quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

Tentações do poder

São raras as pessoas que conseguem transformar o presidente da França em coadjuvante. A cantora e modelo Carla Bruni, namorada do atual líder francês, Nicola Sarkozy, com certeza é uma delas. Nas últimas semanas as notícias sobre seu suposto casamento com o ocupante do Palácio do Eliseu ocupou mais espaço nos jornais de todo o mundo que as ações políticas do amado. E parece que a coisa não vai parar por aí.

A revista espanhola DT publica na sua edição de fevereiro um ensaio - anunciado como o “último e mais ousado” – onde Carla mostra suas curvas, vestida apenas com um provocante par de botas.
A propósito: segundo uma recente pesquisa do instituto TNS-Sofres, 93% dos franceses acham que a mídia do país dá mais atenção de que deveria à vida privada do presidente. A mesma pesquisa diz que 52% da população acha que a ação política de Sarkozy não recebe atenção suficiente da imprensa francesa. Deu no G1.

Multidão cruza fronteira entre Gaza e Egito após Hamas derrubar cerca

As pressões de uma Faixa de Gaza isolada explodiram hoje, quando centenas de milhares de habitantes deste território palestino cruzaram a fronteira com o Egito depois de ativistas do movimento islâmico Hamas terem derrubado a cerca da divisa usando dinamite e escavadeiras.

O êxodo em massa deixou Israel e Egito em alerta, mas a imensa maioria das pessoas que atravessaram a fronteira queria apenas comprar comida, combustível, cigarros e outros bens que são escassos na Faixa após sete meses de bloqueio israelense.

Como pôde comprovar a Agência Efe na passagem fronteiriça de Rafah, alguns retornavam com cabras, ovelhas e televisores para revendê-los mais caro no lado palestino.

Desde que o Hamas expulsou da Faixa as forças leais ao presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, em junho, Israel só permite a entrada de seis tipos de alimentos básicos no local.

"Tenho uma loja em Khan Yunes (sul da Faixa), mas estou sem a maioria dos produtos. Vim comprar o que falta", explicou Hamedan, enquanto carregava várias caixas de detergente com seus dois filhos.

Mufida Abu Zarqa, de 52 anos, se dispôs a atravessar a cerca para visitar sua irmã doente no Egito e "comprar algumas coisas que faltam após sete meses de bloqueio, como comida, combustível e cigarros".

"Não temos escolha, estamos vivendo uma morte lenta", argumentou Suleiman Abdullah, de 24 anos.

Segundo estimativas de testemunhas e fontes das Nações Unidas, entre 350 mil e 400 mil palestinos - um quarto da população da Faixa - optaram hoje por fugir, mesmo que por algumas horas, desta "morte lenta".

A estrada entre a Cidade de Gaza, ao norte, e Rafah está ocupada há horas por centenas de caminhões, ônibus e carros, todos lotados.

Para o porta-voz do Hamas, Sami Abu Zuhri, este "é o resultado natural do estrangulamento e do bloqueio imposto aos civis palestinos em Gaza".

No dia anterior, 60 pessoas ficaram feridas no posto fronteiriço quando a Polícia egípcia interveio contra mulheres e crianças que pediam a abertura da passagem de Rafah diante do bloqueio exercido por Israel nos outros cinco pontos de tráfego entre a Faixa e o exterior.

Faz pouco tempo que a cerca fronteiriça foi colocada novamente de pé, depois de militantes islâmicos terem aberto cerca de 15 buracos com explosivos na madrugada passada e terem derrubado a maior parte da estrutura com escavadeiras na manhã de hoje.

Por ordem do presidente egípcio, Hosni Mubarak, as forças de segurança do país se limitaram a ver a multidão passar, enquanto os ativistas do Hamas controlavam a situação e organizavam uma fila de entrada e outra de saída.

Os militantes do movimento islamita inspecionaram inclusive as bolsas dos que retornavam à Faixa e apreenderam sete pistolas com um homem, segundo a imprensa local.

O Ministério de Assuntos Exteriores israelense lembrou em um breve comunicado ao Egito a "responsabilidade de garantir o correto funcionamento" da fronteira do país com o território palestino, conforme indicado nos acordos assinados em 2005 após a retirada dos colonos e soldados judeus do local.

Estes pactos obrigam o Egito a controlar o contrabando de armas que partem de suas terras em direção à Faixa por meio de túneis subterrâneos e deixam a supervisão da passagem de Rafah, fechada desde junho, nas mãos de um corpo de inspetores da União Européia (UE).

Em declarações à imprensa de seu país, altos comandantes militares israelenses qualificaram a ausência da cerca fronteiriça de "risco de primeira categoria para a segurança de Israel" pela possível entrada de terroristas e de explosivos.

Fontes do Hamas prevêem que os palestinos poderão atravessar a fronteira com o Egito pelo menos durante as próximas 24 horas, antes de a ordem ser restabelecida na região.

O dirigente de fato da Faixa de Gaza, o islamita Ismail Haniyeh, aproveitou a maré humana rumo ao Egito para pedir ao país africano e ao movimento nacionalista Fatah, liderado por Mahmoud Abbas, a obtenção de um novo acordo sobre a gestão das fronteiras deste território palestino.

Por enquanto, Abbas se limitou a acusar os islamitas de terem originado a crise ao abrirem os primeiros buracos na cerca.

Apesar do caos, as operações do Exército israelense prosseguiram no resto da Faixa de Gaza. Um agricultor foi morto no norte e um miliciano do Hamas faleceu durante um tiroteio com soldados no sul.

EFE

Os brancos são mais iguais

No anúncio de sabonete do início do século 20, a menina branca chama o menino negro de sujo (dirty), e pergunta por que ele não se lava com o sabonete Vinólia.

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O anúncio foi publicado no blog Diário Gauche, do Cristóvão Feil. O texto que se segue é de autoria do professor Emir Sader, publicado no Blog do Emir, no site Carta Maior, em dezembro de 2007.

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O lema fundamental da dominação capitalista e imperialista continua sendo “Civilização ou barbárie”. Civilização para os dominantes e barbárie para todos os outros. Civilização para os brancos, ocidentais, protestantes ou católicos, europeus ocidentais ou estadunidenses. Mas é a cor da pele a bandeira da sua superioridade.
Não por acaso, Hollywood, a maior fábrica de racismo do mundo, promove a criminalização das outras “raças”, sejam índios dos EUA, os africanos, árabes, japoneses, chineses, coreanos, mexicanos ou qualquer outra variante dos não-brancos. O único filme produzido nos EUA contra a potência que promoveu a maior “limpeza étnica” da história da humanidade, a Alemanha, foi realizado por um não-estadunidense, Charles Chaplin, com “O grande ditador”. O clima contra ele ficou tão insuportável que precisou sair às pressas dos EUA, antes mesmo do lançamento do filme.
Hollywood narrou a história do massacre das populações indígenas nos EUA como uma saga da “civilização” resgatando palmo a palmo o território dominado por “peles vermelhas” “traiçoeiros”. Indômitos cowboys, chamados de “mocinhos”, enfrentando os “bandidos” das populações originárias.
Recorrentemente, renascem as teorias e as afirmações racistas sobre a suposta inferioridade intelectual dos negros. Bem antes das declarações do prêmio Nobel sobre o tema, surgiu a “teoria dos sinos”, que repetia a mesma ladainha de sempre. Os negros teriam características que os tornam excelentes para as atividades atléticas. Chega-se ao requinte de elaborar mapas da origem dos africanos, pois certas regiões estariam mais adaptadas para a produção de atletas para corridas de longas distâncias, pela resistência, enquanto, outras, produzem os de curta distância, pela rapidez. Este reconhecimento do desempenho atlético é uma espécie de “compensação” à inferioridade intelectual que se lhes quer impor. Um autor que vive recomendando as melhores leituras para todo o mundo, não hesitou em perguntar onde estaria o Shakespeare africano. Um modo de dizer que só está disposto a rever sua tese sobre a inferioridade intelectual e cultural dos africanos quando estes forem capazes de apresentar conquistas intelectuais similares às européias.
A colonização e a escravidão, que parecem fenômenos passageiros, que não deixaram marcas na trajetória nem dos que se enriqueceram, nem dos que se empobreceram com elas, nunca aparecem nos seus preciosos “cálculos” . Colonização e escravidão foram formas de recrutar uma raça inferior para trabalhar para a raça superior, em nome do “progresso” e do “desenvolvimento”. Colonização e escravidão transformam-se em categorias atemporais, que beneficiaram a “humanidade”, a “civilização”, apropriada pelos brancos ocidentais cristãos.
Esses raciocínios pseudo-científicos procuram desqualificar as outras etnias e combater algumas conquistas políticas, como é o caso especialmente das cotas. Afinal, de que adianta promover os negros, já que sua inferioridade é genética!
Quando esta concepção ganhou a Califórnia, o resultado foi arrasador para os negros, pois os brancos e os de origem asiática se repartiram entre si as vagas das universidades e os negros foram praticamente excluídos. É uma manobra intelectual para justificar a imposição da hegemonia das idéias dominantes na sociedade mercantilizada dos EUA: os pobres – entre eles os negros - não são produzidos pela estrutura econômica e social capitalista, eles são os “perdedores” de um jogo onde tiveram as mesmas oportunidades que os outros, mas foram vencidos no concurso meritocrático da excelência, da produtividade, do custo-benefício.
Todos são iguais, mas os brancos são os mais iguais, os mais “civilizados”, os mais inteligentes – e mais ricos, mais poderosos, mais beligerantes, os mais agressivos, os mais discriminadores, os mais exploradores.
Emir Sader – dezembro 2007


