sexta-feira, 21 de dezembro de 2007

Para Servir e Proteger

- Porra, a PM matou um garoto de 15 anos em São Paulo. Tortura. Tinha mais de 30 marcas de choques elétricos no corpo. Assustador.

- Eu vi na tevê. Assustador por quê? Hummm... Este patê está uma delícia. É foie gras?

- Humhum. Importado da França. Ora, é assustador a polícia adotar os métodos da repressão da época da ditadura militar.

- Bobagem, sempre foi assim. Eu até tenho saudades dos tempos dos milicos. Ainda era garotão, mas cheguei participar de uma missa negra com o pessoal da Operação Bandeirantes. Bons tempos aqueles. Época de negócios lucrativos sem a imprensa enchendo o saco. Estamos voltando. Um dia ainda chegamos lá. Além do mais, o moleque não era preto, pobre, maconheiro e ladrão?

- Era preto e pobre, provavelmente fumava maconha. Suspeito de roubo.

- É tudo a mesma coisa. Culpado. É um a menos a nos ameaçar. Esta gente não merece viver.

- Sei não. Pode sobrar pra nós.

- Como assim? Maravilha este Buchanan’s. 12 anos?

- Pô isto é pergunta que se faça? Claro que é. Tenho medo que os gorilas se voltem contra nós ou nossos filhos.

- Bobagem. Estes caras estão aí pra nos servir e proteger.


O que vai acima é uma obra de ficção (qualquer semelhança com a realidade é mera coincidência). A obra de ficção continua na Toca do Jens.

quinta-feira, 20 de dezembro de 2007

Porto Alegre tem o 4o. maior PIB per capita do País

Dentre as capitais brasileiras, Porto Alegre tem o quarto maior PIB per capita, ficando com R$ 19.582. A cidade fica atrás de Vitória (R$ 47.855), Brasília (R$ 34.510) e São Paulo (R$ 24.083).

Os dados são de uma pesquisa do IBGE divulgada nesta quarta-feira, 19. Pelo estudo, a capital gaúcha fica à frente do Rio de Janeiro, que tem PIB per capita de R$ 19.524.

A pesquisa também aponta que todas as capitais brasileiras do Sul e Sudeste apresentaram PIB per capita superior ao brasileiro em 2005, enquanto no Nordeste nenhuma registrou esta marca. No Norte e Centro-Oeste, as únicas capitais com esta superioridade foram Manaus, Brasília e Cuiabá.

Do Baguete Diário.

No Brasil, XO é o laptop de US$ 420

Para quem estava curioso sobre o preço pelo qual o XO, o laptop que compõe o modelo educacional do OLPC, anunciado inicialmente (e ainda hoje conhecido e referenciado) como o "laptop de 100 dólares", chegaria ao Brasil, a cobertura do G1 sobre a vitória do Classmate e da Positivo na primeira fase do pregão que decide os equipamentos que serão usados nos testes do projeto UCA (Um Computador por Aluno) do governo federal no ano que vem tem a resposta: o preço pelo qual a solução montada a partir do micro do OLPC foi oferecida ao governo brasileiro foi de US$ 420.

O objeto do pregão é a "Contratação de empresa especializada para fornecimento de 150.000 equipamentos portáteis denominados laptops educacionais, para atendimento de 300 escolas do Piloto do Projeto ´Um Computador por Aluno (UCA), na forma e condições estabelecidas no Edital e seus anexos" - naturalmente, o preço acima também inclui infra-estrutura, suporte e serviços adicionais, nos termos do edital.

Do BR-Linux.

Anistia cobra rigor em investigação de tortura em Bauru

Anistia cobra rigor em investigação de tortura em Bauru

A organização não-governamental de defesa dos direitos humanos Anistia Internacional afirmou nesta quarta-feira que vai acompanhar de perto as investigações sobre a morte de Carlos Rodrigues Júnior, de 15 anos, encontrado morto no último sábado com marcas de tortura em Bauru (SP).

"Foi uma brutalidade extrema, um claro caso de tortura e execução", disse à BBC Brasil o pesquisador Tim Cahill, da Anistia. "Vamos manter contato com as autoridades e com ONGs locais para acompanhar o caso."

O representante da Anistia Internacional diz que a organização deve escrever cartas às autoridades para pressionar por rigor nas investigações.

O adolescente era acusado de roubar uma moto. Mais de 300 gramas de maconha também teriam sido encontrados na casa do rapaz. Seis policiais militares foram presos após a morte.

"Na nossa experiência, essas detenções iniciais (de suspeitos) escondem investigações fracas", afirmou Cahill. "É difícil sustentar processos como esses pela fraqueza da investigação e pela falta de testemunhas."

O laudo do Instituto Médico Legal (IML) de Bauru, onde o jovem foi encontrado morto, encontrou indícios de 30 choques elétricos pelo corpo do rapaz.

Dois deles estavam do lado esquerdo do peito e teriam atingido o coração do rapaz, o que teria provocado uma parada cardiorrespiratória.

No veículo dos PMs presos, foi encontrado um fio descascado que pode ter sido utilizado para aplicar os choques.



Da BBC Brasil.


quarta-feira, 19 de dezembro de 2007

Senado americano aprova fundo de US$ 70 bilhões para guerras

O Senado dos Estados Unidos aprovou na noite de terça-feira um orçamento de meio trilhão de dólares para 2008 que inclui um fundo de 70 bilhões de dólares para as guerras do Iraque e do Afeganistão, o que representa uma grande vitória para o presidente George W. Bush.

O placar da votação no Senado foi de 70-25 a favor do orçamento, que passara na segunda-feira pela Câmara de Representantes. Porém, os senadores incluíram fundos extras de guerra na versão aprovada pela Câmara, que registrava 31 bilhões de dólares para os esforços americanos no Afeganistão e nada para o Iraque.

A versão aprovada no Senado não inclui nenhuma das restrições que os democratas esperavam adotar para liberar os fundos de guerra, como por exemplo uma data para a retirada das tropas americanas.

O orçamento volta agora à Câmara de Representantes para uma nova votação nesta quarta-feira, mas a Casa só examinará as emendas para o fundo de guerra acrescentadas pelo Senado. Bush já anunciou que em caso de aprovação promulgará todo o orçamento.

TAM e RBS, RBS e TAM

Leio que o Grupo RBS, que arrendou a Usina do Gasômetro, inaugurou uma árvore de Natal que rivaliza em tamanho com a chaminé. A iniciativa é patrocinada pelas Casas Bahia e pela companhia aérea TAM. O Natal está no ar, diz um anúncio da TAM veiculado nos meios de comunicação do Grupo.

Para refazer sua imagem após a tragédia-crime com o vôo jj 3054, em 17 de julho de 2007, a TAM não anunciou reforço nas medidas de segurança, mas despejou dinheiro na imprensa, anunciando novos vôos internacionais e patrocinando toda a sorte de eventos e campanhas, de futebol a árvore de Natal. A imprensa, que deveria cobrar por maior segurança no setor aéreo, voltou a exigir menos filas e maior rapidez nos aeroportos. Tudo ao gosto do anunciante.

No entanto, o caso do Grupo RBS é mais grave. Porque o seu executivo mais influente – Pedro Parente – ocupa uma cadeira no Conselho de Administração da TAM desde abril deste ano.

Ele entrou no lugar antes ocupado por Henri Philippe Reichstul. Na época, uma notícia do O Globo afirmava que a indicação se devia, segundo o então presidente da TAM, Marco Antonio Bologna, ao “currículo impressionante” e ao “histórico de eficiência” de Parente, que foi ministro no governo FHC, consultor do Fundo Monetário Internacional (FMI) e, depois, passou a ocupar o cargo de vice-presidente-executivo do Grupo RBS.

No site da TAM, está escrito que Pedro Parente integra o Conselho de Administração da empresa desde abril de 2007, tendo sido indicado pela TEP (TAM Empreendimentos e Participações).

Convocado por Lasier Martins, também estou aqui denunciando este caso, para cobrar transparência na coisa pública. Pois tanto a RBS como a TAM operam concessões públicas, compartilham um importante diretor e estão escancarando uma relação antes feita na esfera dos andares superiores das diretorias corporativas.

Por que motivo Pedro Parente está na TAM e na RBS? Qual é a influência disso na cobertura jornalística sobre a queda do Airbus da TAM pelos veículos do Grupo RBS? O patrocínio à arvore de Natal foi decidido no Conselho de Administração da TAM ou na diretoria do Grupo RBS? É possível acreditar no que a RBS fala sobre a tragédia com o avião da TAM?

Naquele terrível final de tarde de 17 de julho, 199 pessoas morreram vítimas da imperícia, da negligência, da omissão, da irresponsabilidade de agentes públicos e privados. A mídia colocou seus jornalistas para cobrir a tragédia e eles até ganharam prêmio com isso. Em seguida, foi a vez dos anúncios, gordos anúncios que encheram as páginas dos jornais e calaram a boca de quem deveria cobrar, exigir, fiscalizar.

Do Garambombo, via RS Urgente

Ninguém merece...

