terça-feira, 29 de janeiro de 2008

Luiz Weis: eles não sabem o que dizem


Excelente o comentário do jornalista Luiz Weis no blog Verbo Solto, reproduzido abaixo.


Fraude na mídia: eles não sabem o que dizem

Numa passagem de seu artigo de hoje sobre Jerome Kerviel, o funcionário do banco Societé Generale que se tornou o maior fraudador da finança global já identificado – fez a terceira casa bancária francesa perder € 4,9 bilhões, ou R$ 12,8 bi -, o correspondente do Estado em Paris, Gilles Lapouge, relata o seguinte:

“Eu questionei alguns especialistas. ‘É muito simples. Ele passava, por exemplo, uma ordem de compra e a ocultava com uma outra ordem, fictícia, de venda. No fim, o banco via apenas o saldo das duas operações, isto é, nada.’ Eu disse a esses especialistas que não havia compreendido nada. ‘Nós tampouco’, eles me responderam afavelmente.”

Leitores de jornais e revistas deviam imprimir esse parágrafo – ou recortá-lo do Estado, à moda antiga – para tê-lo diante dos olhos no momento de começar a ler qualquer notícia.

Primeiro, porque é raro um repórter dizer a uma fonte que não entendeu nada do que ela lhe disse. O costumeiro é o jornalista fingir que entendeu o que ouviu, para não passar por desinformado diante diante dos seus inestimáveis interlocutores, e tocar a declaração adiante, transcrevendo-a na matéria. É o princípio do pau na máquina.

Ele, de duas uma: ou acha que o leitor vai entender, portanto não há problema; ou acha, mais comumente, que o leitor não vai entender nada, como ele mesmo não entendeu - o que tampouco é problema, porque o leitor é que vai se sentir vexado.

Segundo, porque é tão ou mais raro a fonte confessar que tampouco entende o que acabou de dizer.

É assim – com muito maior frequência do que o público imagina – que as coisas correm no rali da (des)informação. Naturalmente, quanto mais técnico o assunto, mais a notícia que chega ao leitor tende a ser o produto do desconhecimento elevado ao quadrado.

As páginas de economia e de ciência são, por isso, as mais infestadas por essa fraude. É só pensar no que sai, para citar o exemplo mais imediato em cada caso, sobre mercados em crise ou aquecimento global. Mas nenhuma área da realidade retratada pela mídia pode ser considerada imune ao golpe da ignorância embutida no que é vendido como esclarecedor.

Já se escreveu que o cidadão que entende bem de determinado assunto, aturdido pela montanha de bobagens que acabou de ler numa matéria a respeito, só pode ficar imaginando quantas barbaridades são publicadas sobre os assuntos que desconhece. É a pura verdade.


Do Blog Entrelinhas.

Turquia bloqueia YouTube pela 2ª vez

Turquia bloqueia YouTube pela 2ª vez

Segunda-feira, 21 de janeiro de 2008 - 11h57


Jornalismo Febril

Jornalismo febril


Não cabe ao jornalismo sabujar autoridades, mas não é seu papel alarmar; o tom predominante foi o de escalada

Se crianças começam a assuntar sobre a vacinação contra a febre amarela, é sinal de que o temor da doença -e da injeção- se disseminou.
Não é para menos: no princípio do ano, parcela expressiva do jornalismo sugeriu que o mal ameaça o país. A Folha não ficou de fora. Como se vê ao lado, do dia 8 até a quinta-feira passada o assunto ganhou espaço na primeira página, 14 presenças em 17 dias.
Há mesmo interesse público em saber que houve contaminação em áreas rurais. A morte em decorrência de picada de mosquito na floresta é tão trágica como a de alguém infectado nas cidades.
Acontece que desde 1942 não se conhece no Brasil transmissão de febre amarela em reduto urbano. A informação foi veiculada, mas o tom predominante, mostram os títulos da capa, foi o de escalada.
Sob uma manchete, o jornal relativizou a opinião do ministro da Saúde: "No dia em que o número de notificações de casos suspeitos de febre amarela no país subiu de 15 para 24, (...) José Gomes Temporão foi à TV fazer um pronunciamento (...) para dizer que não há risco de epidemia".
Não cabe ao jornalismo sabujar autoridades, mas não é seu papel alarmar. Quando consultou quem entende, a Folha prestou bons serviços.
Na contramão de leigos que proclamavam a urgência de imunização universal, infectologistas a condenaram.
Até a quinta, contavam-se dez mortos por febre amarela silvestre, desde 30 de dezembro. Todos a teriam contraído na mata de Goiás.
O exagero da Folha em 2008 contrasta com outro, o de 2001, quando os 22 óbitos se concentraram no primeiro trimestre. Em nenhum dia daquele ano a primeira página se referiu à moléstia.
Em março, notinha de rodapé com oito linhas noticiou: "Morre a 15ª vítima da febre amarela". Outra nota anunciara semanas antes as 39 mortes do ano anterior (mais uma se somaria à estatística).
Os registros não trouxeram a opinião do então ministro da Saúde, José Serra. Em 2000, nenhum título da capa falou em morte pela doença.
A Redação discorda: "Os números dos anos recentes justificam a cobertura que a Folha vem dando à febre amarela. Em 2004 e 2005, houve três mortes confirmadas em cada ano; em 2006, foram duas mortes; em 2007, cinco".
"Em 2008, apenas no primeiro mês do ano, já há dez mortes confirmadas (uma delas ocorrida em 30 de dezembro, mas só confirmada agora). Acresce que a Folha tem dado amplo espaço a autoridades e especialistas, com diferentes visões sobre a dimensão do problema. E a única manchete relativa ao tema tratou do pronunciamento do ministro da Saúde em que ele procurava tranqüilizar a população."
Não entendi por que os números de 2000 e 2001 não "justificaram" destaque. Sobre isso, minhas perguntas não mereceram respostas.

