terça-feira, 11 de dezembro de 2007

O Jardim do Vizinho

(...)

Quando morei na Argentina, realizei entrevistas com pessoas que haviam ocupado cargos de ministros, embaixadores e outras altas posições numa série de governos do país vizinho, em particular o período de Carlos Menem (1989-1999). Todos me diziam a mesma coisa: a de que o Brasil estava no caminho de se transformar numa grande potência, porque havia feito as escolhas corretas e perseguido políticas públicas coerentes, em particular nas áreas do desenvolvimento econômico e da política externa. Em contraste, criticavam a Argentina por sua extrema instabilidade e pelas constantes mudanças de rumo.

A comparação não é novidade para os especialistas na comparação entre os dois países. A quem se interessa pelo assunto, recomendo o soberbo livro "Ideas and Institutions: developmentalism in Brazil and Argentina", da minha querida mestra Katryn Sikkink, que aliás conheci em Buenos Aires. O início é uma obra-prima: a autora comenta a visita que fez ao Memorial JK em Brasília (que ela compara ao túmulo de Napoleão) com sua experiência de pesquisa no modesto centro de estudos dedicado a Arturo Frondizi. O ex-presidente argentino entre 1958-1962 teve programa muito semelhante ao nosso Juscelino, mas foi derrubado por um golpe militar ao qual se seguiram anos de turbulência e crise.

O que deu certo no Brasil? Basicamente, aqui houve desde a Revolução de 1930 um esforço consciente em criar uma elite no funcionalismo público dedicada aos temas econômicos mais importantes. Começou de maneira hesitante com o DASP e depois resultou na criação da Petrobras, do BNDES, e no fortalecimento do processo de treinamento nas Forças Armadas, no Ministério da Fazenda e no Itamaraty. Esse corpo permanente de tecnocratas manteve um alto grau de continuidade, mesmo nas transições (sempre muito negociadas) entre democracias e ditadura.

No fim dos anos 1950 o PIB do Brasil era apenas levemente superior ao da Argentina. Hoje, é cerca de quatro vezes maior. O crescimento da economia brasileira foi acelerado e constante, enquanto a Argentina seguiu um ciclo instável de stop-and-go, muito motivado por suas repetidas crises políticas. Afinal, foram 6 golpes militares entre 1930 e 1976, fora diversas insurreições mal-sucedidadas, guerrilhas, a guerra das Malvinas e a quase-guerra com o Chile. Não há prosperidade que resista. Alguns falam do "milagre do sudesenvolvimento argentino" e a maioria trata com nostalgia da era de ouro do início do século XX, quando a renda per capita do país era mais alta do que a da Espanha ou a da Itália. O célebre economista sueco Gunnar Myrdal chegou a dizer que só existiam quatro tipos de países: desenvolvidos, em desenvolvimento, Japão e Argentina.

Este é um trecho. O texto completo em Todos os Fogos o Fogo.
E a propósito, o texto do La Nación, pode ser encontrado aqui.

O Brasil visto da Argentina

Na Argentina, o diário La Nación diz a respeito do Brasil:

É a décima maior economia do mundo;

Maneja 40% do mercado de carnes do mundial;

É a oitava bolsa de valores por volume, tendo crescido 1.600% nos últimos cinco anos;

As exportações – 137 bilhões de dólares – dobraram em quatro anos.

E, por fim, a comparação que deixa os argentinos danados:

Nos anos 1940, o PIB de toda América Latina era igual ao argentino; hoje, o Brasil tem o tamanho de quatro Argentinas.

(Há de ser bom mesmo viver num país destes.)

Mas, no fim, como sugere à repórter Florência Carbone um de seus entrevistados, em meados dos anos 1990, só se falava do modelo chileno; pouco depois, vitorioso era o modelo argentino. Agora é a vez do Brasil. O quanto isto vale de fato? E, se vale, perguntam-se os jornalistas nossos vizinhos: qual o segredo do Brasil? A série inclui três artigos e uma reportagem.

Algumas coisas – a auto-suficiência em petróleo, por exemplo – é trabalho sólido. A Petrobras vem investindo há muitos anos, já, em tecnologia de extração. Some-se a alta dos preços do barril, que faz compensar a retirada de petróleo a grandes profundidades, e o investimento compensa.

O La Nación destaca também que aos oito anos do governo FHC seguem-se mais oito de Lula que, embora vindos de grupos de oposição um ao outro, dão seqüência ao mesmo jogo de políticas públicas. Há continuidade de governança. A política externa do atual governo também recebe elogios do principal jornal conservador argentino.