Ontem à tarde, o portal UOL informava que "o banco de investimentos Morgan Stanley rebaixou sua recomendação de classificação de risco para o Brasil, passando de 'igual à referência do mercado de ações' para 'abaixo da referência'. Isso se deveria a que "os investidores observam os movimentos do governo para saber como será compensada a perda de arrecadação com a CPMF, tributo que o Senado decidiu na semana passada não prorrogar". Já o "banco de investimentos Goldman Sachs avalia que o Brasil pode demorar mais para ganhar o grau de investimento dependendo da forma como o governo reagir à extinção do tributo".
Não é uma belezinha de notícia, turma? Viram só o que esses irresponsáveis da oposição e da mídia fizeram? E sabem por que? Porque o Brasil alcançar o investment grade (grau de investimento) significaria redução nas taxas de juros internacionais que paga por empréstimos e tomada de financiamentos pelos setores público e privado no exterior. Traduzindo: o país pagará mais caro pelo dinheiro externo que pedir emprestado porque a perda da receita expressiva da CPMF gerou dúvidas não só quanto à nossa capacidade de manter o superávit primário (espécie de poupança que o Estado brasileiro faz para garantir o pagamento de suas dívidas internas e externas), mas, também, quanto à capacidade do governo de implementar sua política econômica.
Eu já previra tudo isso aqui neste blog, no post "Por entre as pernas", que ainda pode ser encontrado nesta mesma página, abaixo. Vejam o que escrevi em 13/12 às 11:02 hs.: "O investidor não quer saber se o governo tem culpa ou não de não ter feito o que era preciso, e sim se esse governo tem força para fazer o que é preciso."
Texto completo no Cidadania.com .

Jornalismo e (falta de) sensibilidade

Vale a pena ler o comentário abaixo, do jornalista Luiz Weis, no blog Verbo Solto:

Uma atrocidade e duas notícias

A banalidade do mal é um problema para a imprensa. Se o homicídio fosse uma raridade, cada caso seria manchete. Em São Paulo, faz pouco, houve um dia sem uma única morte violenta. Foi notícia.

Agora, para virar notícia de chamar a atenção, um crime precisa ser distinto – literalmente. Essa, pelo menos, é a lógica do jornalismo “que vende”.

Por esse critério, violência polícial é notícia velha. Que pode haver de essencialmente novo na história de um adolescente preso por suspeita de roubo e que aparece morto – a choques elétricos?

Nada, deve ter raciocinado quem decidiu reduzir a 11 linhetas, na seção de pirulitos Pelas Cidades, do Estado de hoje, a história de Carlos Rodrigues Júnior, 15 anos, morto pela PM na madrugada de sábado, em Bauru, no interior paulista.

Mas a repetição dos horrores do gênero não embotou a sensibilidade dos editores da Folha, que deram meia página à atrocidade, na abertura da seção Cotidiano, com chamada na primeira página.

É de rasgar o coração, a propósito, a pequena foto que acompanha a reportagem – o retrato de um menino (com 12 anos à época), sorridente, olhos vivos, de bonezinho, camisa branca, gravata borboleta e jaqueta listrada.

Do álbum da vida para a morte sob tortura.

Do Blog Entrelinhas.

Petrobrás censura atriz militante

A atriz Letícia Sabatella disse que tentaram cortar o som do seu microfone quando lia uma carta do bispo dom Luis Cappio, que faz greve de fome contra a transposição do rio São Francisco, em comemoração ao Dia Mundial dos Direitos Humanos em Salvador (BA), no domingo. O evento foi organizado pelo governo da Bahia - que é do PT e apóia a transposição - e patrocinado pela Petrobrás. O ator Marcos Winter, que estava lá, contou que ouviu de um organizador: "Esse ator nunca mais sobe no palco". A Petrobrás e o governo da Bahia negam que houve o problema.

O texto continua no Diário Gauche.

Pacifismo preventivo

Baluyevsky, conforme a Reuters, teria afirmado que "O disparo de um foguete antimíssil da Polônia poderia ser considerado pelo sistema automático da Rússia como o lançamento de um míssil balístico, o que poderia provocar um ataque como resposta".

Esse contra-ataque russo através de mísseis balísticos intercontinentais seria uma resposta automática, é bom frisar.

O próximo passo da diplomacia estadunidense, ao que tudo indica, deve ser solicitar formalmente à Rússia o desligamento de seu sistema de resposta automática a invasões de seu espaço aéreo por mísseis balísticos.
Trecho de La Vieja Bruja, sobre o pacifismo do atual governo dos Estados Unidos. Confira o texto completo.

Senador paraguaio ao embaixador dos EUA: "Melhor que se cale e vá para sua casa"

O senador paraguaio Juan Carlos Galaverna (foto) irritou-se porque o diplomata James Cason censurou o presidente Nicanor Duarte Frutos e outros políticos por críticas aos meios de comunicação locais

"Acredito que é um erro criticar a imprensa, devem é explicar em que vai consistir seu programa, o que vão fazer pelo país", disse Cason na quarta-feira. O embaixador também aconselhou o governo a trabalhar mais em educação.

Galaverna não gostou e disse que é "Melhor que [Casom] se cale e vá para sua casa", porque "se o embaixador quer ser conselheiro presidencial, que vá aconselhar o presidente Bush". Disse ainda o senador que ele aconselhe Bush a controlar os drinques ou erradicar vícios como a droga em sua família, em vez de agredir as nações soberanas.

Segundo o jornal ABC Color, Galaverna teria dito ainda que “Peço que aconselhe também ao Sr. Bush, messias da salvação da humanidade, que deixe de agredir nações soberanas, que deixe de fazer guerras preventivas, que deixe de levar os filhos desta grande nação, os Estados Unidos, a morrer por causas alheias à soberania norte-americana”.

Via Na Periferia do Império.

terça-feira, 18 de dezembro de 2007

Brasil é a sexta economia do planeta, diz Banco Mundial

A economia brasileira é a sexta do mundo, de acordo com dados do Banco Mundial, publicados nesta terça-feira. O País está empatado ao lado de Reino Unido, França, Rússia e Itália, com 3% do Produto Interno Bruto (PIB) mundial.

Ainda de acordo com o levantamento, os Estados Unidos são a maior economia do planeta, seguidos pela China, Japão, Alemanha e Índia. Depois do Brasil, Reino Unido, França, Rússia e Itália, aparecem ainda Espanha e México.

Estes 12 países, de acordo com o Banco Mundial, são responsáveis por dois terços da riqueza do planeta.

Tô nem aí


Quando publicou a reportagem baseada em um dossiê falso, em 17 de maio de 2006, a revista Veja deu chamada de capa, falando de "suposta conta de Lula no exterior." Diz a Polícia Federal: o dossiê é falso. Daniel Dantas e a fonte da revista Veja, o espião Frank Holder, que trabalhou para a empresa de investigações Kroll, foram indiciados por calúnia. A Kroll processa Holder nos Estados Unidos alegando que, enquanto trabalhava para a empresa, ele fez um "extra" para Dantas.
A acusação de Veja era de que o presidente Lula, os ministros Luiz Gushiken, José Dirceu, Márcio Thomaz Bastos, Antônio Palocci, o senador Romeu Tuma e o então diretor da Polícia Federal, Paulo Lacerda, tinham contas no Exterior. Na reportagem, a revista informou que teve três encontros com Frank Holder, depois de ter recebido o dossiê de Dantas em setembro de 2005.
Na ocasião, o próprio repórter Marcio Aith escreveu:
"Por todos os meios legais, VEJA tentou confirmar a veracidade do material. Submetido a uma perícia contratada pela revista, o material apresentou inúmeras inconsistências, mas nenhuma suficientemente forte para eliminar completamente a possibilidade de os papéis conterem dados verídicos."
Ou seja, a revista publicou informação baseada em material confessadamente "inconsistente". Na minha escola de Jornalismo ensinavam que isso seria o suficiente para NÃO publicar, ainda mais quando a acusação era tão grave, envolvendo o presidente da República e alguns de seus mais importantes auxiliares.
Na época, Lula reagiu: "Vamos ser francos agora. Alguns jornalistas há já algum tempo estão merecendo o prêmio Nobel de irresponsabilidade. Eu só posso considerar isso um crime praticado por um jornalista ou por uma revista. Não posso comparar isso a jornalismo. Sinceramente, é de uma leviandade, de uma grosseria. (...) Não posso admitir isso. Não posso. É uma ofensa ao presidente da República, é uma ofensa ao povo brasileiro. Essa prática de jornalismo não leva a lugar nenhum. Acho uma insanidade. A 'Veja' vem assim há algum tempo. Não é de hoje, não, mas acho que ela chegou ao limite da podridão da imprensa. Chegou ao limite. Chegou ao limite. Não sei se o jornalista que escreve uma matéria daquelas tem a dignidade de dizer que é jornalista. Poderia dizer que é bandido, mau caráter, malfeitor, mentiroso. É até constrangedor para um presidente da República saber que tem uma mentira dessa grosseria numa revista que deveria respeitar os seus leitores."

No Vi o Mundo, do Luiz Carlos Azenha.

Bimbalham os sinos


É isto aí, moçada! Também estou nesta: Feliz Natal e Feliz e 2008. Paz e prosperidade para todos.

Plano 3.000 e a luta de classes em Santa Cruz, Bolívia

"O curto trajeto de seis ou sete quilômetros que separa a rica cidade boliviana de Santa Cruz do bairro periférico chamado Plano 3.000 equivale a uma viagem ao longínquo altiplano do país. Na maior parte do Plano 3.000 não há água, luz, ou saneamento básico.