Do ombudsman da Folha de São Paulo, em 27 de janeiro de 2008.

25% dos jornalistas nos EUA querem sair dos jornais onde estao

12:24 Uma pesquisa nos EUA realizada pela Ball State University junto a jornalistas que trabalham em jornais indica que 25,7% deles pretendem sair. Nao querem mais atuar no meio por conta dos baixo salarios, longas horas de trabalho e estresse. Entre os mais jovens (profissionais com menos de 34 anos), a intençao de mudar é mais alta, chega a 31%. Os que pretendem abandonar os jornais nao querem necessariamente sair da area de comunicaçao - imaginam trabalhar como freelancers, em agências de relaçoes publicas ou voltar a estudar. Noticia do Editor and Publisher, em inglês, aqui.

Notícia do BlueBus.

NYT: é assim que se faz

A notícia que vai reproduzida abaixo está na Folha Online e deveria servir de exemplo para os jornais brasileiros. Ao dizer claramente a seus leitores que candidatos apóia, o jornal The New York Times reforça a sua credibilidade. Sim, pois desta forma o público pode avaliar se as reportagens do jornal têm viés favorável aos candidatos por ele apoiados ou não. Em geral, no NYT, as matérias são bem objetivas e dissociadas da opção eleitoral do jornal.

Aqui no Brasil, se dá o oposto. Salvo raríssimas exceções, como a da revista Carta Capital, que anunciou em 2006 apoio à reeleição do presidente Lula, os jornalões preferem apoiar, digamos assim, certas "teses" em seus editoriais e, o que é pior, acabam "editorializando" as reportagens. Um bom exemplo é a revista Veja, que se tornou um panfleto da campanha de Geraldo Alckmin em 2006 sem jamais contar a seus leitores que ele era o preferido da editora Abril, responsável pela publicação de Veja.

Hoje em dia, para citar outro caso, é possível perceber o viés pró-Serra da Folha de São Paulo. Grave não é a Folha encher a bola de seu ex-colunista – é um direito do dono do jornal mandar apoiar o candidato do seu coração –, grave mesmo é a Folha usar o espaço destinado à informação para manifestar este apoio, por meio de matérias nitidamente enviesadas e, pior ainda, ausência de reportagens que poderiam desgastar o governador. Para quem acha que o blog está pegando no pé da Folha, basta ler a Crítica Interna do Ombudsman do jornal, o excelente Mário Magalhães: dia sim, dia não, ele trata da relação Folha-Serra. Chega a ser engraçado, porque o Ombudsman acaba tendo o papel de dizer à redação algo como: "menos, pessoal, menos. Vamos pelo menos disfarçar um pouco o apoio a Serra, está ficando muito descarado...".

O texto completo no Blog Entrelinhas.

segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

André Singer: ''Momento de virar à esquerda''

TALVEZ SEM consciência do que fazia, a oposição criou as condições mais propícias, desde 2003, para o governo alterar, em alguns graus para a esquerda, o percurso seguido até aqui. É que, ao decretar o fim da CPMF no final do ano passado, PSDB e DEM tiraram um dos suportes sobre os quais estava apoiada a estratégia de fazer distribuição de renda sem confrontar o capital.