A linguagem do preconceito

Virou moda dizer que “Lula não entende das coisas”. Ou “confundiu isso com aquilo”. É a linguagem do preconceito, adotada até mesmo por jornalistas ilustres e escritores consagrados

Por Bernardo Kucinski

Um dia encontrei Lula, ainda no Instituto Cidadania, em São Paulo, empolgado com um livro de Câmara Cascudo sobre os hábitos alimentares dos nordestinos. Lula saboreava cada prato mencionado, cada fruta, cada ingrediente. Lembrei-me desse episódio ao ler a coluna recente do João Ubaldo Ribeiro, “De caju em caju”, em que ele goza o presidente por falar do caju, “sem conhecer bem o caju”. Dias antes, Lula havia feito um elogio apaixonado ao caju, no lançamento do Projeto Caju, que procura valorizar o uso da fruta na dieta do brasileiro.

“É uma pena que o presidente Lula não seja nordestino, portanto não conheça bem a farta presença sociocultural do caju naquela remota região do país...”, escreveu João Ubaldo. Alegou que Lula não era nordestino porque tinha vindo ainda pequeno para São Paulo. E em seguida esparramou citações sobre o caju, para mostrar sua própria erudição. Estou falando de João Ubaldo porque, além de escritor notável, ele já foi um grande jornalista.

Outro jornalista ilustre, o querido Mino Carta, escreveu que Lula “confunde” parlamentarismo com presidencialismo. “Seria bom”, disse Mino, “que alguém se dispusesse a explicar ao nosso presidente que no parlamentarismo o partido vencedor das eleições assume a chefia do governo por meio de seu líder...” Essa do Mino me fez lembrar outra ocasião, no Instituto Cidadania, em que Lula defendeu o parlamentarismo.

Parlamentarista convicto, Lula diz que partidos são os instrumentos principais de ação política numa democracia. Pelo mesmo motivo Lula é a favor da lista partidária única e da tese de que o mandato pertence ao partido. Em outubro de 2001, o Instituto Cidadania iniciou uma série de seminários para o Projeto Reforma Política, aos quais Lula fazia questão de assistir do começo ao fim. Desses seminários resultou um livro de 18 ensaios, Reforma Política e Cidadania, organizado por Maria Victória Benevides e Fábio Kerche, prefaciado por Lula e editado pela Fundação Perseu Abramo.

Clichês e malandragem
Se pessoas com a formação de um Mino Carta ou João Ubaldo sucumbiram à linguagem do preconceito, temos mais é que perdoar as dezenas de jornalistas de menos prestígio que também dizem o tempo todo que “Lula não sabe nada disso, nada daquilo”. Acabou virando o que em teoria do jornalismo chamamos de “clichê”. É muito mais fácil escrever usando um clichê porque ele sintetiza idéias com as quais o leitor já está familiarizado, de tanto que foi repetido. O clichê estabelece de imediato uma identidade entre o que o jornalista quer dizer e o desejo do leitor de compreender. Por isso, o clichê do preconceito “Lula não entende” realimenta o próprio preconceito.

Alguns jornalistas sabem que Lula não é nem um pouco ignorante, mas propagam essa tese por malandragem política. Nesse caso, pode-se dizer que é uma postura contrária à ética jornalística, mas não que seja preconceituosa. Aproveitam qualquer exclamação ou uso de linguagem figurada de Lula para dizer que ele é ignorante. “Por que Lula não se informa antes de falar?”, escreveu Ricardo Noblat em seu blog, quando Lula disse que o caso da menina presa junto com homens no Pará “parecia coisa de ficção”. Quando Lula disse, até com originalidade, que ainda faltava à política externa brasileira achar “o ponto G”, William Waack escreveu: “Ficou claro que o presidente brasileiro não sabe o que é o ponto G”.

Outra expressão preconceituosa que pegou é “Lula confunde”. A tal ponto que jornalistas passam a usar essa expressão para fazer seus próprios jogos de palavras. “Lula confunde agitação com trabalho”, escreveu Lucia Hippolito. Empregam o “confunde” para desqualificar uma posição programática do presidente com a qual não concordam. “O presidente confunde choque de gestão com aumento de contratações”, diz o consultor José Pastore, fonte habitual da imprensa conservadora.

Confunde coisa alguma. Os neoliberais querem reduzir o tamanho do Estado, o presidente quer aumentar. Quer contratar mais médicos, professores, biólogos para o Ibama. É uma divergência programática. Carlos Alberto Sardenberg diz que Lula “confundiu” a Vale com uma estatal. “Trata-a como se fosse a Petrobras, empresa que segundo o presidente não pode pensar só em lucro, mas em, digamos, ajudar o Brasil.” Esse caso é curioso porque no parágrafo seguinte o próprio Sardenberg pode ser acusado de confundir as coisas, ao reclamar de a Petrobras contratar a construção de petroleiros no país, apesar de custar mais. Aqui, também, Lula não fez confusão: o presidente acha que tanto a Vale quanto a Petrobras têm de atender interesses nacionais; Sardenberg acha que ambas devem pensar primeiro na remuneração dos acionistas.

Filosofia da ignorância
A linguagem do preconceito contra Lula sofisticou-se a tal ponto que adquiriu novas dimensões, entre elas a de que Lula teria até problemas de aprendizagem ou de compreensão da realidade. Ora, justamente por ter tido pouca educação formal, Lula só chegou aonde chegou por captar rapidamente novos conhecimentos, além de ter memória de elefante e intuição. Mas, na linguagem do preconceito, “Lula já não consegue mais encadear frases com alguma conseqüência lógica”, como escreveu Paulo Ghiraldelli, apresentado como filósofo na página de comentários importantes do Estadão. Ou, como escreveu Rolf Kunz, jornalista especializado em economia e também professor de filosofia: “Lula não se conforma com o fato de, mesmo sendo presidente, não entender o que ocorre à sua volta”.

Como nasceu a linguagem do preconceito? As investidas vêm de longe. Mas o predomínio dessa linguagem na crônica política só se deu depois de Lula ter sido eleito presidente, e a partir de falas de políticos do PSDB e dos que hoje se autodenominam Democratas. “O presidente Lula não sabe o que é pacto federativo”, disse Serra, no ano passado. E continuam a falar: “O presidente Lula não sabe distinguir a ordem das prioridades”, escreveu Gilberto de Mello. “O presidente Lula em cinco anos não aprendeu lições básicas de gestão”, escreveu Everardo Maciel na Gazeta Mercantil.

A tese de que Lula “confunde” presidencialismo com parlamentarismo foi enunciada primeiro por Rodrigo Maia, logo depois por César Maia, e só então repetida pelos jornalistas. Um deles, Daniel Piza, dias depois dessas falas, escreveu que “só mesmo Lula, que não sabe a diferença entre presidencialismo e parlamentarismo, pode achar que um governante ter a aprovação da maioria é o mesmo que ser uma democracia no seu sentido exato”.

Preconceito é juízo de valor que se faz sem conhecer os fatos. Em geral é fruto de uma generalização ou de um senso comum rebaixado. O preconceito contra Lula tem pelo menos duas raízes: a visão de classe, de que todo operário é ignorante, e a supervalorização do saber erudito, em detrimento de outras formas de saber, tais como o saber popular ou o que advém da experiência ou do exercício da liderança. Também não se aceita a possibilidade de as pessoas transitarem por formas diferentes de saber.

A isso tudo se soma o outro preconceito, o de que Lula não trabalha. Todo jornalista que cobre o Palácio do Planalto sabe que é mentira, que Lula trabalha de 12 a 14 horas por dia, mas ele é descrito com freqüência por jornalistas como uma pessoa indolente.

Não atino com o sentido dessa mentira, exceto se o objetivo é difamar uma liderança operária, o que é, convenhamos, uma explicação pobre. Talvez as elites, e com elas os jornalistas, não consigam aceitar que o presidente, ao estudar um problema com seus ministros, esteja trabalhando, já que ele é “ incapaz de entender” o tal problema. Ou achem que, ao representar o Estado ou o país, esteja apenas passeando. Afinal, onde já se viu um operário, além do mais ignorante, representar um país?

