais, e ainda a quase eliminação do analfabetismo colocam o Brasil no foco da economia mundial, “O Brasil está vivendo um momento inédito, sendo visto de fora com mais otimismo do que nós mesmos podemos avaliar. Os próximos 30 anos poderão levar o Brasil a um novo papel neste cenário de grandes potências”, afirma Antonio Cortese, diretor da TEC Brasil e um dos 7 brasileiros presentes à conferência.

A TEC/Vistage é uma organização internacional que congrega 10 mil dirigentes e executivos de empresas de renome em 16 países. Na prática, trata-se de um grupo, que reúne profissionais do primeiro escalão, periodicamente, para discutir estratégias, sinergias corporativas e trocar experiências comuns ou não ao dia-a-dia dos negócios. No Brasil há 11 anos, a TEC tem como líderes Antonio Cortese e Luiz Paulo Ferrão, ex-executivos do Citibank e da Ferro Enamel e Degussa respectivamente.

FORÇA DA ECONOMIA?

A taxa de aprovação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva se recuperou em dezembro, já que o forte ritmo da atividade econômica garantiu uma melhora no padrão de vida e das perspectivas de emprego no país, mostrou uma pesquisa Ibope encomendada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) na quarta-feira.

Em dezembro, 51 por cento avaliaram que o governo Lula está fazendo um trabalho bom ou ótimo —número maior que os 48 por cento de setembro. É a maior popularidade do presidente em um ano e a segunda maior desde que ele assumiu o cargo, em janeiro de 2003.

A recuperação se deve a uma melhoria geral no padrão de vida e das perspectivas maiores para obtenção de emprego, disse Marco Antonio Guarita, diretor da CNI. "As pessoas estão mais otimistas com a economia", afirmou Guarita em entrevista coletiva em Brasília.

CASO O CARO LEITOR ALMEJE LER A ÍNTEGRA DESTA NOTÍCIA FAVOR CLICAR NO TÍTULO DA PRESENTE POSTAGEM. OBRIGADO

DOR DE COTOVELO

Ainda contrariado pela rejeição sofrida pela bancada peemedebista, o senador Pedro Simon (RS) subiu à tribuna do Senado para atacar o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva logo depois da posse de Garibaldi Alves (PMDB-RN) na presidência da Casa. Pedro Simon acusou o governo federal de "interferir de forma grosseira na eleição de Garibaldi".

"Tenho muitas restrições que são profundas dentro da bancada. Tenho restrições ao comando e o comando tem a mim. Mas só fui rejeitado porque saiu uma mensagem do Palácio (do Planalto) dizendo que Pedro Simon não era de confiança, dizendo que Pedro Simon era imprevisível nas atitudes que ele vai tomar", disse Simon.

O senador ainda atacou diretamente o presidente Lula: "perdão presidente Lula, mas eu mereço uma explicação. Eu sou político muito mais velho que Vossa Excelência. Vossa Excelência não era nem líder sindical e eu já era político. Tenho 25 anos nessa casa", reclamou Pedro Simon.

O que segura o PIB

Algo intriga os economistas. De todos os países emergentes relevantes, o Brasil é hoje aquele que apresenta o melhor desempenho em vários setores empresariais. Tome-se, como exemplo, a indústria automobilística. Neste ano, as vendas devem crescer 28% no Brasil.

É mais do que os 26% da Argentina, os 21% da Rússia ou os 18% da Índia e da China. Apesar disso, o Brasil é o país com a menor taxa de expansão econômica – o que se projeta é um salto de 4,5% no PIB, enquanto os demais rodam a taxas de 6%, 8% ou até 10%. Pode-se alegar que o crescimento não é medido apenas pelo setor de automóveis. É verdade. Mas se a comparação for feita no agronegócio, na construção civil e em várias outras atividades, o Brasil também está melhor do que seus concorrentes. O que, então, explicaria uma diferença tão grande? Para alguns analistas, a resposta pode estar na estatística. “O Brasil está subestimando seu crescimento econômico”, garante o economista Francisco Lopes, que presidiu o Banco Central e é dono da consultoria Macrométrica. “Se a China adotasse um padrão de cálculo do PIB semelhante ao nosso, eles cresceriam dois ou três pontos a menos.”

LEIA MAIS CLICANDO NO TÍTULO

França: jornalista é processado por publicar informações secretas

Uma matéria publicada em abril deste ano pelo jornal Le Monde assegurava que o serviço secreto da França alertou seus colegas americanos, em janeiro de 2001, sobre os planos da Al Qaeda de seqüestrar aviões. Assinada pelo jornalista Guillaume Dasquié, a reportagem se baseou num relatório secreto da Direção Geral de Segurança Exterior (DGSE).

Dasquié foi processado pelo Ministério da Defesa pela divulgação dessas informações e, nesta semana, o juiz antiterrorista Philippe Coirre decidiu abrir o processo pela difusão de documentos "que têm caráter secreto da defesa nacional".

Se perder o processo, o jornalista pode ser condenado a cinco anos de prisão e multa de 75 mil euros (R$ 194 mil).

O diretor do jornal, Eric Fottorino, declarou nesta sexta-feira (07/12) que esse processo, que causou mal-estar na redação, se trata de um ato "grave e chocante".

(*) Com informações da Agência Efe.

Notícia do Comunique-se.

Onde estarão os monges de Mianmar?

Num pequeno mosteiro birmanês, viviam 100 monges, sobraram 31; noutro, eram 1.800. Desapareceram 1.000. Por toda Mianmar, a dúvida persiste: onde estão os monges? O governo reconhece que, durante os protestos, fez 3.000 prisões de monges e de civis. Mas garante que só 90, os líderes, permanecem atrás das grades.

É difícil que qualquer um dos números seja verdade. Monges foram assassinados, ninguém sabe quantos. Muitos deixaram seus mosteiros com medo da violência policial e tomaram o rumo do interior. Vivem escondidos. Ainda há os que, tendo sido presos, foram obrigados a largar seus mantos para substituí-los por roupas civis.

Alguma coisa aconteceu: eles desapareceram. A única informação que há por parte do governo, no entanto, é que não há nada de novo e a calma reina no país após a desordem. Os diplomatas estrangeiros não conseguem notícias.


O questionamento segue no weblog do Pedro Dória.


terça-feira, 11 de dezembro de 2007

44% dos brasileiros dizem que abandonaram fonte de informação nos últimos 12 meses por perda de confiança

VI O MUNDO:

No Brasil, 45% disseram considerar confiável ou parcialmente confiável o noticiário, enquanto só 30% disseram o mesmo em relação ao "nosso governo". Mas a confiança na mídia ficou bem abaixo da média (63%) e no governo também (52%). De fato, a maioria dos brasileiros disse não confiar na mídia (55%). O índice de desconfiança é alto também no Reino Unido (53%), Coréia do Sul (55%) e Alemanha (57%).

LEIA MAIS CLICANDO NO TÍTULO.

O PAVOR DOS MILITARES NORTE-AMERICANOS

Arsenal atômico: Paquistão ameaça responder a países

Os militares do Paquistão advertiram nesta terça-feira que irão responder energicamente contra qualquer tentativa internacional de se apoderar do arsenal atômico do país, num momento em que o exército realizava, com êxito, um teste com um míssil de cruzeiro capaz de transportar ogivas nucleares.

(...)

O avanço dos militantes talibãs nas regiões do noroeste do Paquistão, na fronteira com o Afeganistão, faz temer a comunidade internacional com a possibilidade de que os radicais ameacem as armas nucleares paquistanesas ou que tentem se apoderar delas.

PARA LER MAIS CLIQUE NO TÍTULO DESTA POSTAGEM.

China e Cuba: dois pesos (econômicos) e duas medidas

Enquanto o "mundo desenvolvido" fustiga Cuba com embargos econômicos e exigência na área de "direitos humanos " e "liberdade de imprensa", a União Européia faz uma "celebração dos êxitos e realização do desenvolvimento sustentável" na China, durante a 4ª Cúpula Sino-Européia de Indústria e Comércio.

