quarta-feira, 6 de dezembro de 2006

Carta Capital sobre o carlismo

Os jornais locais e nacionais não se atreveram a repercutir a matéria de capa da revista Carta Capital. Que silêncio. O colapso do carlismo na Bahia: esse é o título da matéria. Por que será? A matéria é resumida, mas, bastante reveladora da extensão do prejuízo aos cofres públicos nestes 40 anos de poder oligárquico e 16 anos de governos sucessivos. Não vai ser fácil desmontar a máquina. O nome do deputado ACM Neto (PFL) está incluído em nada menos que 54 empresas entranhadas na estrutura estatal. O deputado José Carlos Aleluia (PFL), o radical anti-Lula, fatura alto com a empresa Lebre. Mas tem Rodolfo Tourinho, tem Tude, tem laranjas pra todo lado. A mídia se calou, mas a revista circula de mão em mão.
Carta Capital Provoca Impacto ao Revelar Merdunço do Carlismo - Bahia de Fato
Parte da reportagem está disponível no sítio da Carta Capital.

O lado

As referências em defesa do meio ambiente ficam como perfumaria. O PRBS [Partido da Rede Brasil Sul] expressa AS POSIÇÕES DO AGRONEGÓCIO.
O PRBS sempre escolhe um lado, o da elite - Blog Ponto de Vista

Falta da cultura

terça-feira, 5 de dezembro de 2006

"Novo jeito de governar", ou o RS vive sua Idade das Trevas política

Um trecho de uma postagem do Boa Noite Pro Porco:
Ônix Lorenzoni, deputado federal e presidente do PFL gaúcho, em almoço ontem com lideranças de seu partido e com o vice-governador eleito, Paulo Feijó, ao Correio do Povo (Assinantes) de hoje:

"Não conhecemos ainda o novo jeito de governar de Yeda".

Entre outras reclamações, "Enfatizou que Yeda sequer explicou ao partido, que foi seu parceiro desde o 1º turno da eleição, quais as suas intenções iniciais de projetos para o Rio Grande".
Se os companheiros de chapa da governadora eleita não compreendem seu slogan de campanha, "novo jeito de governar", imagine seus eleitores.

É o RS vivendo sua Idade das Trevas política.

domingo, 3 de dezembro de 2006

Trecho de The Groung Truth


The Ground Truth é um documentário sobre o custo (principalmente humano, principalmente de vidas e almas de estadunidenses) da invasão do Iraque. É possível ver e gravar trechos através do VideoRonk (pesquisa "ground truth").

No trecho acima, veteranos de guerra (garotos de 20 anos) falam da dor de ter matado civis, e do quanto é antinatural, apesar do treino embrutecedor, matar seres humanos.

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PS - Encontrei este material através de pistas deixadas na discussão Progressive Periodicals do grupo Progressive & Liberal! do LibraryThing.

O telemarketing falcatrua da Folha de São Paulo

Visitei um tio assinante da Folha ontem. Percebi que o jornal do dia estava intacto em um canto. Comentei que não lia mais jornais, ele disse que também não.

Só continua recebendo a Folha por ser enganado e enrolado pelo telemarketing da empresa. Eles dizem que não são capazes de contatar os fornecedores locais, os fornecedores fornecem, a fatura é debitada mensalmente.

A serviço do Brasil, né?

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PS - Pra falar a verdade ainda leio o Brasil de Fato. Em Porto Alegre tem na Banca da República e nas melhores casas do ramo.

sábado, 2 de dezembro de 2006

Bush em estado de negação

More than half a million deaths, an army trapped in the largest military debacle since Vietnam, a Middle East policy already buried in the sands of Mesopotamia - and still George W Bush is in denial. How does he do it? How does he persuade himself - as he apparently did in Amman yesterday - that the United States will stay in Iraq "until the job is complete"? The "job" - Washington's project to reshape the Middle East in its own and Israel's image - is long dead, its very neoconservative originators disavowing their hopeless political aims and blaming Bush, along with the Iraqis of course, for their disaster.
Robert Fisk via Crooks and Liars (postagem)

"Momento de Saigon" no Iraque

Iraq se está despedazando. Los signos del colapso están por todas partes. En Bagdad la policía recoge a menudo más de 100 cuerpos torturados y mutilados en un solo día. Los ministerios gubernamentales se hacen la guerra. Una nueva y siniestra etapa en la desintegración del Estado iraquí sobrevino este mes cuando comandos de la policía del Ministerio del Interior controlado por los chiíes secuestraron a 150 personas del Ministerio de Educación Superior dirigido por suníes en el corazón de Bagdad.