Daí, seguem-se fatores que os argentinos não podem controlar: o Brasil tem quatro vezes mais terra e uma população cinco vezes maior. Tem recursos minerais, do ferro ao carvão. Ajuda um bocado no processo de industrialização. Mas o momento chave em que, o jornal considera, Brasil e Argentina se separaram de vez faz muito tempo: a década de 1940. À época, quando o país deles era um riquíssimo agroexportador, os interesses do setor não permitiram o desenvolvimento de um parque industrial. Foi exatamente o que o Brasil fez. Desde então, a Argentina empobreceu e o Brasil enriqueceu.



O texto segue no Weblog do Pedro Dória.

segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

Brasil é colônia digital e Microsoft atua no país "como um traficante"

VI O MUNDO:

Linux, Firefox, GNU, código-fonte - você não gostaria de saber do que se trata para poder entender a próxima conversa que ouvir a respeito? O assunto é muito importante para que você fique na ignorância. Estamos falando em liberdade de criação e difusão de conhecimento. Por isso, fique frio. A entrevista que fiz com um jovem empresário brasileiro, o Kauê Linden, tem exatamente esse objetivo: o de fazer com que você entenda o básico.

Os gurus Stallman e MadDog têm milhares de seguidores em todo o mundo. Gente que acredita no software livre. Que diabo é isso? Por comparação: o Windows, do Bill Gates, você compra na loja ou já vem instalado em seu computador. Você aprende a mexer com ele, se acostuma e fica "viciado". Mas, se quiser, não pode mexer nele. Está sentindo o sapato apertado? Vai morrer com ele no pé.

CLIQUE NO TÍTULO.

domingo, 9 de dezembro de 2007

Do Blog Entrelinhas: Dica de leitura no Estadão de hoje

Vale a pena ler a entrevista abaixo, do historiador Carlos Guilherme Mota, publicada neste domingo pelo jornal O Estado de S. Paulo. É uma análise vigorosa.

Você também está atrás das grades

Fred Melo Paiva

No final dos anos 70, Carlos Guilherme Mota costumava receber em sua casa a visita do também historiador Caio Prado Júnior. Tomavam vinho juntos. Caio Prado gostava dos chilenos da marca Concha y Toro. Carlos Guilherme gostava de Caio Prado - sentia-se visitado pela versão brasileira de um Eric Hobsbawm. Diante do grande mestre, tentava extrair dele “umas cinco frases para repassar aos seus filhos e alunos”. Certa vez, foi direto ao ponto: “Professor, qual é a sua mensagem? O que o senhor me diz sobre a história do Brasil?”. Caio Prado Júnior respondeu: “O Brasil é muito atrasado”. Carlos Guilherme Mota achou a frase “um pouco pobre”. Insistiu: “Mas como assim?”. O Caio: “Muito atrasado. Muito”. Carlos Guilherme deixou pra lá.

“Historiador das idéias”, Carlos Guilherme Santos Serôa da Mota é professor titular de história da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade São Paulo (FFLCH-USP) e da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Presbiteriana Mackenzie. Foi diretor-fundador do Instituto de Estudos Avançados da USP. É pesquisador da Escola de Direito da Fundação Getúlio Vargas. Autor, entre outros, de Ideologia da Cultura Brasileira (Editora 34), prepara-se para o lançamento de História do Brasil - Uma Interpretação (Senac), escrito em parceria com sua mulher, a historiadora Adriana Lopez.

Na semana que passou, Carlos Guilherme Mota lembrou-se muito da frase de Caio Prado Júnior. E à luz dessa lembrança, ele concedeu ao Aliás a entrevista que segue:

A história do sistema prisional no Brasil é uma seqüência de atos de barbárie?

Quando houve a Inconfidência Mineira, ou mesmo a Revolta dos Alfaiates, as condições carcerárias eram miseráveis. Há descrições disso. E olha que foram presos ouvidor, desembargador, advogado. Tem-se a idéia de que (o jurista e poeta luso-brasileiro) Cláudio Manuel da Costa não teria suportado a situação e cometido suicídio. Mais adiante, em 1817, revolucionários do Nordeste foram presos na Bahia, entre eles Antônio Carlos de Andrada, irmão de José Bonifácio, e o clérigo Francisco Muniz Tavares. Eram pessoas, digamos, de alto coturno, tiveram alguns privilégios. Ainda assim seus testemunhos do cárcere são um horror. Durante todo o século 19 as condições são, sim, de barbárie. Não há a idéia de cidadania como a temos hoje, nem minimamente. Nos anos 1920 e 1930, comunistas e anarquistas eram recolhidos em presídios como o famoso Maria Zélia, no bairro da Liberdade, em São Paulo. Ficavam confinados em solitárias com água pingando na cabeça. Imperava por aqui - e de alguma forma ainda impera - a lei da fazenda: se você fez alguma coisa errada, mando um capanga te pegar. Se você é um criminoso, significa que pode ser morto. É por isso que, risonhamente, diz-se que a única contribuição que o Brasil deu para a república no mundo foi a tocaia. Aqui sempre houve exímios matadores.


