sábado, 1 de março de 2008

Resposta ao artigo Três vivas à Kosova, de Uri Avnery

Ramez Philippe (no Blog do Bourdokan)

O artigo de Uri Avnery me lembra um ditado português, se não me engano, "desobedecer a El Rey para servir a El Rey".

Avnery é sionista até o último átomo de sua medula.

Neste artigo, falando de Kososvo, ele revela sua fé no sionismo.Kosovo era um província da Sérvia com grande população muçulmana. Foi separada manu militari pelos EUA e OTAN, com o extermínio de milhares de pessoas, para a construção de uma gigantesca base militar no Estado recém-criado.

A desculpa de sempre: é impossível cristãos e muçulmanos conviverem em paz e em prosperidade.

A mesma desculpa usada na Nigéria em 1971, no Chipre em 1974, no Líbano entre 1975-90, no Iraque, a partir de 1991, e na Iugoslávia.

Os EUA criaram o Estado muçulmano do Kosovo para implodir qualquer forma de nacionalismo laico e de contestação social-político-econômico. Os conflitos devem ser religiosos e culturais. Fica mais fácil manobrar tais enfrentamentos.

Usaram a mesma manobra quando criaram Israel, na Palestina, para jogar judeus contra muçulmanos, que durante 1500 anos, essa mesma Palestina acolheu judeus e cristãos em suas terras.

Tentaram fazer o mesmo com o Pequeno Líbano confessional cristão maronita.

A França tentou fazer o mesmo na Síria nos anos 1920.

O que Avnery defende não é soberania do Kosovo, mas sim, a soberania de Israel como Estado judeu. Por isso seus ataques ao estabelishment dito sionista. Avnery sabe que se Israel continuar suas invasões e ocupações de terras árabes, os judeus perderão a condição de maioria dentro do próprio Estado dito judeu.

Daí sua defesa da fórmula 2 povos, 2 Estados. Mesmo sabendo da impossibilidade física da constituição, na atual conjuntura, de um Estado Palestino. Daí suas condenações ao expansionismo e militarismo israelenses, pois sabe que quanto mais Israel vence as guerras, mais árabes passam ao controle judeu. Menos judeu se torna Israel.

Suas posições aparentemente anti-sionistas, corajosas, por sinal, são mais sionistas do que aquelas que supostamente são defendidas pela coalizão likudista-trabalhista no poder há 60 anos em Israel.

Um Kosovo muçulmano dá mais legitimidade a um Israel judeu. Assim como, um Líbano maronita dá mais legitimidade a um Israel judeu.

Israel sempre desejou dividir o mundo árabe em mini-Estados étnico-confessionais. Este era o desejo de Ben Gurion e de todos os demais líderes israelenses. Mais do que desejo, estratégias.

Os EUA agora aplicam tais estratégias em escala planetária, da Bolívia à China.

Paradoxalmente, Avnery ao apoiar a "independência" de Kosovo, está na realidade, indo ao encontro das idéias de Ben Gurion, do imperialismo francês e, agora, do imperialismo americano. Só que o caso em questão se situa nos Balcãs.

Desobedecer o sionismo para servir o sionismo. Este é o lema de Uri Avnery, que ainda assim é um homem corajoso.

Síria acusa EUA de prolongar crise no Líbano

A Síria acusou os Estados Unidos hoje de prolongar a crise no Líbano por enviar um navio de guerra para a costa do país e disse que Washington não pode impor uma solução "exibindo sua força".

Na primeira reação do governo de Damasco ao anúncio feito por Washington, na última quinta-feira, sobre o envio do USS Cole, o ministro das Relações Exteriores da Síria, Walid al-Moualem, afirmou que a força não é uma resposta aos problemas políticos no Líbano.

"Temos dito que os Estados Unidos estão obstruindo a solução política no Líbano e a presença deste navio comprova isso", afirmou Moualem depois de reunião com Amr Moussa, o secretário-geral da Liga Árabe.

"Aqueles libaneses que apostam na exibição de força dos Estados Unidos ficarão desapontados. Washington não pode impor a solução que quer. A solução deve ser baseada em um consenso libanês", disse Moualem.

A luta de 15 meses pelo poder no Líbano se tornou um teste de foças entre o governo pró-Ocidente e a oposição liderada pelo Hezbollah. A Síria e o Irã apoiam o movimento xiita.

Os Estados Unidos sugeriram que a maioria parlamentar libanesa, que tem seu apoio, eleja um novo presidente por conta própria. O posto está vago desde novembro.

Reuters

Marrocos condena "ataques atrozes" em Gaza

O governo do Marrocos condenou, hoje, o que qualificou de "atos atrozes" praticados pelas forças israelenses, na Faixa de Gaza, contra a população civil palestina e estimulou a comunidade internacional "a intervir imediatamente" para acabar com essa situação.

Em comunicado, o Ministério marroquino de Assuntos Exteriores e da Cooperação, pediu também às partes "que evitem os ataques contra a população civil, que levam a uma onda de violência e destróem as esperanças de paz na região".

O balanço provisório de mortos na ofensiva realizada pelo exército israelense, em Gaza, subiu hoje para 46, enquanto os feridos rondam os 200. A operação, apoiada por artilharia, tropas de infantaria e aparatos da Força Aérea israelense, teve como centro o campo de refugiados de Jabalya, no norte da faixa palestina.