Fontes: João Ubaldo Ribeiro, O Estado de S. Paulo, 2/9/2007. Blog do Mino Carta, 16/11/2007. Blog do William Waack, 2/12/2007. Texto de Lúcia Hipólito no UOL, 24/07/2007. José Pastore, artigo no Estadão, 11/12/2007. Carlos Alberto Sardenberg, “De bronca com o capital”, Estadão, 10/12/2007. Filósofo Paulo Ghiraldelli, Estadão, 29/8/2007. Rolf Kunz, “Lula, o viajante do palanque”, Estadão, 29/11/2007. José Serra, em Folha On Line, 1º/8/2006, em reportagem de Raimundo de Oliveira. Gilberto de Mello, escritor e membro do Instituto Brasileiro de Filosofia, no Estadão de 2/8/2007, reproduzido no site do PSDB. Everardo Maciel, na Gazeta Mercantil de 4/10/2007. Rodrigo Maia, em declaração à Rádio do Moreno, 6/11/2007, 17h20. César Maia em seu blog, 12/11/2007. E Daniel Pizza em texto do Estadão de 2/12/2007.

Bernardo Kucinski é professor titular do Departamento de Jornalismo e Editoração da ECA/USP. Foi produtor e locutor no serviço brasileiro da BBC de Londres e assistente de direção na televisão BBC. É autor de vários livros sobre jornalismo.

terça-feira, 22 de janeiro de 2008

Garota, eu vou pra Antártida!

Após as previsões catastróficas do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas serem anunciadas no ano passado, a Inglaterra declarou que pretende assumir a soberania de mais de um milhão de quilômetros quadrados do solo gélido. Em seguida o Chile retrucou, pois também pretende conquistar o controle de um naco daquelas terras. As intenções de ambos entram em conflito com os interesses da Argentina e do Brasil, que passaram a reivindicar igualmente suas respectivas fatias do bolo. E ontem (11), a Austrália anunciou que está operando sua própria linha Tasmânia-Antártida, utilizando um Airbus A319 especialmente adaptado para decolar e pousar no gelo. Isso ao mesmo tempo em que o governo australiano prometeu vigiar a costa da região a fim de “inibir a caça de baleias pelos japoneses”. Há ecologistas que apóiam as intenções navais australianas, sem perceberem que assim aquele país vai assumindo, pouco a pouco, o controle de águas internacionais neutras…

Texto completo no blog Vejo tudo e não morro.

Você já comeu a Amazônia Hoje? - Floresta amazônica dá lugar à pecuária de exportação

O ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, admitiu ontem que há derrubada de floresta amazônica para uso como pasto, reconheceu que o governo trata do tema somente "em tese", disse que está preocupado e torceu para que o rebanho que come a floresta não se destine ao aumento das exportações brasileiras. "Já tinha enviado uma equipe de técnicos do ministério para a região, tenho mais de 250 fotos que não vou divulgar". A informação está na Folha, de hoje.

O ministro Stephanes reconheceu alguns detalhes do problema: terra barata e crédito de bancos estatais estimulam o avanço cada vez maior da pecuária extensiva. Hoje a Amazônia Legal responde por 36% do rebanho nacional e um terço das exportações, segundo relatório compilado pela ONG Amigos da Terra - Amazônia Brasileira.

Virtualmente todo o crescimento do rebanho nacional entre 2003 e 2006 aconteceu naquela região, mas o governo Lula trata o problema apenas "em tese", como confessa o ministro da Agricultura.


Socialismo made in USA

Em “Democracia na América”, texto clássico sobre os então jovens Estados Unidos, no século XIX, Alexis de Tocqueville afirmou que democracias como a americana “não só não desejam revoluções como tem medo delas”. Pelo menos dois candidatos à presidência americana discordam do diagnóstico do mestre francês. Na campanha de 2008, Brian Moore, do Partido Socialista, e Róger Calero, do Partido dos Trabalhadores da América, carregam a bandeira do socialismo, uma causa que, ao contrário do que sugerem os resultados eleitorais recentes, tem tradição nos EUA.
Tanto Moore, um ativista da Flórida, quanto Calero, um jornalista de Nova Jersey, têm poucas chances de superar Eugene Debs, líder socialista que, por duas vezes (uma em 1912 e outra em 1920, quando concorreu preso) somou mais de 900 mil votos. Mesmo assim, eles concorrem para marcar posição.
Os dois sabem que, nem na melhor das hipóteses, estarão nas cédulas de mais da metade dos 50 estados. Pela lei, o registro na ficha de votação é feito estado a estado, e as regras vão do liberal ao restritivo.
"A perspectiva para uma mudança revolucionária é muito grande aqui nos EUA, será uma mudança que virá de nossas próprias lutas", avalia Calero. Moore não só confia no sucesso de sua causa, como se arrisca a imaginar as ações do primeiro presidente socialista, no primeiro dia de governo: sair do Iraque, fechar as bases no exterior, abolir as agências de inteligência ("a começar pela CIA"), garantir acesso gratuito à saúde e à educação e acabar com a "mentalidade do cowboy, de vencer a qualquer custo." A matéria completa está aqui no G1.

Morreu o último trotskista histórico



Na última quarta-feira, 16 de janeiro, em Paris, morreu o companheiro Pierre Lambert (foto), líder da Quarta Internacional e um dos principais inspiradores da corrente petista 'O Trabalho' (* nome também do jornal da antiga Organização Socialista Internacionalista - O.S.I. - informação do blog). Os seus funerais ocorrem nesta sexta-feira, no cemitério parisiense Père Lachaise, onde serão prestadas as últimas homenagens e será cremado, conforme a sua vontade. O presidente do PT, Ricardo Brezoini, divulgou nota de pesar sobre o falecimento de Lambert: “Foi com pesar que tomei conhecimento do falecimento do companheiro Pierre Lambert...Francês, Lambert desde os 14 anos esteve ao lado dos trabalhadores pela sua emancipação. Foi o principal dirigente da 4ª Internacional, foi um lutador incansável contra a exploração em todo o mundo. Também foi dirigente sindical metalúrgico e ajudou a manter ativa a Confederação Geral dos Trabalhadores (CGT) em seu país. Registro o meu reconhecimento pela sua atuação e minha admiração por sua história de militante operário e internacionalista. A Pierre Lambert, minhas homenagens e minha gratidão”.

Também a CUT enviou mensagem sobre a morte de lambert: “A Direção Executiva Nacional da Central Única dos Trabalhadores – CUT Brasil – recebeu com pesar a notícia do falecimento do companheiro Pierre Lambert...Durante a ocupação nazista da França na 2ª Guerra Mundial ajudou a manter viva a Confederação Geral dos Trabalhadores (CGT) na clandestinidade como dirigente sindical metalúrgico. Ao longo de sua trajetória militante, o companheiro Lambert também ocupou responsabilidades sindicais em representação dos trabalhadores do setor de Seguridade Social em seu país. Como militante internacionalista, Lambert ajudou a organizar várias reuniões de sindicalistas realizadas em Genebra por ocasião das conferências anuais da OIT, colocando no centro a defesa da independência sindical e das convenções da OIT que protegem os direitos trabalhistas. Com seus companheiros de idéias do Brasil, muitos deles militantes de nossa central, Pierre Lambert insistia na necessidade de defender a CUT, conquista da classe trabalhadora, contra políticas que levam à sua divisão e enfraquecimento. Assim, ao expressar o nosso pesar e enviar nossas condolências aos companheiros, amigos e familiares de Pierre Lambert, estamos homenageando a memória de um velho militante do movimento operário francês e internacional que sempre foi solidário com a Central Única dos Trabalhadores”.

Pierre Boussel-Lambert morreu aos 87 anos de idade. Ele era o último representante vivo daquela geração denominada de “trotskismo histórico”, da qual faziam parte Ernest Mandel, Nahuel Moreno, Cannon, Livio Maitan, Joseph Hansen, Pierre Frank, Michel Pablo, Pierre Broué, Healy, Ted Grant, Raymond Molinier e tantos outros. Claro, não havia entre eles uma unanimidade, a não ser a defesa das idéias essenciais de Léon Trotsky. Tanto é assim que, no início dos anos 50, um debate dividiu a 4ª Internacional, opondo Pablo, Mandel, Livio e Frank a Lambert. Este tinha maioria do PCI (Partido Comunista Internacionalista) francês e outros mantiveram o controle da Internacional, constituindo o que logo depois veio a se chamar o Secretariado Unificado da Quarta Internacional. Nunca mais houve possibilidade de reconciliação entre as duas principais correntes do trotskismo mundial. Lambert permaneceu firme e irredutível nas opiniões firmadas nos anos 50 do século passado. Foi mentor do ex-primeiro ministro francês Lionel Jospin e sempre exerceu uma considerável influência intelectual na esquerda francesa e mundial. (Por Luiz Pilla Vares, do portal PTSul)