O primeiro-ministro português, Jose Sócrates e o presidente da Comissão Européia (CE), Durão Barroso estiveram com o presidente chinês, Hu Jintao. Ambos participam do 10º Encontro entre os Líderes Chineses e Europeus. É como se diz por aí: negócios são negócios.


Via Periferia do Império.

O Jardim do Vizinho

(...)

Quando morei na Argentina, realizei entrevistas com pessoas que haviam ocupado cargos de ministros, embaixadores e outras altas posições numa série de governos do país vizinho, em particular o período de Carlos Menem (1989-1999). Todos me diziam a mesma coisa: a de que o Brasil estava no caminho de se transformar numa grande potência, porque havia feito as escolhas corretas e perseguido políticas públicas coerentes, em particular nas áreas do desenvolvimento econômico e da política externa. Em contraste, criticavam a Argentina por sua extrema instabilidade e pelas constantes mudanças de rumo.

A comparação não é novidade para os especialistas na comparação entre os dois países. A quem se interessa pelo assunto, recomendo o soberbo livro "Ideas and Institutions: developmentalism in Brazil and Argentina", da minha querida mestra Katryn Sikkink, que aliás conheci em Buenos Aires. O início é uma obra-prima: a autora comenta a visita que fez ao Memorial JK em Brasília (que ela compara ao túmulo de Napoleão) com sua experiência de pesquisa no modesto centro de estudos dedicado a Arturo Frondizi. O ex-presidente argentino entre 1958-1962 teve programa muito semelhante ao nosso Juscelino, mas foi derrubado por um golpe militar ao qual se seguiram anos de turbulência e crise.

O que deu certo no Brasil? Basicamente, aqui houve desde a Revolução de 1930 um esforço consciente em criar uma elite no funcionalismo público dedicada aos temas econômicos mais importantes. Começou de maneira hesitante com o DASP e depois resultou na criação da Petrobras, do BNDES, e no fortalecimento do processo de treinamento nas Forças Armadas, no Ministério da Fazenda e no Itamaraty. Esse corpo permanente de tecnocratas manteve um alto grau de continuidade, mesmo nas transições (sempre muito negociadas) entre democracias e ditadura.

No fim dos anos 1950 o PIB do Brasil era apenas levemente superior ao da Argentina. Hoje, é cerca de quatro vezes maior. O crescimento da economia brasileira foi acelerado e constante, enquanto a Argentina seguiu um ciclo instável de stop-and-go, muito motivado por suas repetidas crises políticas. Afinal, foram 6 golpes militares entre 1930 e 1976, fora diversas insurreições mal-sucedidadas, guerrilhas, a guerra das Malvinas e a quase-guerra com o Chile. Não há prosperidade que resista. Alguns falam do "milagre do sudesenvolvimento argentino" e a maioria trata com nostalgia da era de ouro do início do século XX, quando a renda per capita do país era mais alta do que a da Espanha ou a da Itália. O célebre economista sueco Gunnar Myrdal chegou a dizer que só existiam quatro tipos de países: desenvolvidos, em desenvolvimento, Japão e Argentina.

Este é um trecho. O texto completo em Todos os Fogos o Fogo.
E a propósito, o texto do La Nación, pode ser encontrado aqui.

O Brasil visto da Argentina

Na Argentina, o diário La Nación diz a respeito do Brasil:

É a décima maior economia do mundo;

Maneja 40% do mercado de carnes do mundial;

É a oitava bolsa de valores por volume, tendo crescido 1.600% nos últimos cinco anos;

As exportações – 137 bilhões de dólares – dobraram em quatro anos.

E, por fim, a comparação que deixa os argentinos danados:

Nos anos 1940, o PIB de toda América Latina era igual ao argentino; hoje, o Brasil tem o tamanho de quatro Argentinas.

(Há de ser bom mesmo viver num país destes.)

Mas, no fim, como sugere à repórter Florência Carbone um de seus entrevistados, em meados dos anos 1990, só se falava do modelo chileno; pouco depois, vitorioso era o modelo argentino. Agora é a vez do Brasil. O quanto isto vale de fato? E, se vale, perguntam-se os jornalistas nossos vizinhos: qual o segredo do Brasil? A série inclui três artigos e uma reportagem.

Algumas coisas – a auto-suficiência em petróleo, por exemplo – é trabalho sólido. A Petrobras vem investindo há muitos anos, já, em tecnologia de extração. Some-se a alta dos preços do barril, que faz compensar a retirada de petróleo a grandes profundidades, e o investimento compensa.

O La Nación destaca também que aos oito anos do governo FHC seguem-se mais oito de Lula que, embora vindos de grupos de oposição um ao outro, dão seqüência ao mesmo jogo de políticas públicas. Há continuidade de governança. A política externa do atual governo também recebe elogios do principal jornal conservador argentino.

Daí, seguem-se fatores que os argentinos não podem controlar: o Brasil tem quatro vezes mais terra e uma população cinco vezes maior. Tem recursos minerais, do ferro ao carvão. Ajuda um bocado no processo de industrialização. Mas o momento chave em que, o jornal considera, Brasil e Argentina se separaram de vez faz muito tempo: a década de 1940. À época, quando o país deles era um riquíssimo agroexportador, os interesses do setor não permitiram o desenvolvimento de um parque industrial. Foi exatamente o que o Brasil fez. Desde então, a Argentina empobreceu e o Brasil enriqueceu.



O texto segue no Weblog do Pedro Dória.

segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

Brasil é colônia digital e Microsoft atua no país "como um traficante"

VI O MUNDO:

Linux, Firefox, GNU, código-fonte - você não gostaria de saber do que se trata para poder entender a próxima conversa que ouvir a respeito? O assunto é muito importante para que você fique na ignorância. Estamos falando em liberdade de criação e difusão de conhecimento. Por isso, fique frio. A entrevista que fiz com um jovem empresário brasileiro, o Kauê Linden, tem exatamente esse objetivo: o de fazer com que você entenda o básico.

Os gurus Stallman e MadDog têm milhares de seguidores em todo o mundo. Gente que acredita no software livre. Que diabo é isso? Por comparação: o Windows, do Bill Gates, você compra na loja ou já vem instalado em seu computador. Você aprende a mexer com ele, se acostuma e fica "viciado". Mas, se quiser, não pode mexer nele. Está sentindo o sapato apertado? Vai morrer com ele no pé.

CLIQUE NO TÍTULO.

domingo, 9 de dezembro de 2007

Do Blog Entrelinhas: Dica de leitura no Estadão de hoje

Vale a pena ler a entrevista abaixo, do historiador Carlos Guilherme Mota, publicada neste domingo pelo jornal O Estado de S. Paulo. É uma análise vigorosa.

Você também está atrás das grades

Fred Melo Paiva

No final dos anos 70, Carlos Guilherme Mota costumava receber em sua casa a visita do também historiador Caio Prado Júnior. Tomavam vinho juntos. Caio Prado gostava dos chilenos da marca Concha y Toro. Carlos Guilherme gostava de Caio Prado - sentia-se visitado pela versão brasileira de um Eric Hobsbawm. Diante do grande mestre, tentava extrair dele “umas cinco frases para repassar aos seus filhos e alunos”. Certa vez, foi direto ao ponto: “Professor, qual é a sua mensagem? O que o senhor me diz sobre a história do Brasil?”. Caio Prado Júnior respondeu: “O Brasil é muito atrasado”. Carlos Guilherme Mota achou a frase “um pouco pobre”. Insistiu: “Mas como assim?”. O Caio: “Muito atrasado. Muito”. Carlos Guilherme deixou pra lá.

“Historiador das idéias”, Carlos Guilherme Santos Serôa da Mota é professor titular de história da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade São Paulo (FFLCH-USP) e da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Presbiteriana Mackenzie. Foi diretor-fundador do Instituto de Estudos Avançados da USP. É pesquisador da Escola de Direito da Fundação Getúlio Vargas. Autor, entre outros, de Ideologia da Cultura Brasileira (Editora 34), prepara-se para o lançamento de História do Brasil - Uma Interpretação (Senac), escrito em parceria com sua mulher, a historiadora Adriana Lopez.