A atual situação de violência levou dirigentes palestinos, como o chefe de negociações com Israel e ex-primeiro- ministro, Ahmed Qorei, a ameaçar suspender o diálogo de paz. Além disso, o presidente palestino, Mahmoud Abbas, convocou em Ramala (Cisjordânia) uma reunião especial para analisar essa questão, após a qual pediu a reunião urgente do Conselho de Segurança da ONU.

EFE

Já são 52 os mortos em ofensiva de Israel

Pelo menos 52 palestinos morreram e 150 ficaram feridos, hoje, em uma das ofensivas mais sangrentas do exército israelense na faixa de Gaza desde 2000, que levou o presidente palestino, Mahmud Abbas, a pedir uma reunião de urgência do Conselho de Segurança da ONU.

As forças militares israelenses informaram sobre a morte de dois de seus soldados. Os grupos armados palestinos, por sua vez, dispararam mais de 50 mísseis contra Israel, onde feriram sete pessoas, entre elas duas crianças e uma mulher, na localidade de Ashkelon, a 10 km da faixa de Gaza, segundo o exército.

Além dos dois soldados mortos, outros sete, inclusive um oficial, ficaram feridos. Segundo médicos palestinos, pelo menos 50 palestinos morreram e outras 150 ficaram feridas, nos ataques aéreos e na operação terrestre de Israel na cidade de Jabaliya e seus arredores.

De acordo com a televisão pública israelense, um regimento inteiro, ou seja, 2 mil soldados, participaram das operações na faixa de Gaza.

Entre os mortos palestinos, estão pelo menos 13 civis, inclusive quatro jovens e sete mulheres. Outros 16 foram identificados como membros de grupos armados, quase todos pertencentes ao braço armado do Hamas.

sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

CAPA DA NEW YORKER SOBRE FIDEL REALÇA O QUANTO "VEJA" SE TORNOU VULGAR

AZENHA:

Classe é outra coisa. Não é só questão de estampa. A New Yorker da semana traz um belo texto de Alma Guillermoprieto sobre a despedida de Fidel. "Vamos, Fidel, não há ninguém em seu caminho", ela escreve - nos transportando para uma porta imaginária pela qual passa "o filho do fazendeiro espanhol rico com a lavadeira cubana", com um ondulante roupão de hospital.

"Depois de quase cinqüenta anos, é difícil argüir que de fato houve o desejo do povo cubano de ver seu líder detonado por um charuto explosivo ou de dar boas vindas a uma invasão terceirizada", escreveu.

"Hoje, mesmo a mais veemente oposição dentro de Cuba tem poucas ilusões de que Washington adotará uma postura informada, esclarecida, não-intervencionista e generosa" diante da transição na ilha, afirma ela, oferecendo a própria sobrevivência de Fidel como prova de que o embargo econômico mantido por nove presidentes americanos fracassou.

O site da revista tirou do arquivo um perfil escrito por Jon Lee Anderson, o biógrafo de Che - aquele, que detonou a Veja.

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

ANTI-JORNALISMO

Blue Bus:

Estrelas da Globo vao dar aula de jornalismo na PUC do Rio

O apresentador William Bonner, que compara seu espectador a Homer Simpson, e o reporter Tino Marcos sao algumas das estrelas do jornalismo da Globo que vao voltar às salas de aula. Por conta de uma parceria com a PUC do Rio, vao falar sobre telejornalismo. Nota da Patricia Kogut hoje no Globo.

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008

OPOSIÇÃO FAZ OPOSIÇÃO AOS POBRES

CONVERSA AFIADA:

Paulo Henrique Amorim

Máximas e Mínimas 974

Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade
técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PIG, Partido da Imprensa Golpista.



. O programa “Territórios da Cidadania” renovou a oposição da Oposição aos pobres.

. Arthur Virgilio Cardoso, Sérgio Guerra, Rodrigo Maia e Agripino Maia reocuparam o espaço que provisoriamente tinham perdido no PIG para atacar o programa: querem acabar com o programa.

. Os argumentos não têm “consistência”, como a candidatura José Serra à Presidência da República, segundo a colonista Eliane Cantanhêde.

. O mais grave deles é o de que estamos num ano eleitoral.

. Logo, num ano eleitoral, eles contam (até quando, Catilina ?) com o Ministro (?) Marco Aurélio de Mello na presidência do TSE.

. E, se dependesse de Mello, o Presidente Lula, sequer, tinha tomado posse ...

. Desde a campanha para derrotar a CPMF, a oposição, sob a liderança do Farol de Alexandria, demonstra que o problema não é com o Governo Lula.

. É com os pobres.

. E agora vai ao Supremo, ao MP, à Policia Federal, ao Vaticano, ao Bei de Tunis, à Corte Internacional de Haia, onde for, para impedir que o programa “Luz para Todos” ou o “Sorridente” chegue aos pobres.

. Hoje, nesta quarta-feira, o PIG parece indignado com o fato de, sem a CPMF, a arrecadação em janeiro ter sido muito boa.

. Clique aqui para ver a manchete indignada do Globo - apenas para assinantes do Globo, clique aqui para ler a manchete do Estadão e clique aqui para ler a manchete da Folha.

. Um horror: o plano do PIG de “starve the beast”, matar o Estado de fome, não deu certo, ainda !