No total, 60% da população vive na pobreza e os outros 40%, na miséria. As ruas asfaltadas são apenas duas, uma delas levando a um amplo mercado a céu aberto onde se vende desde CDs piratas até carne de lhama - exposta por horas num balcão de madeira apesar do calor de 30 graus das terras baixas bolivianas nessa época do ano. "
Trecho de texto do jornal O Estado de São Paulo, que é comentado no Diário da Cratera Urbana, e indicado por La Vieja Bruja. (Entendeu agora por que um dos "W", da WWW, é teia? De preferência de aranha armadeira! :) ) O texto completo, com fotos, deve ser buscado no Diário da Cratera Urbana.

Ombudsman questiona os eufemismos da Folha de SP para tortura e mercenários

"Ao maneirar nos vocábulos, distorcem-se os acontecimentos; a Folha deveria refletir e rejeitar o embrulho elegante de eufemismos O "NEW York Times", um dos melhores jornais do planeta, costuma perpetrar o eufemismo "técnicas severas de interrogatório" ao descrever a tortura de militantes e terroristas islâmicos pela Agência Central de Inteligência.

Nessa classificação se inscrevem as "simulações de afogamento" dos presos, executadas por funcionários da CIA. Não se trata de simulação ou severidade, mas de tortura.

A Folha republica textos do diário nova-iorquino, e as traduções não podem ser infiéis ao original. Deveria refletir, contudo, sobre a reprodução de relatos que adulteram fatos ao não denominá-los pelo nome certo. Pior é incorporar a impropriedade. No sábado retrasado, o jornal assumiu como sua, na primeira página, a formulação "técnicas severas de interrogatório". Associou-se ao desatino alheio.

Assim como ao nomear uma fração das tropas dos EUA que lutam no Iraque como "soldados privados". Em bom e velho português, eles são "mercenários", e não "agentes particulares de segurança", variante que igualmente já saiu.

O jornal sabe disso. Por vezes, alterna as expressões, privilegiando "soldados privados", carimbo mais simpático do que escancarar a condição dos que lutam por dinheiro. Noutras, só se lê o eufemismo.

Ao maneirar nos vocábulos, distorcem-se os acontecimentos. É direito da polícia chamar armas suas de "bombas de efeito moral". Mas a Folha deveria rejeitar o embrulho elegante -há efeitos físicos.

Acumulam-se exemplos. Um deles: insiste-se no termo "parceria" nas referências à negociata entre MSI e Corinthians. Palavras legitimam e deslegitimam. Contam verdades e as traem. Como o antigo compositor cearense dizia, "palavras são navalhas". Também no jornalismo."

Via Na Periferia do Império.

Por que o PT não foi, não é e nunca será social-democrata

A opção idealista, moralista e "naturalista" pela economia de mercado exauriu os remanescentes conteúdos "socialistas" da ideologia social-democrata. Tal como a taxidermia "empalha" animais para representá-los vivos à nossa memória; assim também a ideologia social-democrata representa um socialismo empalhado e nostálgico de um passado que nunca se faz futuro. E paralisa-se num eterno presente de divinização do mercado. Tributário dos próprios temores, se pereniza comovedoramente na ordem que só ousou contestar com frases respeitosas, sem verbo e sem predicado. Os ideais audaciosos estão arquivados na gaveta da resignação.

O neoliberalismo é a maquiagem refeita de uma velha ideologia que já foi tolerante com a democracia consentida pelo capital. A crise estrutural do sistema acentua-lhe a face autoritária e mal disfarça o sentido repúdio que sempre votou à democracia da forma liberal. "Os proprietários do capital rejeitam abertamente um compromisso que implica influência pública sobre o investimento e a distribuição de renda. Pela primeira vez em muitas décadas, a Direita possui um projeto histórico próprio: libertar a acumulação de todas as cadeias impostas pela democracia. Porque a burguesia não conseguiu completar a sua revolução." - finaliza Przeworski.
O trecho acima é o final da terceira parte de um artigo sobre o PT e social-democracia, do Diário Gauche. Texto completo . Aproveite para conferir as outras duas partes.

La Vieja VIP, Entidades Patronais Classistas...

Pois é. Embora A CUT represente centenas de sindicatos e de trabalhadores e o MST represente milhares de sem terra, e ambos também comemorem suas datas de fundação e tenham tanta liderança e prestígio perante os trabalhadores e a sociedade gaúcha quanto tem a Federasul perante o meio empresarial e essa mesma sociedade gaúcha, jamais eles serão homenageados com um almoço na sede da RBS, e isso por uma razão muito simples.

Uma das principais tarefas da mídia no modo de produção capitalista é o escamoteamento da luta de classes, ou bem pela invisibilidade, ou bem pela criminalização de reivindicações e de movimentos sociais marginalizados.

A estratégia da invisibilidade é utilizada quando, por exemplo, ou bem simplesmente não se discute determinada questão, como no caso dos problemas da concentração fundiária e da exploração da mão-de-obra na metade sul do estado, ou bem dela se trata de modo falaciosamente caricatural, como no recente caso da 12ª Marcha do Sem, realizada há pouco em Porto Alegre e tratada pela Zero Hora como um mero "problema de trânsito". Assim, através de tal estratégia, tanto se esvazia o debate público em torno das demandas de tais movimentos sociais quanto se escamoteia o conflito de classes e de interesses por trás de tais legítimas e justas reivindicações.
Trecho de La Vieja Bruja, onde ela comenta recente homenagem feita pelo Grupo RBS à Federasul, entre outras coisas.

segunda-feira, 17 de dezembro de 2007

O leite era mesmo leite. Quem paga o prejuízo?

Lembra do leite longa-vida com soda cáustica? Pois bem: o laudo do Instituto Nacional de Criminalística mostra que o leite não tinha soda cáustica. Lembra do leite longa-vida com água oxigenada? Pois bem: o laudo do Instituto Nacional de Criminalística mostra que o leite não tinha água oxigenada. A notícia foi publicada pela imprensa com muita, muita discrição. E muita gente nem percebeu.

O leite não era dos melhores, claro. Quem quer leite bom de verdade compra leite fresco. Talvez possa usar leite em pó de boa marca, dissolvido em água devidamente tratada e filtrada. Leite que vive fora da geladeira sempre tem conservantes. Mas não era nada que fizesse mal à saúde.

Mas, se o leite longa-vida era exatamente o que prometia, ser um leite longa-vida, qual o motivo do escândalo? Talvez a explicação esteja numa curiosa coincidência de datas. Uma das empresas mais atingidas pelo escândalo foi a Parmalat, hoje pertencente a um fundo de investimentos, o LAEP. E o noticiário explodiu bem quando a LAEP preparava a oferta pública de ações (IPO) da Parmalat, na Bolsa de Valores de São Paulo. O pessoal da empresa estava em road-show no exterior, preparando o lançamento, e teve de voltar rapidamente ao Brasil, para enfrentar o terremoto.

Vale matéria, caros colegas. Este colunista aprendeu desde cedo a desconfiar de coincidências. E ainda se lembra com clareza da época em que a água Lindóia foi massacrada pela imprensa, por conter uma bactéria nociva. Depois que uma empresa concorrente lançou sua água em copos descartáveis, a bactéria nociva desapareceu da imprensa. Teria sido coincidência, também?


Texto da coluna do Carlos Brickmann, no Observatório da Imprensa.

A hipocrisia sobre direitos humanos na cúpula União Européia-África

O maior ausente da recentemente encerrada reunião de Cúpula União Européia-África foi o primeiro-ministro britânico Gordon Brown. O motivo alegado para o boicote à reunião foi a presença do presidente Robert Mugabe do Zimbabwe, uma ex-colônia britânica. Acusado de ditador, Mugabe despertou a ira do governo britânico ao expropriar as terras de milhares de fazendeiros brancos, a maioria de origem britânica.

Contudo enquanto Gordon "defensor dos direitos humanos" Brown preparava seu boicote à reunião de cúpula, ele se reunia com um "grande democrata", rei Abdallah, da Arábia Saudita, um dos maiores produtores de petróleo e compradores de armas no mundo, líder de um país que a Anistia Internacional diz ser palco de violações diárias dos mais fundamentais direitos humanos.

No entanto devemos ser justos com o primeiro-ministro britânico. A hipocrisia não é uma "virtude" somente de Sir Brown. Como afirmou Mamadou Ba, dirigente do SOS Racismo em Portugal, Mugabe era apenas a árvore que escondia a floresta de ditadores presentes à cúpula, dos quais os zelosos defensores dos direitos humanos fizeram questão de ignorar, pois o que estava em jogo naquela reunião era a nova partilha dos recursos e das matérias primas africanas. Leia abaixo um trecho do artigo "Cimeira Europa-África: Mugabe não pode ser a árvore que esconde a floresta"

"Pois a presença de senhores como Omar Bongo do Gabão, há um mais de um quarto de século no poder; Blaise Compaoré do Burkina Fasso, fomentador e financiador das maiores atrocidades cometidas em África desde o genocídio do Ruanda, nomeadamente, na Serra Leoa, na Libéria e no Costa de Marfim; o ditador líbio, Khadafi, no poder desde 1969 e outrora inimigo número um do Ocidente; o sanguinário predador das liberdades, Teodoro Obiang Nguema Mbasogo, no poder desde 1979 na Guiné-Equatorial; Omar El Bachir do Sudão, há décadas no poder e patrocinador do actual genocídio do Darfur; José Eduardo dos Santos que transformou as receitas das matérias-primas angolanas em bens e riqueza pessoal e familiar, no poder desde 1979 em Angola; Hosni Mubarak, o déspota egípcio desde 1981 no poder no Cairo e que se prepara para fazer do Egipto uma aristocracia, lançando para a sua sucessão o filho Gamal etc, etc, não incomoda os mais virulentos críticos da presença do Mugabe em Lisboa. Não será caso para se perguntar, qual afinal é o critério empregue pelos tais defensores da democracia, da liberdade, dos direitos humanos e do progresso económico em África quando, pelos vistos, dormem descansados com a presença dos piores ditadores africanos em Lisboa?