A entrevista continua no Blog Entrelinhas.


Chávezwood

Meu amigo Leonardo me chamou a atenção para reportagem na BBC sobre a Villa del Cine, o estúdio de cinema criado por Chávez para produzir filmes sobre a América Latina. A produção de estréia é “Miranda Regresa”, sobre uma das mais extraordinárias personalidades da história do continente: Francisco de Miranda, um dos grandes precursores da independência dos países sul-americanos. Intelectual iluminista, conspirador liberal, mulherengo, aventureiro. Napoleão o comparou a Dom Quixote, a imperatriz Catarina da Rússia o tomou como amante, San Martin, Danton, Alexander Hamilton e Thomas Paine foram seus amigos. Lutou pela Espanha contra os mouros na África e os ingleses no Caribe, foi marechal dos exércitos da Revolução Francesa, voltou à América e serviu como general junto a Bolívar. As fotos que ilustram os posts são do filme.

O que nós, brasileiros, sabemos sobre uma vida tão fantástica?

Nada.

O outro projeto da Viila del Cine também promete: uma biografia de Toussaint L´Ouverture, dirigida pelo ator americano Danny Glover. O astro de máquina mortífera tem compromisso na luta anti-racismo, que se traduziu em filmes sobre o apartheid. Natural que queria filmar a vida de um líderes da revolta negra no Haiti – que já rendeu o belíssimo romance “O Reino Deste Mundo”, do cubano Alejo Carpentier e o poema de Aimé Cesaire. Chávez deu US$18 milhões a Glover para o filme – o dinheiro veio da venda de títulos da dívida externa argentina, que o presidente comprou para ajudar aquele país no momento da renegociação do débito.

E de Bolívar, nada? Claro que sim. Também há o projeto de adaptar o romance de Garcia Márquez sobre os amargos dias finais do Libertador, “O General em seu Labirinto”.

Convenhamos: vocês conhecem outra produtora de cinema que tenha um catálogo tão apetitoso de projetos em andamento? A "Lulawood" da Petrobras e do BNDES andam mais ocupados financiando pastiches das novelas da Globo e o próximo melodrama envolvendo apresentadoras de programas infantis, duendes, golfinhos ou outra experiência destinada a provar a inexistência de cérebros nas platéias brasileiras.


O texto, bem interessante, continua em Todos os Fogos o Fogo.

Adam Freeland: We Want Your Soul



Da BlipTV, visto na Periferia do Império.

sábado, 8 de dezembro de 2007

Prá quem acha que riqueza é sinônimo de honestidade

Matéria de hoje da Agência Brasil apresenta pesquisa que prova que a "classe social que proporcionalmente mais alimenta o mercado de produtos falsificados é justamente a dos ricos, que teria condições financeiras para comprar artigos originais. Por causa das falsificações, o Brasil deixa de arrecadar R$ 20,2 bilhões por ano em impostos com a pirataria praticada em apenas três setores da economia: roupas, tênis e brinquedos." A instituição promotora da pesquisa foi a Câmara de Comércio dos Estados Unidos. Mais um preconceito que cai... Como empresários reclamam da pirataria, como endinheirados compram seus produtos. A hipocrisia é a matéria de que é feito o caráter da elite econômica brasileira...

O texto continua na Paidéia Gaúcha.

Lojas Riachuelo: peguem a negra e revistem!

"As Lojas Riachuelo deverão pagar R$ 30 mil de indenização por danos morais a uma consumidora acusada injustamente de furto. Abordada por policiais quando saía da loja, foi levada para o interior do estabelecimento e teve seus pertences revistados de forma constrangedora.

A decisão é da juíza Ester Belém Nunes Dias, da 1ª Vara Cível da Comarca da Várzea Grande (MT).

O texto continua na Periferia do Império.

sexta-feira, 7 de dezembro de 2007

Fantástica festa de fim de ano do Procon bancada pela Telefônica!

BLUE BUS:

Blue Bus pediu ontem histórias fantásticas de festas de fim de ano do escritório. Pois bem, a matéria do repórter Márcio Pinho, na Folha de S Paulo de hoje, mostra a maior festa de horror que já tive notícia.

A festa de fim de ano do Procon foi bancada pela Telefônica, com distribuiçao de brindes e presentinhos. Acontece que a Telefônica é a empresa que mais reclamaçoes tem no próprio Procon, é a líder do ranking. Eles até arrumaram uma desculpa, dizendo que era um almoço de aproximaçao para a resoluçao das pendências, mas distribuiram DVDs, telefones sem fio, pen drives, relógios, telefones, etc...