. O horror é que o Governo Lula pega esse dinheirão e destina aos pobres !

. Onde já se viu isso ?

. Arthur Virgilio Cardoso tem razão: ele é o único candidato “consistente” da Oposição: ele é contra os pobres e, logo, contra os impostos.

. Ele é o nosso Bush, o nosso Sarkô.

CARO LEITOR DO BLOGOLEONE: PARA LER OS CLIQUES AQUI DO TEXTO, SUGIRO CLICAR NO TÍTULO DESTA POSTAGEM.

terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

Gente bronzeada e sem valor


Somos todos mouros, por Sebastião Nery.

Chegamos ao trem, em Madri, em 70, eu e minha mulher, a caminho de Marrocos, por Gibraltar, perguntei ao encarregado do carro qual a nossa cabine. Ele nos levou muito solícito. Lá estavam sentados dois marroquinos. Cada cabine, de primeira ou de segunda classe, era sempre para seis pessoas sentadas. O espanhol fechou a cara, rosnou algumas palavras incompreensíveis, arrastou-nos e nos levou a outra cabine:
- Fiquem aqui.
- Mas nossos números são da cabine de lá.
- Vão viajar com mouros? São imundos e mal educados. Raça inferior. Vão roubar vocês. Árabe aqui na Espanha não é gente.
De nada adiantaram nossa reação e nossos argumentos. O espanhol era um racista tarado. A viagem toda fiquei espreitando o seu comportamento. Empilhou os árabes em outras cabines, defendendo a santa pureza de seu vagão ariano. De repente, ouço uma briga no corredor do trem. São soldados agredindo violentamente alguns árabes.
Espanha
Chamo um dos fardados, de divisas no braço, e lhe pergunto o que há:
- Não é nada não. São esses mouros.
- Mas, o que é que eles estão fazendo?
- Não têm que vir para a terra da gente. Uns imundos.
Passada a confusão, puxo conversa com ele:
- Que patente é esta sua? É do exército espanhol?
- Não. Sou da Legião Estrangeira. Vou para a África. Vamos brigar lá.
- Contra quem?
- Na Legião a gente só sabe contra quem vai brigar na véspera. Quem sabe o inimigo são os homens e os governos que nos pagam.
- E quem são esses homens e esses governos?
- Não sei e não quero saber. Quem quer saber muito as coisas não entra para a Legião Estrangeira.
E saiu mascando o seu chiclete. Sórdido como todos os mercenários.
Inglaterra
Quase quarenta anos depois, a "Folha" contou que "a mestranda de Física pela USP, Patrícia Camargo Magalhães, 23 anos, que tinha reservas em hotel em Lisboa, dinheiro e cartões de credito, passou três dias detida no aeroporto de Madri, onde fazia uma conexão, confinada em uma sala blindada de 9m2, com mais 30 brasileiros, e foi deportada, de volta ao Brasil, por autoridades espanholas, quando iria apresentar um trabalho em um congresso em Lisboa. Em 2007, pelo menos 3 mil brasileiros tiveram recusado seu ingresso no país (uma média diária de 8,2)". Domingo, de Londres, Rafael Cariello, da "Folha", contou coisa pior:
"Os brasileiros representam a maior fatia de pessoas, entre todas as nacionalidades, que têm a entrada negada no Reino Unido (Inglaterra) e são mandadas de volta ao país de origem. Os números mostram que, em 2005 e 2006, o total de brasileiros, cuja entrada foi negada no país, representou mais que o dobro da segunda nacionalidade (Nigéria), com maior numero de `denegações' (vetos). Em 2005, 5.195 brasileiros tiveram a entrada recusada na Inglaterra e foram enviados de volta, contra 2.135 nigerianos, em segundo lugar. No ano seguinte, foram 4.985 negativas a brasileiros. Paquistaneses, 2.035 casos. Nigerianos, com 1.960, vêm em seguida".
A "basura"
Nenhuma novidade. O guarda do trem, o jovem capitão da Legião Estrangeira, o governo espanhol e o inglês continuam pensando exatamente a mesma coisa: só entra lá quem for fazer os serviços "baixos", a "basura" (lixo), que espanhóis, ingleses, europeus se negam a fazer.
É só uma questão de cor e classe social. Quase todos os brasileiros que eles imaginam que querem ficar lá são brancos, classe média, têm algum nível e vão disputar empregos que eles podem querer e ter. Por isso são mais vetados do que os negros nigerianos, os marrons paquistaneses, que, como outros africanos e asiáticos, se submetem a qualquer serviço.
Essa violência, que até o sempre obsequioso Itamaraty considera "inaceitável", é uma bofetada. Durante séculos, sobretudo depois das duas guerras mundiais, o Brasil foi o "berço esplêndido" que acolheu milhões de portugueses, espanhóis, ingleses, italianos, judeus, europeus de todo tipo, que não tinham o que comer e onde trabalhar. Hoje, para eles somos mouros.
A invasão
Vindo da Espanha, essa afronta é um escárnio. A Espanha está literalmente invadindo o Brasil, ganhando o País de presente. O Banco Santander recebeu de Fernando Henrique o Banespa, o segundo maior banco do País, sem pagar um tostão, e vai montando aqui seu império.
Nossa maior telefônica é a espanhola Telefônica de São Paulo, associada ao Santander. Estão comprando as outras. Mais de 70% dos livros didáticos quem fornece ao governo é a Santillana, espanhola, aliada ao Santander. A editora Planeta, que também já absorveu várias, é espanhola. Empresas de água e esgoto, luz, estradas, postos, está tudo nas mãos dos espanhóis. Pena que não tenhamos um governo, mas uma bandalha.
Para não se imaginar um preconceito contra a Espanha, cito o exemplo italiano. O livro "La presenza italiana nella historia del Brasil", da Fondazione Agnelli, conta que "só no Estado de São Paulo, de 1886 a 1934, entraram 2 milhões e 300 mil italianos como imigrantes.(Recebido por email, razão pela qual não vai publicado o limk da página).