Iraq puede estarse acercando a los que los USamericanos llaman ‘el momento de Saigón,’ la ocasión en la que se hace evidente para todos que el gobierno expira. “Dicen que los asesinatos y los secuestros son realizados por hombres en uniformes de la policía y con vehículos policiales,” me dijo este verano el Ministro de Exteriores iraquí, Hoshyar Zebari, con una sonrisa desesperanzada. “Pero todos en Bagdad saben que los asesinos y secuestradores son verdaderos policías.”


La cosa se pone peor. El ejército y la policía iraquíes no son leales al Estado. Si el ejército de USA decide enfrentar a las milicias chiíes, puede encontrarse con unidades militares chiíes del ejército iraquí que cortan la principal ruta de suministro USamericana entre Kuwait y Bagdad. Un convoy fue detenido este mes en un puesto de control supuestamente falso cerca de la frontera con Kuwait y capturaron a cuatro encargados de la seguridad USamericanos y un austriaco.


La posición de USA y Gran Bretaña en Iraq se parece mucho más a una casa construida sobre arena de lo que comprenden en Washington o Londres, a pesar de los desastres de los últimos tres años y medio. El presidente Bush y Tony Blair muestran una singular incapacidad de aprender de sus propios errores, en gran parte, para comenzar, porque no quieren admitir que han cometido algún error.
[...]
Patrick Cockburn, "Iraq se Acerca al "Momento de Saigón"
- Rebelion

Porto Alegre caindo aos pedaços

Definitivamente, há algo estranho acontecendo em Porto Alegre. A cidade anda, literalmente, caindo aos pedaços. Meses atrás, tivemos o trágico episódio da queda de um poste em um parque que acabou causando a morte de uma criança que brincava no local. Mais recentemente, uma ambulância deixou cair uma paciente na rua. O caso mais recente ocorreu na tarde desta sexta perto da esquina da avenida João Pessoa com a rua da República. Um pedaço da marquise de um prédio localizado nesta área caiu e atingiu duas pessoas que passavam pela calçada. [...] Postes e pedaços de marquises caindo, pacientes caindo de ambulâncias. É muita coincidência. A repetição de casos como estes parece indicar mesmo uma evidente queda na qualidade dos serviços públicos.
Caindo aos Pedaços? - RS Urgente

sexta-feira, 1 de dezembro de 2006

Yeda e seus ouvidos só para os coronéis de sempre

[...] o futuro governo vai mostrando sua cara. É um governo ligado umbilicalmente ao grande empresariado gaúcho que terá amplo acesso às esferas de poder do Palácio Piratini. Até agora, trabalhadores urbanos e rurais, servidores públicos, pequenos e médios empresários e os movimentos sociais só assistem ao teatro montado no Hotel Embaixador. 
A Fábrica de Consensos de Papel - RS Urgente

sábado, 25 de novembro de 2006

Prêmio Empulhação

Na linha da bolsa-boçalidade, premiação instituída pelo Boa Noite Pro Porco, o Blog Ponto de Vista tem o Prêmio Empulhação.

22 de dezembro, dia de salvar o mundo pelo orgasmo

Que tal unir o mundo em um grande orgasmo no próximo dia 22 de dezembro? Pela paz, pelo futuro.

A proposta da Global Orgasm é unir o mundo adulto em um grande orgasmo sincronizado.

É uma das melhores, mais esclarecidas e responsáveis das idéias de ação pela paz que vi em muito tempo. É algo que está ao alcance e ao desejo de todos. Bem, talvez não de Bush, talvez não do Papa, talvez não da Opus Dei, talvez não dos fundamentalistas aburridos e lideranças tanatistas deste início de milênio, mas, precisamente, eis o problema.