Esta duplicidade de critérios revela o mais ignóbil da agenda da União Europeia: o seu único interesse, não são, de modo algum, os direitos humanos nem a democracia, mas sim os interesses económicos."


Via Na Periferia do Império.

As compras de Natal dos ricos e dos nem tanto assim

MARINHO, NO BLUE BUS:

Duas semanas atrás comentei aqui os resultados de uma investigaçao realizada pela TNS InterScience para saber como as madames paulistanas fariam suas compras de Natal - leia aqui. Agora o mesmo instituto divulgou a 2a etapa do estudo, feito desta vez com homens e mulheres das classes C e D, também em Sao Paulo. As diferenças entre as realidades desses 2 grupos, expostas pelas pesquisas, sao um ótimo retrato das distorçoes que persistem no Brasil de hoje. Para começo de conversa, enquanto a renda média familiar das mulheres ricas de SP está na faixa dos R$ 30 mil mensais, o pessoal da classe média baixa precisa se virar com algo em torno de R$ 2 mil por mês. Por isso, a verba média para presentes nas classes C e D nesse fim de ano será de R$ 218, destinados principalmente a compra de roupas, brinquedos e sapatos. Vale lembrar que a elite paulistana gastará na mesma data R$ 8 mil - 36 vezes mais. O valor médio de cada presente este ano será de R$ 450 no topo da pirâmide e de apenas R$ 44 na parte de baixo dela.

As compras das senhoras endinheiradas serao feitas quase que exclusivamente nos shoppings da cidade. Já as dos paulistanos remediados vao se dividir entre as lojas de bairro (31%), a Rua 25 de Março - regiao do comércio popular da cidade (29%), e os shoppings (29%). Os magazines, como C&A, Marisa e Renner (18%) e os camelôs (5%) também receberao visitas desses consumidores. Outro dado característico dos distintos comportamentos desses segmentos diz respeito ao meio de pagamento - 64% das compras das paulistanas ricas serao pagas com cartao de crédito parcelado, ao mesmo tempo em que 73% das aquisiçoes das classes C e D serao quitadas em dinheiro. A pesquisa mostra ainda que o 13o salário será usado por 2/3 dos entrevistados das classes C e D para pagar os presentes de Natal, enquanto 1/3 pretendem também pagar dívidas, 12% planejam economizar e 12% gastar com viagens e as festas de fim de ano.

A parte mais triste dos dados revelados pela TNS InterScience é aquela em que a melhoria de vida em 2008 aparece como um objetivo inalcançável para boa parte dos brasileiros de menor poder aquisitivo. A maioria deles almeja mudar de emprego e ganhar mais, porém para muitos isso nao passa de sonho distante, assim como ter um carro, mudar para uma casa melhor e investir na educaçao dos filhos. Outro sonho recorrente nessa faixa de renda é ganhar na Mega Sena - talvez a única maneira de conseguir realmente subir na vida, na visao das classes médias baixas do nosso país.

domingo, 16 de dezembro de 2007

Crescem os negócios de permuta

"A troca de produtos, anterior à existência da moeda nas sociedades primitivas, virou algo mais do que moderno nos dias de hoje. O antigo escambo foi rebatizado e ganhou o nome de permuta. Com o objetivo de reduzir gastos e de liberar receita para custear despesas fixas, empresários contemporâneos se associam a clubes de permuta e fazem negócios sem desembolsar nenhum tostão."
Leia no Jornal do Brasil.

TV Globo terá que indenizar desembargador

A 4ª Turma do Superior Tribunal de Justiça determinou que a TV Globo pague indenização de R$ 250 mil por danos morais ao desembargador Manoel Ornellas de Almeida, do Tribunal de Justiça de Mato Grosso. Ele se sentiu ofendido em reportagem na qual outro desembargador acusava colegas, entre eles Ornellas, de vender sentenças judiciais.

Os ministros do STJ negaram recurso do desembargador no qual ele pedia reparação no valor de R$ 1,62 milhão. Em seguida, acolheram recurso da Globo para reduzir de R$ 500 mil para R$ 250 mil o valor da indenização.

O julgamento aconteceria em março passado, mas como não houve quorum, ele foi remarcado para terça-feira (04/12). O ministro Hélio Quaglia Barbosa, relator do caso, reduziu a indenização por considerar que o valor de R$ 250 mil é o suficiente para reparar os danos morais sofridos pelo desembargador.

No processo consta que a entrevista com o juiz Leopoldino Marques do Amaral foi ao ar pelo Jornal Nacional, da TV Globo, em setembro de 1999. Nela o juiz denuncia vários colegas.

A emissora afirma que levou ao ar a entrevista porque Amaral foi assassinado quatro dias depois de o juiz receber a equipe da TV Globo.

As informações são do site Consultor Jurídico.



Notícia do Comunique-se. Não sei o que é pior, se a atuação do judiciário, conforme a notícia acima, ou ter que defender a TV Globo.

sexta-feira, 14 de dezembro de 2007

O triunfo dos sinhozinhos

Mais do blog do Nassif (Nota do Editor: o título é meu. Na foto, sinhôzinho Arthur Virgílio - ou FHC, no fundo é a mesma coisa.

Em "O Globo" de hoje

"Virgílio admitiu também que o apoio do ex-presidente Fernando Henrique foi fundamental para que enfrentasse a pressão. A última conversa entre o líder e Serra, no fim da tarde de quarta-feira, foi bastante tensa. Virgílio avisou ao governador que não mudaria de posição.

— Isso é uma loucura! — reagiu Serra.

— Então eu sou louco — retrucou ele.

Serra argumentou que o PSDB não poderia ficar a reboque do DEM, que fechara questão contra a CPMF.

— Nossos verdadeiros concorrentes são os petistas — rebateu Virgílio.

No que depender do líder, as diferenças não deixarão seqüelas.

— Serra é o quadro mais preparado para exercer a Presidência, mas para ser presidente terá de ser tolerante, saber ouvir seus companheiros."

Ou seja, ser tolerante é deixar os companheiros botarem fogo no país.

***

Ao contrário de outros ex-presidentes, como Itamar Franco, José Sarney e Fernando Collor, FHC é um ex dotado de nenhuma grandeza, de nenhuma responsabilidade cívica.

Serra e Aécio estão aguardando para se posicionar mais perto das eleições. Correm o risco de herdar um partido exangüe. Se a CPMF não for restaurada, cada problema do governo Lula, cada investimento que deixar de ser feito, cada piora nas áreas sociais terá responsáveis diretos: o PSDB, seus senadores e FHC.

Havia receio de que a aprovação da CPMF pavimentasse o sucesso do governo Lula. Agora, qualquer fracasso terá um responsável direto: a oposição.

"A oposição sou eu"

NASSIF:

Na entrevista que me concedeu para o livro “Os Cabeças de Planilha”, Fernando Henrique Cardoso se dizia muito consciente da importância de um acordo nacional. Mas reclamava que Lula nunca o procurava. Se o convidasse ele se sentaria à mesa e acertariam o acordo.

Por trás das declarações, estava claro que não existiria acordo, para ele, que não passasse pelo reconhecimento de seu papel de líder inconteste da oposição.

Hoje, nos jornais, é claro o jogo. Matéria da “Folha” com Arthur Virgílio em que ele admite que todos seus passos foram dados consultando Fernando Henrique.

No “Estadão”, em matéria de Carlos Marchi, FHC se apresentando como líder da oposição.

O veterano e competente Marchi inicia a matéria assim: “Em vez de se vangloriar da derrota que ajudou a impor ao governo, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso acenou ontem com a bandeira da paz: em nota distribuída durante o dia, afirmou que “é o momento de governo e oposição, pensando no Brasil, deixarem de lado as picuinhas e se concentrarem na análise e deliberação do que é necessário fazer”.

Fala sério! Olha a continuação da matéria:

PARA VER A CONTINUAÇÃO, CLIQUE NO TÍTULO DESTA POSTAGEM.

E quem afinal está certo na Guerra Civil Espanhola?

Boa a discussão aí abaixo esta a respeito da Guerra Civil Espanhola. E como é polarizado este tempo em que vivemos: dê um assunto e, rapidamente, dois bandos se formam sem vontade de ceder um palmo de terreno ao adversário. Não faz muito tempo, dizia-se que esquerda e direita eram conceitos ultrapassados. Aí, de repente, duas visões absolutamente distintas da história recente e da ética que deve nos conduzir em sociedade estão sob a mesa.

E qual será a correta?