Na semana que passou, Carlos Guilherme Mota lembrou-se muito da frase de Caio Prado Júnior. E à luz dessa lembrança, ele concedeu ao Aliás a entrevista que segue:

A história do sistema prisional no Brasil é uma seqüência de atos de barbárie?

Quando houve a Inconfidência Mineira, ou mesmo a Revolta dos Alfaiates, as condições carcerárias eram miseráveis. Há descrições disso. E olha que foram presos ouvidor, desembargador, advogado. Tem-se a idéia de que (o jurista e poeta luso-brasileiro) Cláudio Manuel da Costa não teria suportado a situação e cometido suicídio. Mais adiante, em 1817, revolucionários do Nordeste foram presos na Bahia, entre eles Antônio Carlos de Andrada, irmão de José Bonifácio, e o clérigo Francisco Muniz Tavares. Eram pessoas, digamos, de alto coturno, tiveram alguns privilégios. Ainda assim seus testemunhos do cárcere são um horror. Durante todo o século 19 as condições são, sim, de barbárie. Não há a idéia de cidadania como a temos hoje, nem minimamente. Nos anos 1920 e 1930, comunistas e anarquistas eram recolhidos em presídios como o famoso Maria Zélia, no bairro da Liberdade, em São Paulo. Ficavam confinados em solitárias com água pingando na cabeça. Imperava por aqui - e de alguma forma ainda impera - a lei da fazenda: se você fez alguma coisa errada, mando um capanga te pegar. Se você é um criminoso, significa que pode ser morto. É por isso que, risonhamente, diz-se que a única contribuição que o Brasil deu para a república no mundo foi a tocaia. Aqui sempre houve exímios matadores.


A entrevista continua no Blog Entrelinhas.


Chávezwood

Meu amigo Leonardo me chamou a atenção para reportagem na BBC sobre a Villa del Cine, o estúdio de cinema criado por Chávez para produzir filmes sobre a América Latina. A produção de estréia é “Miranda Regresa”, sobre uma das mais extraordinárias personalidades da história do continente: Francisco de Miranda, um dos grandes precursores da independência dos países sul-americanos. Intelectual iluminista, conspirador liberal, mulherengo, aventureiro. Napoleão o comparou a Dom Quixote, a imperatriz Catarina da Rússia o tomou como amante, San Martin, Danton, Alexander Hamilton e Thomas Paine foram seus amigos. Lutou pela Espanha contra os mouros na África e os ingleses no Caribe, foi marechal dos exércitos da Revolução Francesa, voltou à América e serviu como general junto a Bolívar. As fotos que ilustram os posts são do filme.

O que nós, brasileiros, sabemos sobre uma vida tão fantástica?

Nada.

O outro projeto da Viila del Cine também promete: uma biografia de Toussaint L´Ouverture, dirigida pelo ator americano Danny Glover. O astro de máquina mortífera tem compromisso na luta anti-racismo, que se traduziu em filmes sobre o apartheid. Natural que queria filmar a vida de um líderes da revolta negra no Haiti – que já rendeu o belíssimo romance “O Reino Deste Mundo”, do cubano Alejo Carpentier e o poema de Aimé Cesaire. Chávez deu US$18 milhões a Glover para o filme – o dinheiro veio da venda de títulos da dívida externa argentina, que o presidente comprou para ajudar aquele país no momento da renegociação do débito.

E de Bolívar, nada? Claro que sim. Também há o projeto de adaptar o romance de Garcia Márquez sobre os amargos dias finais do Libertador, “O General em seu Labirinto”.

Convenhamos: vocês conhecem outra produtora de cinema que tenha um catálogo tão apetitoso de projetos em andamento? A "Lulawood" da Petrobras e do BNDES andam mais ocupados financiando pastiches das novelas da Globo e o próximo melodrama envolvendo apresentadoras de programas infantis, duendes, golfinhos ou outra experiência destinada a provar a inexistência de cérebros nas platéias brasileiras.


O texto, bem interessante, continua em Todos os Fogos o Fogo.

Adam Freeland: We Want Your Soul



Da BlipTV, visto na Periferia do Império.

sábado, 8 de dezembro de 2007

Prá quem acha que riqueza é sinônimo de honestidade

Matéria de hoje da Agência Brasil apresenta pesquisa que prova que a "classe social que proporcionalmente mais alimenta o mercado de produtos falsificados é justamente a dos ricos, que teria condições financeiras para comprar artigos originais. Por causa das falsificações, o Brasil deixa de arrecadar R$ 20,2 bilhões por ano em impostos com a pirataria praticada em apenas três setores da economia: roupas, tênis e brinquedos." A instituição promotora da pesquisa foi a Câmara de Comércio dos Estados Unidos. Mais um preconceito que cai... Como empresários reclamam da pirataria, como endinheirados compram seus produtos. A hipocrisia é a matéria de que é feito o caráter da elite econômica brasileira...

O texto continua na Paidéia Gaúcha.

Lojas Riachuelo: peguem a negra e revistem!

"As Lojas Riachuelo deverão pagar R$ 30 mil de indenização por danos morais a uma consumidora acusada injustamente de furto. Abordada por policiais quando saía da loja, foi levada para o interior do estabelecimento e teve seus pertences revistados de forma constrangedora.

A decisão é da juíza Ester Belém Nunes Dias, da 1ª Vara Cível da Comarca da Várzea Grande (MT).

O texto continua na Periferia do Império.

sexta-feira, 7 de dezembro de 2007

Fantástica festa de fim de ano do Procon bancada pela Telefônica!

BLUE BUS:

Blue Bus pediu ontem histórias fantásticas de festas de fim de ano do escritório. Pois bem, a matéria do repórter Márcio Pinho, na Folha de S Paulo de hoje, mostra a maior festa de horror que já tive notícia.

A festa de fim de ano do Procon foi bancada pela Telefônica, com distribuiçao de brindes e presentinhos. Acontece que a Telefônica é a empresa que mais reclamaçoes tem no próprio Procon, é a líder do ranking. Eles até arrumaram uma desculpa, dizendo que era um almoço de aproximaçao para a resoluçao das pendências, mas distribuiram DVDs, telefones sem fio, pen drives, relógios, telefones, etc...

LEIA MAIS CLICANDO NO TÍTULO.

Senado aprova projeto que torna obrigatório ensino de música na educação básica

A Comissão de Educação (CE) aprovou nesta terça-feira (4), por unanimidade e em decisão terminativa, projeto de lei que torna obrigatório o ensino de música nas escolas da educação básica. A proposta, de autoria da senadora Roseana Sarney (PMDB-MA), altera a Lei de Diretrizes e Bases da Educação - LDB (Lei 9.394/96) - para incluir a música como conteúdo do ensino de Artes. Na abertura da reunião, 80 músicos cantaram na sala da comissão. Eles representavam entidades musicais de Brasília, São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

De acordo com a proposta (PLS 330/06), o ensino de música deverá ser ministrado por professores com formação específica na área. As escolas, determina ainda o projeto, terão três anos letivos para se adaptarem às mudanças.

LEIA MAIS

Dando Voz ao Outro Lado: Entrevista com Comandante das FARC

Ana Catarina - As FARC são apresentadas, nomeadamente na Europa, como guerrilha terrorista e os seus dirigentes acusados de envolvimento no narcotráfico. O tema dos sequestros é muito utilizado nas campanhas contra vocês. A sua manipulação é tão eficaz que conduz à dúvida, inclusive, pessoas progressistas. O que tem a dizer sobre o assunto?
Juan Leonel - Na nossa história sempre houve calúnias para deslegitimar a guerrilha. Primeiro chamaram-nos bandoleiros e assassinos. Depois, quando existia o campo socialista, o embaixador Louis Stamb apelidou-nos de narco-guerrilha, logo utilizado pelos meios de comunicação. Como não dispomos praticamente de imprensa é essa a informação difundida pelo mundo.