(Tanatistas: os líderes que conduzem a humanidade à guerra, à morte. Erotistas: os líderes que conduzem a humanidade à união, ao amor.)

Segundo o blog Global O (postagem Thanks, and Keep Spreading the Word), a idéia é unir a humanidade em torno do seu impulso para o amor, a união, ao outro.

Há muito impulso para o ódio, a guerra e o egoísmo no mundo atual. Precisamos de algum equilíbrio, coisa que o aahhhhh-global pode ajudar a trazer.

(Postado originalmente no Animot.)

quinta-feira, 23 de novembro de 2006

Maneiras de boicotar a Editora Abril

- Evitar a Veja e a MTV

- Evitar os produtos e serviços dos patrocinadores da Veja e da MTV

- Ligar para o 0800 dos patrocinadores da Veja e da MTV e explicar que você não compra seus produtos por causa do apoio financeiro dado à imprensa tendenciosa-no-armário (sem declarar explicitamente sua posição POLÍTICA explícita) e desrespeitadora da inteligência do público

quarta-feira, 22 de novembro de 2006

As bancadas das grandes empresas

Bancada da Vale do Rio Doce: 47 deputados

Bancada da Gerdau: 27 deputados

Bancada do Itaú: 27 deputados

Bancada da Aracruz: 16 deputados

Nós, grandes acionistas, capitalistas sem pátria, agradecemos.

Ver Terra Magazine, Diário Gauche e Boa Noite pro Porco

PSDB e PFL, além da compreensão

Não dá para entender uma oposição que não defende aquilo em que acredita e ainda morre de dar risadas quando tromba com seu próprio programa.
Oposição em clima de brincadeira colegial - Franklin Martins

"Liberdade, Essa Palavra", documentário sobre Aécio Neves e a mídia mineira

Relação com os meios de comunicação, estilo PSDB mineiro

Agosto de 2006. O Centro Acadêmico Afonso Pena, entidade representativa dos estudantes da Faculdade de Direito da Universidade Federal de Minas Gerais – UFMG publica uma edição especial de seu jornal Voz Acadêmica. O título: 4 anos sem liberdade de imprensa na terra da liberdade. Em suas doze páginas, o Voz denuncia o espancamento de professores em greve, a maquiagem das contas do governo, o direcionamento da imprensa oligárquica do estado pela irmã do governador (“dedicada tutora do ainda não interdito”), o silêncio sepulcral sobre a CPI da MBR, os subsídios da Cemig — Companhia Energética de Minas Gerais à Vale do Rio Doce e outras mineradoras.

Com humor e sutileza, mas também com veemência, o jornal expõe os desmandos do governo Aécio Neves. Um governo no qual, em torno de uma imagem moderna, jovial e festiva, tem-se construído um clima de unanimidade forçada. Encarnando o otimismo, o governador promete devolver ao estado a expressão política perdida desde o fim do gerenciamento militar. Mas por trás de seu sorriso, esconde-se a continuidade do domínio oligárquico e de suas violências — entre elas, a censura à imprensa.

-- Saudações a quem tem coragem, em A Nova Democracia

segunda-feira, 20 de novembro de 2006

Imune

Porque ela, a Folha, como se sabe, sofre daquela patologia do patrãozinho gótico: está imune a qualquer emoção positiva.
-- Nirlando Beirão na CartaCapital da semana, p. 45

O Dia da Inconsciência Branca

Hoje publico aqui no Blogoleone umas postagens que republico todo dia 20 de novembro no Animot.

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Hoje, 20 de novembro, é o Dia da Consciência Negra. É uma data importante. Primeiro, por ser uma data dedicada à reflexão, à consciência. Segundo, pelo objeto da reflexão, a situação acintosa na qual nós brancos deixamos os negros no nosso país.