*Do Blog do Júlio Garcia http://jc-garcia.zip.net

As belas e as feias




Um professor de filosofia neozelandês fez em sua página da internet um ranking um tanto quanto polêmico: elegeu as melhores e as piores bandeiras do mundo, levando em conta apenas o valor estético. Para ele, a nossa bandeira é a “mais feia entre todas as nações independentes”. Já a bandeira da Argentina é considerada bela, com “boa escolha de cores”. A das Ilhas Marianas do Norte, que ficou em último lugar, “parece feita de um clip art”, segundo ele.
Para fazer sua classificação, Josh Parsons usou critérios como o fato de usar frases e mapas (o que ele considera abominável em uma bandeira) e misturar cores que “não combinam”. O professor deu notas de 0 a 100 e conceitos que variam de A+ a D- para cada bandeira. O top 10, de acordo com seus critérios, é o seguinte:
As mais bonitas:
1º Gâmbia (foto 2), 2º Paquistão, 3º Japão, 4º Somália, 5º Turquia, África do Sul, Israel, Cuba, Suíça,Vietnan, 6º Canadá, Ilhas Feroé, Coréia do Norte, Chile, 7º Botsuana, Eslováquia, Finlândia, São Cristóvão e Nevis, 8º Síria, Porto Rico, 9º Islândia, Gabão, Namíbia, Catar, Bélgica, Áustria, 10º Dinamarca, Congo, Noruega, Emirados Árabes Unidos, Libéria, Djibuti
As piores bandeiras:
1º Ilhas Marianas do Norte (foto3), 2º Ilhas Virgens Americanas, 3º Guam, 4º Brasil, 5º El Salvador, 6º Moçambique, 7º Turcomenistão, 8º Ilhas Falkland, 9º Samoa Americana, Bielorússia, Niue, 10º Zimbábue, Brunei, Tadjiquistão, Santa Helena, Aruba, Nicarágua, Belize, Bermudas, Granada, Paraguai, Fiji, Portugal, Ilhas Virgens Britânicas, Guatemala, Montserrat, Ilhas Cayman, Vaticano, Dominica, Ilhas Turks e Caicos, Chipre, Ruanda e Uganda. Saiu no G1.
Nota do Editor: sou mais a bandeira do RS.

O holocausto brasileiro


Publicado no blog do Luiz Weis, no Observatório da Imprensa:
Decerto para não machucar os seus leitores no momento mesmo em que batem os olhos no jornal, o Estado deste domingo preferiu chamar discretamente na primeira página, em vez de alertar em manchete, como seria mandatório, para o pacote de matérias devastadoras que ocupa o espaço útil de quatro páginas do seu caderno Metrópole.
Trabalhando com os números do Data-SUS, do Ministério da Saúde, "a mais antiga e confiável base de dados sobre mortes no Brasil", o repórter Wilson Tosta, da sucursal carioca do Estado, estima que, no período de 30 anos a se completar em 2008, o país terá contabilizado 1 milhão de homicídos. Os registros iniciais do SUS datam de 1979. Não incluem os mortos na selva do trânsito.
Naquele ano, teriam sido 11.194 os assassinados no Brasil. Em 2005 (últimos dados disponíveis), 47.578. O repórter do Estado projeta 45.553 para 2006, 43.801 para 2007, 42.068 para 2008 e ainda 40.336 para 2009.
O ano em que mais se matou foi 2003, com 51.043 vítimas. Desde então, a tendência é declinante. (Antes, só em 1985, 1991 e 1992, morreu-se menos do que nos anos imediatamente anteriores.)
Ao longo desses três decênios, ocuparam o Palácio do Planalto os milicos Ernesto Geisel e João Figueiredo, os paisanos José Sarney, Fernando Collor, Itamar Franco, Fernando Henrique e Lula da Silva. Todos tiveram ou disseram ter políticas de segurança.
Vá dizer isso para Inês Maria da Silva, de 67 anos. A sua história é contada pela correspondente do Estado no Recife, Angela Lacerda. Inês teve cinco filhos. Todos foram assassinados. O primeiro, há 20 anos. O último, em 2007.
Para mim, nada do que tenham dito, escrito e assinado as citadas excelências para combater o holocausto brasileiro vale qualquer coisa perto da afirmação de Inês:
"A gente tem que se conformar, ficar calada."
Outra repórter, Adriana Carranca, foi ouvir Tim Cahill, o homem da Anistia Internacional para o Brasil. Diz ele:
"Um milhão de mortes em 30 anos é simplesmente inaceitável."
Errou. É aceitável, sim senhor.
Fosse inaceitável, os assassinados de hoje não seriam quatro vezes mais numerosos do que os de 1979.
Fosse inaceitável, a barbárie desses números ocuparia hoje toda a primeira página de um jornal como o Estado. Fosse inaceitável, um protesto jornalístico dessa envergadura não correria o risco de ser considerado um exagero

Exemplo de imprensa imparcial e apartidária

Um amigo do blog, estava assistindo, sábado à noite, o programa de análise política da GloboNews Fatos e Versões quando ouviu da boca da âncora, a jornalista Cristiana Lôbo, uma pergunta singela aos convidados: "como acham que o presidente Serra vai fazer no caso de...". Cristiana, que também é uma das "meninas do Jô", não chegou a completar a frase e tentou se corrigir, mas derrapou no segundo ato falho: "Ih, gente, olha eu já olhando lá na frente, no futuro..." Este blog concorda: se depender de certa parcela da mídia, não precisa nem chamar os 100 milhoes de eleitores brasileiros para votar em 2010.


E você pensava que era pegação do Paulo Henrique Amorim com o "presidente eleito"...

Notícia do Blog Entrelinhas.

Eugenia Reemergente

Estudo vai mapear cérebro de homicidas

RAFAEL GARCIA - Folha de S. Paulo (26/11/2007)

Projeto de universidades gaúchas examinará mais de 50 menores infratores para investigar base biológica da violência

Grupo vai analisar aspectos genético, psicológico, social e cerebral de adolescentes; secretário da Saúde do RS é um dos mentores do projeto

"Eu estava sozinho na rua. Não tinha recurso. Ninguém queria me dar serviço. O que queriam me dar não dava dinheiro. Comecei a traficar, roubar, matar." A história de D.S., de 17 anos, interno da Fase (Fundação de Atendimento Socio-Educativo, antiga Febem gaúcha) parece ser comum entre as dos mais de 50 adolescentes homicidas que vão ter seus cérebros mapeados por um aparelho de ressonância magnética num estudo em Porto Alegre, no ano que vem.
Cientistas da PUC-RS (Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul) e da UFRGS (Universidade Federal do RS) querem saber se o que determina o comportamento de um menor infrator é sua história de vida e se há algo físico no cérebro levando-o à agressividade.
"Algo que sempre foi negligenciado foi o entendimento da violência como aspecto de saúde pública", diz Jaderson da Costa, neurocientista da PUC-RS que coordenará os trabalhos de mapeamento cerebral. A idéia é entender quais pontos são mais relevantes dentro da realidade brasileira na hora de determinar como se produz uma mente criminosa.
Para isso serão avaliados também aspectos genéticos, neurológicos, psicológicos e sociais de cada pesquisado. Serão examinados dois grupos: um de internos da Fase e outro de meninos sem passado de crime, para efeito de comparação. O projeto vai olhar para questões sociais, mas o foco é mesmo o fundo biológico da questão.
"Estamos nos baseando em trabalhos que já existem mostrando que há um período crítico no início da vida e que se uma criança é maltratada entre o 8º e o 18º mês ela adquire comportamento alterado na idade adulta", diz um dos mentores do projeto, o secretário de Estado da Saúde do Rio Grande do Sul, Osmar Terra, aluno de mestrado de Costa. "Decidi no ano passado retomar a neurociência como uma opção de vida; minha opção não é fazer política até morrer", diz.

O texto continua no Olho-Dínamo.

190 Mil ricos detêm metade do PIB brasileiro

Em um ano, o Brasil elevou o número de milionários em 60 mil, segundo levantamento do BCG (The Boston Consulting Group). No ano passado, havia 190 mil milionários no país. Em 2006, eles eram 130 mil - expansão de 46,1%. A informação está na Folha, de ontem.

A fortuna desses milionários está estimada em aproximadamente US$ 675 bilhões, o que equivale a praticamente metade do PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro. Para o BCG, milionários são aqueles que têm mais de US$ 1 milhão aplicado no mercado financeiro. André Xavier, sócio-diretor do BCG no Brasil, diz que, para identificá-los, os especialistas entrevistaram gestores de fortunas de 111 instituições financeiras em 60 países.

Foi a primeira vez que uma equipe veio pessoalmente ao Brasil para fazer o levantamento."A concentração de riqueza no país é um fenômeno que está chamando a atenção dos bancos e dos gestores do mundo", diz Xavier, que monitora o comportamento dos endinheirados há cerca de sete anos.

Depois de cinco anos de lulismo no poder, já pode-se constatar, pois, o verdadeiro espetáculo do crescimento.... dos ricos.

Do Diário Gauche. O texto no Diário Gauche é ilustrado.