Quem sabe esses partidos, com o beneplácito de alguns senadores que formalmente fazem parte da bancada governista, tenham agido em causa própria (de olho apenas no desgaste político do governo), sem perceber que atingiam simultaneamente o interesse dos capitalistas. Mas ocorre que, ao implodir o status quo, serraram um galho no qual a burguesia também estava sentada.

É verdade que, pela reação de parte do empresariado de São Paulo, animado com a derrota imposta ao presidente, ou o acordo anterior só servia ao setor financeiro -o que não parece ser o caso, a julgar pelas altas taxas de lucro e índices de atividade do setor industrial-, ou não foi só a direita senatorial que deu um tiro no pé.
Parece que certas entidades patronais até agora não entenderam de maneira precisa o caráter e o sentido da coalizão conduzida por Lula.

Em todo caso, não terá sido a primeira, nem certamente a última, vez que classes sociais e seus representantes se deixam enganar por preconceitos e refrações ideológicas. De tanto afirmar a urgência de aliviar a carga tributária, escapou-lhes que a CPMF era parte essencial de um modelo que, longe de representar ''gastança'' inútil, garante a margem necessária para, ao mesmo tempo, aumentar o investimento social e pagar juros que, embora declinantes até setembro de 2007, ainda consomem parte muito significativa do orçamento público.

Com a súbita desaparição de quase R$ 40 bilhões de arrecadação, a direita obriga o governo a rever os termos do acordo imaginado para vigorar até o fim do segundo mandato. Ou corta gastos que, direta ou indiretamente, interessam ao trabalhador, ou reduz o superávit primário e determina que o BC reduza a taxa de juros e, portanto, o montante gasto com a rubrica que diz respeito aos rentistas e bancos.

Qualquer diminuição do investimento público prejudica as classes populares. Bolsa Família, vencimento dos funcionários públicos e salário mínimo pago pelo INSS são transferências diretas do Tesouro para o bolso de assalariados e aposentados.
A reação rápida do funcionalismo, antes até da definição sobre onde passaria a tesoura, mostra que os possíveis afetados perceberam imediatamente o sentido da pressão a favor de um ''ajuste fiscal''.

Do mesmo modo, eventuais restrições a concursos ou obras do PAC acabarão sempre por afetar mais os que possuem menos, seja pela diminuição de serviços estatais, seja pelo aumento de tarifas.

No caso da infra-estrutura, atingiria a sustentabilidade do crescimento econômico, que, embora beneficie também empresários que apoiaram o fim da CPMF, é prioridade absoluta para os que dependem de um emprego para sair do inferno e ingressar em uma vida mais ou menos civilizada.

Isso explica a adesão do bispo que dirige o Serviço de Caridade, da Justiça e da Paz da CNBB à iniciativa de mobilizar os movimentos sociais para evitar o que seria um retrocesso inaceitável do ponto de vista dos pobres (ver o manifesto ''Por uma reforma tributária justa'').

Em resumo, o gesto talvez impensado da oposição produziu uma polarização das opções governamentais. Imaginar que se consiga economizar R$ 40 bilhões diminuindo o número de membros do governo que viajam de avião é daquelas mitologias que só continuam a se propagar pois há interesse em manter cidadãos confusos.

Fortalecido pela nítida manifestação popular no segundo turno de 2006, pelo bom desempenho da economia em 2007 e pela compreensão que sindicatos e movimentos sociais mostram da conjuntura, a situação objetiva permite que o Executivo escolha o caminho da esquerda para resolver o impasse criado pelos conservadores no Senado.

Ao fazê-lo, ajudaria, mesmo em um cenário de incertezas internacionais, a que o país mantivesse o ritmo de expansão em 2008 e a que os setores progressistas pudessem fazer das eleições municipais oportunidade de conscientizar o povo sobre o conteúdo da disputa hoje existente no Brasil.

Cabe ao PT, como maior partido do governo, mas também principal partido socialista do país, cujo novo Diretório Nacional se reúne pela primeira vez no próximo dia 9, deixar claro qual caminho convém aos trabalhadores.



ANDRÉ SINGER , 49, jornalista e cientista político, é professor do Departamento de Ciência Política da USP. Foi secretário de Redação da Folha e secretário de Imprensa e Porta-voz da Presidência da República (governo Lula).

domingo, 27 de janeiro de 2008

Dicionário Caldas Aulete grátis

[...] "O dicionárioCaldas Aulete poderá ser instalado nos computadores de todos os usuários da internet. Um dicionário on-line, que oferecerá o maior banco de dados da língua portuguesa, permanentemente atualizado."