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Senado aprova projeto que torna obrigatório ensino de música na educação básica

A Comissão de Educação (CE) aprovou nesta terça-feira (4), por unanimidade e em decisão terminativa, projeto de lei que torna obrigatório o ensino de música nas escolas da educação básica. A proposta, de autoria da senadora Roseana Sarney (PMDB-MA), altera a Lei de Diretrizes e Bases da Educação - LDB (Lei 9.394/96) - para incluir a música como conteúdo do ensino de Artes. Na abertura da reunião, 80 músicos cantaram na sala da comissão. Eles representavam entidades musicais de Brasília, São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

De acordo com a proposta (PLS 330/06), o ensino de música deverá ser ministrado por professores com formação específica na área. As escolas, determina ainda o projeto, terão três anos letivos para se adaptarem às mudanças.

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Dando Voz ao Outro Lado: Entrevista com Comandante das FARC

Ana Catarina - As FARC são apresentadas, nomeadamente na Europa, como guerrilha terrorista e os seus dirigentes acusados de envolvimento no narcotráfico. O tema dos sequestros é muito utilizado nas campanhas contra vocês. A sua manipulação é tão eficaz que conduz à dúvida, inclusive, pessoas progressistas. O que tem a dizer sobre o assunto?
Juan Leonel - Na nossa história sempre houve calúnias para deslegitimar a guerrilha. Primeiro chamaram-nos bandoleiros e assassinos. Depois, quando existia o campo socialista, o embaixador Louis Stamb apelidou-nos de narco-guerrilha, logo utilizado pelos meios de comunicação. Como não dispomos praticamente de imprensa é essa a informação difundida pelo mundo.

Depois do 11 de Setembro passaram a chamar-nos narco-terroristas. E essa mentira, mil vezes repetida, começou a surtir efeito, inclusive entre amigos nossos que acreditam que mantemos relações com o narcotráfico.

Mas vou citar-lhe um episódio que ajuda a compreender a falsidade dessas acusações.

O comandante Simón Trinidad foi extraditado para os EUA acusado de terrorista e narcotraficante. Mas os dois julgamentos a que até agora o submeteram foram anulados. Os jurados não puderam chegar a um consenso no tocante à culpabilidade de Simón com base nas acusações contra ele formuladas e que figuram no pedido de extradição.

A Justiça norte-americana sofreu um estrondoso fracasso. Simón Trinidad demonstrou de forma simples e com coragem que todos os argumentos da acusação configuravam uma montagem contra as FARC. Nesses dois julgamentos ficou desmascarada a falácia dos governos dos EUA e da Colômbia, pois não conseguiram dar credibilidade a qualquer das acusações de terrorismo e narcotráfico formuladas contra Sónia e Simón.

No Ponto 10 da Plataforma para um Governo de Reconstrução e Reconciliação Nacional, as FARC afirmam que o narcotráfico é um problema social pelo que a solução terá de ser política e não militar.

As FARC apresentaram a 28 países amigos e ao governo colombiano uma proposta para implantação de um Plano de Substituição de Culturas. Mas esse Plano não foi assumido nem pela comunidade internacional nem pelo governo colombiano.

O narcotráfico é a antítese de qualquer movimento revolucionário por ser um meio de enriquecimento rápido e ilícito. Os revolucionários defendem a distribuição da riqueza.

Ana Catarina - E quanto aos sequestros?
Juan Leonel – As FARC, por princípio, condenam os sequestros como forma de fazer política. Isso consta dos nossos documentos. Entretanto, ocorreram acontecimentos que, manipulados pela comunicação e pelos nossos inimigos, contribuíram para que muita gente visse em nós sequestradores profissionais. Fazemos o que está ao nosso alcance para restabelecer a verdade. Em primeiro lugar recordo que as FARC capturam militares em combate, bem como polícias e membros dos serviços de inteligência.

Até 1997 esses militares capturados eram por nós entregues aos sacerdotes das povoações, aos presidentes das câmaras municipais ou à Cruz Vermelha Internacional. Quando feridos, eram tratados e somente depois entregues. Que ocorria? Os militares eram julgados pelo poder por traição e desobediência.

Em 1996 capturámos 60 militares e 10 polícias. Todos foram entregues a representantes da comunidade internacional, da Cruz Vermelha e a personalidades nacionais e internacionais. Ao proceder assim, pretendíamos mostrar ao mundo que na Colômbia existia um conflito social, político e armado, conflito que não era reconhecido pelo governo. Não pedíamos absolutamente nada em troca; pretendíamos apenas ao entregá-los chamar a atenção da comunidade internacional. O governo de Ernesto Samper demorou nove meses para aceitar receber os prisioneiros de guerra e iniciou uma campanha, afirmando que se tratava de militares sequestrados, quando na realidade haviam sido capturados em combate. Mentiu-se ao mundo e ao país ao dizer que tinham sido enterrados até ao pescoço e torturados. Essas calúnias somente se revelaram quando finalmente os 70 militares e polícias presos foram entregues à Cruz Vermelha no município de Cartagena del Chairá. Mas no estrangeiro a ideia de que tinham sido sequestrados ficou gravada na mente de muitas pessoas.