Depois do 11 de Setembro passaram a chamar-nos narco-terroristas. E essa mentira, mil vezes repetida, começou a surtir efeito, inclusive entre amigos nossos que acreditam que mantemos relações com o narcotráfico.

Mas vou citar-lhe um episódio que ajuda a compreender a falsidade dessas acusações.

O comandante Simón Trinidad foi extraditado para os EUA acusado de terrorista e narcotraficante. Mas os dois julgamentos a que até agora o submeteram foram anulados. Os jurados não puderam chegar a um consenso no tocante à culpabilidade de Simón com base nas acusações contra ele formuladas e que figuram no pedido de extradição.

A Justiça norte-americana sofreu um estrondoso fracasso. Simón Trinidad demonstrou de forma simples e com coragem que todos os argumentos da acusação configuravam uma montagem contra as FARC. Nesses dois julgamentos ficou desmascarada a falácia dos governos dos EUA e da Colômbia, pois não conseguiram dar credibilidade a qualquer das acusações de terrorismo e narcotráfico formuladas contra Sónia e Simón.

No Ponto 10 da Plataforma para um Governo de Reconstrução e Reconciliação Nacional, as FARC afirmam que o narcotráfico é um problema social pelo que a solução terá de ser política e não militar.

As FARC apresentaram a 28 países amigos e ao governo colombiano uma proposta para implantação de um Plano de Substituição de Culturas. Mas esse Plano não foi assumido nem pela comunidade internacional nem pelo governo colombiano.

O narcotráfico é a antítese de qualquer movimento revolucionário por ser um meio de enriquecimento rápido e ilícito. Os revolucionários defendem a distribuição da riqueza.

Ana Catarina - E quanto aos sequestros?
Juan Leonel – As FARC, por princípio, condenam os sequestros como forma de fazer política. Isso consta dos nossos documentos. Entretanto, ocorreram acontecimentos que, manipulados pela comunicação e pelos nossos inimigos, contribuíram para que muita gente visse em nós sequestradores profissionais. Fazemos o que está ao nosso alcance para restabelecer a verdade. Em primeiro lugar recordo que as FARC capturam militares em combate, bem como polícias e membros dos serviços de inteligência.

Até 1997 esses militares capturados eram por nós entregues aos sacerdotes das povoações, aos presidentes das câmaras municipais ou à Cruz Vermelha Internacional. Quando feridos, eram tratados e somente depois entregues. Que ocorria? Os militares eram julgados pelo poder por traição e desobediência.

Em 1996 capturámos 60 militares e 10 polícias. Todos foram entregues a representantes da comunidade internacional, da Cruz Vermelha e a personalidades nacionais e internacionais. Ao proceder assim, pretendíamos mostrar ao mundo que na Colômbia existia um conflito social, político e armado, conflito que não era reconhecido pelo governo. Não pedíamos absolutamente nada em troca; pretendíamos apenas ao entregá-los chamar a atenção da comunidade internacional. O governo de Ernesto Samper demorou nove meses para aceitar receber os prisioneiros de guerra e iniciou uma campanha, afirmando que se tratava de militares sequestrados, quando na realidade haviam sido capturados em combate. Mentiu-se ao mundo e ao país ao dizer que tinham sido enterrados até ao pescoço e torturados. Essas calúnias somente se revelaram quando finalmente os 70 militares e polícias presos foram entregues à Cruz Vermelha no município de Cartagena del Chairá. Mas no estrangeiro a ideia de que tinham sido sequestrados ficou gravada na mente de muitas pessoas.

Durante os anos de 97, 98 e 99 foram capturados em combate pelas FARC 500 militares e polícias. Propusemos então um acordo de troca de prisioneiros. Entregaríamos esses 500 prisioneiros e o governo libertaria todos os guerrilheiros encarcerados nos seus presídios, uns 450 ou 500. Não pedíamos dinheiro, unicamente pedíamos uma troca de prisioneiros.

O governo de Andres Pastrana negou-se então sistematicamente a aceitar o Intercâmbio Humanitário.

Em 2000 a situação alterou-se. Foi possível um Intercâmbio. Desigual. Libertamos 43 prisioneiros e em troca o governo libertou apenas 14 guerrilheiros. Mas ficou claro que era possível tornar a guerra menos cruel.

Posteriormente, as FARC, em gesto unilateral, libertaram 350 soldados e polícias, numa demonstração de boa vontade. Ficaram em nosso poder somente os oficiais e sub oficiais.

A resposta do governo foi uma campanha de difamação, afirmando que as FARC tinham libertado 350 sequestrados e exigiu que libertassem todos os outros ainda em seu poder.

Os meios de comunicação sempre se referiram aos militares presos como sequestrados. O que significa isso? Se somos nós a capturar, os soldados são sequestrados; se são eles a capturar, os guerrilheiros são terroristas.

Segunda questão. Perante a impossibilidade de concretizar um Acordo, as FARC passaram a fazer reféns políticos, como senadores, deputados e uma candidata à Presidência, Ingrid Bettancourt. O objectivo era exercer pressão para um novo Intercâmbio Humanitário. Essa situação não é inédita. Temos um precedente na Nicarágua durante a luta contra Somoza.

Mas o Estado colombiano esqueceu a sua própria gente, deixando os prisioneiros capturados permanecerem na montanha durante anos. Entretanto, desenvolveu campanhas caluniosas insistindo em que os prisioneiros haviam sido sequestrados, quando na realidade se tratava de reféns. Hoje como ontem não pedimos dinheiro, mas apenas uma troca de reféns por revolucionário prisioneiros, como acontece em qualquer guerra. Mas a crueldade não ficou por aí. O governo de Álvaro Uribe ordenou que se localizassem e assassinassem os reféns detidos. Isso já aconteceu com 11 deputados do Departamento de Valle que estavam em poder das FARC. No dia 18 de Junho um comando de tropas especiais localizou e assassinou esses deputados com o objectivo de culpabilizar as FARC. A mesma ordem foi emitida no que se refere a outros reféns, incluindo os três cidadãos dos Estados Unidos e membros da CIA e que foram capturados num avião abatido pelas FARC.

Em terceiro lugar, julgo útil lembrar que desde o governo de César Gavíria, o Estado estabeleceu o chamado imposto de guerra. Trata-se de um imposto que visou não o financiamento da guerra mas o assassínio de milhares dirigentes e políticos de esquerda, de sindicalistas, representantes do Poder Local, cooperativistas e camponeses.

As FARC promulgaram então a Lei 002, ao abrigo da qual os cidadãos que obtenham lucros superiores a um milhão de dólares devem pagar um imposto de 10% à guerrilha. A maioria paga esse imposto, mas alguns, pressionados por militares, em vez de pagarem, organizaram grupos de paramilitares para combater a insurgente e matar camponeses. Esses milionários faltosos são detidos e obrigados a pagar o imposto acrescido de juros e multa.

É obvio que esta situação desagrada muito à burguesia que promove contra as FARC campanhas de difamação a nível internacional, afirmando que as FARC se dedicam ao sequestro e ao narcotráfico. Com frequência avaliam em 3.000 o numero de sequestrados. Alguns autores falam de 6.000. Já imaginou os meios humanos que seriam necessários para manter 6.000 prisioneiros nas montanhas? Não sobraria ninguém para combater…

Enfim, agradeço a sua pergunta, porque ela permite na resposta desmontar as campanhas que pelo mundo fora apresentam as FARC como um bando de sequestradores de civis.

Entrevista completa em O Diário, visto na Periferia do Império.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2007

Wagner Iglecias: Clonagem política

Em mais uma colaboração para o blog, o cientista político Wagner Iglecias explica a um amigo tucano como a genética pode ajudar na explicação de fenômenos característicos das ciências humanas. A seguir, a íntegra do bem-humorado texto de Iglecias.