O dia em que o DEM denunciou o PIG

O dia em que o DEM denunciou o PIG


Gilson Caroni Filho (*)



Fonte:Agência Carta Maior

Bastou que seu projeto político fosse ameaçado pelo movimento de boicote ao IPTU, que uniu moradores de oito barros da Zona Sul, um da Zona Norte e um da Zona Oeste, para o prefeito do Rio de Janeiro, César Maia (DEM) admitir o que, até então, apenas setores das forças democráticas afirmavam explicitamente: a imprensa está estruturada como partido e atua com tal.

Embora com ingredientes folhetinescos, a trama que nos interessa envolve mídia e poder. A ação se passa em terras cariocas e seus protagonistas têm origens distintas e propósitos inconfessos. São dois aliados que, já algum tempo, trocavam escaramuças: a direção regional do DEM (PFL) e a TV Globo.

César Maia, dublé de regente de vaias e prefeito blogueiro, vinha acusando a emissora de promover uma campanha direcionada, com objetivos de atacar sua imagem pessoal junto à classe média, estrato que sempre lhe deu sustentação político-eleitoral. As queixas remontam à cobertura dada à intervenção que o governo federal fez na área de saúde, em março de 2005. Ano passado, Maia voltou a reclamar do foco dado ao tema favela. Segundo ele o alvo era sua administração.

Para ele, “a diversidade de matérias, de uso de imagens fortes com até fotomontagem na capa, o que não há caso no jornalismo internacional de ponta, a personalização de responsabilidade na figura do prefeito, exatamente quando a taxa de crescimento das favelas no Rio se aproxima da taxa de natalidade tinha por objetivo servir a uma campanha política e, portanto, destrutiva e criminalizar a população favelada".

Mas a gota d'água para “o imperador dos factóides” ainda estava por vir. O protesto, motivado pela situação calamitosa em que se encontra a cidade, e que pode comprometer 34% da arrecadação da prefeitura com o IPTU. Ameaçando só pagar em novembro ou dezembro, os representantes do movimento deixam claro seus objetivos: reduzir o caixa do município em ano eleitoral e chamar a atenção do Ministério Público quanto ao gasto dos recursos. Um ato público está marcado para domingo, dia 20, na orla do Leblon, bairro da Zona Sul.



O texto continua no Comunique-se.


segunda-feira, 21 de janeiro de 2008

Com a caveira no corpo ( O horror, o horror...)


Saiu no Blog Verbo Solto, do Luiz Weis, no Observatório da Imprensa:
Este, sabemos, é um blog de observação da imprensa. Mas, com perdão pela obviedade, todo olhar sobre a mídia é também um olhar sobre a realidade que ela retrata – exemplarmente, pavorosamente, ou qualquer coisa entre esses extremos.
Muitas vezes, pelo menos no meu caso, a crítica dos fatos emparelha com a apreciação do material jornalístico a seu respeito, quando não se lhe impõe pura e simplesmente.
É o caso do relato de Talita Figueiredo, no Estado de hoje, sobre as fantasias que “não param nas prateleiras” do comércio de carnaval, no Rio de Janeiro.
E quais são essas tão desejadas fantasias? As de policiais do Bope. E quem as procura? Crianças como Paula, 8 anos, neta do dono de uma loja do gênero. No ano passado, ela se vestiu de princesa. Neste, vai sair de short, colete com o símbolo da caveira, coldre e boina.
A fantasia é um hit, informa a reportagem. Fantasia, como em roupa de carnaval. Fantasia, como desejo de ser o que se veste. E hit, como em sucesso. Hit, como o tiro que acerta o alvo, num dos sentidos originais da palavra.
“Achamos que ia dar certo, mas não que ia vender tanto”. Comenta um comerciante. “Desde o início do mês, já quadrupliquei os pedidos.”
“Todas as variações que aqui chegam são vendidas rapidamente”, confirma outro.
Em algumas lojas, os vendedores já usam o colete. “Aqui, eu sou o capitão Nascimento”, se vangloria um deles.
Observação de mídia numa hora dessa? Só se for para agradecer à repórter do Estadão a amarga oportunidade de me fazer lembrar, pela enésima vez, da pergunta que fechava um artigo (já comentado aqui) do jornalista Alcino Leite Neto, da Folha, em março passado:
“É isto um país? É isto um povo?”

Salto mortal


O bicho deu um salto fora do normal. Quase quatro metros de altura. Escapou do "habitat" em que estava confinado no zoológico de São Francisco, matou o adolescente filho de uma brasileira e atacou os dois jovens que o acompanhavam.

A polícia levou 18 minutos entre a chamada de emergência e o momento em que enfrentou a tigresa Tatiana. Quatro policiais descarregaram as armas nela, alegando que Tatiana se preparava para atacá-los. É preciso dar um desconto aos americanos. Eles se dizem os mais preparados para lidar com emergências. Eu boto mais fé em um bombeiro brasileiro do que na SWAT americana. O fato é que a tigresa saltou 3,8 metros para sair do "habitat". Quem mandou colocar o bicho em um zoológico? Autoridades locais passaram a tentar culpar as vítimas, dizendo que o bicho teria sido "provocado". Mais uma vez, é coisa de americano
O fosso tinha 60 centímetros a menos do que o recomendado por especialistas em felinos. E, cá entre nós, qual é a de manter esses bichos selvagens enjaulados para a diversão dos humanos? Eu sou pela extinção dos zoológicos. Vocês sabiam que a vítima é filho de uma brasileira? Saiu aqui no Vi o Mundo.

Eleições Americanas: um ABC

Está precisando de informação sobre as eleições americanas? Não sabe – a exemplo de Reinaldo Azevedo – o que Barack Obama pensa sobre a guerra do Iraque? Está sem paciência de ler programas políticos? O Biscoito oferece o ABC das eleições americanas em pílulas rápidas e indolores. É só imaginar que se trata de uma eleição para o grêmio estudantil. Vamos lá.

Este texto continua, com, digamos, perfis, dos candidatos concorrentes, no Biscoito Fino e a Massa. Foi visto no Sítio do Sérgio Léo.

domingo, 20 de janeiro de 2008

Os partidos curiosos dos EUA

Os Republicanos são maus e os Democratas, bonzinhos; ou vice-versa, depende do gosto. O mundo todo conhece os dois partidos que tradicionalmente se revezam na presidência dos EUA. Mas, você sabia que lá existem mais de 50 partidos políticos ativos? Há desde os superconservadores (como o Christian Falangist Party of America) até os pró-legalização da maconha (como o U. S. Marijuana Party). Abaixo reunimos algumas curiosidades sobre esse monte de partidos que nós, cidadãos do mundo, desconhecemos totalmente:
Libertarian National Socialist Green Party - Isso mesmo, é um partido que atua pelo “nazismo ecologista libertário”, seja lá o que isso signifique.

Para ver outros partidos curiosos, continue lendo o Vejo tudo e não morro.

A Ameba Assassina

Ameba que ‘come’ cérebro mata seis nos EUA

http://g1.globo.com/Noticias/Ciencia/0,,MUL143513-5603,00.html

Parece ficção científica, mas é verdade: uma ameba assassina que vive em lagos, invade o corpo humano pelo nariz e ataca o cérebro, onde o devora até matar a pessoa infectada.

Embora os encontros com o microrganismo sejam muito raros, ele já matou seis meninos e rapazes nos Estados Unidos neste ano. O pico no número de casos tem preocupado agentes de saúde americanos, que estão prevendo mais casos no futuro. “É definitivamente um problema que temos de acompanhar”, diz Michael Beach, especialista dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDCs) dos EUA.

“É uma ameba que gosta de calor. Quanto mais a temperatura da água sobe, mais ela se desenvolve”, diz Beach. “Nas próximas décadas, com o aumento da temperatura, devemos esperar mais casos.” Segundo os CDCs, a ameba Naegleria fowleri matou 23 pessoas nos Estados Unidos entre 1995 e 2004. Neste ano, os seis casos ocorreram na Flórida, no Texas e no Arizona. Os CDCs têm conhecimento de apenas algumas centenas de casos no mundo todo desde a descoberta da ameba nos anos 1960.

No Arizona, David Evans diz que ninguém sabia que seu filho Aaron estava infectado até a morte do menino de 14 anos, que ocorreu em 17 de setembro. No começo, Aaron parecia ter uma simples dor de cabeça. Depois de vários testes, os médicos estimam que Aaron pegou o microrganismo uma semana antes, nadando nas águas rasas e quentes do lago Havasu — uma represa cheia de banhistas na fronteira entre o Arizona e a Califórnia.

O texto continua no Filósofo de Boteco.

sábado, 19 de janeiro de 2008

Fogo sobre o Camboja

O banco de dados, ainda incompleto (ele apresenta vários períodos “obscuros”), revela que, de 4 de outubro de 1965 a 15 de agosto de 1973, os Estados Unidos lançaram sobre o Camboja uma quantidade de bombas muito maior do que se estimava até agora: 2.756.941 toneladas, totalizando 230.516 surtidas sobre 113.716 locais. Mais de 10% desse bombardeio foi indiscriminado: 3.580 locais apresentavam alvos “desconhecidos” e 8.238, simplesmente não apresentavam alvos. O banco de dados revela, também, que o bombardeio começou durante a presidência de Lyndon Johnson e não de Richard Nixon – portanto, quatro anos antes do que geralmente se supunha.