Durante os anos de 97, 98 e 99 foram capturados em combate pelas FARC 500 militares e polícias. Propusemos então um acordo de troca de prisioneiros. Entregaríamos esses 500 prisioneiros e o governo libertaria todos os guerrilheiros encarcerados nos seus presídios, uns 450 ou 500. Não pedíamos dinheiro, unicamente pedíamos uma troca de prisioneiros.

O governo de Andres Pastrana negou-se então sistematicamente a aceitar o Intercâmbio Humanitário.

Em 2000 a situação alterou-se. Foi possível um Intercâmbio. Desigual. Libertamos 43 prisioneiros e em troca o governo libertou apenas 14 guerrilheiros. Mas ficou claro que era possível tornar a guerra menos cruel.

Posteriormente, as FARC, em gesto unilateral, libertaram 350 soldados e polícias, numa demonstração de boa vontade. Ficaram em nosso poder somente os oficiais e sub oficiais.

A resposta do governo foi uma campanha de difamação, afirmando que as FARC tinham libertado 350 sequestrados e exigiu que libertassem todos os outros ainda em seu poder.

Os meios de comunicação sempre se referiram aos militares presos como sequestrados. O que significa isso? Se somos nós a capturar, os soldados são sequestrados; se são eles a capturar, os guerrilheiros são terroristas.

Segunda questão. Perante a impossibilidade de concretizar um Acordo, as FARC passaram a fazer reféns políticos, como senadores, deputados e uma candidata à Presidência, Ingrid Bettancourt. O objectivo era exercer pressão para um novo Intercâmbio Humanitário. Essa situação não é inédita. Temos um precedente na Nicarágua durante a luta contra Somoza.

Mas o Estado colombiano esqueceu a sua própria gente, deixando os prisioneiros capturados permanecerem na montanha durante anos. Entretanto, desenvolveu campanhas caluniosas insistindo em que os prisioneiros haviam sido sequestrados, quando na realidade se tratava de reféns. Hoje como ontem não pedimos dinheiro, mas apenas uma troca de reféns por revolucionário prisioneiros, como acontece em qualquer guerra. Mas a crueldade não ficou por aí. O governo de Álvaro Uribe ordenou que se localizassem e assassinassem os reféns detidos. Isso já aconteceu com 11 deputados do Departamento de Valle que estavam em poder das FARC. No dia 18 de Junho um comando de tropas especiais localizou e assassinou esses deputados com o objectivo de culpabilizar as FARC. A mesma ordem foi emitida no que se refere a outros reféns, incluindo os três cidadãos dos Estados Unidos e membros da CIA e que foram capturados num avião abatido pelas FARC.

Em terceiro lugar, julgo útil lembrar que desde o governo de César Gavíria, o Estado estabeleceu o chamado imposto de guerra. Trata-se de um imposto que visou não o financiamento da guerra mas o assassínio de milhares dirigentes e políticos de esquerda, de sindicalistas, representantes do Poder Local, cooperativistas e camponeses.

As FARC promulgaram então a Lei 002, ao abrigo da qual os cidadãos que obtenham lucros superiores a um milhão de dólares devem pagar um imposto de 10% à guerrilha. A maioria paga esse imposto, mas alguns, pressionados por militares, em vez de pagarem, organizaram grupos de paramilitares para combater a insurgente e matar camponeses. Esses milionários faltosos são detidos e obrigados a pagar o imposto acrescido de juros e multa.

É obvio que esta situação desagrada muito à burguesia que promove contra as FARC campanhas de difamação a nível internacional, afirmando que as FARC se dedicam ao sequestro e ao narcotráfico. Com frequência avaliam em 3.000 o numero de sequestrados. Alguns autores falam de 6.000. Já imaginou os meios humanos que seriam necessários para manter 6.000 prisioneiros nas montanhas? Não sobraria ninguém para combater…

Enfim, agradeço a sua pergunta, porque ela permite na resposta desmontar as campanhas que pelo mundo fora apresentam as FARC como um bando de sequestradores de civis.

Entrevista completa em O Diário, visto na Periferia do Império.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2007

Wagner Iglecias: Clonagem política

Em mais uma colaboração para o blog, o cientista político Wagner Iglecias explica a um amigo tucano como a genética pode ajudar na explicação de fenômenos característicos das ciências humanas. A seguir, a íntegra do bem-humorado texto de Iglecias.

Meu amigo Plínio é tucano de quatro costados. Acha que o governo de Fernando Henrique foi o mais importante da História do Brasil. Não vê a hora de o PSDB voltar ao poder. Mas aguarda pelas eleições de 2010 pacientemente, porque Plinio é, antes de tudo, um democrata.