Eu instalei e gostei do resultado. Busque aqui: http://www.auletedigital.com.br/auletedigital/

sábado, 26 de janeiro de 2008

ELIANE CANTANHÊDE E URIBE, TUDO A VER

ELIANE CANTANHÊDE E URIBE, TUDO A VER


por ALTAMIRO BORGES Uma das colunistas prediletas da famíglia Frias, Eliane Cantanhêde não esconde as suas opções políticas. No artigo “Chávez e Farc, tudo a ver”, publicado na Folha de S.Paulo, ela bombardeou as negociações encabeçadas pelo presidente da Venezuela, que resultaram na libertação de Clara Rojas e Consuelo González, seqüestradas há muitos anos pelas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia. A jornalista acusou Hugo Chávez de ser um “aliado das Farc”, que “agem fora da lei, seqüestram e matam”. No velho estilo das intrigas midiáticas, bem ao gosto do “eixo do mal” do carrasco George Bush, ainda insinuou que o governo Lula é cúmplice do abjeto “terrorismo”. “Por mais que o Brasil se esforce para minimizar as pretensões de... Leia aqui o restante da matéria!


Ou seja, continue lendo no Vi o Mundo

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sexta-feira, 25 de janeiro de 2008

BLOG CRIADO ESPECIALMENTE PARA AMEAÇAR JORNALISTA DE MORTE

Essa é a foto que está na capa de um blog criado especialmente para ameaçar de morte o jornalista Ricardo Santos, do Maranhão, que é integrante do SIVUCA, o Sistema de Muvuca na Internet, uma reunião informal de blogueiros cujo único compromisso é o de combater o pensamento único. O grupo foi criado por sugestão minha, no ano passado, e é uma espécie de espaço comunitário. Os integrantes dele não têm qualquer compromisso político ou ideológico uns com os outros. Eu nem sei quantos são os matizes político-ideológicos representados no SIVUCA, pelo simples fato de que não perguntei e não pergunto quando aparecem novos candidatos. O Ricardo Santos, por exemplo, dedica seu blog a divulgar informações que não são do agrado político do grupo ligado ao senador José Sarney. Fui "informado... Leia aqui o restante da matéria!




O texto sobre uma ameaça de morte a um blogueiro maranhense continua no Vi o Mundo.

quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

THE GUARDIAN: COMO MUDAR UM REGIME SEM USAR FORÇA

GOVERNOS PRÓ-OCIDENTAIS NA UCRÂNIA (LARANJA NO MAPA) E GEÓRGIA (VERDE) SIGNIFICARAM UM AVANÇO ESTRATÉGICO ATÉ A FRONTEIRA DA RÚSSIA (AMARELO) Em 26 de novembro de 2004, o jornal britânico The Guardian publicou a seguinte reportagem [o que aparece entre colchetes é meu, Azenha]: "Campanha americana por trás da agitação em Kiev por Ian Traynor Com seus sites na internet e seus colantes, com seus slogans que buscam espalhar o medo generalizado de um regime corrupto, os guerrilheiros democráticos do movimento jovem Ucrânia Pora já obtiveram uma famosa vitória - seja qual for o resultado do impasse em Kiev. A Ucrânia, tradicionalmente passiva em política, foi mobilizada pelos jovens ativistas da democracia e nunca será a mesma. SÍMBOLO DO MOVIMENTO PORA É UM SOL NASCENDO. A PALAVRA SIGNIFICA: "CHEGOU A HORA" Mas e... Leia aqui o restante da matéria!





Veja o final da matéria no Vi o Mundo

Electronic Arts suspende a venda de 'Counter-Strike' no Brasil

A Electronic Arts, reponsável pela distribuição de "Counter-Strike" no Brasil, anunciou nesta terça-feira (22) que suspendeu a venda do jogo de tiro em território nacional.

A empresa recomenda que lojistas retirem os jogos "Counter-Strike source" e "Counter-Strike antology" das prateleiras, até segunda ordem.

Ao lado do RPG on-line "Everquest", "Counter-Strike" foi considerado "nocivo à saúde dos consumidores" pelo juiz federal Carlos Alberto Simões de Tomaz, da 17ª Vara Federal da Seção Judiciária do Estado de Minas Gerais.

Na última sexta (18), o Procon anunciou que estava recolhendo das lojas do estado de Goiás os jogos mencionados pelo juiz. A decisão tem validade em todo o território brasileiro, mas o recolhimento dos jogos depende da decisão de cada representação do Procon. Ouvido pelo G1, o Procon de São Paulo disse que estudava a ação.