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

Fogaça, o lento!


Saiu no blog RS Urgente: "Após mais de três anos apoiando e sustentando politicamente o governo Fogaça, o deputado federal Nelson Proença (PPS), descobriu que a marca do atual prefeito de Porto Alegre é a lentidão. Em entrevista ao jornal Zero Hora, neste domingo, Proença lascou: “Tenho grande respeito pelo Fogaça, acho que é um sujeito correto, mas é lento. Ele é lento para tomar decisão e aí, conseqüentemente, é lento para resolver o problema da pavimentação, para recolher o lixo nas ruas. A lentidão no processo de decisão é a marca registrada da administração Fogaça”.

Proença também detonou o slogan da campanha eleitoral de Fogaça: “fica o que está bom, muda o que não está”. “Fogaça ficou na metade da frase. Ele só deixou o que estava bom, não conseguiu mudar o que não estava. Eu acho que isso é decorrência do comportamento dele, dessa forma hesitante de conduzir a política municipal”.

Apresentando-se como candidato à prefeitura de Porto Alegre pelo PPS, também disparou contra o governo Yeda, especialmente contra o secretário da Fazenda, Aod Cunha: “A Secretaria da Fazenda como corporação é demasiado forte. Aod, que é uma pessoa extraordinária, não consegue comandar a corporação. A Fazenda cria dificuldades para que se leve adiante um projeto de atração de investimentos”.

Caso seja candidato deverá explicar à população de Porto Alegre porque apoiou e sustentou politicamente um governo lento e incapaz".

Brasil negocia fim de restrição de viagem a soropositivos

O Brasil vai liderar as negociações internacionais para tentar acabar com as restrições de viagens para portadores do vírus da Aids. Hoje, doze países em todo o mundo impedem totalmente a entrada de imigrantes ou turistas com a doença e a Organização Mundial da Saúde (OMS) quer acabar com essa situação. O caso mais polêmico é dos Estados Unidos, onde os turistas soropositivos ainda precisam esconder a doença se querem entrar no país.

"A Aids não é uma doença que se transmite pelo ar, como a Sars. Portanto, não há motivos para que as restrições existam e a Aids não pode ser tratada como apenas uma questão de segurança nacional", afirmou Mariangela Simões, diretora do Programa de Combate à Aids do Ministério da Saúde. Ela será a escolhida para liderar o processo na OMS relacionado especificamente à entrada de turistas em países. O governo filipino será o coordenador do grupo que irá debater a questão da entrada de imigrantes.

"A idéia é que recomendações sejam apresentadas em seis meses para que o tema seja levado à Assembléia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU)", contou Mariangela. No total, 72 países, entre eles o Brasil, não aplicam restrições. Mas outros 62 países não autorizam vistos de residente para soropositivos.

Escondendo (de novo) o padre Júlio

OBSERVATÓRIO DE IMPRENSA:

Postado por Luiz Weis em 22/2/2008 às 7:53:17 AM


Toda hora, ou quase, a mídia dá motivo para se condená-la por acusar aos berros e se retratar aos sussurros.

Nesse sentido, o modo como a Folha tratou o caso do padre Júlio Lancelotti merecia ser ensinado nas escolas de jornalismo – como um exemplo a não se imitar.

No domingo, 28 de outubro, o jornal deu na primeira página:

“Ex-interno diz que fazia sexo por dinheiro com padre” [ver aqui].

Na quinta-feira, 8 de novembro, a mesma Folha – mas nunca, jamais, onde já se viu, na primeira página – noticiou a conclusão da polícia de que “padre Júlio sofreu extorsão”.

A omissão, contrastando constrangedoramente com a apelação anterior, foi registrada neste blog [ver aqui].

Para explicar a disparidade de tratamento, o jornal poderia alegar, forçando a barra, que a conclusão policial não seria necessariamente o fecho do caso, apenas uma etapa no processo de esclarecimento dos fatos. Afinal, informava a matéria, “o inquérito será analisado pelo juiz Júlio Caio Farto Sales”, que “poderá pedir novas investigações, caso considere as provas insuficientes".

Hoje, reincidente, alegaria o quê? Em oito linhas praticamente caíndo de uma página interna do caderno Cotidiano, o jornal dá que “o Ministério Público de São Paulo considerou o padre Júlio Lancelotti vítima de extorsão” e que “a condenação deve sair na semana que vem”.

Fácil imaginar o que a Folha faria se o Ministério Público considerasse que não houve extorsão nenhuma na história – e que o religioso, como o jornal proclamou naquele domingo de outubro, o dia em que mais vende, de fato pagava por sexo com um ex-interno, segundo acusação deste.