No fundo ele concorda com a afirmação de Fernando Henrique de que Lula não sabe falar bem o idioma. Acha até que Lula é um tanto despreparado para o exercício do cargo, que não domina as boas maneiras da liturgia do poder. Mas acha também que a democracia brasileira só estará definitivamente consolidada no dia em que o presidente-operário concluir seu segundo mandato e passar a faixa para o sucessor.

Apesar das restrições que tem a Lula, Plínio até acha o presidente simpático. Reconhece que ele tem muito carisma e que sabe falar ao povo. Mas Plínio tem ojeriza daquele pessoal do PT que cercou Lula no primeiro mandato e que ainda está por aí, como Zé Dirceu, Genoino, Palocci e os aloprados.

Plinio não suporta essa gente, especialmente Dirceu. Mas tem mais gente ligada ao governo Lula que Plínio não tolera. São os não-petistas. Ah, para os não-petistas Plínio tem suas maiores restrições. Como alguém que foi historicamente adversário de Lula e do petismo pode hoje apoiá-los? Plínio não compreende.

A resposta para a inquietação do meu amigo tucano pode estar na ciência. A medicina genética tem avançado muito nos ultimos anos e é sabido que cientistas já conseguiram clonar ratos, ovelhas etc. Ou seja, estaríamos a um passo da clonagem humana. Verdade? Mito? Sabe-se lá. Mas quem sabe ela já não começou? E aqui no Brasil? E com nossos políticos? Senão, vejamos.

Este Sarney que apóia Lula desde o começo de seu governo? Plínio se pergunta como Lula aceita o apoio de um velho coronel da política brasileira. Sem dúvida, meu caro Plínio, este aí só pode ter sido clonado. Não pode ser o mesmo Sarney que apoiou o governo Fernando Henrique. Ou pode?

E este Renan que a oposição considera um bandido? Apóia o Lula desde o início de seu mandato também. Outro que só pode ser clonado. Não pode ser o mesmo Renan que foi Ministro da Justiça do governo tucano. Não pode ser. Foi clonado tambem.

O texto continua no Blog Entrelinhas.

CADÊ A DITADURA DE CHÁVEZ ?

CADÊ A DITADURA DE CHÁVEZ ?

03/12/2007 08:14h


Paulo Henrique Amorim

Máximas e Mínimas 789

. O presidente perdeu.

. A oposição ganhou.

. Numa democracia em que o sistema eleitoral é muito mais eficaz e seguro que o brasileiro, porque lá é possível recontar os votos.

. Aqui, não. (Clique aqui para ler)

. Já imaginaram se uma eleição no Brasil acabasse, como no referendo da Venezuela, em 51% a 49% ?

. E se o perdedor resolvesse dizer que houve fraude ?

. Como recontar os votos no Brasil, sem o papelzinho do Brizola ?

. O vencedor seria aquele que o Ministro (?) Mello quisesse ...

. Na Venezuela há um sistema de auditagem que automaticamente reconta uma amostra das urnas, e confere o resultado eletrônico com o do papelzinho ...

. E não se dizia que a Venezuela era uma ditadura feroz ?

. O que dirá agora o Farol de Alexandria ?

. O que dirá a Miriam Leitão ?

. Se a Venezuela fosse tudo aquilo que o Farol de Alexandria e a Miriam Leitão diziam, a oposição teria perdido ...

. Como disse o notável jornalista Mauro Santayana (Clique aqui para ler) Chávez perdeu como De Gaulle: ao fim de uma sucessão de referendos.

. Como dizia o Presidente Lula: o que não falta na Venezuela é eleição ...


Do Conversa Afiada.

Tishman investe mais de R$ 1 bi em imóveis no Brasil

A Tishman Speyer, empresa americana de incorporação, construção e administração de imóveis, acaba de concluir a captação de um fundo de US$ 600 milhões (mais de R$ 1 bi) para investir no Brasil. Uma das donas do Rockefeller Center, em Nova York, a Tishman já negociou ou administrou US$ 70 bilhões em imóveis, desde 1978.O novo fundo mostra como o mercado imobiliário brasileiro entrou na moda entre os investidores estrangeiros. Uma das líderes do mercado americano, a Tishman começou a atuar em outros países em 1988 quando os EUA passaram por mais uma de suas crises imobiliárias. Na época, a Tishman diversificou seus negócios, comprando e administrando imóveis em outros países, principalmente na Alemanha, Inglaterra e Espanha. A empresa atuava desde 1985 no Brasil, mas só decidiu abrir um fundo de investimentos mais ambicioso no início de 2006. O plano inicial foi rapidamente superado. Daniel Citron, presidente da Tishman no Brasil, visitou mais de 100 investidores nos EUA, Ásia e Oriente Médio. Houve tanto interesse pelo investimento que o fundo Brasil captou US$ 100 milhões a mais do que o previsto. “Muitos investidores não tiveram tempo para entrar no fundo. Eles já pedem a abertura de um novo fundo”, diz o executivo. Mais do que isso: o interesse pelo Brasil é tão grande que os investidores telefonam para Citron pedindo conselhos para comprar imóveis no País, seja um prédio em São Paulo ou um terreno em Natal. Com os bons resultados no Brasil, a Tishman decidiu fazer investimentos parecidos na Índia e na China, levantando um fundo de US$ 700 milhões para cada país. No Brasil, já existem planos para novas captações. “Quando tivermos alocado todo o dinheiro, é inevitável pensar em novos fundos”. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Sobre o medo e a coragem