A decisão do juiz proíbe a comercialização dos jogos, mas não seu uso. Portanto, usuários e lan-houses que já tiverem os games não estão impedidos de jogar. A multa para infração de lojistas é de R$ 5 mil.

A notícia continua no G1.

JOBIM E A INVENÇÃO DO “CAUSAÉREO”

JOBIM E A INVENÇÃO DO “CAUSAÉREO”

Paulo Henrique Amorim

Máximas e Mínimas 891

Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil.

. “Jobim libera escalas em Congonhas – Ministro também recua na questão da ampliação em Cumbica: terceira pista não será mais construída”

. (Clique aqui para ler a íntegra da reportagem na pág. C1 do Estadão de hoje)

. Vale a pena voltar a 17 de julho de 2007, dia da tragédia da TAM, em Congonhas.

. Vale a pena voltar a 29 de setembro de 2006, dia da tragédia da Gol.

. O PIG e a elite branca (e separatista, no caso de São Paulo) manipularam as duas tragédias para derrubar o Presidente Lula.

. Nas cordas, o Presidente Lula nomeou um tucano, Nelson Jobim, Ministro da Defesa.

. A primeira coisa que Jobim fez foi avisar ao presidente eleito José Serra e ao Farol de Alexandria que ia ser ministro.

. Imediatamente, o presidente eleito avisou à Folha e, no dia seguinte, a Folha deu o “furo” ...

. Jobim tomou posse como um General Patton a subir a Sicília (clique aqui para ler).

. Foi descortês com o antecessor, Waldyr Pires – que tem uma biografia que dificilmente Jobim conseguirá emular – e anunciou, tonitruante: “Ou faça ou saia da frente !”.

. Foi um frenesi: o PIG, extasiado, saudou a chegada de alguém, enfim, eficiente (não fosse ele um tucano ...) !

. Jobim anunciou logo duas providencias: acabar com as escalas excessivas no aeroporto de Congonhas; e construir uma terceira pista em Guarulhos.

. Ele seria “inflexível”: ou faça ou saia da frente !

. Leia o abundante noticiário do PIG sobre as providenciais decisões do novo Ministro :

O Globo

Anac veta escalas e vôos de mais de 1.000km de distância em Congonhas

Jobim diz que será inflexível com mudanças em Congonhas

Jobim diz que obras vão começar imediatamente em Cumbica

Estadão

Jobim: parte dos jatinhos de Congonhas vai para Jundiaí

Jobim determina redução de 151 vôos em Congonhas

Cumbica: definição sobre 3ª pista sai na próxima semana

Jobim e Serra discutem PPP de R$ 3,38 bi para Cumbica

Folha

Jobim volta atrás e anuncia início de reforma em Cumbica

Veja

Governador Serra propõe construção de terceira pista

. A terceira pista de Guarulhos, como se percebe, foi idéia (!) do presidente eleito, José Serra.

. Agora, segundo o Estadão, a idéia (!) do presidente eleito carece de “viabilidade técnica” ...

. O recuo do Ministro Jobim demonstra, agora, claramente que o “causaéreo” (clique aqui para ler o verbete) não passava de um capítulo do golpe de Estado contra o Presidente Lula.

. (Clique aqui para ler Marilena Chauí sobre “A Invenção da Crise” e o papel lamentável dos “colunistas” do PIG)

. Agora se sabe que o “causaéreo” derivou de:

- os pilotos do Legacy desligaram o transponder;

- os controladores de vôo se amotinaram, com o apoio irrestrito do PIG, que convocava – como fez o Estadão – as greves de controladores que não se concretizavam. A Lei puniu os líderes do motim;

- O então presidente da TAM, Marco Antônio Bologna, para aumentar os lucros, fez overbooking, amontoou os passageiros de três vôos num avião só, cancelou vôos, substitui vôos de rotina por charters, não empregou funcionários para enfrentar o aumento da demanda e, segundo avaliações preliminares – portanto, não conclusivas – comprometeu a segurança dos aviões da empresa.

(Clique aqui para ler sobre a fabricação de outra crise, a da febre amarela e a participação da “colunista” Eliane Cantanhêde na fabricação do “causaéreo”)



Do Conversa Afiada.


Êxtase

PURO ECSTASY
Aumentou oito vezes o volume de ecstasy apreendido pela Polícia Federal entre 2006 e 2007. Saltou de 19.094 comprimidos para 157.984 unidades. No mesmo período, a maconha confiscada pelos federais caiu cerca de 10%, para 154,5 toneladas. "Há uma tendência mundial para o aumento do consumo de drogas sintéticas", diz o delegado da PF Júlio Danilo.