E a azeitona nessa empada podre é que a notícia de hoje na Folha chegou atrasada: as conclusões do Ministério Público já estavam ontem no Estado.

sábado, 23 de fevereiro de 2008

O que engana bem nos EUA ...

Ao justificar seus ataques aos meios de comunicação, Musharraf não se cansou de dizer que os jornalistas paquistaneses eram grosseiros, não respeitavam as autoridades e teriam que aprender a se comportar. Às vezes citou a imprensa norte-americana e a britânica e como elas tratavam bem seus governantes. Como tinha razão! Quis, portanto, alinhar a mídia paquistanesa com suas congêneres dos Estados Unidos e do Reino Unido.

Não há dúvida: o New York Times estaria de acordo com tudo isso. Como esquecer sua valente posição quando Bush/Cheney/Rumsfeld se preparavam para ir à guerra? Ou o apoio servil à Bush, não só da rede Fox, mas de todos os canais de televisão, sem exceção? Ou o terrível Tony Blair castrando uma BBC domesticada, despedindo seu presidente e seu diretor-geral, porque de vez em quando ela refletia as opiniões da maioria dos cidadãos, que eram incondicionalmente hostis à guerra?
Tariq Ali na Carta Maior.

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

Pedro Simon defende fim do bloqueio contra Cuba

O senador Pedro Simon (PMDB-RS) em discurso no plenário nesta sexta-feira defendeu o fim do embargo econômico que os EUA mantêm durante quatro décadas contra Cuba. Com a renúncia de Fidel Castro do cargo de presidente, Simon considera que estão criadas as condições políticas para "um avanço histórico, com o fim do bloqueio que asfixia a ilha economicamente e prejudica, principalmente, o povo cubano".

- O Congresso norte-americano, na última terça-feira, pediu ao governo o fim da política punitiva dos EUA contra Cuba - ressaltou o senador dizendo que a imprensa norte-americana também constata o fracasso das tentativas de derrubar Fidel Castro.

Na opinião do parlamentar, o Brasil pode desempenhar um papel importante na distensão das relações entre o regime cubano pós-Fidel e o governo dos Estados Unidos. Nesse sentido, Simon sugeriu que o assunto seja discutido no Parlamento do Mercosul - que se reúne em Montevidéu, em março.

O senador, ao mesmo tempo, apelou ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que está na Argentina, para que debata a questão com a presidenta Cristina Kirchner. Outra proposta de Pedro Simon, debatida no plenário, durante apartes dos senadores Heráclito Fortes (DEM-PI), presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado, e Cristovam Buarque (PDT-DF), foi uma reunião com o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim.

O juiz, a polícia e o malandro

CARTA CAPITAL:

Roberto Schuman *

Um flagrante da crônica policial durante o carnaval é a prova eloqüente de que a polícia do Rio de Janeiro não trai mesmo a origem. O policial com farda (militar) ou sem farda (civil) não se comporta como guardião da cidadania. Talvez não conheça esse conceito. Talvez o despreze. Essa, enfim, é a polícia que a sociedade brasileira criou, voltada originalmente para reprimir a população mais pobre. Tem esse sentido o texto escrito pelo juiz Roberto Schuman, 31 anos, da 2ª Região do Tribunal Regional Federal. É inspirado na experiência que ele viveu, na noite da segunda-feira de carnaval. Mesmo depois de se identificar, foi tratado por policiais civis como um marginal. Em seguida, algemado e empurrado para dentro de um camburão. “Confesso que saí do camburão me sentindo como um trapo, um lixo, em relação à minha cidadania e à minha condição funcional”, escreveu o juiz aos amigos. Ele mesmo encontrou a foto de um de seus algozes no site da Polícia Civil. Nela, o policial Cristiano Carvalho Veiga da Mouta recebe do chefe da Polícia Civil, Roberto Hallak, o diploma de conclusão de um curso de Operações Especiais. Os policiais, de ouvido em ouvido, contam outra versão. Mas o que o juiz narra é exatamente o que a população conhece. Não parece invenção e, muito menos, mera coincidência. Se isso ocorre com um magistrado, talvez só reste constatar: “Pobres dos pobres!” (Mauricio Dias)

Segunda-feira de carnaval. Saí de casa por volta das das 22 horas para encontrar a namorada na porta do Circo Voador, na Lapa. Ao chegar, deixei o táxi ao celular, para tentar localizá-la. Além de tênis, bermuda e camisa, usava um chapéu, desses vendidos em todos os cantos da cidade a 5 reais. Presente da namorada. Coisa de mulher.

Atravessei a rua e quase fui atropelado por um camburão, luzes e lanternas apagadas, com a inscrição Core (Coordenadoria de Recursos Especiais, unidade especial da Polícia Civil do Rio). No mesmo momento, o motorista gritou: “Ô, malandro!” Assustado, dei um pulo para a calçada, pedi desculpas e virei as costas, ainda ao celular.

Percebi, então, que a viatura andava ao meu lado, com três policiais de preto. E escutei, em alto e bom som: “Saia da rua, seu malandro e bêbado!” Neste momento, reagi. Isso não é jeito de tratar as pessoas na rua. “Não sou bêbado nem malandro. Se vocês não estiverem em operação, está errado andarem com essa viatura preta e apagada, pois quase me atropelaram e vão acabar ferindo alguém!”