Meu amigo Plínio é tucano de quatro costados. Acha que o governo de Fernando Henrique foi o mais importante da História do Brasil. Não vê a hora de o PSDB voltar ao poder. Mas aguarda pelas eleições de 2010 pacientemente, porque Plinio é, antes de tudo, um democrata.

No fundo ele concorda com a afirmação de Fernando Henrique de que Lula não sabe falar bem o idioma. Acha até que Lula é um tanto despreparado para o exercício do cargo, que não domina as boas maneiras da liturgia do poder. Mas acha também que a democracia brasileira só estará definitivamente consolidada no dia em que o presidente-operário concluir seu segundo mandato e passar a faixa para o sucessor.

Apesar das restrições que tem a Lula, Plínio até acha o presidente simpático. Reconhece que ele tem muito carisma e que sabe falar ao povo. Mas Plínio tem ojeriza daquele pessoal do PT que cercou Lula no primeiro mandato e que ainda está por aí, como Zé Dirceu, Genoino, Palocci e os aloprados.

Plinio não suporta essa gente, especialmente Dirceu. Mas tem mais gente ligada ao governo Lula que Plínio não tolera. São os não-petistas. Ah, para os não-petistas Plínio tem suas maiores restrições. Como alguém que foi historicamente adversário de Lula e do petismo pode hoje apoiá-los? Plínio não compreende.

A resposta para a inquietação do meu amigo tucano pode estar na ciência. A medicina genética tem avançado muito nos ultimos anos e é sabido que cientistas já conseguiram clonar ratos, ovelhas etc. Ou seja, estaríamos a um passo da clonagem humana. Verdade? Mito? Sabe-se lá. Mas quem sabe ela já não começou? E aqui no Brasil? E com nossos políticos? Senão, vejamos.

Este Sarney que apóia Lula desde o começo de seu governo? Plínio se pergunta como Lula aceita o apoio de um velho coronel da política brasileira. Sem dúvida, meu caro Plínio, este aí só pode ter sido clonado. Não pode ser o mesmo Sarney que apoiou o governo Fernando Henrique. Ou pode?

E este Renan que a oposição considera um bandido? Apóia o Lula desde o início de seu mandato também. Outro que só pode ser clonado. Não pode ser o mesmo Renan que foi Ministro da Justiça do governo tucano. Não pode ser. Foi clonado tambem.

O texto continua no Blog Entrelinhas.

CADÊ A DITADURA DE CHÁVEZ ?

CADÊ A DITADURA DE CHÁVEZ ?

03/12/2007 08:14h


Paulo Henrique Amorim

Máximas e Mínimas 789

. O presidente perdeu.

. A oposição ganhou.

. Numa democracia em que o sistema eleitoral é muito mais eficaz e seguro que o brasileiro, porque lá é possível recontar os votos.

. Aqui, não. (Clique aqui para ler)

. Já imaginaram se uma eleição no Brasil acabasse, como no referendo da Venezuela, em 51% a 49% ?

. E se o perdedor resolvesse dizer que houve fraude ?

. Como recontar os votos no Brasil, sem o papelzinho do Brizola ?

. O vencedor seria aquele que o Ministro (?) Mello quisesse ...

. Na Venezuela há um sistema de auditagem que automaticamente reconta uma amostra das urnas, e confere o resultado eletrônico com o do papelzinho ...

. E não se dizia que a Venezuela era uma ditadura feroz ?

. O que dirá agora o Farol de Alexandria ?

. O que dirá a Miriam Leitão ?

. Se a Venezuela fosse tudo aquilo que o Farol de Alexandria e a Miriam Leitão diziam, a oposição teria perdido ...

. Como disse o notável jornalista Mauro Santayana (Clique aqui para ler) Chávez perdeu como De Gaulle: ao fim de uma sucessão de referendos.

. Como dizia o Presidente Lula: o que não falta na Venezuela é eleição ...


Do Conversa Afiada.

Tishman investe mais de R$ 1 bi em imóveis no Brasil

A Tishman Speyer, empresa americana de incorporação, construção e administração de imóveis, acaba de concluir a captação de um fundo de US$ 600 milhões (mais de R$ 1 bi) para investir no Brasil. Uma das donas do Rockefeller Center, em Nova York, a Tishman já negociou ou administrou US$ 70 bilhões em imóveis, desde 1978.O novo fundo mostra como o mercado imobiliário brasileiro entrou na moda entre os investidores estrangeiros. Uma das líderes do mercado americano, a Tishman começou a atuar em outros países em 1988 quando os EUA passaram por mais uma de suas crises imobiliárias. Na época, a Tishman diversificou seus negócios, comprando e administrando imóveis em outros países, principalmente na Alemanha, Inglaterra e Espanha. A empresa atuava desde 1985 no Brasil, mas só decidiu abrir um fundo de investimentos mais ambicioso no início de 2006. O plano inicial foi rapidamente superado. Daniel Citron, presidente da Tishman no Brasil, visitou mais de 100 investidores nos EUA, Ásia e Oriente Médio. Houve tanto interesse pelo investimento que o fundo Brasil captou US$ 100 milhões a mais do que o previsto. “Muitos investidores não tiveram tempo para entrar no fundo. Eles já pedem a abertura de um novo fundo”, diz o executivo. Mais do que isso: o interesse pelo Brasil é tão grande que os investidores telefonam para Citron pedindo conselhos para comprar imóveis no País, seja um prédio em São Paulo ou um terreno em Natal. Com os bons resultados no Brasil, a Tishman decidiu fazer investimentos parecidos na Índia e na China, levantando um fundo de US$ 700 milhões para cada país. No Brasil, já existem planos para novas captações. “Quando tivermos alocado todo o dinheiro, é inevitável pensar em novos fundos”. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Sobre o medo e a coragem

Não é o só o fato do novo jeito de tergiversar não ter a menor idéia de quais áreas pretende repassar às OSCIPs que surpreende na entrevista concedida por Fernando Schüler ao jornaleco da Azenha, da qual La Vieja reproduziu um trecho logo abaixo.

Examinemos mais detalhadamente as afirmações abaixo, do secretário da Justiça e do Desenvolvimento Social do novo jeito de avançar:

"Somos uma sociedade que desconfia demais. E isso tem sido um problema para a construção de consensos e para o avanço do Estado. Em parte, chegamos na crise a que chegamos porque tivemos medo de avançar e de nos modernizar" (Os grifos são meus).

La Vieja não crê que o fato de supostamente sermos uma sociedade que desconfia demais seja um problema para a construção de consensos. Tal desconfiança, muito pelo contrário, tem sido até uma virtude. Não fosse ela teríamos deglutido tanto o Pacto Pelo Rio Grande, articulado, entre outros, pelo brilho intelectual de um Cézar Busatto (PPS-RS) e de um José Barrionuevo (ex-PRBS), quanto a Agenda Estratégica do RS 2006/2020: O Rio Grande que Queremos,
capitaneada pela Farsul, pela FCDLs, pela Federasul, pela Fecomércio e pela Fiergs, os clubinhos das indústrias, do comércio e da agricultura do estado. Não fosse certa dose de prudência o Rio Grande do Sul que realmente queremos não seria senão o Rio Grande do Sul que querem José Barrionuevo ou, na melhor das hipóteses, Farsul e Fiergs: um imenso latifúndio com vista para um distrito industrial.

O texto continua em La Vieja Bruja.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2007

Na França Pode: Reeleições "Ad Infinitum"

Eu acredito que o presidente Chávez, antes de introduzir a proposta de reforma constitucional, já era objeto de ataques muito violentos. Foi praticamente desde que se elegeu pela primeira vez em dezembro de 1998. O argumento da Constituição não é mais do que a continuação dessa política de desqualificação permanente. O fato é que o presidente nunca disse que ia impor a reforma da Carta, mas propor e submeter as reformas à decisão popular. Na Venezuela os meios de comunicação são os meios da oligarquia, quase toda a imprensa escrita, os grandes jornais, pertencem à oposição, as grandes rádios. Ninguém se escandaliza no mundo porque em 2000 o então presidente [francês Jacques] Chirac fez um referendo para mudar a Constituição e permitir que o presidente da República pudesse ser reeleito indefinidamente, pondo fim à limitação a dois mandatos. Ninguém disse que Chirac é um tirano nem que Sarkozy vai se manter no poder de maneira ilegítima.