Notinha da coluna da Mônica Bérgamo, na Folha de São Paulo, de 23 de janeiro de 2008 (para assinantes).

JATENE E A EPIDEMIA QUE O PIG CRIOU

JATENE E A EPIDEMIA QUE O PIG CRIOU

Paulo Henrique Amorim

Máximas e Mínimas 889

Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil.

"A corrida pela vacina (de febre amarela) por pessoas que não precisam dela reduz sua disponibilidade para os que efetivamente têm necessidade."

"Não há... nenhuma razão para vacinar as pessoas que não residem em área endêmica nem pretendem adentrar a mata dessas áreas."

"Vi na televisão pessoas que sempre residiram na cidade de São Paulo e que não pretendem viajar desesperadas, em filas para se vacinarem, alegando que tinham direito. Certamente, não tinham necessidade e se expõem aos efeitos adversos de uma vacina com vírus vivo."

"... a decisão... perversa – que permitiu retirar R$ 40 bilhões destinados a atender a população de baixa renda e entregá-los a empresas e parcelas da população, mais bem aquinhoadas, causando sério risco ao esquema financeiro para o setor."

. Estes são trechos do artigo “Febre Amarela” de Adib Jatene, publicado na página A3 da Folha de hoje (clique aqui para ler a íntegra - apenas para assinantes).

. A crise da febre amarela tem a mesma origem do "causaéreo" (clique aqui para ler o verbete) e do "apagão elétrico": o PIG.

. Recomenda-se a leitura na página A2, também da Folha de hoje, da "colunista" Eliane Cantenhêde, uma das heroínas do "causaéreo" e, agora, estafeta do "apagão elétrico".

. Será que a Eliane Cantanhêde e o Paulo Skaf, presidente FIE P, se vacinaram contra a febre amarela? (Clique aqui para ler "Acabou a CPMF, começou a sonegação").

. Será que a FIE P cogita de, com a economia que fez da CPMF, fazer uma doação à Fiocruz para produzir vacinas e distribuir aos pobres?

. Sobre o "causaéreo" da Eliane Cantanhêde, o Conversa Afiada tratará brevemente, diante da decisão do marechal tucano Nelson Jobim de cancelar a terceira pista em Guarulhos e devolver a Congonhas, um dos aeroportos mais seguros do mundo, as atribuição que tinha antes da tragédia da TAM.



Texto do Conversa Afiada.


quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

Requião: "Sou um governador amordaçado"

A TV Educativa do Paraná interrompeu sua programação normal nesta terça-feira, dia 22, e transmitiu apenas uma nota da Ajufe (Associação dos Juízes Federais do Brasil), a cada 15 minutos, conforme determinação da Justiça, um depoimento do presidente da ABI (Associação Brasileira de Imprensa) e uma resposta do Governo do Estado. Em vez da programação normal, a TV Educativa deixou no ar o Hino do Paraná e o Hino Nacional.

Requião disse em entrevista a Paulo Henrique Amorim nesta quarta-feira, dia 23, que é um "governador sem voz" e que se sente amordaçado (clique aqui para ouvir o áudio).

"Eu me sinto impotente aqui. Censurado e impotente... amordaçado, sou um governador sem voz", disse Requião.

Roberto Requião disse também a Paulo Henrique Amorim que o problema é a Globo, que faz uma campanha contra o Governo dele. "O negócio é a Globo mesmo. Porque todas as vezes que eles publicaram uma mentira, eu botei a mentira deles e desmenti com uma reportagem, filmes e fatos. E foi ao ar na Educativa. Eles estão furiosos", disse Requião.

Requião disse que não pode criticar a Globo no seu programa na TV Educativa. "Eu não posso criticar a Globo, fui expressamente proibido de criticar a imprensa e a imprensa que eu critico aqui é a Globo, por causa da desinformação, não posso criticar o Judiciário, não posso falar das instituições. Ou seja, é tão maluca a coisa que como o Governo do Estado, o Executivo é uma instituição, eu não posso criticar nem o meu Governo. Não é uma instituição da República?", disse Requião.

Requião disse que está decepcionado com o silêncio da sociedade civil e da OAB. Ele disse que vai recorrer a organismos internacionais.


O texto completo, com entrevista do governador do Paraná, no Conversa Afiada.