Foi a oportunidade que queriam. Os homens de preto desceram da viatura: “Ô, malandro, tu é abusado e tá preso”. Ato contínuo, diante da voz de prisão, estendi os dois braços para ser algemado. Pergunto ao mais novo dos três, que estava completamente alterado: “Qual o motivo da prisão?” Resposta: “Desacato”. Insisto: “O que os senhores entendem por desacato?” Resposta: “Até o DP a gente inventa, se a gente te levar pra lá”.

Percebi a gravidade da situação e disse: “Estou me identificando como juiz federal e minha identificação funcional está dentro da minha carteira, no bolso da bermuda”. Imediatamente, o policial novinho, que se identificou como André e no DP disse ser Cristiano, meteu a mão no meu bolso, pegou a minha carteira e a colocou em um dos bolsos de sua farda preta. Então, o impensável aconteceu! Disseram: “Juiz federal é o c... Tu é malandro e vai para a caçapa do camburão”.
Fui atirado na mala do camburão como bandido, algemado, com o celular no bolso. Os três policiais do Core diziam que, no máximo, eu deveria ser “juiz arbitral ou de futebol”. Temi pela vida. Por incrível que pareça, veio-me aquela frase de Dante, da obra Divina Comédia: “Abandonai toda esperança, vós que entrais aqui”.

Sem perder as esperanças, mesmo algemado, peguei o celular do bolso e liguei para a assessoria de segurança da Justiça Federal. Informei a situação, bem baixinho. Que não sabia se seria levado ou não ao DP. Pedi para acionar a Polícia Militar e localizar a viatura do Core que circulava pela Lapa comigo algemado.

Após o telefonema, disse-lhes uma única coisa, ainda na viatura. “Vocês estão cometendo crime.” Eles zombaram aos risos: “Juiz federal andando com esse chapéu igual a malandro. Até parece. Se você for mesmo juiz, a gente vai chamar a imprensa, pois juiz não pode andar como malandro”.
Na delegacia, as gracinhas dos policiais continuaram: “Olha o chapéu do malandro”. Já me sentindo em segurança, revidei. “Vocês querem que eu tire o chapéu e vista terno e gravata?” O fato é que, na presença do delegado, as algemas foram retiradas. Vinte minutos depois, um dos policiais de preto veio ao meu encontro: “Excelência, desculpas. Nós agimos mal, podemos deixar por isso mesmo?”
Respondi: “Primeiro, não me chame de excelência, pois até há pouco eu era malandro. Segundo, não. Não pode ficar por isso mesmo. Como é que vocês tratam assim as pessoas na rua, como se fossem bandidos? Terceiro, vocês três não honram a farda que vestem. Quarto, desde a abordagem policial, agi apenas como cidadão e fui desrespeitado. Depois de ter me identificado como juiz federal, fui ainda mais ofendido. Logo, houve um crime de abuso de autoridade seguido de outro de desacato.

O circo foi montado pelo próprio agente Cristiano, que ligou do interior do DP para os repórteres, de forma incessante. Talvez temesse que ele e seus dois colegas de farda preta fossem presos por mim no interior do DP. Decidi não fazê-lo, porque em nada prejudicaria a instauração de procedimento administrativo na Corregedoria da Polícia Civil, bem como a ação penal por abuso de autoridade e desacato, sem mencionar o dano à minha pessoa, como cidadão e magistrado.

“Se como juiz federal fui ameaçado por três homens de farda preta com pistolas automáticas, algemado e jogado como um bandido na mala de um camburão, simplesmente por tê-los repreendido, de forma educada, como convém a qualquer pessoa de bem, o que aconteceria a um cidadão desprovido de autoridade e conhecimento dos seus direitos?”

De minha parte, duas coisas estão claras. Não permitirei nada passar em branco, pois são fatos sérios e graves que partiram daqueles que têm o dever de zelar pela segurança da sociedade. E, no próximo carnaval, não usarei o presente da namorada, o tal chapéu. É perigoso. Pode ser coisa de malandro.

*Cidadão e juiz federal no estado do Rio de Janeiro

Dinheiro traz felicidade, certo, mas também passa rapido

BLUE BUS:

Todos aqueles que acreditam que dinheiro nao traz felicidade acabam de sofrer duro golpe. Estudo divulgado no mês passado nos EUA pela National Academy of Sciences mostra que quanto mais caro é o produto que experimentamos, maior também é a sensaçao de felicidade que sentimos. 22/02 Luiz Alberto Marinho

Os participantes do tal estudo tiveram sensores conectados aos cérebros e foram instruídos a tomar um gole de 5 taças de vinho diferentes. Detalhe - cada garrafa tinha um preço distinto, variando de USD 5 a USD 90. Cada vez que um sujeito bebia da taça abastecida com o vinho de USD 90, os sensores captavam significativo aumento de atividade na parte do cérebro responsável pelas sensaçoes de prazer. Isso acontecia mesmo quando a cobaia humana era enganada e tomava o vinho de USD 5 pensando que bebericava o exclusivo vinho de USD 90. Ou seja, o prazer resultava mesmo da experiência de consumir algo muito caro e nao da qualidade do vinho em si. 22/02 Luiz Alberto Marinho