Na Europa há pelo menos sete países cuja Constituição não limita o número de mandatos do chefe de governo ou de Estado. Na proposta de reforma da Constituição venezuelana não foi suprimida a possibilidade de referendos revogatórios de mandato.



Trecho de entrevista com Ignácio Ramonet, na Folha Online, visto via Periferia do Império. A entrevista completa no saite da Folha Online.


Os Amigos Podem: Começa abaixo-assinado para projeto de reeleição de Uribe

Notícia publicada hoje (28/11) no jornal Folha de São Paulo (só para assinantes).

"Ainda que o presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, tenha afirmado ontem que "perpetuar-se no poder tira o frescor da democracia" -em crítica indireta a Hugo Chávez-, teve início o processo que poderá possibilitar a ele, Uribe, candidatar-se outra vez à reeleição e obter um terceiro mandato.

A Controladoria entregou anteontem a Luis Guillermo Giraldo, responsável pela iniciativa, o formulário para recolher as 140 mil assinaturas necessárias ao pedido de reforma da Constituição. Ainda que o caminho jurídico para uma nova reeleição de Uribe seja incerto, os defensores do projeto dizem que ele vingará em 2010.

Giraldo disse que não pediu permissão ao presidente para a iniciativa, mas não foi desautorizado por ele. Há duas semanas, Uribe disse que só buscaria outro mandato em caso de "hecatombe". Para Giraldo, haveria "hecatombe" se os partidos governistas não concordassem sobre um candidato único para 2010, o que acha improvável."

Da Periferia do Império. Re-reeleição, pois não?

Qual censura?

O Programa Roda Viva do dia 12/11/2007, entrevistou o venezuelano Teodoro Petkoff, ex-dirigente comunista, guerrilheiro, ministro, candidato duas vezes à presidência da república, fundador do MAS – “Movimento al Socialismo”, economista e atualmente editor chefe do jornal oposicionista “Tal Cual”.

O repórter do jornal O Estado de S. Paulo, ao perguntar sobre a não renovação da concessão da RCTV mencionou a censura que os jornais de oposição vêm enfrentando naquele país. O desavisado foi advertido pelo entrevistado, que afirmou várias vezes durante o programa não existir censura na Venezuela. Que ele, como editou de um jornal de oposição nunca sofreu e nem sofre retaliação, e que não existe "ditadura" como dizem aqui no Brasil.

É louco ou sua família está sofrendo ameaças dos chavistas, segundo o pensamento dos nossos jornalistas venais.



Da Bodega Cultural.

Baduel: "Proponho uma Assembléia Constituinte"

Do Terra Magazine.

(...)Raúl Isaías Baduel, 52, ex-companheiro-em-armas do presidente venezuelano. Mais que a oposição tradicional ou o incipiente movimento estudantil, o posicionamento amplamente divulgado do general reformado contribuiu para o resultado - 3 milhões de pessoas que tinham votado em Chávez na eleição presidencial de dezembro de 2006, desta vez ficaram em casa.

Fiel ao seu estilo das últimas semanas, Baduel evita atacar Chávez(...). Mais: ele ressalta os logros sociais da "Revolução bolivariana". Com o referendo, diz ele, "não se encerra o novo rumo que se traça em nosso país, que aponta para um aprofundamento da democracia, privilegiando-se o protagonismo e a participação".

Ele também refuta o papel que muitos meios de comunicação tem querido outorgar-lhe: "Não estou falando em nome da oposição", diz ele, ao anunciar uma proposta detalhada para a convocação de uma nova Assembléia Constituinte.(...)

Terra Magazine - General, qual é sua leitura da vitória do "não" no referendo da reforma constitucional do presidente Hugo Chávez?
Raúl Isaías Baduel - Ganhou a democracia, ganhou o civismo, ganhou a paz. Abre-se uma dinâmica político-social favorável a todos em nosso país. Nessa nova dinâmica devemos reconhecer todos, e particularmente aqueles que são denominados excluídos. Cada um de nós tem que aceitar a responsabilidade desta situação, e não ficar inerte. Neste momento, se abrem novos caminhos para nosso país.(...)

Íntegra: clique aqui.

Marinho | Sobre a vida dura das madames endinheiradas neste Natal

BLUE BUS:

Um esclarecedor levantamento feito pela InterScience em outubro passado, com 100 mulheres da elite paulistana, joga um foco de luz sobre um outro país, por acaso incrustado no Brasil. Para você ter uma idéia, essas senhoras pretendem gastar em média, somente com presentes de Natal, a bagatela de R$ 8 mil. Cada ‘lembrancinha’ vai custar pelo menos R$ 450. A esmagadora maioria das compras (93%) será feita em shoppings, mas, surpreendentemente, 1/3 das entrevistadas afirmou que gastará parte dessa verba atraves da internet. A maior parte das madames paulistanas dará brinquedos e roupas. Cerca de 10% delas, entretanto, prometem incluir na lista de presentes um iPhone, mesmo sabendo que ele ainda nao está a venda legalmente no país. Dos maridos, elas esperam ganhar viagens (36%) ou carros 0km (33%). A maioria da elite paulistana, veja só, planeja pagar suas compras usando o parcelamento do cartao de crédito.

Para entender melhor esse país habitado por pessoas tao abastadas, vale dizer que as mulheres entrevistadas pela InterScience têm renda familiar superior a R$ 30 mil mensais. Elas viajam em média 3 vezes ao ano para o exterior, têm pelo menos 2 empregados em casa, vao ao cabeleireiro ao menos 1 vez por semana e sao donas de carros do ano. Mas nao pense que tudo sao flores na vida dessas privilegiadas. Até o Natal elas terao que trabalhar duro para dar conta de algumas importantes tarefas - 33% precisam trocar de carro, 29% vao cortar um dobrado atualizando o guarda roupa com as peças da nova estaçao, 24% estarao planejando a bagagem da viagem de férias ao exterior e 24% sofrerao nas maos dos seus cabeleireiros, porque pretendem mudar ou atualizar o corte do cabelo. Dura tambem é a vida das madames ;- ).

O país das trevas

BLOG DO BOURDOKAN:

Depois de invadir e ocupar o Iraque e o Afeganistão;
Depois de destruir sítios históricos patrimônio da humanidade;
Depois de horrorizar a humanidade com as masmorras de Abu-Ghraib e Guantanamo, eis que a superlativa “democracia” estadunidense mostra mais uma vez sua verdadeira face.

A Agência de Educação do Texas demitiu a professora Christine Castillo Comer, sua diretora durante nove anos, por dar preferência à teoria da Evolução, em detrimento da teoria criacionista. Christine, que deu aulas de ciência durante 27 anos, foi acusada de “insubordinação" e "delitos de conduta" e de se opor ao criacionismo, a doutrina de acordo com a qual a vida surgiu de um "criador inteligente".

E, por favor, não saiam por aí dizendo que esse é um caso isolado. Não É! Apesar dos pilantras da mídia ocultarem, o "renascido" e delinqüente Bush tem até verba especial para as escolas que ensinam que a humanidade surgiu de Adão e Eva.

Sobre poços

LA VIEJA BRUJA:

Segundo a socialite política mais fashion e in do reino encantado das pantalhas, "Os empresários do setor da construção pesada que almoçaram com o secretário do Desenvolvimento, Nelson Proença, ontem, foram surpreendidos por declarações incomuns para quem participa do governo".

Proença, ainda segundo Rosane de Oliveira, teria defendido "a mudança do discurso centrado exclusivamente no ajuste fiscal, que marcou o primeiro ano do governo", advertindo que "o Estado perderá investimentos se continuar batendo nessa tecla".