Lula admite regulamentar piso nacional da educação por Medida Provisória


Em encontro reservado com a CNTE (Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação) no Palácio do Planalto, nesta sexta-feira, o presidente Lula se comprometeu a enviar uma Medida Provisória para o Congresso Nacional caso não seja aprovado até maio o projeto de lei que fixa o piso salarial para os professores. Segundo a presidente da CNTE, Juçara Dutra Vieira (petista, ex-presidente do retrógrado sindicato Cepers, dos professores públicos do Rio Grande do Sul), Lula foi mais "incisivo" na possibilidade de apressar por meio de uma Medida Provisória a aprovação do piso salarial. A proposta enviada pelo governo fixava o piso em R$ 850,00 mas foi elevada para R$ 950,00 durante as negociações entre professores e os deputados federais. O valor deverá valer para professores do ensino médio com carga de trabalho de 40 horas semanais.


Do saite VideVersus. Como eu já havia comentado, o editor do VideVersus usa a palavra petista como ofensa. Mas neste caso o Governo Lula está, mais uma vez, usando uma medida provisória, pela morosidade do Congresso.


Desembargador é acusado no Superior Tribunal de Justiça

O desembargador federal Ricardo Regueira, do Rio de Janeiro, outros quatro juízes federais, entre eles a mulher de Regueira, Lana Maria (da 8ª Vara Federal), três advogados e dois peritos foram denunciados, em dezembro, no Superior Tribunal de Justiça, pelos crimes de estelionato, peculato (desvio de dinheiro público em proveito próprio ou alheio) e formação de quadrilha. Na denúncia, Claudia Sampaio Marques, subprocuradora da República, acusa o grupo de ter cometido crimes contra a administração federal, causando prejuízos aos cofres públicos, através de decisões judiciais tanto no juizado federal de primeira instância como no Tribunal Regional Federal da 2ª Região (Rio de Janeiro e Espírito Santo). Em apenas um caso citado (equiparação salarial de escrivães, peritos, agentes e papiloscopistas da Polícia Federal aos salários de delegados), o prejuízo calculado foi de R$ 1 bilhão. A denúncia é resultado de inquérito instaurado em março de 2004, por iniciativa do então subprocurador José Roberto Santoro. O caso tramita na Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça. Além do casal Regueira, a denúncia atinge os juízes Simone Schreiber (da 5ª Vara Federal Criminal), Regina Coeli Medeiros de Carvalho Peixoto (da 18ª Vara Federal) e Washington Juarez de Brito Filho (da 1ª Vara Federal de Barra do Piraí). No rol de acusados estão os peritos Luiz Fernando Botelho Peixoto (ex-marido de Regina Coeli) e Ronaldo Rodrigues de Oliveira Rosa. Os advogados denunciados são José Francisco Franco da Silva Oliveira, Francisco das Chagas Paiva Ribeiro e Geraldo Magela Hermógenes da Silva. A investigação foi feita em cima de diversos processos que tramitaram pela Justiça Federal do Rio de Janeiro nos anos 90. Conforme a denúncia, Regueira e o advogado Franco da Silva Oliveira articulavam, junto com os demais réus, artimanhas jurídicas que lesaram os cofres públicos. José Francisco Franco da Silva Oliveira, segundo procuradores da República do Rio de Janeiro, é o advogado que teria cobrado US$ 600 mil de Alberto Cacciola para obter decisão favorável ao banqueiro no Tribunal Regional Federal. Ele acabou condenado no escândalo do Banco Marca. Entre os casos investigados pelo Ministério Público Federal constam os processos de levantamento de FGTS impetrado por uma associação de servidores públicos da Bahia, com sede no Rio, e que teve liminar concedida por Lana Regueira. Há ainda a briga de Júlio César de Araújo Lutterbach com a Receita Federal. Nesta ação, depósito inicial em torno de R$ 550 mil se transformou, devido a cálculos tendenciosos de juros e correção monetária, em crédito de R$ 18,6 milhões, segundo informaram procuradores. A denúncia também esmiúça o processo da empresa Fiducial, que promoveu execuções extrajudiciais de créditos hipotecários para a Caixa Econômica Federal e depois a acionou na Justiça. A ação, avaliada em R$ 1 mil, passou a valer R$ 56 milhões. Também o escândalo do Papa-Tudo (títulos de capitalização lançados em 1994 e 1995 pela Interunion Capitalização, do empresário Artur Falk) é citado. Pelo relato dos procuradores, Regueira (cuja filha teve Falk como padrinho de casamento) deu decisões liminares favoráveis ao empresário em processos nos quais ele não tinha nenhuma atribuição.

Notícia do VideVersus.

Preciosismos

Para Bush, o mínimo que se poderia dizer era: assassino!