A conclusao da pesquisa é que os consumidores correlacionam preço a qualidade. Além disso, vivenciam uma sensaçao de felicidade por ter em maos um produto caro, porque acreditam que isso faz delas pessoas melhores. Em outras palavras, elas querem mais do que têm porque querem ser mais do que sao. Entretanto, a sensaçao de felicidade obtida pelo consumo de um produto caro e exclusivo dura pouco. Os sensores ligados aos participantes da pesquisa mostraram que apenas poucos segundos depois de degustar o vinho de USD 90 o prazer voltava aos níveis normais. Isso provavelmente explica a dinâmica do consumo compulsivo que afeta certas pessoas - para essa gente, a compra tem efeito semelhante ao das drogas, bebida ou cigarro. 22/02 Luiz Alberto Marinho

A moral dessa história é que o dinheiro pode sim trazer felicidade. Mas ela é efêmera. A verdadeira felicidade, essa nao se compra.
22/02 Luiz Alberto Marinho

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

Deputado israelense culpa homossexuais por terremotos

Os homossexuais são responsáveis pela onda de terremotos que atingiu Israel nos últimos meses, porque Deus advertiu que não se deve "menear" os genitais indevidamente, disse nesta quarta-feira no Knesset (Parlamento) um deputado israelense ortodoxo.

"O Talmud nos ensina que uma das causas dos terremotos é a homossexualidade", disse Shlomo Benizri, um dos 12 deputados do partido Shass, referindo-se ao livro que reúne a tradição oral religiosa judaica.

O Knesset legalizou o homossexualismo em 1988 e nos anos seguintes diversas leis passaram a reconhecer os direitos dos homossexuais.

"Deus disse que sacudiria o mundo 'para despertar-vos se menearem vossos genitais' onde não tenham que fazê-lo", afirmou Benizri em uma comissão parlamentar que estuda medidas para proteger o país dos tremores.

Israel sofreu uma série de terremotos nos últimos meses, o último deles na sexta-feira passada, de 5 graus na escala Richter.

O Vale do Jordão, o Mar Morto e, mais ao sul, o deserto de Arava e o Mar Vermelho se encontram sobre a falha sírio-africana, local de freqüente atividade sísmica.

Deputado quer tornar caveira e farda preta do Bope patrimônios culturais do Rio

A insígnia com uma caveira trespassada por faca e garruchas e o uniforme preto que celebrizaram o Batalhão de Operações Especiais (Bope) podem se tornar patrimônios culturais do Estado do Rio de Janeiro. Isso é o que pretende o deputado Flávio Bolsonaro (PP), que garante que a idéia é anterior à popularidade alcançada pelo Batalhão depois do sucesso do filme "Tropa de Elite".

Estudo mostra que empresário não reduz preço com o fim da CPMF

CONVERSA AFIADA:

O que era uma suspeita se confirmou. O fim da CPMF não produziu a alardeada redução de preços para os consumidores. Ao contrário do que afirmava a oposição no Senado, os preços subiram, aumentando o lucro das indústrias e empresas, como foi demonstrado por um estudo do professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Marcos Cintra, publicado na Folha de S. Paulo. “O fim da CPMF foi uma reforma tributária invertida, um Robin Hood às avessas: tirou dos pobres para dar aos ricos”, afirma a senadora Ideli Salvatti (PT-SC).
Ao fazer um cruzamento entre o impacto do fim da cobrança da alíquota de 0,38% sobre as movimentações financeiras com a inflação medida em 42 setores da economia, Cintra colocou por terra a tese de que o fim do tributo traria ganhos aos consumidores. Ledo engano. Cintra comprova que a extinção da CPMF não causou qualquer impacto positivo na economia do País. “Se o argumento defendido pelos empresários e pela oposição fosse verídico, de que a CPMF aumentava em 2% os preços nos setores de bens de serviço, o povo já estaria sentido o impacto positivo da medida, especialmente com preços mais baixos”, sustenta Ideli.
Os cálculos realizados também por especialistas da área econômico-tributária mostram uma inflação crescente nos preços desses 42 setores pesquisados. Os únicos beneficiados com o fim da CPMF foram as empresas, que tanto lutaram pela derrubada do tributo e que hoje podem comemorar o aumento de suas margens de lucro. “Setores como eletroeletrônicos, indústria automobilística, farmacêutica, transportes e serviços pessoais tiveram aumento, ao invés da queda dos preços tão defendida pelos empresários e pela oposição, que usaram este argumento para derrubar a CPMF”, diz Ideli. “Em todo o debate o que mais se ouviu falar, pela oposição, era que a população teria um benefício imediato, mas isto não aconteceu até agora”.
Para Ideli, está evidente que a conta será paga pelos menos favorecidos, pois serão os que mais vão sofrer com a extinção do imposto. A CPMF financiava a Saúde, Previdência e a Assistência Social, por meio de programas como o Bolsa Família.
Mesmo sem os R$ 40 bilhões arrecadados pela CPMF que, neste momento, passam a engordar os lucros das empresas e das indústrias, o governo não irá abrir mão de seu projeto de crescimento sustentável com inclusão social, ressalva a senadora. “Aliás, o governo comemora o crescimento na economia e reitera o compromisso de manter os projetos assistenciais. Com isso, programas de inclusão, como o Bolsa Família, continuarão ajudando mais de um quarto da população brasileira, representada pelos 11 milhões de famílias que recebem o benefício”, afirma a líder do PT no Senado.
Esse programa obteve bons resultados em diversos estados brasileiros, como o suscitado pelo professor de economia da Universidade Federal de Alagoas, Cícero Péricles de Carvalho. Ele fez um estudo publicado pela revista inglesa The Economist sobre o impacto positivo do Bolsa Família na economia familiar alagoana, considerada uma das mais pobres do Brasil.
O professor destacou que o benefício concedido pelo programa gerou uma explosão no consumo de bens duráveis, como eletrodomésticos e móveis. E o aumento desses bens foi comprovado ano passado pelo estudo realizado pela FGV, com base nos dados da Pesquisa Nacional por Amostragem de Domicílios – PNAD, que mostra o aumento da renda da família brasileira. Um estudo da Comissão Econômica para a América Latina e Caribe (Cepal), das Nações Unidas, também indicou que durante o governo Lula, com suas políticas de inclusão, milhares de brasileiros subiram da classe D para a C. Na prática, a sociedade de consumo aumentou.
O dado mais importante a ser avaliado, no entanto, é que houve em Alagoas a inclusão de mais brasileiros no mercado de consumo, beneficiados com programas antes financiados com os recursos da CPMF. “O discurso dos que defendem o fim da CPMF deveria ter sido o seguinte: ‘vamos tirar dos pobres para dar aos ricos, mesmo que a grande maioria da população, infelizmente, ainda não possua conta corrente”, diz Ideli. Para a senadora, a sociedade vai continuar esperando a queda nos preços que ocorreria imediatamente após o fim da cobrança da CPMF, como prometeram alguns líderes empresariais, sob o argumento de que o tributo estava com sua data vencida, tinha desvio de finalidade e era utilizado para o superávit primário do governo.
“Mas os preços não caíram como os empresários e a oposição prometeram e a rubrica dos recursos que financiavam a saúde, a previdência e a assistência social, agora, é do lucro privado”, diz. Para completar, afirma Ideli, a CPMF era um importante instrumento para rastrear e punir a ação de sonegadores de todos os matizes. De empresários inescrupulosos a traficantes de drogas.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