Embora a imagem do Brasil, que segundo Proença "se prepara para entrar em um novo ciclo virtuoso de crescimento", esteja atraindo cada vez mais investidores, "o Estado está ficando para trás 'em razão do único discurso adotado pelo governo até agora, que é o ajuste fiscal'".

"- Ou o Rio Grande do Sul incorpora o discurso do desenvolvimento e abandona o único tema de sua agenda até agora, ou, infelizmente, vai apenas assistir aos investimentos nos Estados de São Paulo, Minas Gerais, Paraná, Santa Catarina e Rio de Janeiro", parece ter finalizado Proença.

Três lições podem ser tiradas das afirmações acima:

PARA LER AS TRÊS LIÇÕES CLIQUE NO TÍTULO DESTA POSTAGEM.

A desmoralização da mídia brasileira

VI O MUNDO:

Era 1h25 da manhã de segunda-feira, dia 3 de dezembro, quando este site anunciou o resultado do referendo na Venezuela e a derrota da proposta de reforma constitucional de Hugo Chávez, desde Caracas. Neste mesmo horário, a manchete acima estava na capa da Folha Online. Eram 3h25 da manhã no Brasil. Não é horário de ler notícias na internet, com certeza. Porém, estranhei que a manchete permanecesse ali por um bom tempo, completamente equivocada em relação ao resultado, acompanhada por um erro factual - não foi o presidente, mas o vice quem reconheceu que a apuração estava "apertada" - e por uma análise prevendo que a votação abria "era de incerteza para Chávez".

Como assim? A previsão já contava com o resultado? Ou a "era de incerteza" independia do resultado? É o que tenho escrito aqui, repetidamente: até o menos ruim dos jornais brasileiros é tecnicamente fraco. "Escuálido", diriam os chavistas. Ao desembarcar no Brasil, vindo de Caracas, ganhei um Estadão e li parte da cobertura, no táxi. Que pobreza.

Um dos grandes destaques foi a manchete segundo a qual Chávez teria demorado sete horas para reconhecer o resultado. Que estupidez. Quando o resultado foi oficialmente anunciado pelo Conselho Nacional Eleitoral da Venezuela nem todos os votos haviam sido contados. Os votos no Exterior não haviam sido contados. Nem aqueles de regiões remotas, não conectadas à rede informatizada. Chávez admitiu a derrota por pequena margem, ANTES MESMO DO FIM OFICIAL DA APURAÇÃO, diante da informação de que a tendência era irreversível e não havia margem para o SIM reverter a diferença de cerca de 145 mil votos.

LEIA A ÍNTEGRA DESTE TEXTO CLICANDO NO TÍTULO.

terça-feira, 4 de dezembro de 2007

Direita em festa: agora há democracia na Venezuela?

Os blogs direitosos estão eufóricos com a derrota de Hugo Chávez no plebiscito venezuelano. De fato, a oposição teve uma vitória incontestável, mas não deixa de ser engraçado: na noite de domingo, quando as pesquisas de boca de urna davam a vitória ao coronel, a direita babava que Chávez tinha dado "um golpe" e que a Venezuela estava se transformando em uma ditadura porque "apenas 50%" dos eleitores tinham comparecido às urnas. Horas depois, a turma esqueceu a alta taxa de abstenção e a Venezuela voltou a ter uma "democracia robusta" com a lição que deu na "pretensões ditatoriais" de Chávez. Como diria o presidente Lula, "menas", pessoal, menas: na verdade, o baixo quórum foi fundamental para a vitória da oposição, e não o contrário. Paradoxalmente, portanto, se o povão tivesse comparecido em massa, a democracia da Venezuela seria mais representativa e Hugo Chávez teria conseguido aprovar as mudanças constitucionais que propôs.
Mas fica a lição até para blogs direitosos: é preciso torcer menos e analisar melhor.

Do Blog Entrelinhas.

Carteiraço II

Esquenta em Santiago a discussão sobre a autuação, pela Brigada Militar local, do deputado estadual Marco Peixoto (PP), que teria sido flagrado dirigindo em alta velocidade em perímetro urbano.

O jornalista santiaguense Júlio Prates, que neste imbróglio tenta preservar sua fontes, afirma que recebeu um comunicado de um major da BM local solicitando informações e negando versões paralelas que correm à boca pequena na cidade natal de Caio Fernando Abreu.

Ainda segundo o referido major, afirma Júlio,
"A velocidade do carro, quando da detectação pelo radar móvel, não era de 124 km/hora e, sim, 110 Km/hora".


"Que bom que o deputado não trafegava a 124 km/hora e sim a 110 km/hora", pondera Júlio. "A sociedade ficaria muito feliz com essa informação e a verdade seria reposta no seu devido lugar. Todos iriam ver que o deputado é homem prudente e zeloso", finaliza o jornalista.

Via La Vieja Bruja.

Microsoft (mais uma vez) condenada por pirataria

A Microsoft, uma empresa que adora acusar o movimento de software livre e os usuários Linux de desrespeitar patentes, acaba de ter a sua condenação por pirataria reafirmada por uma corte de apelação nos EUA, neste dia 16 de novembro. A maior ironia no caso é que a empresa de Bill Gates pirateou exatamente o sistema anti-pirataria que ela utiliza no Windows XP e no MS Office. A empresa foi acusada de desrespeitar os direitos de patente da empresa Z4, uma pequena empresa do estado de Michigan.

Juntamente com a Microsoft foi condenada também a empresa Autodesk, pelo uso do mesmo sistema no AutoCAD. As empresas foram multadas em US$ 160 milhões, um aumento da penalização em mais de US$ 25 milhões em relação à condenação inicial de abril do corrente ano.

Esta é a terceira maior multa a ser paga pela empresa por ações judiciais que a condenaram por pirataria. Por outro lado, suas alegações de que o Linux estaria desrespeitando seus direitos de patente NUNCA foram objetivamente sequer formulados.


A notícia continua no UnderLinux.

Partido Pirata Internacional

Raitéqui - Nasce um partido pirata

O Pirate Party foi criado na Suécia, e suas propostas já contam com núcleos militantes em vários países da Europa. Eles defendem mudanças nas leis de propriedade intelectual e industrial, e o direito à privacidade..
Sérgio Amadeu da Silveira

Brasileiros estao desistindo do sonho americano, diz o NYT

NOTÍCIA DO BLUE BUS:

Os brasileiros estao abandonando o sonho americano, a construçao de uma vida na 'terra das oportunidades', e estao voltando ao Brasil. É o que diz materia do New York Times. Alguns dos que fazem o caminho de volta sao imigrantes vivendo há anos na ilegalidade e que agora temem as leis mais duras que podem levar a uma deportaçao, outros avaliam que a economia brasileira melhorou, enquanto a americana enfrenta dificuldades. Os numeros dos que voltam nao sao conhecidos, mas há cada vez mais brasileiro decidindo deixar os EUA, segundo funcionarios das representaçoes brasileiras, agências de viagem e lideres de comunidades.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

A derrota de Chávez

NASSIF:

A derrota de Hugo Chávez no referendo venezuelano, permite as primeiras conclusões:

1. Cadê a ditadura? Até agora, Chávez venceu pelo voto. Ontem, o voto foi respeitado. Não significa que seja um democrata, mas que até agora a democracia lhe foi favorável. A partir de ontem, o jogo é outro.

2. Acontece que o projeto de Chávez para a Venezuela é revolucionário, não reformista ou contemplativo. E não existem sucessores para Chávez. O modelo venezuelano é intrinsecamente personalista. E a radicalização tornou as disputas eleitorais uma questão de vida ou de morte. Quem vencer as próximas eleições, varrerá os opositores do mapa. Chávez montou uma rede de conselhos por todo o país, que simplesmente desapareceria em caso de afastamento do líder nas próximas eleições. Ou seja, existem dois modelos hoje - a democracia clássica com todos seus vícios; o modelo dos "conselhos", com todo seu proselitismo - disputando a primazia política na Venezuela. Não há forma de convivência pacífica.