No caso espanhol, há um livro precioso do ensaísta Juan Eslava Galán. Chama-se Una historia de la guerra civil que no va a gustar a nadie; Isto mesmo: Uma história da guerra civil da qual ninguém gostará. A sua versão, fascinante, é uma na qual só há vilões e incompetentes.

Espanha, 1931. Um país agrário quase falido, pobre, com alto índice de analfabetismo, 24 milhões de habitantes. Crise. O Partido Republicano vence as eleições municipais em todas as grandes capitais. Temendo um golpe, o rei Alfonso 13 parte para o exílio. No vácuo do poder, os vencedores das eleições vão às ruas e nasce a Segunda República. Tinham um projeto de modernização: reforma agrária em primeiro lugar. A terra era má gerida, fazendas falidas existiam às pencas. Daí, a reforma do exército, incompetente e corrupto, com mais caciques do que índios, que havia sofrido derrotas no Marrocos. Na seqüência, a reforma da Igreja, que tinha o monopólio da educação e das cerimônias civis e sempre arranjava um jeito de se meter mais nas coisas do Estado. Por fim, descentralização e autonomia para Catalunha, País Basco, Valência, Galícia, verdadeiros países dentro do país, com língua e cultura próprias, que há muito cobravam alguma liberdade.


Outro texto interessante do Weblog do Pedro Dória.

O problema de Veja

A troca de mensagens pública entre o repórter Jon Lee Anderson e o editor de Internacional de Veja, Diogo Schelp é um bocado importante – e não pelo que ela diz a respeito de Schelp; pelo que diz sobre Veja.

A argumentação de Schelp em sua defesa é ruim. Fonte não deve qualquer sigilo a repórter – a nossa é uma profissão que deve operar às claras. O sistema de filtro de mensagens da Abril é de fato muito rigoroso e dá problema com mensagens perdidas a toda hora. Mas este é um problema que a Abril deve resolver com sua equipe técnica. Numa empresa jornalística, é um problema sério. Usar o anti-spam como desculpa para não ter contatado uma fonte é piada.

Por fim, ele reconheceu publicamente que Veja tem uma lista negra: quem cai lá não sai na revista. Não é o único órgão de comunicação grande que tem uma lista dessas, mas há um motivo pelo qual ninguém assume sua existência. É que não pode ter. Noticia-se, sempre, o que é notícia; e procura-se, sempre, quem melhor pode informar a respeito de um assunto. Quando uma publicação reconhece que tem uma lista negra, está dizendo que não tem pudores de usar sua influência para fazer com que alguém suma do mapa da relevância, independentemente de ser notícia ou não. (Não que, neste caso específico, Anderson vá sentir falta.)

Mas não era Schelp que deveria responder pela crítica e é injusto que a revista o tenha exposto desta forma. Nenhum jovem jornalista deveria ser obrigado a debater com um repórter de primeira linha do jornalismo mundial. É um debate perdido de início e, portanto, uma exposição cruel.

A reportagem sobre Che não saiu como saiu porque esta é a qualidade de trabalho que Schelp pode apresentar. Quem o conhece diz que é bom repórter, que jamais tem preguiça de apurar. A reportagem saiu assim porque assim é a linha editorial de Veja: a tese já está definida antes que qualquer repórter se lance à apuração. As fontes consultadas são aquelas que confirmarão a tese. Se alguém disser o contrário, que seja ignorado. Não é a curiosidade, a tentativa de compreender o mundo, que move a pauta de Veja. O que lhe move é a vontade de dizer o que seus leitores devem pensar.


O texto, bem interessante, continua no Weblog do Pedro Dória.

América Latina: Evo Morales no fio da navalha

América Latina: Evo Morales no fio da navalha

Franz Chávez

La paz , 07/12/2007 (IPS) - O presidente da Bolívia, Evo Morales, pretende convocar um referendo sobre a continuidade de seu governo, iniciado há 22 meses, e desafia os nove prefeitos (governadores de departamentos), cinco deles tenazes opositores, a fazerem o mesmo.



O anúncio de Morales, que interrompeu noticiários e transmissões de futebol na quarta-feira à noite, sacudiu o tabuleiro político boliviano. Nesse momento, três prefeitos se preparavam para regressar de Washington, após acusarem o presidente na Organização dos Estados Americanos por promover uma nova constituição apenas com apoio oficialista, bem como pela morte de três pessoas em choques entre manifestantes e policiais em Sucre, sede da Assembléia Constituinte, no dia 24 de novembro.



O silêncio, seguido de surpresa e incredulidade, dominaram a oposição após o anúncio do mandatário, enquanto se agravava uma greve de fome em Santa Cruz de la Sierra, com cerca de 150 pessoas jejuando, e nas de Trinidade e Tarija. Nessas cidades se concentram os grupos contrários à corrente indigenista encabeçada pelo presidente, a qual promove a recuperação dos recursos naturais, como o petróleo e o abundante gás natural. O mecanismo proposto por Morales “é uma forma democrática e pacífica de resolver um conflito”, disse o analista Carlos Cordero ao avaliar o difícil momento pelo qual passa o governo, surgido do movimento de plantadores de coca e apoiado por setores camponeses e classes médias urbanas.



Com a recusa de cinco prefeitos em dialogar e a pressão para obrigar Morales a deixar em suspenso a constituição aprovada – com os opositores membros da Assembléia Constituinte ausentes – no dia 24 de novembro, o presidente se antecipou à estratégia de descrédito e desgaste de sua popularidade por parte de seus adversários. O texto definitivo, “em detalhe”, deve ser examinado por essa assembléia antes do próximo dia 14, data-limite fixada pelo Congresso. Mas, os incidentes em Sucre obrigam a buscar uma nova sede para as deliberações, que poderia ser uma localidade do Chapare, onde o governo conta com amplo apoio, no departamento de Cochabamba.



Enquanto se teme um choque de conseqüências imprevisíveis em Santa Cruz de la Sierra entre grupos conservadores e setores sindicais e populares que apóiam Morales, o presidente aposta em ganhar a opinião de uma maioria da população sem militância partidária que, até agora, observa os acontecimentos com cautela. O governo, que tem o apoio internacional dos presidentes Hugo Chávez, da Venezuela, e Fidel Castro, de Cuba, propõe uma revolução democrática e cultural. O objetivo de sua reforma constitucional é recuperar para os povos indígenas direitos e terras, preservar para o Estado boliviano riquezas naturais do país e garantir a participação popular nas decisões governamentais.

O texto IPS Brasil, e continua . Mas foi visto na Periferia do Império.

quinta-feira, 13 de dezembro de 2007

Sean Penn, Santana e Belafonte pedem fim do bloqueio a Cuba

HAVANA, 13 dez 2007 (AFP) - Sean Penn, Carlos Santana, Danny Glover e Harry Belafonte encabeçam uma lista com mais de 500 artistas e intelectuais dos Estados Unidos que pedem o fim do bloqueio realizado por Washington contra Cuba, pois "cria obstáculos para o intercâmbio cultural", informou nesta quinta-feira o jornal oficial Granma.

A lista está contida em uma mensagem enviada ao presidente George W. Bush, e responde a um pedido da famosa dançarina cubana Alicia Alonso, que solicitou a artistas que se prenunciassem contra o bloqueio.

"Escrevemos para expressar nossa consternação pela persistente hostilidade de sua administração contra Cuba e para manifestar nossa oposição às políticas que nos mantêm distantes de nossos colegas cubanos", diz uma carta, que teve fragmentos publicados pelo jornal.

Xerife veste presos de rosa para inibir bêbados ao volante

O xerife Joe Arpaio veste de camisa e cueca rosa as pessoas que foram presas por dirigir alcoolizadas. Ele quer chamar a atenção para esse problema, que matou 585 pessoas somente no ano passado no estado do Arizona. Na foto, os detentos estão varrendo as ruas do condado de Maricopa, no Arizona, nos Estados Unidos (Foto: AP)

Nota do Editor: o que mais me chama atenção não é a vestimenta dos presos, mas o fato dos motoristas bêbados irem parar atrás das grades. No Brasil, os caras bebem, se drogam, matam e ficam impunes. E nenhum parlamentar se dispõe a mudar a legislação do trânsito. Já a CPMF...
Fonte: G1.

Sobre regras, decretos e variáveis, segundo um certo ponto de vista


O porta-voz oficial dos interesses patronais de hoje dá voz à Elizabeth de Carvalhaes, presidente da Associação Brasileira de Celulose e Papel (Bracelpa).

Para Elizabeth,
"a falta de regras claras e a tomada de decisões por meio de decretos, que mudam de uma hora para outra as variáveis envolvidas na escolha de uma área de instalação, ameaçam a concretização de projetos como os que a Aracruz, Stora Enso e Votorantim Celulose e Papel (VCP) têm para a Metade Sul gaúcha. Outro foco de estresse, disse, são o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), os quilombolas e os povos indígenas", segundo o jornaleco da Azenha (Os grifos são de La Vieja).

Caramba. É possível tal falação distorcer mais a verdade?