E agora, Mané?

O ex-governador Antônio Britto assumiu a vice-presidência da Claro. O furo foi dado pela coluna do jornalista Ancelmo Góes, no Globo desta terça-feira, 19. A colunista de política de Zero Hora, Roseane de Oliveira, confirmou a informação com o próprio Britto nesta manhã.

Britto disse à jornalista gaúcha que estava em São Paulo “colocando a gravata” para ir ao escritório da Claro, onde será anunciado oficialmente como vice-presidente. O convite teria sido feito antes do Carnaval.

terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

Sacanagens globais


Na semana passada, os vários telejornais da TV Globo fizeram alarde com um vídeo em que alunos da Universidade de Ciências Informáticas (UCI) de Havana aparentemente criticam duramente o regime cubano e o socialismo. Reproduzindo acriticamente o noticiário estadunidense, a ex-toda poderosa TV Globo informou que dois universitários teriam sido presos logo após a difusão do “incidente”. No seu afã anticomunista, ela sequer conferiu as fontes. “O vídeo, de quase uma hora de duração, mostra o desencanto da juventude”, decretou.
Na verdade, o episódio ocorreu em 19 de janeiro e só agora foi amplificado e manipulado pela mídia hegemônica. Tratou-se de uma reunião do presidente do Assembléia Nacional, Ricardo Alarcón, com os alunos da UCI, um projeto avançado de informatização do país. O vídeo não foi feito às escondidas, como insinua a TV Globo, mas sim transmitido livremente para os dez mil estudantes da escola. Ele retrata um debate natural, democrático, entre os jovens e o deputado, no qual são feitas críticas às dificuldades de Cuba – coisa comum de se ouvir nas ruas desta nação rebelde e irreverente. Não há qualquer repressão ou demonstração de “desencanto da juventude”.

Manipulação e silêncio criminoso

A mentira da TV Globo é tão grotesca que ela nem divulgou a entrevista de Eliécer Ávila, o tal universitário preso, que apareceu recentemente, livre e faceiro, zombando das manipulações da mídia. Num outro vídeo, que a Rede Globo não transmitiu em horário nobre, o aluno afirma que o encontro com Alarcón tratou dos problemas da juventude e que as críticas foram no sentido do “fortalecer a construção do socialismo cubano”. Segundo a Agência Reuters, Eliécer se mostrou indignado com as intrigas divulgadas, inclusive sobre a sua prisão. “Tudo o que estão dizendo é uma mentira total, que desvirtua o que opinamos... Agora me dei conta da maquinaria da mídia”.
A TV Globo também não repercutiu o protesto público dos alunos da UCI contra o “terrorismo midiático”. Também não registrou para os seus incautos telespectadores um manifesto assinado pelos estudantes, professores e demais trabalhadores da universidade que condena “a grosseira e mal-intencionada manipulação dos principais meios de comunicação do imperialismo e de seus lacaios”. O documento informa que 99% dos alunos e funcionários da universidade votaram na eleição cubana de janeiro. “Ratificamos a nossa inquebrantável disposição de cumprir qualquer tarefa da revolução e de continuar lutando para merecedor integrar a sua tropa do futuro”.
Mais aqui,na coluna de Altamiro Borges no Vermelho.