3. O possível caminho do chavismo seria uma reforma “à Putin”, com mudança no sistema presidencialista que preservasse a influência do líder.

Seja qual for o caminho, agora é que o jogo vai começar.

Sexo e chocolate aumentariam capacidade cerebral

RECEITA:

Fazer sexo, comer chocolate amargo e consumir um café da manhã rico em frios pode ser o segredo para treinar e impulsionar a capacidade cerebral.

LEIA A ÍNTEGRA DESSA NOTÍCIA CLICANDO NO TÍTULO DESTA POSTAGEM.

Spe salvi factis fumus

VIEJA BRUJA:

Joseph Ratzinger, para alguns o Papa Bento XVI, supremo líder espiritual da Igreja Católica Apostólica Romama e também chefe de Estado do Vaticano, representante do deus católico entre os homens de boa vontade, mais uma vez, como de costume, extrapolou a paciência dos homens de pouca fé.

Segundo informa a BBC Brasil, "O papa Bento 16 fez uma dura crítica ao ateísmo em um documento divulgado nesta sexta-feira, dizendo que a doutrina, que nega a existência de Deus, foi responsável por algumas das piores formas de crueldade e injustiça na história moderna". Conforme a Zero Hora, por sua vez, "O Pontífice também questionou o cristianismo moderno, que, segundo ele, ao se concentrar na salvação individual, 'ignora a mensagem de Jesus de que a verdadeira esperança cristã envolve a salvação de todos'".

O referido documento se trata da segunda encíclica apresentada por Ratzinger, intitulada Spe salvi. Tal afronta à inteligência dos homens de pouca fé veio a lume nessa última sexta, 30.

Embora seja um prato cheio, La Vieja vai deixar de lado a crítica papal àquilo que a igreja católica apostólica romana entende por ateísmo, bem como a relação entre tal "doutrina" e "algumas das piores formas de crueldade e injustiça na história moderna". Ela irá se concentrar somente na segunda parte do delírio ratzingeriano.

Muito provavelmente Joseph Ratzinger tem em mente, quando fala em "cristianismo moderno", todas as formas de cristianismo que não reconhecem sua autoridade. Tais degenerações, oriundas de interpretações equivocadas da palavra de Deus, pois só a igreja católica detém o privilégio de interpretá-las adequadamente, o que deve ser algo na água do Vaticano, concentram-se na salvação individual, ignorando "a mensagem de Jesus de que a verdadeira esperança cristã envolve a salvação de todos", ainda conforme a Zero Hora.

É no mínimo engraçado ouvir um representante da igreja católica se referir de modo pejorativo ao conceito de salvação individual, algo que lhe foi, e ainda o é, tão caro. Não era bem a "salvação de todos" que preocupava Rodrigo Bórgia, para alguns o papa Alexandre VI, quando usou sua fortuna "para comprar a maior parte dos votos dos cardeais quando se realizou o conclave para definir a sucessão do papa Inocêncio VIII". Embora seu papado tenha começado tranqüilo,"não tardou para que se manifestasse sua ganância em sacrificar todos os interesses em favor da família. Fez seu filho de dezesseis anos, César Bórgia, arcebispo de Valência, e seu sobrinho João, cardeal". Seu pontificado, "paradigma de corrupção papal", demonstra o quanto "Alexandre VI foi, sem dúvida, um papa corrupto, pouco dado às virtudes cristãs". Trata-se, como se vê, de um belo exemplo de virtude cristã esse o de Alexandre VI, um papa preocupadíssimo com a salvação de todos, pelo menos de todos os de sua família. Seu papado, bem como sua conduta individual, foram exemplos vivos de como todo bom católico condena a busca da salvação individual.

LEIA MAIS CLICANDO NO TÍTULO.

Pesquisas, pesquisas...

Por weden

Quem leu aqui a última pesquisa Datafolha?

Vamos descontar a tentativa da Folha de ressaltar um factóide negativo ("o desejo de Lula pelo terceiro mandato", num caso sui generis de jornalismo subjuntivo), numa estratégia um tanto quanto simplista de encobrir resultados positivos.

Descartando o "macete jornalístico", ficam dados que devem ser levados a sério.

Em agosto, ressaltávamos a leitura incorreta das pesquisas. Quatro meses depois, olha com o que se depara o consenso de aluguel:

1. Mais aprovação no Sudeste, na classe média alta e entre os escolarizados.

2. E o resultado geral: apenas 14 % dos brasileiros acreditam que o governo é péssimo ou ruim.

3. O resultado negativo corresponde à metade do eleitorado que apoiou Alckmin nas últimas eleições - ou seja: a oposição perdeu força.

De novo: ou a oposição (e a midia a ela alinhada) muda o discurso ou perde definitivamente o compasso com a população.

O hiato já é grande. Está virando abismo.

Porque tanto para alguns colunistas, quanto para o PFL, ou ainda para o PSDB, como na última convenção, o governo é "realmente péssimo".

O que pode estar sendo passado para o eleitorado como "incapacidade avaliativa".

Que é péssimo para o futuro da oposição e credibilidade da mídia.

E não adianta esconder os números nas manchetes.

O leitor atento abre o jornal. Ou vai direto no site do Instituto.

LEIA DIRETO DO NASSIF CLICANDO NO TÍTULO.

A QUESTÃO SOCIAL É UM CASO PARA A EPTC

RS URGENTE:

Ayrton Centeno escreve:

A questão social já foi um caso de polícia. Já foi vírgula: para muita gente permanece sendo assim. Basta ver a ferocidade do aparato bélico empregado pelo, com o perdão da palavra, governo Yeda Crusius contra 400 homens, mulheres e crianças do Movimento dos Trabalhadores Desempregados (MTD) que ocuparam as ruínas daquilo que foi um dia a Companhia Riograndense de Laticínios e Correlatos, a Corlac, tentando fazer do local uma cooperativa de trabalho. Os escombros são hoje, aliás, uma testemunha muda do destroçamento econômico do Rio Grande presenciado por partidos que se revezaram no Piratini nas últimas décadas, todos representados no, digamos assim, governo atual.

Mas as páginas de Zero Hora, outra usina ideológica de criminalização dos pobres organizados, sinalizam outra configuração deste fenômeno. Para ZH, a questão social deixou de ser um caso de polícia apenas para se transformar, dependendo da situação, numa ocorrência de trânsito. Ou seja, um passo além na irrelevância.Tanto na edição online quanto na impressa, a Marcha dos Sem, que reuniu milhares de pessoas para contestar as políticas do, vamos dizer, governo Yeda foi tratada como um aborrecimento, mais uma daquelas aporrinhações do tráfego que agridem os países baixos da classe-média na borda do fim-de-semana.

“Marcha do Sem complica o trânsito” (P.42) foi o título da matéria mirrada, esmagada e esquecida num pé de página da editoria de geral no sábado, 01/12. Não mais de 30 linhas secundadas por uma foto de duas colunas onde o protagonista é um táxi que passa por cima de um canteiro. Perfeito: um flagrante de infração de trânsito para uma matéria de trânsito. Os marchantes estão ao fundo. Não tem rosto, estão indistintos, quase invisíveis. São nada. Como se quer.

LEIA MAIS CLICANDO NO TÍTULO DESTA POSTAGEM.

domingo, 2 de dezembro de 2007

Venezuela

Do site VioMundo: 'Se opositores protestarem contra resultado, Chávez diz que cortará exportações de petróleo para os Estados Unidos'

"A Venezuela é uma democracia. Ponto. Se você vier até aqui, como eu fiz, vai constatar isso nas ruas. Há liberdade de ir e vir, de reunião, de imprensa, de expressão e de manifestação". Assim o jornalista Luiz Carlos Azenha, direto de Caracas, inicia a cobertura do referendo que ocorre hoje na Venezuela. Os apoiadores do presidente Hugo Chavez lutam pelo SIM, enquanto a oposição cerrou fileiras pelo NÃO. Leia a cobertura na íntegra no site VioMundo: http://viomundo.globo.com

*Via 'Blog do Júlio Garcia'