O impacto do bombardeio, objeto de muita discussão nas últimas três décadas, mostra-se agora mais claro do que nunca. A matança de civis no Camboja jogou um povo exasperado nos braços de um movimento guerrilheiro que até então recebera um apoio relativamente limitado da população, provocando a expansão da guerra do Vietnã no interior do Camboja, um golpe de estado em 1970, a rápida ascensão do Khmer Vermelho e, em última instância, o genocídio cambojano.

O excerto acima é parte de texto do Le Monde Diplomatique, sobre os bombardeios dos Estados Unidos, no Camboja nas décadas de 1960 e 1970. Confira o texto completo no Le Monde Diplomatique Brasil.

Fazendo uma reportagem: FHC tem um filho fora do casamento?

"Explico então que estamos dando uma matéria que fala das relações do presidente Fernando Henrique com a mídia analisando o episódio do filho dele com a jornalista da Globo, Miriam Dutra, e acrescento que estou cumprindo minha obrigação como jornalista, já que a própria Miriam havia nos dito que procurássemos a pessoa pública dessa história. E explico: 'É por isso que preferia falar com a Ana Tavares pessoalmente, é um assunto delicado'. Ele responde, efusivo: 'Não, nem tem problema, essa história surge periodicamente desde 1983...' Pondero que em 1983 o garoto nem tinha nascido. Ele corrige: 'Não, 1993, desde que entrei aqui. Nós temos uma orientação sobre isso, mas nesse caso vou falar com o presidente e depois telefono para você', diz, simpático.

"Uma hora depois ele me liga, o tom de voz completamente mudado. Bastante seco, diz: 'Nós desconhecemos esse assunto'. Pergunto se essa é a resposta da assessoria ou do presidente. Ele: 'Não se pode falar com o presidente sobre esses assuntos através da assessoria porque a assessoria só trata de assuntos institucionais da presidência'. Pergunto então com quem devo falar para que minha pergunta chegue ao presidente. A resposta: 'Cabe a você, como repórter, encontrar uma maneira de falar com o presidente. Até logo'."


O texto acima é o final de uma longa narrativa em que a revista Caros Amigos narra sua busca sobre a possibilidade do ex-presidente ter um filho fora do casamento. O tema é requentado aqui pois este editor mesmo não conhecia a matéria original, que agora está integralmente republicada no saite do Luiz Carlos Azenha, o Vi o Mundo, que está remodelado.

sexta-feira, 18 de janeiro de 2008

Covardia merece nota

Anotem e divulguem esses nomes: Fernando Mattos Roiz Júnior e Luciano Filgueiras da Silva Monteiro. Os dois, e mais um menor de idade, são os covardes que saíram pelo Rio de Janeiro esvaziando extintores em prostitutas e travestis, o que quase cega uma desas pessoas. Cheguei a confundir neste post os sujeitos com outros moleques, aqueles que espancaram uma empregada em um ponto de ônibus e se defenderam dizendo que a confundiram com uma prostituta (a moça tem seqüelas até hoje). Era outros covardes; a quem leu a primeira versão do post peço desculpas pelo meu engano. O pai de um deles, retratados na foto acima, argumentou que estavam apenas brincando que não fizeram nada de mais.

O promotor do Ministério Público, estranhamente decidido a defender os interesses dos réus, e não da sociedade, pediu, e o juiz Joaquim Domingos de Almeida Neto, do 9º Juizado Especial Criminal, concordou em dar, censura aos jornais cariocas, que estão proibidos de publicar os nomes dos agressores, já condenados. Muito menos fotografá-los cumprindo medida punitiva, trabalhando como garis.

É perigoso isso, a perigosa tendência do Judiciário de assumir a função de censor no país.


segundo clichê: reescrevi o post depois de ver referências do Idelber Avelar à história, em que ele também trouxe o link de onde copiei a foto acima, do blogue Vejo Tudo e Não Morro. Respeito quem acha que a exposição dos caras é linchamento, mas discordo, como discordo da censura judiciária. Exibí-los é fazer uma coisa comum em cidades pequenas, e na velha Grécia, a execração pública de quem merece repúdio da sociedade, nesse caso, quem acha que só deve tratar como gente quem pertence ao mesmo grupo social.

Termina o sufoco da mídia oficialista guasca

(...)
Agora, ainda em dezembro, eu estava numa cidade do interior, na fronteira com o Uruguai, e abri o diário local onde encontrei, numa mesma edição, artigos e colunas dos seguintes personagens ilustres: jornalista Rogério Mendelski, deputado Frederico Antunes (PP), jornalista Affonso Ritter, jornalista Políbio Braga e outros menos votados, mas todos figurinhas carimbadas da direita maragata. Neste plano, fica muito difícil competir.

E depois ainda ouço alguns basbaques encheram a boca reclamando da necessidade de termos uma imprensa livre. Imprensa livre?

Confira o texto completo no Diário Gauche.

The People United Will Never Be Defeated

Os velhos Marxs, Karl e Groucho, assistem deliciados o que alguém já definiu como a luta entre capital e trabalho do século XXI, da Nova Era, do mundo movido pela produção intelectual. Por enquanto, só a cegueira dos jornalistas e economistas tradicionais explica que a greve dos roteiristas nos Estados Unidos seja assunto dos cadernos culturais, apenas. É uma das notícias econômicas mais importantes dessa virada de ano, que ameaça impor prejuízos milionários em um dois setores mais dinâmicos e importantes do PIB americano.

Uma coisa que ninguém explica por aqui, e não precisa explicar nos EUA, é como ninguém fura uma greve dessas, por que criadores renomados, estrelas de talk shows, não mandam os roteiristas para as cucuias e escrevem eles mesmos seus scripts, contratam algum talentoso escritos das centenas de universidades com cursos de creative writing nos Estados Unidos...

Um motivo é que os contratos milionários dos David Letterman da vida os desobrigam de inventar as piadas que dirão em público. O outro é que lá, na pátria do liberalismo, sindicato forte manda de verdade, e a grande mídia não se aventura a chamar de atraso e corporativismo a briga legítima pelos direitos do trabalho.

A história, dizia um sábio roteirista, se repete como farsa. Mas pode se repetir como comédia, drama, show de entrevistas, depende de quem se encarrega de escrever o roteiro.


CRÔNICA E IMAGENS DE UMA QUASE-TRAGÉDIA

O fotógrafo Leonardo Melgarejo faz o seguinte relato dos acontecimentos, ontem, no assentamento Nova Sarandi, quando a Secretaria de Segurança Pública do RS mobilizou um aparato de centenas de policiais para executar uma ação de busca e apreensão.


1 - Encontro Estadual do MST se realiza em assentamento muito bem sucedido, área federal desapropriada há cerca de 20 anos e cedida para as famílias ali estabelecidas, que ofereceram seu espaço, suas casas, para os cerca de 1500 participantes do evento.

2 - Um juiz estadual determina mandado de busca e apreensão para itens supostamente roubados por algumas pessoas que supostamente estariam participando do Encontro. Os itens incluem um anel de ouro, uma máquina fotográfica, R$ 200, um rádio de carro, entre outros. Merece destaque o fato de que estes itens são apresentados desta forma, que não permite sua identificação. Qualquer anel dourado, qualquer máquina, qualquer conjunto de notas e moedas somando R$ 200 se enquadram no rol de provas a serem buscadas.



A continuação do texto, e algumas imagens, da quase-tragédia é possível conferir no RS Urgente.

Fusão BrT/Oi será lesiva ao usuário de telefonia

O jornal Zero Hora, do grupo RBS, faz uma interpretação particular e tendenciosa do relatório de Aristóteles dos Santos, ouvidor da Anatel (ver post anterior). Afirmou em manchete hoje que o ouvidor é plenamente a favor da megafusão Brasil Telecom e Oi.

ZH, conseqüente com o mau jornalismo que pratica, distorce o pensamento do ouvidor. Todo o texto do relatório aponta duras críticas às privatizações das telecomunicações e ao fatiamento do antigo Sistema Telebrás, chegando a propor uma empresa nacional robusta (ele não chega a afirmar que essa empresa seria estatal, mas também não afirma que seja o resultado da fusão Oi/BrT) para reacomodar o setor em bases que convirjam mais com os interesses nacionais, com a pesquisa e a tecnologia brasileira. Se Aristóteles dos Santos passa o relatório inteiro criticando o monopólio regional das teles, como irá aceitar a fusão BrT/Oi, que constituirá não mais um monopólio regional, mas nacional?

O texto continua no Diário Gauche.

Pânico do momento



Do Kayser.

Privatização da CEEE?