Não é o só o fato do novo jeito de tergiversar não ter a menor idéia de quais áreas pretende repassar às OSCIPs que surpreende na entrevista concedida por Fernando Schüler ao jornaleco da Azenha, da qual La Vieja reproduziu um trecho logo abaixo.

Examinemos mais detalhadamente as afirmações abaixo, do secretário da Justiça e do Desenvolvimento Social do novo jeito de avançar:

"Somos uma sociedade que desconfia demais. E isso tem sido um problema para a construção de consensos e para o avanço do Estado. Em parte, chegamos na crise a que chegamos porque tivemos medo de avançar e de nos modernizar" (Os grifos são meus).

La Vieja não crê que o fato de supostamente sermos uma sociedade que desconfia demais seja um problema para a construção de consensos. Tal desconfiança, muito pelo contrário, tem sido até uma virtude. Não fosse ela teríamos deglutido tanto o Pacto Pelo Rio Grande, articulado, entre outros, pelo brilho intelectual de um Cézar Busatto (PPS-RS) e de um José Barrionuevo (ex-PRBS), quanto a Agenda Estratégica do RS 2006/2020: O Rio Grande que Queremos,
capitaneada pela Farsul, pela FCDLs, pela Federasul, pela Fecomércio e pela Fiergs, os clubinhos das indústrias, do comércio e da agricultura do estado. Não fosse certa dose de prudência o Rio Grande do Sul que realmente queremos não seria senão o Rio Grande do Sul que querem José Barrionuevo ou, na melhor das hipóteses, Farsul e Fiergs: um imenso latifúndio com vista para um distrito industrial.

O texto continua em La Vieja Bruja.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2007

Na França Pode: Reeleições "Ad Infinitum"

Eu acredito que o presidente Chávez, antes de introduzir a proposta de reforma constitucional, já era objeto de ataques muito violentos. Foi praticamente desde que se elegeu pela primeira vez em dezembro de 1998. O argumento da Constituição não é mais do que a continuação dessa política de desqualificação permanente. O fato é que o presidente nunca disse que ia impor a reforma da Carta, mas propor e submeter as reformas à decisão popular. Na Venezuela os meios de comunicação são os meios da oligarquia, quase toda a imprensa escrita, os grandes jornais, pertencem à oposição, as grandes rádios. Ninguém se escandaliza no mundo porque em 2000 o então presidente [francês Jacques] Chirac fez um referendo para mudar a Constituição e permitir que o presidente da República pudesse ser reeleito indefinidamente, pondo fim à limitação a dois mandatos. Ninguém disse que Chirac é um tirano nem que Sarkozy vai se manter no poder de maneira ilegítima.

Na Europa há pelo menos sete países cuja Constituição não limita o número de mandatos do chefe de governo ou de Estado. Na proposta de reforma da Constituição venezuelana não foi suprimida a possibilidade de referendos revogatórios de mandato.



Trecho de entrevista com Ignácio Ramonet, na Folha Online, visto via Periferia do Império. A entrevista completa no saite da Folha Online.


Os Amigos Podem: Começa abaixo-assinado para projeto de reeleição de Uribe

Notícia publicada hoje (28/11) no jornal Folha de São Paulo (só para assinantes).

"Ainda que o presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, tenha afirmado ontem que "perpetuar-se no poder tira o frescor da democracia" -em crítica indireta a Hugo Chávez-, teve início o processo que poderá possibilitar a ele, Uribe, candidatar-se outra vez à reeleição e obter um terceiro mandato.

A Controladoria entregou anteontem a Luis Guillermo Giraldo, responsável pela iniciativa, o formulário para recolher as 140 mil assinaturas necessárias ao pedido de reforma da Constituição. Ainda que o caminho jurídico para uma nova reeleição de Uribe seja incerto, os defensores do projeto dizem que ele vingará em 2010.