Em primeiro lugar, nunca faltaram regras claras de licenciamento ambiental para a silvicultura extensiva aqui no RS. Os resultados do estudo de Zoneamento Ambiental para a atividade de Silvicultura no RS, iniciado ainda no governo de Germano Rigotto, o Meigo (2003-2006), está à disposição de Elisabeth e das empresas que ela representa no sítio da Fepam (
Fundação Estadual de Proteção Ambiental) já há um bom tempo. O que Elisabeth esqueceu de dizer ao jornaleco foi que tais regras não estavam suficientemente claras para os interesses das empresas que ela representa, tanto que somente em função disso, e a fim de atender tais interesses, foi que os novos jeitos de governar transferiram, da Fepam para a Secretaria Estadual de Meio Ambiente (SEMA), um órgão de governo sob controle e longe dos olhos do Conselho Estadual de Meio Ambiente (CONSEMA), atribuições antes exclusivas da referida Fundação.

Para conferir, basta se acessar o sítio da Fepam, aqui. Ver-se-á, então, que as resoluções do CONSEMA foram transferidas para o sítio da SEMA. Entre tais resoluções encontraremos, por exemplo, a que "
Dispõe sobre a qualificação dos Municípios para o exercício da competência do Licenciamento Ambiental dos empreendimentos e atividades considerados como impacto local, no âmbito do Estado do Rio Grande do Sul" (167/2007) e a que "Altera a Resolução CONSEMA nº 102, de 24 de maio de 2005, que 'Dispõe sobre os critérios para o exercício do Licenciamento Ambiental Municipal, no âmbito do Rio Grande do Sul' e dá outras providências" (168/2007), bem como inúmeras que habilitam "Municípios para realização do Licenciamento Ambiental das Atividades de Impacto Local", uma das estratégias encontradas pelo novo jeito de governar a fim de flexibilizar a interpretação e a aplicação das regras do referido zoneamento.

Ou seja, as regras sempre foram claras. O que houve foi que nem o novo jeito de governar atual e nem as papeleiras gostaram das referidas regras, estabelecidas a partir dos resultados do estudo de Zoneamento Ambiental para a Atividade de Silvicultura no RS realizado pela Fepam, estudo esse realizado por técnicos competentes que deixaram claro que, ao contrário do que afirmou Elizabeth, não mudariam "de uma hora para outra as variáveis envolvidas na escolha de uma área de instalação".

E foi somente por isso, e por nenhum outro motivo, que decisões foram tomadas por meio de decretos, como afirmou Elizabeth de Carvalhaes. Ou seja, a Bracelpa está reclamando de barriga cheia, pois as únicas decisões tomadas por meio de decreto aqui no RS assim o foram com o único objetivo de beneficiar a atividade de silvicultura, eufemismo para fabricantes de celulose e papel, e não para prejudicá-la. Foi por tal motivo, e por nenhum outro, que a Rainha das Pantalhas passou por cima das atribuições da Fepam e do CONSEMA, concentrando todo o poder de decisão sobre a atividade de silvicultura no RS sob a SEMA.

O texto continua em La Vieja Bruja.

E agora, José Agá?



Muito bem, José Agá, o diário do grupo RBS, fez nos últimos dias uma radiografia dos sindicatos de empregados cujos dirigentes prevaricam e/ou se perpetuam no poder de suas entidades classistas. Muito bem. Aguarda-se, agora, que José Agá, faça a mesma radiografia no chamado Sistema S (Sebrae, Senac, Senai e Sesc), mantido com verbas estatais e das entidades patronais. Mais: pode aproveitar e passar um pente-fino também nos sindicatos patronais, federações e confederações de defesa dos interesses dos empregadores.

Os desvios encontrados nos sindicatos de empregados são lilliputianos, perto dos desvios gulliverianos dos patronais.

Aguardamos impacientes.


Do Diário Gauche.

FHC manda, Arthur Virgílio obedece


O senador tucano Arthur Virgílio (AM) está tendo papel fundamental na tramitação da Emenda que prorroga a CPMF. Se não fosse ele, os governadores José Serra e Aécio Neves já teriam conseguuido convencer metade da bancada a votar pela prorrogação do imposto do cheque. A postura belicista de Virgílio tem nome e sobrenome: Fernando Henrique Cardoso. Virgílio mesmo, coitado, não passa de um fantoche. Quem está no comando da operação é o ex-presidente, hoje um adepto incondicional do "quanto pior, melhor" para o governo Lula.

Do Blog Entrelinhas.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2007

Lei que autorizou contratação de professores para UERGS é inconstitucional

O Órgão Especial do TJ-RS (Tribunal de Justiça Rio Grande do Sul) julgou procedente a ação direta de inconstitucionalidade
proposta pelo procurador-geral de Justiça contra a Lei Estadual 12.678/06, que autorizou a contratação temporária de professores para a UERGS (Universidade Estadual do Rio Grande do Sul), em caráter emergencial.

A eficácia da decisão vigora a partir de 30 de abril de 2008, quando vencerá o tempo de trabalho de 151 professores contratados temporariamente com base na lei.

Em janeiro deste ano, o desembargador Luiz Felipe Brasil Santos suspendeu liminarmente a vigência da lei. Contra essa decisão, a procuradoria-geral do Estado agravou ao Órgão Especial.

Para o relator, desembargador Brasil Santos, “não se enquadra no conceito de urgência a necessidade cunhada pelo próprio Estado, que primeiro cria o serviço, sem previsão de quadros regulares, e depois invoca tal situação como caracterizadora de emergência para contratações temporárias”. Considerou que “a urgência aí é fruto exclusivo da própria ineficiência da administração”.

Entendeu o magistrado que houve flagrante desrespeito à decisão da Corte que, em 27 de novembro de 2006 declarou a inconstitucionalidade da Lei Estadual precedente, de nº 12.416/05: “ao fim e ao cabo, não há diversidade no conteúdo das normas postas em julgamento, pois tendo sido a lei anterior (que prorrogava contratos) julgada inconstitucional, a administração, editando outro diploma, cuidou de autorizar novas contratações”.

Para propor o final do mês de abril de 2008 como início da eficácia da decisão, o desembargador Luiz Felipe considerou o excepcional interesse público e o fato de o Estado do Rio Grande do Sul estar tomando providências para realizar concursos e prover os cargos já criados. Considerou também que já existem 77 professores concursados aguardando nomeação. Notícia do Última Instância.

O que não decolou em 2007

Os brasileiros compraram em 2007 mais de 10 milhões de computadores, 23% mais que em 2006, segundo dados da Abinee. Desse total, 2,1 milhões foram notebooks - nunca se vendeu tanto laptop no Brasil.

Muitas dessas máquinas se conectaram à Web e a Internet brasileira cresceu 21%, alcançando a marca histórica de 39 milhões de usuários, de acordo o Ibope/NetRatings. Esses internautas ajudaram a empurrar a banda larga no País, com conexões que já chegam a velocidades para o usuário final de até 10 MB.

E, a telefonia celular deverá fechar este ano com 118 milhões de terminais em uso, prevê a Anatel. Com tantos consumidores ávidos por novidades hightech, a indústria jogou muitos lançamentos no mercado em 2007, mas nem tudo caiu no gosto popular. O WNews fez uma pesquisa sobre algumas tecnologias que ainda não emplacaram, que ficaram para o próximo ano e histórias que foram vexatórias para o mundo da tecnologia. Confira!

PARA CONFERIR, CLIQUE NO TÍTULO DA PRESENTE POSTAGEM.

Brasil estará entre as 5 maiores potências mundiais, segundo pesquisa divulgada nos Estados Unidos

Durante a última Conferência Mundial da TEC/Vistage nos Estados Unidos, um dos líderes da Fundação Milken, Michael Milken, divulgou resultados de uma pesquisa que aponta o Brasil entre as 5 maiores potências mundiais até 2040. É a primeira vez que o país é incluído num levantamento como este, ao lado da China, Estados Unidos, Alemanha e Estados Unidos.

Fatores como o desenvolvimento de uma tecnologia única do país em agricultura tropical, uma elite bancária eficiente, um sistema financeiro sólido e de alta tecnologia, recursos naturais e grandes descobertas de novas reservas minerais, e ainda a quase eliminação do analfabetismo colocam o Brasil no foco da economia mundial, “O Brasil está vivendo um momento inédito, sendo visto de fora com mais otimismo do que nós mesmos podemos avaliar. Os próximos 30 anos poderão levar o Brasil a um novo papel neste cenário de grandes potências”, afirma Antonio Cortese, diretor da TEC Brasil e um dos 7 brasileiros presentes à conferência.

A TEC/Vistage é uma organização internacional que congrega 10 mil dirigentes e executivos de empresas de renome em 16 países. Na prática, trata-se de um grupo, que reúne profissionais do primeiro escalão, periodicamente, para discutir estratégias, sinergias corporativas e trocar experiências comuns ou não ao dia-a-dia dos negócios. No Brasil há 11 anos, a TEC tem como líderes Antonio Cortese e Luiz Paulo Ferrão, ex-executivos do Citibank e da Ferro Enamel e Degussa respectivamente.

FORÇA DA ECONOMIA?

A taxa de aprovação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva se recuperou em dezembro, já que o forte ritmo da atividade econômica garantiu uma melhora no padrão de vida e das perspectivas de emprego no país, mostrou uma pesquisa Ibope encomendada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) na quarta-feira.

Em dezembro, 51 por cento avaliaram que o governo Lula está fazendo um trabalho bom ou ótimo —número maior que os 48 por cento de setembro. É a maior popularidade do presidente em um ano e a segunda maior desde que ele assumiu o cargo, em janeiro de 2003.