A governadora do Rio Grande do Sul, Yeda Crusius (PSDB), está tentando negociar um acordo com o governo federal para privatizar a Companhia Estadual de Energia Elétrica (CEEE), afirma o site Relatório Reservado, em seu boletim para assinantes de 9 de janeiro de 2008. A operação, caso tivesse o aval da União, envolveria diretamente a Eletrobrás e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Yeda quer que o banco financie o comprador da empresa gaúcha, através de uma linha de crédito de até 40% do valor a ser pago pela mesma. Além disso, segundo a mesma fonte, Yeda tenta arrancar da Eletrobrás, dona de 32% da CEEE, a garantia de permanência no capital da companhia mesmo após o leilão. A presença da Eletrobrás no negócio é considerada fundamental por Yeda para atrair os investidores privados, pela possibilidade de ter ao lado um parceiro forte.

Yeda, diz ainda a publicação, quer enterrar o antigo modelo de venda da CEEE (formatado durante o governo Britto), que prevê apenas a venda dos ativos em geração e transmissão. A meta seria a venda do controle de toda a empresa. A governadora tucana estima que a operação poderia render entre R$ 4 e R$ 5 bilhões. A venda da CEEE abriria as portas, afirma o Relatório Reservado, para outras privatizações, como a Companhia Riograndense de Saneamento (Corsan) e da Sulgás. Para Yeda, a participação do BNDES e da Eletrobrás na privatização seria um importante trunfo político. Assim, ela constrangeria a oposição na Assembléia Legislativa, especialmente o PT. Durante a campanha eleitoral, não custa lembrar, Yeda garantiu que não privatizaria nenhuma empresa em seu governo.

Está escrito aqui.

Operação de Guerra na Fazenda Anoni

A Secretaria de Segurança Pública do Rio Grande do Sul montou uma operação de guerra, nesta quinta-feira, para vistoriar o assentamento Nova Sarandi (antiga Fazenda Anoni), em busca de objetos que, supostamente, teriam sido roubados na Fazenda Coqueiros. A ação mobilizou cerca de 700 agentes da Polícia Civil, Polícia Federal e Brigada Militar. O resultado da operação foi a apreensão de uma foice e de alguns pedaços de madeira. O secretário de Segurança, José Francisco Mallmann (foto), descumpriu o acordo que havia sido firmado entre MST, Polícia Civil, Ouvidoria da Segurança Pública e 2ª Vara Cível da Justiça de Carazinho, que previa a saída dos ônibus do assentamento para vistoria, sem a necessidade da entrada da polícia. Segundo o MST, Mallmann teria colocado o cargo à disposição caso o governo do Estado desistisse de entrar no assentamento com os policiais. Entrou e não achou nada.

Antes dessa decisão, protestou o MST, Mallmann havia se comprometido a retirar a Brigada Militar do local e respeitar as negociações em andamento. Claudir Gaiado, integrante da coordenação estadual do MST e assentado na fazendo há 20 anos, criticou a postura do secretário. “A decisão do secretário de segurança Mallmann demonstra falta de diálogo e intolerância, desrespeitando um acordo firmado entre as partes que evitaria um massacre. Defendemos que ele abandone o cargo por não ter condições de tratar de questões sociais”. O MST realiza no assentamento o 24° Encontro Estadual, com a participação de 1.200 militantes de várias regiões no Estado. A polícia acusou os sem-terra de roubar um rádio de carro, um anel, uma máquina fotográfica e R$ 200,00 da fazenda Coqueiros, durante a ocupação realizada esta semana. Segundo o MST, a acusação é pura perseguição política.


Notícia do RS Urgente.

Brasil Telecom - OI

Para outro texto do Paulo Henrique Amorim sobre este assunto, clique aqui.

Brasil Telecom - OI: A inépcia do Globo e do Estadão

"BrOi": A INÉPCIA DO GLOBO E DO ESTADÃO

Paulo Henrique Amorim

Máximas e Mínimas 877

. O Conversa Afiada insiste em que o PIG é um conjunto de jornais e revistas de baixíssima qualidade técnica.

. É um partido político e, como órgãos de imprensa, não passa de um ajuntamento que se deposita abaixo do pré-sal.

. Só serve como partido político.

. Para informar, mesmo que para defender seus interesses (frequentemente subalternos), não presta.

. Veja o episódio da “BrOi”.

. O editorial do Globo de ontem, “Passo em falso” (clique aqui para ler na página 6), e do Estadão de hoje, quinta-feira, dia 17, “Retrocesso na telefonia” (clique aqui para ler), são dois exemplos exuberantes de inépcia.

. Diz o Globo: “Pratica-se assim (com a ‘BrOi’) uma política de reserva de mercado inspirada no modelo intervencionista estatal da ditadura militar (que os Marinho defenderam com unhas, dentes e verba publicitária das empresas estatais da ditadura militar - PHA)...”

. Diz ainda o Globo, esse paladino das nobres causas: “Há quem vislumbre (quem ? – PHA) por trás da operação a tentativa de criação de uma paraestatal...”

. Diz o Estadão de hoje: “O que as declarações das autoridades mostram (quais ? nenhuma autoridade falou até agora – PHA) é que o Governo está intervindo na questão por razões (olha a cacofonia, amigo editorialista ! – PHA) ideológicas...”

. “Tudo indica que o que move o Governo” – continua o Estadão – “é o desejo de ampliar a participação estatal ... Isso é um retrocesso”.

. O mais interessante na argumentação do Estadão é que, à falta absoluta de informações confiáveis, o Estadão recorre à Folha - o jornal com que concorre em São Paulo: “Fortalece a tese de que as razões são ideológicas a notícia publicada pela Folha de S. Paulo (!!! – PHA) segundo a qual, no acordo dos três principais futuros acionistas ... o Governo terá uma cláusula de proteção para garantir o controle nacional sobre ela.”

. Ou seja, a Folha se transformou de pleno direito no órgão oficial da “BrOi”.

Este texto continua no Conversa Afiada, do Paulo Henrique Amorim.

Maia Denuncia o Globo

MAIA DENUNCIA O GLOBO

Paulo Henrique Amorim

Máximas e Mínimas 874

. O carioca já sabe há muito tempo que as Organizações (?) Globo são um partido político.

. Agora, um político tem a coragem de denunciar O GLOBO.

. Leonel Brizola foi o primeiro político carioca a mostrar que os Marinho não passam de uma organização de interesses comerciais que se valem de um sistema industrial de comunicação para atingir seus objetivos.

. O Globo tomou a dianteira para boicotar o pagamento de impostos municipais no Rio – o que, se der certo, terá a função de desestabilizar a administração da cidade.

. A principal razão disso é que os Marinho querem – como nos bons tempos de Carlos Lacerda – remover (ou, de preferência, botar fogo) nas favelas.

. E o prefeito Cesar Maia não quer.

. Veja o que diz Cesar Maia, em seu “ex-blog”.


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Ex-Blog do Cesar Maia 17/01/2008
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CAMPANHA DIRECIONADA!

1. Uns dias atrás, este Ex-Blog, publicou uma análise sobre campanhas na imprensa. E destacou um dos três vetores citados: a campanha direcionada, lembrando que era sempre destrutiva. E demonstrou que o jornal O Globo faz descaradamente uma campanha direcionada contra o prefeito do Rio Uma campanha muito parecida com o que a Tribuna da Imprensa fazia nos anos 50, com o mesmo DNA.

2. Os estudiosos dizem que a "doença infantil do jornalismo" é não entender qual seu campo de atuação e sua função, e atuar como um partido político. Ou seja, disputando poder pelo poder, apoiando ou denegrindo. O Globo atua como um partido político no Rio. Não aceita um governante com autonomia e independência. Gosta de governantes submissos, reativos à suas matérias, que se sentem à mesa com intimidade.

3. Não conformado com a histórica vitória nas eleições para prefeito em 2004, iniciou uma campanha direcionada contra o prefeito do Rio. Apoiou com pompas e circunstâncias a intervenção inconstitucional na saúde do Rio, derrubada pelo STF por unanimidade. Iniciou uma campanha com direito a selo -ilegal e daí. Multiplicou, com outra campanha sobre favelização, depois desmoralizada pelas fotos e pelos fatos. Deu início, e depois multiplicou a campanha contra o pagamento do IPTU. Hoje -meio envergonhado- fez um mini-editorialzinho dizendo que apóia não se pagar IPTU, e que é uma campanha válida. Abriu o jogo descaradamente.

4. Esse jogo tem um preço alto para o Rio. O Globo virou um tablóide regional "vespertino" no tradicional estilo das manchetadas dos anos 50. Ontem enquanto os jornais de alcance nacional abriam manchete sobre a crise econômica e a queda das bolsas, o Globo tratava de fazer piada e ironia com uma proposta de aqueduto, dando toda a página três para isso.

5. O Rio não tem mais um jornal de opinião nacional. Pesquisa feita uns meses atrás com altos executivos e dirigentes políticos, não moradores do Rio, mostrou que nenhum -nenhum deles- lia o Globo nos finais de semana. Um preço alto para o Rio que sempre teve -desde D. João- uma imprensa referência de nível nacional. A atual direção transformou um trabalho de décadas de seus fundadores, num tablóide populista desorientando a classe média. Como a matriz citada. Só que agora há um universo de vetores informacionais, que tira este poder dos que, ingenuamente querem ser... mais um partido político.