Giraldo disse que não pediu permissão ao presidente para a iniciativa, mas não foi desautorizado por ele. Há duas semanas, Uribe disse que só buscaria outro mandato em caso de "hecatombe". Para Giraldo, haveria "hecatombe" se os partidos governistas não concordassem sobre um candidato único para 2010, o que acha improvável."

Da Periferia do Império. Re-reeleição, pois não?

Qual censura?

O Programa Roda Viva do dia 12/11/2007, entrevistou o venezuelano Teodoro Petkoff, ex-dirigente comunista, guerrilheiro, ministro, candidato duas vezes à presidência da república, fundador do MAS – “Movimento al Socialismo”, economista e atualmente editor chefe do jornal oposicionista “Tal Cual”.

O repórter do jornal O Estado de S. Paulo, ao perguntar sobre a não renovação da concessão da RCTV mencionou a censura que os jornais de oposição vêm enfrentando naquele país. O desavisado foi advertido pelo entrevistado, que afirmou várias vezes durante o programa não existir censura na Venezuela. Que ele, como editou de um jornal de oposição nunca sofreu e nem sofre retaliação, e que não existe "ditadura" como dizem aqui no Brasil.

É louco ou sua família está sofrendo ameaças dos chavistas, segundo o pensamento dos nossos jornalistas venais.



Da Bodega Cultural.

Baduel: "Proponho uma Assembléia Constituinte"

Do Terra Magazine.

(...)Raúl Isaías Baduel, 52, ex-companheiro-em-armas do presidente venezuelano. Mais que a oposição tradicional ou o incipiente movimento estudantil, o posicionamento amplamente divulgado do general reformado contribuiu para o resultado - 3 milhões de pessoas que tinham votado em Chávez na eleição presidencial de dezembro de 2006, desta vez ficaram em casa.

Fiel ao seu estilo das últimas semanas, Baduel evita atacar Chávez(...). Mais: ele ressalta os logros sociais da "Revolução bolivariana". Com o referendo, diz ele, "não se encerra o novo rumo que se traça em nosso país, que aponta para um aprofundamento da democracia, privilegiando-se o protagonismo e a participação".

Ele também refuta o papel que muitos meios de comunicação tem querido outorgar-lhe: "Não estou falando em nome da oposição", diz ele, ao anunciar uma proposta detalhada para a convocação de uma nova Assembléia Constituinte.(...)

Terra Magazine - General, qual é sua leitura da vitória do "não" no referendo da reforma constitucional do presidente Hugo Chávez?
Raúl Isaías Baduel - Ganhou a democracia, ganhou o civismo, ganhou a paz. Abre-se uma dinâmica político-social favorável a todos em nosso país. Nessa nova dinâmica devemos reconhecer todos, e particularmente aqueles que são denominados excluídos. Cada um de nós tem que aceitar a responsabilidade desta situação, e não ficar inerte. Neste momento, se abrem novos caminhos para nosso país.(...)

Íntegra: clique aqui.

Marinho | Sobre a vida dura das madames endinheiradas neste Natal

BLUE BUS:

Um esclarecedor levantamento feito pela InterScience em outubro passado, com 100 mulheres da elite paulistana, joga um foco de luz sobre um outro país, por acaso incrustado no Brasil. Para você ter uma idéia, essas senhoras pretendem gastar em média, somente com presentes de Natal, a bagatela de R$ 8 mil. Cada ‘lembrancinha’ vai custar pelo menos R$ 450. A esmagadora maioria das compras (93%) será feita em shoppings, mas, surpreendentemente, 1/3 das entrevistadas afirmou que gastará parte dessa verba atraves da internet. A maior parte das madames paulistanas dará brinquedos e roupas. Cerca de 10% delas, entretanto, prometem incluir na lista de presentes um iPhone, mesmo sabendo que ele ainda nao está a venda legalmente no país. Dos maridos, elas esperam ganhar viagens (36%) ou carros 0km (33%). A maioria da elite paulistana, veja só, planeja pagar suas compras usando o parcelamento do cartao de crédito.

Para entender melhor esse país habitado por pessoas tao abastadas, vale dizer que as mulheres entrevistadas pela InterScience têm renda familiar superior a R$ 30 mil mensais. Elas viajam em média 3 vezes ao ano para o exterior, têm pelo menos 2 empregados em casa, vao ao cabeleireiro ao menos 1 vez por semana e sao donas de carros do ano. Mas nao pense que tudo sao flores na vida dessas privilegiadas. Até o Natal elas terao que trabalhar duro para dar conta de algumas importantes tarefas - 33% precisam trocar de carro, 29% vao cortar um dobrado atualizando o guarda roupa com as peças da nova estaçao, 24% estarao planejando a bagagem da viagem de férias ao exterior e 24% sofrerao nas maos dos seus cabeleireiros, porque pretendem mudar ou atualizar o corte do cabelo. Dura tambem é a vida das madames ;- ).