Nós, brancos ("branco racista" é quase pleonasmo), somos os responsáveis pela precária situação de vida dos negros. Nós deveríamos ser os primeiros a refletir sobre nossos próprios erros. Nossos principais crimes, bastante graves, têm sido:

* Assassinato de negros - Policiais fazem isso o tempo todo; só nos indignamos quando eles matam um branco de classe média (veja o caso daquele garoto de São Leopoldo).
* Estupro de negros - nossos antepassados eram estupradores de escravas - de avós, de mães, de irmãs, de mulheres.
* Roubo de terras - Nós brancos somos ladrões. Grileiros adoram tirar uma terrinha de uma família negra. No RS o caso de Morro Alto, cidade próxima de Osório, ilustra isso muito bem.
* Discriminação no trabalho - Tente encontrar um trabalhador negro no Unibanco, por exemplo. É bem difícil. Já para encontrar um branco ou uma loira é só abrir os olhos.

A lista de crimes que merecem ser punidos e que devem levar a reparações é muito maior, mas já deu pra sentir o clima.

Eu me envergonho de ser um brasileiro branco. Acho que pertenço a uma das etnias mais brutais do planeta.

A primeira vez que publiquei um post intitulado O dia da inconsciência branca foi em 20 de novembro de 2003. A edição do Correio do Povo daquele dia foi paradigmaticamente inconsciente. Eis o que encontramos na capa do jornal:

CORREIO DO POVO
PORTO ALEGRE, QUINTA-FEIRA, 20 DE NOVEMBRO DE 2003
Pelotas e Alvorada sem feriado

Os desembargadores Vasco Della Giustina e Paulo Augusto Monte Lopes, do Tribunal de Justiça do Estado (TJ), concederam ontem liminares solicitadas pela Federação do Comércio de Bens e Serviços do RS (Fecomércio) suspendendo os feriados municipais de 20 de novembro em Pelotas e em Alvorada. Com mais essa decisão, o poder Judiciário gaúcho acabou com as esperanças de três municípios gaúchos - Porto Alegre, Alvorada e Pelotas - de fazer feriado hoje em comemoração ao Dia da Consciência Negra, em homenagem ao líder Zumbi dos Palmares.

A liminar expedida na sessão do Órgão Especial do TJ na segunda-feira, considerando inconstitucional o feriado em Porto Alegre, pelo fato de não ser religioso, serviu como base para as ações de ontem. À noite, o Tribunal de Justiça também negou dois agravos regimentais que pediam a cassação das liminares. Os agravos foram interpostos pela Câmara Municipal e pelo município de Pelotas, e pelo Movimento Negro Unificado e pelo Centro Memorial de Matriz Africana 13 de Agosto.
A notícia me revoltou. No que ficou dito, claro ficou o não dito:

* Empresários brancos entraram na justiça contra o feriado. Talvez isso não tenha sido dito porque "empresário branco" é quase um pleonasmo.
* É um absurdo que tais empresários não tenham sido imediatamente presos, sem direito a fiança, sob a acusação de racismo. É o que exige nossa Constituição.

Até aqui as coisas já iam mal, mas o que veio após a capa era muito pior. Era o puro pesadelo do racismo aparecendo descaradamente na página de opinião do jornal. Eis o que escreveu um sujeito supostamente com estatura moral suficiente para ser um "formador de opinião":

PORTO ALEGRE, QUINTA-FEIRA, 20 DE NOVEMBRO DE 2003
Nosso Colaborador

QUASE FERIADO
Percival Puggina

Se a Justiça não tivesse impedido, hoje seria feriado em Porto Alegre. Uma iniciativa da Câmara de Vereadores, sancionada pelo prefeito, havia transformado em feriado municipal o Dia da Consciência Negra, que coincide com a morte de Zumbi, no ano de 1695. Com grande risco de parecer politicamente incorreto, atrevo-me a afirmar que discordo da idéia. Fazer feriado para celebrar a consciência de uma determinada raça significaria termos um dia inteiro de folga para pensar em raças. Convenhamos, dar tanta importância assim ao assunto, passar a vida lidando com ele e remexendo nele parece coisa de gente racista. E é exatamente assim, como procedimento racista, aliás, que vejo toda essa pressão cobrando quotas raciais nas universidades, nos locais de trabalho e nos espaços de publicidade.