4. Mais uma campanha, que passará, num jogo -desesperado e destrutivo- de tentativa e erro. Qual será a próxima campanha do Globo contra o prefeito do Rio? Na verdade: qual será a próxima campanha do Globo contra si mesmo, contra a sua história, contra o jornalismo????

Texto do Conversa Afiada, do Paulo Henrique Amorim.

Associação de Juízes diz que Requião debocha da Justiça

Requião "debocha" da Justiça, diz associação

Juízes criticam protesto do governador do PR contra decisão que o proibiu de usar TV Educativa para ataques

DIMITRI DO VALLE
DA AGÊNCIA FOLHA, EM CURITIBA

O protesto do governador do Paraná, Roberto Requião (PMDB), contra decisão judicial que o proibiu de usar a TV Educativa para atacar adversários e instituições provocou reação da Ajufe (Associação dos Juízes Federais do Brasil).
Em nota, a Ajufe afirma que a atitude de Requião "debocha e desrespeita acintosamente as decisões judiciais". Diz ainda que o peemedebista "maltrata o regime democrático".
Anteontem, para protestar contra o juiz federal que atendeu pedido da Procuradoria e o proibiu de atacar adversários pela TV Educativa do Paraná, Requião cortou sua própria voz no programa "Escola de Governo", reunião semanal transmitida pela emissora para anúncio de obras e projetos. Quando Requião se manifestava, o som era cortado e aparecia uma tarja com a palavra "censurado".
A exibição associava o silêncio de Requião à decisão do juiz Edgard Lippmann Júnior, do TRF-4 (Tribunal Regional Federal da 4ª Região). Informava ainda que a fala do governador poderia ser acompanhada na emissora Canal 21, do empresário Luiz Mussi, secretário especial do governo paranaense.
A nota da Ajufe é assinada pelo presidente, Walter Nunes da Silva. "Quando um governador debocha e desrespeita acintosamente as decisões judiciais, dá a todas as pessoas contrariadas pelos juízes a legitimação de agirem de modo similar."
O porta-voz do governo do Paraná, Benedito Pires, disse que Requião estava em viagem e não havia sido localizado
Luiz Mussi disse que vai manter em sua emissora, de sinal aberto, o programa "Escola de Governo", retransmitido no canal desde 2003. "Apoiamos o protesto do governador porque ele é um defensor do interesse público", afirmou Mussi.

Texto da Folha de São Paulo, de 17/01/2008 (para assinantes).

Um comentário: o governador está agindo conforme decisão judicial. Se ele não pode "atacar adversários", o que será que ele poderá falar, sem que seus adversários se sintam "atacados"?

quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

Programa de retorno beneficia brasileiros ilegais na UE

A Organização Internacional para Migrações (OIM) realiza, até maio de 2009, o primeiro programa de retorno voluntário exclusivo para imigrantes brasileiros, direcionado aos que residem ilegalmente na Bélgica, Portugal e Irlanda.
O programa oferece ajuda logística e financeira aos que pretendem voltar ao Brasil.
Pascal Reyntjens, coordenador do projeto, disse à BBC Brasil que a decisão de lançar um programa específico para brasileiros nesses países é resultado do aumento da procura por ajuda.

Somente em 2006, o programa geral de retorno voluntário da OIM, chamado REAB, beneficiou 1.325 brasileiros na Europa, dos quais 796 apenas em Portugal, na Irlanda e Bélgica.
Os dados apontam ainda que, até outubro de 2007, esse número chegava a 602 apenas na Bélgica, a maioria vinda de Goiânia, em Goiás, e Uberlândia, em Minas Gerais.

É realmente incrível. Um programa para lidar com imigrantes, sem ser o tradicional prende e deporta.

Ministério Público quer fechamento do MASP

O Ministério Público de São Paulo entrou com uma ação civil pública pedindo à Justiça o fechamento do Masp (Museu de Arte de São Paulo) por conta da ausência de alvarás de funcionamento e atestado de vistoria do Corpo de Bombeiros. De acordo com a ação, há "risco iminente à vida e à saúde dos freqüentadores do museu, bem como ao inigualável patrimônio histórico e cultural que representa o acervo da instituição".

Confira o texto completo nas Últimas Notícias do UOL.


quarta-feira, 16 de janeiro de 2008

Meu herói

Requião faz cena em TV para criticar Justiça .

Governador corta sua própria voz em programa de canal estatal em protesto à decisão judicial que o proíbe de fazer promoção pessoal. Juiz federal diz que só tenta vetar mau uso da emissora e que não se trata de censura; telespectador era conduzido a canal de secretário do PR.

Para protestar contra o juiz federal que o proibiu de atacar adversários pela TV Educativa do Paraná, o governador Roberto Requião (PMDB) cortou sua própria voz no programa "Escola de Governo", uma reunião semanal transmitida pela emissora para anúncio de obras e projetos das secretarias estaduais. Quando Requião se manifestava, o som era cortado e uma tarja com a palavra "censurado" era colocada na tela.Foi a primeira exibição do programa desde que o juiz Edgard Lippmann Júnior, do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, atendeu na semana passada parte de um recurso da Procuradoria em Curitiba, que acusa Requião de usar a TV estatal para promoção pessoal e ataques a adversários, mídia, juízes e Ministério Público. O juiz proibiu as críticas, mas não suspendeu o programa, como pedia a Procuradoria.Na exibição, além da tarja, uma mensagem associava o silêncio de Requião à decisão do juiz e avisava que o pronunciamento poderia ser acompanhado sem cortes de áudio na emissora Canal 21, do empresário Luiz Mussi, secretário especial do governo. Procurado pela Folha, Mussi não ligou de volta.O programa começou ontem com depoimentos gravados em solidariedade ao governador e de repúdio à ordem judicial.Entre os que criticaram a decisão, estavam o senador Pedro Simon (PMDB-RS); o líder do MST João Pedro Stédile; o ex-assessor do presidente Lula Frei Betto; e os presidentes da Fenaj (Federação Nacional dos Jornalistas), Sergio Murillo de Andrade, e da ABI (Associação Brasileira de Imprensa), Maurício Azêdo."A censura é uma prática abominável que tivemos nos 21 anos de ditadura militar", afirmou Frei Betto.Ao final das declarações, Requião foi anunciado para falar. Enquanto as câmeras o mostravam conversando com a platéia, o som era cortado e aparecia a mensagem de censura. O áudio voltava quando os secretários iam a um púlpito falar sobre suas pastas. Quando Requião conversava com eles, o som era interrompido de novo.Em entrevista, o governador criticou o Judiciário. "Querem me transformar num divulgador de receitas de bolo, como aconteceu na ditadura", disse, numa referência à publicação de receitas pelo jornal "O Estado de S. Paulo" em protesto pelas notícias retiradas pelos censores do regime.Outro ladoO juiz Edgard Lippmann Júnior disse à rádio CBN que sua decisão não impede Requião de falar. "O que fizemos no processo foi vedar o mau uso da TV Educativa. Nunca impedi o governador de falar." Procurado pela Folha, ele afirmou que não daria mais entrevistas.O juiz disse que vai aguardar manifestação do Ministério Público para analisar se o teor do programa de ontem extrapolou a determinação judicial. "Se ficar caracterizado que isso se constitui numa afronta, vai ser analisado por mim, porque já existe uma multa prevista [de R$ 50 mil por cada agressão]", disse Lippmann Júnior.O juiz disse lamentar críticas de Requião sobre a decisão. Ele afirmou que recusa o convite feito pelo governador do Paraná para debater a decisão no programa.
Deu na FSP

Cai a máscara

Agora começa a agir a Monsanto provando o que muitos já diziam. Como praticamente toda a soja, ou grande maioria da soja, plantada no estado é transgênica e contrabandeada da Argentina, o mercado se tornou cativo. A multinacional fez vista grossa para a "importação" brasileira para dominar o mercado. No momento que praticamente inexiste semente orgânica à disposição dos agricultores, o preço do Glifosato sobe e muito (46,2%).
Para quem não sabe, a soja transgênica é a alteração genética do soja para que se torne resistente a um tipo de herbicida fabricado pela Monsanto, o Glifosato. Pela lei, plantar soja da Monsanto exige pagamento de direitos. Trata-se de uma "propriedade" da multinacional, como a origem da semente é ilegal, à rigor não há cobrança por enquanto. Sem os direitos de "sua" semente o Glifosato sobe seus preços para o espaço.
Agora, a soja trangênica torna-se mais barata, mas não há mais como reverter o plantio a curto prazo. Ganha a multinacional e perdem os produtores enganados por uma multinacional inescrupulosa acompanhada por lideranças rurais venais, idiotas e entreguistas.(leia aqui)

Texto do Agente 65.