A recuperação se deve a uma melhoria geral no padrão de vida e das perspectivas maiores para obtenção de emprego, disse Marco Antonio Guarita, diretor da CNI. "As pessoas estão mais otimistas com a economia", afirmou Guarita em entrevista coletiva em Brasília.

CASO O CARO LEITOR ALMEJE LER A ÍNTEGRA DESTA NOTÍCIA FAVOR CLICAR NO TÍTULO DA PRESENTE POSTAGEM. OBRIGADO

DOR DE COTOVELO

Ainda contrariado pela rejeição sofrida pela bancada peemedebista, o senador Pedro Simon (RS) subiu à tribuna do Senado para atacar o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva logo depois da posse de Garibaldi Alves (PMDB-RN) na presidência da Casa. Pedro Simon acusou o governo federal de "interferir de forma grosseira na eleição de Garibaldi".

"Tenho muitas restrições que são profundas dentro da bancada. Tenho restrições ao comando e o comando tem a mim. Mas só fui rejeitado porque saiu uma mensagem do Palácio (do Planalto) dizendo que Pedro Simon não era de confiança, dizendo que Pedro Simon era imprevisível nas atitudes que ele vai tomar", disse Simon.

O senador ainda atacou diretamente o presidente Lula: "perdão presidente Lula, mas eu mereço uma explicação. Eu sou político muito mais velho que Vossa Excelência. Vossa Excelência não era nem líder sindical e eu já era político. Tenho 25 anos nessa casa", reclamou Pedro Simon.

O que segura o PIB

Algo intriga os economistas. De todos os países emergentes relevantes, o Brasil é hoje aquele que apresenta o melhor desempenho em vários setores empresariais. Tome-se, como exemplo, a indústria automobilística. Neste ano, as vendas devem crescer 28% no Brasil.

É mais do que os 26% da Argentina, os 21% da Rússia ou os 18% da Índia e da China. Apesar disso, o Brasil é o país com a menor taxa de expansão econômica – o que se projeta é um salto de 4,5% no PIB, enquanto os demais rodam a taxas de 6%, 8% ou até 10%. Pode-se alegar que o crescimento não é medido apenas pelo setor de automóveis. É verdade. Mas se a comparação for feita no agronegócio, na construção civil e em várias outras atividades, o Brasil também está melhor do que seus concorrentes. O que, então, explicaria uma diferença tão grande? Para alguns analistas, a resposta pode estar na estatística. “O Brasil está subestimando seu crescimento econômico”, garante o economista Francisco Lopes, que presidiu o Banco Central e é dono da consultoria Macrométrica. “Se a China adotasse um padrão de cálculo do PIB semelhante ao nosso, eles cresceriam dois ou três pontos a menos.”

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França: jornalista é processado por publicar informações secretas

Uma matéria publicada em abril deste ano pelo jornal Le Monde assegurava que o serviço secreto da França alertou seus colegas americanos, em janeiro de 2001, sobre os planos da Al Qaeda de seqüestrar aviões. Assinada pelo jornalista Guillaume Dasquié, a reportagem se baseou num relatório secreto da Direção Geral de Segurança Exterior (DGSE).

Dasquié foi processado pelo Ministério da Defesa pela divulgação dessas informações e, nesta semana, o juiz antiterrorista Philippe Coirre decidiu abrir o processo pela difusão de documentos "que têm caráter secreto da defesa nacional".

Se perder o processo, o jornalista pode ser condenado a cinco anos de prisão e multa de 75 mil euros (R$ 194 mil).

O diretor do jornal, Eric Fottorino, declarou nesta sexta-feira (07/12) que esse processo, que causou mal-estar na redação, se trata de um ato "grave e chocante".

(*) Com informações da Agência Efe.

Notícia do Comunique-se.

Onde estarão os monges de Mianmar?

Num pequeno mosteiro birmanês, viviam 100 monges, sobraram 31; noutro, eram 1.800. Desapareceram 1.000. Por toda Mianmar, a dúvida persiste: onde estão os monges? O governo reconhece que, durante os protestos, fez 3.000 prisões de monges e de civis. Mas garante que só 90, os líderes, permanecem atrás das grades.

É difícil que qualquer um dos números seja verdade. Monges foram assassinados, ninguém sabe quantos. Muitos deixaram seus mosteiros com medo da violência policial e tomaram o rumo do interior. Vivem escondidos. Ainda há os que, tendo sido presos, foram obrigados a largar seus mantos para substituí-los por roupas civis.

Alguma coisa aconteceu: eles desapareceram. A única informação que há por parte do governo, no entanto, é que não há nada de novo e a calma reina no país após a desordem. Os diplomatas estrangeiros não conseguem notícias.


O questionamento segue no weblog do Pedro Dória.


terça-feira, 11 de dezembro de 2007

44% dos brasileiros dizem que abandonaram fonte de informação nos últimos 12 meses por perda de confiança

VI O MUNDO:

No Brasil, 45% disseram considerar confiável ou parcialmente confiável o noticiário, enquanto só 30% disseram o mesmo em relação ao "nosso governo". Mas a confiança na mídia ficou bem abaixo da média (63%) e no governo também (52%). De fato, a maioria dos brasileiros disse não confiar na mídia (55%). O índice de desconfiança é alto também no Reino Unido (53%), Coréia do Sul (55%) e Alemanha (57%).

LEIA MAIS CLICANDO NO TÍTULO.

O PAVOR DOS MILITARES NORTE-AMERICANOS

Arsenal atômico: Paquistão ameaça responder a países

Os militares do Paquistão advertiram nesta terça-feira que irão responder energicamente contra qualquer tentativa internacional de se apoderar do arsenal atômico do país, num momento em que o exército realizava, com êxito, um teste com um míssil de cruzeiro capaz de transportar ogivas nucleares.

(...)

O avanço dos militantes talibãs nas regiões do noroeste do Paquistão, na fronteira com o Afeganistão, faz temer a comunidade internacional com a possibilidade de que os radicais ameacem as armas nucleares paquistanesas ou que tentem se apoderar delas.

PARA LER MAIS CLIQUE NO TÍTULO DESTA POSTAGEM.

China e Cuba: dois pesos (econômicos) e duas medidas

Enquanto o "mundo desenvolvido" fustiga Cuba com embargos econômicos e exigência na área de "direitos humanos " e "liberdade de imprensa", a União Européia faz uma "celebração dos êxitos e realização do desenvolvimento sustentável" na China, durante a 4ª Cúpula Sino-Européia de Indústria e Comércio.

O primeiro-ministro português, Jose Sócrates e o presidente da Comissão Européia (CE), Durão Barroso estiveram com o presidente chinês, Hu Jintao. Ambos participam do 10º Encontro entre os Líderes Chineses e Europeus. É como se diz por aí: negócios são negócios.


Via Periferia do Império.

O Jardim do Vizinho

(...)

Quando morei na Argentina, realizei entrevistas com pessoas que haviam ocupado cargos de ministros, embaixadores e outras altas posições numa série de governos do país vizinho, em particular o período de Carlos Menem (1989-1999). Todos me diziam a mesma coisa: a de que o Brasil estava no caminho de se transformar numa grande potência, porque havia feito as escolhas corretas e perseguido políticas públicas coerentes, em particular nas áreas do desenvolvimento econômico e da política externa. Em contraste, criticavam a Argentina por sua extrema instabilidade e pelas constantes mudanças de rumo.

A comparação não é novidade para os especialistas na comparação entre os dois países. A quem se interessa pelo assunto, recomendo o soberbo livro "Ideas and Institutions: developmentalism in Brazil and Argentina", da minha querida mestra Katryn Sikkink, que aliás conheci em Buenos Aires. O início é uma obra-prima: a autora comenta a visita que fez ao Memorial JK em Brasília (que ela compara ao túmulo de Napoleão) com sua experiência de pesquisa no modesto centro de estudos dedicado a Arturo Frondizi. O ex-presidente argentino entre 1958-1962 teve programa muito semelhante ao nosso Juscelino, mas foi derrubado por um golpe militar ao qual se seguiram anos de turbulência e crise.

O que deu certo no Brasil? Basicamente, aqui houve desde a Revolução de 1930 um esforço consciente em criar uma elite no funcionalismo público dedicada aos temas econômicos mais importantes. Começou de maneira hesitante com o DASP e depois resultou na criação da Petrobras, do BNDES, e no fortalecimento do processo de treinamento nas Forças Armadas, no Ministério da Fazenda e no Itamaraty. Esse corpo permanente de tecnocratas manteve um alto grau de continuidade, mesmo nas transições (sempre muito negociadas) entre democracias e ditadura.

No fim dos anos 1950 o PIB do Brasil era apenas levemente superior ao da Argentina. Hoje, é cerca de quatro vezes maior. O crescimento da economia brasileira foi acelerado e constante, enquanto a Argentina seguiu um ciclo instável de stop-and-go, muito motivado por suas repetidas crises políticas. Afinal, foram 6 golpes militares entre 1930 e 1976, fora diversas insurreições mal-sucedidadas, guerrilhas, a guerra das Malvinas e a quase-guerra com o Chile. Não há prosperidade que resista. Alguns falam do "milagre do sudesenvolvimento argentino" e a maioria trata com nostalgia da era de ouro do início do século XX, quando a renda per capita do país era mais alta do que a da Espanha ou a da Itália. O célebre economista sueco Gunnar Myrdal chegou a dizer que só existiam quatro tipos de países: desenvolvidos, em desenvolvimento, Japão e Argentina.

