
A história não permite incluir no âmbito da mera
coincidência a decisão do relator Joaquim Barbosa de calibrar o
julgamento do chamado do mensalão, de modo a levar a discussão sobre o
ex-ministro José Dirceu à boca da urna, nas eleições de 7 e 28 de
outubro próximo.
Ao fazê-lo, o relator abastece a cartucheira
conservadora com mais uma daquelas balas de prata de que se vale
frequentemente a direita brasileira quando parte para o tudo ou nada,
sem deixar tempo ao adversário ou ao eleitor para reagir.
O conservadorismo sempre teve um aliado canino nesses botes. Agora pelo jeito tem dois.
O
parceiro tradicional é a cobertura esperta da mídia 'isenta', que
nunca sonegou a essa tocaia o amparo 'factual' que a legitima, e mais
que isso, inocenta o capanga e criminaliza o alvo.
O rito
sumário na boca da urna é uma das especialidades eleitorais desse
jornalismo. À s vezes só há tempo para um jogo de fotos. Nisso também
eles são bons .
Quem não se lembra de um clássico do gênero, a edição da Folha de 30 de
setembro de 2006, véspera do 1º turno da eleição presidencial daquele
ano?
Um jato da Gol havia se chocado com outro avião no ar.
Morreriam 155 pessoas. A tragédia, de longe, era o destaque do dia. Mas
a Folha, a mesma que agora coloca na boca de Haddad a frase que ele
nunca disse ('é degradante me associar a Dirceu..'), montou também uma
'pegadinha' nesse dia sombrio.
Virou um 'case' do jornalismo meliante.
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