Lendo algumas edições de ZH da semana que se encerra, deparo com um detalhe que me causou curiosidade em uma notícia: o jornal colou ao nome de Fidel Castro a alcunha de ditador. O texto era sobre um fato prosaico, típico de agendas presidenciais, e iniciava-se assim: "O encontro entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ditador de Cuba Fidel Castro na próxima semana depende do aval dos médicos que tratam [do] presidente cubano". E seguem-se as linhas, sem maiores sobressaltos ou revelações.

Não pretendo discutir aqui o acerto ou não em classificar Fidel como ditador, mas o que me espanta é o preciosismo, a opção semântica, a postura ideológica revelada pela escolha da palavra por se tratar de tema concernente à Cuba. Se a motivação e o princípio fossem equânimes a qualquer sujeito, deveríamos ver estampadas nas páginas do jornal coisas do tipo:

- o assassino George W. Bush, que, comprometido com a indústria bélica e petrolífera do seu país, fez de tudo para tentar legitimar a invasão do Iraque...

- o torturador George W. Bush, responsável por métodos de depoimentos que ferem gravemente os direitos humanos de cidadãos muçulmanos ou de ascendência árabe sem nenhum vínculo com atividades terroristas...

- o irredutível George W. Bush, que não assinou o Protocolo de Kyoto, causando graves danos ao ambiente...

- o intervencionista governo norte-americano, que manteve uma esquadra no litoral brasileiro em 1964 para entrar em ação caso o golpe dos militares não desse certo...

- o ex-governador Antônio Britto, que privatizou o sistema de telefonia do Estado e depois passou a compor o conselho de administração de um dos bancos envolvidos na operação...

- o ditador Getúlio Vargas...

- o ditador Ernesto Geisel, o ditador João Baptista de Oliveira Figueiredo, o ditador Emílio Garrastazu Médici... o mesmo valendo para seus comparsas de farda que encostaram a baioneta no Palácio do Planalto e se autodenominaram estadistas...

- o governo de Israel, que mantém há décadas uma política intervencionista e não devolve as terras que tomou de países vizinhos...

- o esperto José Serra, que - acertadamente, deve-se reconhecer - estimulou a produção de medicamentos genéricos, ao mesmo tempo em que seu filho é dono da maior fábrica brasileira do gênero...

- o displicente prefeito de Porto Alegre, que transformou a malha viária em uma sucessão de buracos...

Seria interessante, bem interessante se os jornais fossem tão realistas e fidedignos como nas ocasiões em que chamam Fidel de ditador. Para Bush, o mínimo que se poderia dizer era: assassino!

Texto do Cacto.

Overdose



Do Kayser.

Campanha pela redução da jornada de trabalho

Seis centrais sindicais lançaram nesta segunda-feira, em São Paulo, uma campanha nacional pela redução da jornada de trabalho sem perdas salariais. Os sindicalistas definiram um calendário de mobilizações em todo o país para recolher 1 milhão de assinaturas e entregá-las ao Congresso Nacional. A proposta das centrais é reduzir a carga horária de 44 para 40 horas semanais. Essa medida, segundo os sindicalistas, possibilitará a criação de cerca de 2 milhões de novos empregos com carteira assinada e maior distribuição de renda no país. As centrais sindicais também querem que os empresários dividam os ganhos de produtividade com os trabalhadores. Participam da campanha a Central Única dos Trabalhadores (CUT), a Força Sindical, a Central Geral dos Trabalhadores do Brasil (CGTB), a Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), Nova Central Sindical de Trabalhadores (NCST) e União Geral dos Trabalhadores (UGT).

Na Constituinte de 1988, a jornada de trabalho foi reduzida de 48 para 44 horas semanais. Essa jornada, assinalam os sindicalistas, ainda é maior que a de países desenvolvidos e de outros latino-americanos. Alguns exemplos: na Alemanha, a jornada semana é de 39 horas, nos Estados Unidos, 40 horas, no Canadá, 31 horas. No Chile, a jornada é de 43 horas e na Argentina, de 39 horas semanais. Em todos esses países, destacam as centrais sindicais, a jornada foi reduzida nos últimos 20 anos. Desde 2001, tramita no Congresso Nacional uma proposta de emenda à Constituição, de autoria do senador Paulo Paim (PT-RS), propondo a redução da jornada de trabalho no país para 40 horas semanais, com uma redução futura e gradual até chegar ao nível de 36 horas semanais. As entidades empresariais são contrárias à proposta.


Texto do RS Urgente. E você achando que lutas e disputas de classes eram coisa do passado. O grifo final é deste editor. Aliás, pensando em entidades empresariais, como falou o Cristóvão Feil, estamos esperando reportagem do Zé Agá, sobre quanto tempo o Dr. Sperotto ficou, e ficará, à frente da FARSUL.