Este é um trecho. O texto completo em Todos os Fogos o Fogo.
E a propósito, o texto do La Nación, pode ser encontrado aqui.

O Brasil visto da Argentina

Na Argentina, o diário La Nación diz a respeito do Brasil:

É a décima maior economia do mundo;

Maneja 40% do mercado de carnes do mundial;

É a oitava bolsa de valores por volume, tendo crescido 1.600% nos últimos cinco anos;

As exportações – 137 bilhões de dólares – dobraram em quatro anos.

E, por fim, a comparação que deixa os argentinos danados:

Nos anos 1940, o PIB de toda América Latina era igual ao argentino; hoje, o Brasil tem o tamanho de quatro Argentinas.

(Há de ser bom mesmo viver num país destes.)

Mas, no fim, como sugere à repórter Florência Carbone um de seus entrevistados, em meados dos anos 1990, só se falava do modelo chileno; pouco depois, vitorioso era o modelo argentino. Agora é a vez do Brasil. O quanto isto vale de fato? E, se vale, perguntam-se os jornalistas nossos vizinhos: qual o segredo do Brasil? A série inclui três artigos e uma reportagem.

Algumas coisas – a auto-suficiência em petróleo, por exemplo – é trabalho sólido. A Petrobras vem investindo há muitos anos, já, em tecnologia de extração. Some-se a alta dos preços do barril, que faz compensar a retirada de petróleo a grandes profundidades, e o investimento compensa.

O La Nación destaca também que aos oito anos do governo FHC seguem-se mais oito de Lula que, embora vindos de grupos de oposição um ao outro, dão seqüência ao mesmo jogo de políticas públicas. Há continuidade de governança. A política externa do atual governo também recebe elogios do principal jornal conservador argentino.

Daí, seguem-se fatores que os argentinos não podem controlar: o Brasil tem quatro vezes mais terra e uma população cinco vezes maior. Tem recursos minerais, do ferro ao carvão. Ajuda um bocado no processo de industrialização. Mas o momento chave em que, o jornal considera, Brasil e Argentina se separaram de vez faz muito tempo: a década de 1940. À época, quando o país deles era um riquíssimo agroexportador, os interesses do setor não permitiram o desenvolvimento de um parque industrial. Foi exatamente o que o Brasil fez. Desde então, a Argentina empobreceu e o Brasil enriqueceu.



O texto segue no Weblog do Pedro Dória.

segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

Brasil é colônia digital e Microsoft atua no país "como um traficante"

VI O MUNDO:

Linux, Firefox, GNU, código-fonte - você não gostaria de saber do que se trata para poder entender a próxima conversa que ouvir a respeito? O assunto é muito importante para que você fique na ignorância. Estamos falando em liberdade de criação e difusão de conhecimento. Por isso, fique frio. A entrevista que fiz com um jovem empresário brasileiro, o Kauê Linden, tem exatamente esse objetivo: o de fazer com que você entenda o básico.

Os gurus Stallman e MadDog têm milhares de seguidores em todo o mundo. Gente que acredita no software livre. Que diabo é isso? Por comparação: o Windows, do Bill Gates, você compra na loja ou já vem instalado em seu computador. Você aprende a mexer com ele, se acostuma e fica "viciado". Mas, se quiser, não pode mexer nele. Está sentindo o sapato apertado? Vai morrer com ele no pé.

CLIQUE NO TÍTULO.

domingo, 9 de dezembro de 2007

Do Blog Entrelinhas: Dica de leitura no Estadão de hoje

Vale a pena ler a entrevista abaixo, do historiador Carlos Guilherme Mota, publicada neste domingo pelo jornal O Estado de S. Paulo. É uma análise vigorosa.

Você também está atrás das grades

Fred Melo Paiva

No final dos anos 70, Carlos Guilherme Mota costumava receber em sua casa a visita do também historiador Caio Prado Júnior. Tomavam vinho juntos. Caio Prado gostava dos chilenos da marca Concha y Toro. Carlos Guilherme gostava de Caio Prado - sentia-se visitado pela versão brasileira de um Eric Hobsbawm. Diante do grande mestre, tentava extrair dele “umas cinco frases para repassar aos seus filhos e alunos”. Certa vez, foi direto ao ponto: “Professor, qual é a sua mensagem? O que o senhor me diz sobre a história do Brasil?”. Caio Prado Júnior respondeu: “O Brasil é muito atrasado”. Carlos Guilherme Mota achou a frase “um pouco pobre”. Insistiu: “Mas como assim?”. O Caio: “Muito atrasado. Muito”. Carlos Guilherme deixou pra lá.

“Historiador das idéias”, Carlos Guilherme Santos Serôa da Mota é professor titular de história da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade São Paulo (FFLCH-USP) e da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Presbiteriana Mackenzie. Foi diretor-fundador do Instituto de Estudos Avançados da USP. É pesquisador da Escola de Direito da Fundação Getúlio Vargas. Autor, entre outros, de Ideologia da Cultura Brasileira (Editora 34), prepara-se para o lançamento de História do Brasil - Uma Interpretação (Senac), escrito em parceria com sua mulher, a historiadora Adriana Lopez.

Na semana que passou, Carlos Guilherme Mota lembrou-se muito da frase de Caio Prado Júnior. E à luz dessa lembrança, ele concedeu ao Aliás a entrevista que segue:

A história do sistema prisional no Brasil é uma seqüência de atos de barbárie?

Quando houve a Inconfidência Mineira, ou mesmo a Revolta dos Alfaiates, as condições carcerárias eram miseráveis. Há descrições disso. E olha que foram presos ouvidor, desembargador, advogado. Tem-se a idéia de que (o jurista e poeta luso-brasileiro) Cláudio Manuel da Costa não teria suportado a situação e cometido suicídio. Mais adiante, em 1817, revolucionários do Nordeste foram presos na Bahia, entre eles Antônio Carlos de Andrada, irmão de José Bonifácio, e o clérigo Francisco Muniz Tavares. Eram pessoas, digamos, de alto coturno, tiveram alguns privilégios. Ainda assim seus testemunhos do cárcere são um horror. Durante todo o século 19 as condições são, sim, de barbárie. Não há a idéia de cidadania como a temos hoje, nem minimamente. Nos anos 1920 e 1930, comunistas e anarquistas eram recolhidos em presídios como o famoso Maria Zélia, no bairro da Liberdade, em São Paulo. Ficavam confinados em solitárias com água pingando na cabeça. Imperava por aqui - e de alguma forma ainda impera - a lei da fazenda: se você fez alguma coisa errada, mando um capanga te pegar. Se você é um criminoso, significa que pode ser morto. É por isso que, risonhamente, diz-se que a única contribuição que o Brasil deu para a república no mundo foi a tocaia. Aqui sempre houve exímios matadores.


A entrevista continua no Blog Entrelinhas.


Chávezwood

Meu amigo Leonardo me chamou a atenção para reportagem na BBC sobre a Villa del Cine, o estúdio de cinema criado por Chávez para produzir filmes sobre a América Latina. A produção de estréia é “Miranda Regresa”, sobre uma das mais extraordinárias personalidades da história do continente: Francisco de Miranda, um dos grandes precursores da independência dos países sul-americanos. Intelectual iluminista, conspirador liberal, mulherengo, aventureiro. Napoleão o comparou a Dom Quixote, a imperatriz Catarina da Rússia o tomou como amante, San Martin, Danton, Alexander Hamilton e Thomas Paine foram seus amigos. Lutou pela Espanha contra os mouros na África e os ingleses no Caribe, foi marechal dos exércitos da Revolução Francesa, voltou à América e serviu como general junto a Bolívar. As fotos que ilustram os posts são do filme.

O que nós, brasileiros, sabemos sobre uma vida tão fantástica?

Nada.

O outro projeto da Viila del Cine também promete: uma biografia de Toussaint L´Ouverture, dirigida pelo ator americano Danny Glover. O astro de máquina mortífera tem compromisso na luta anti-racismo, que se traduziu em filmes sobre o apartheid. Natural que queria filmar a vida de um líderes da revolta negra no Haiti – que já rendeu o belíssimo romance “O Reino Deste Mundo”, do cubano Alejo Carpentier e o poema de Aimé Cesaire. Chávez deu US$18 milhões a Glover para o filme – o dinheiro veio da venda de títulos da dívida externa argentina, que o presidente comprou para ajudar aquele país no momento da renegociação do débito.

E de Bolívar, nada? Claro que sim. Também há o projeto de adaptar o romance de Garcia Márquez sobre os amargos dias finais do Libertador, “O General em seu Labirinto”.

Convenhamos: vocês conhecem outra produtora de cinema que tenha um catálogo tão apetitoso de projetos em andamento? A "Lulawood" da Petrobras e do BNDES andam mais ocupados financiando pastiches das novelas da Globo e o próximo melodrama envolvendo apresentadoras de programas infantis, duendes, golfinhos ou outra experiência destinada a provar a inexistência de cérebros nas platéias brasileiras.


O texto, bem interessante, continua em Todos os Fogos o Fogo.

Adam Freeland: We Want Your Soul



Da BlipTV, visto na Periferia do Império.