Sob o ponto de vista econômico, haveria um dia a menos de trabalho para cerca de 500 mil pessoas, o que corresponderia a um prejuízo de 4 milhões de horas e a um dano econômico superior a R$ 30 milhões. "Há coisas que valem mais do que dinheiro", filosofavam os defensores da idéia - nenhum dos quais, por certo, com responsabilidade sobre folhas de pagamento. É verdade, há sim. Mas qual o ganho que a raça negra teria em Porto Alegre e qual o prejuízo dela em Canoas, onde não seria feriado? Não sei.

Suponhamos, por outro lado, que nossas autoridades locais tenham razão e que houvesse algum proveito, fosse qual fosse. Nesse caso, conviria multiplicá-lo significativamente usando outras possibilidades que a história e o calendário, benevolamente, nos propiciam: a) dia da consciência índia, fazendo feriado em 7 de fevereiro, que corresponde à morte do grande Sepé Tiaraju, no ano de 1756; b) dia da consciência revolucionária latino-americana, folgando em 9 de outubro, que corresponde à morte de Che Guevara, no ano de 1967; c) dia da consciência socialista e antiimperialista, no qual o 11 de setembro cumpre os dois objetivos, pois, em 1973, suicidou-se Allende e, em 2001, foram explodidas as torres gêmeas. E poderíamos rematar com um feriadinho dedicado a nós mesmos, no dia da consciência dos bobos, em 1o de abril.

www.puggina.org

arquiteto
Foi uma das coisas mais cruéis que se possa imaginar, em termos de racismo verbal. No Dia da Consciência Negra, o jornal abre espaço, na parte de opinião, a um branco com preconceitos indizíveis. E o branco escreve seus preconceitos, e os mesmos são publicados.

Não é preciso dizer que isso bastou para mim dizer "não, obrigado" a esse jornal irresponsável e inconsciente, desde então. Espero que você faça o mesmo.

Eis a postagem que publiquei em 2003, muito revoltado, imediatamente após ter lido o que o sujeito acima mencionado, morador de um mundo moral muito cruel, escreveu:

O dia da inconsciência branca - No Brasil, o dia 20 de novembro é dedicado à Consciência Negra. No Rio Grande do Sul, é triste, doloroso e vergonhoso constatar que o mesmo mais parece o Dia da Inconsciência Branca.

Empresários porto-alegrenses vociferaram contra o feriado do dia 20 de novembro, alegando prejuízos. Poderiam ter sido honestos, e alegar pouco caso com a questão racial, ou mesmo assumir o próprio racismo. Se a questão são prejuízos por dias parados, e a possibilidade destes deve ditar a agenda social, então o melhor é acabar com o feriado do Natal.

É claro que o problema não são os ditos prejuízos ocasionados por uma data comemorativa, pois os empresários são engenhosos quando querem transformar o que quer que seja em fonte de lucro. O problema é que eles não querem nem mesmo lucrar com a consciência do próprio racismo. Para eles, que o 20 de novembro seja o Dia da Inconsciência Branca, o dia ao qual eles não vincularão nem mesmo algum tipo de fonte de lucro.

É repugnante assistir ao espetáculo da cloaca racista gaúcha, no qual todos nós brancos gaúchos estamos em maior ou menor grau envolvidos. Enquanto não fazemos nada, enquanto silenciamos quando outros gaúchos brancos chamam, em páginas dedicadas a editorias de jornais como o Correio do Povo, a consciência negra de bobice, o mínimo que fazemos é celebrar, amargamente, nossa própria inconsciência.

Eu realmente me envergonho de pertencer a uma etnia brutal, estúpida e intolerante como os brancos gaúchos e brasileiros. Hoje [2005, 2006], como fiz no ano passado, e no anterior, me dedicarei a refletir sobre minha própria inconsciência.

Nesse ano [2005] o feriado caiu em um domingo. Talvez por isso os brancos não entraram na justiça contra ele, se é que não entraram. [Em 2006 a cidade - Porto Alegre - segue em frente, inconsciente.]

Sabe, depois de tirarmos tudo dos negros, depois de os roubar, os usar, os estuprar, os matar, ainda exigimos que não haja pausa alguma para a reflexão.

Talvez a maior de todas as brutalidades, aquela que anima todas as outras, seja a irreflexão. A inconsciência.

Leitor branco (pleonasmo?), toma consciência da tua parte em toda essa violência. E te emenda.