sexta-feira, 12 de agosto de 2022

Um dia glorioso para a democracia

"Se a sociedade civil tivesse há mais tempo reagido, talvez Bolsonaro não tivesse ido tão longe", diz Tereza Cruvinel após os atos de 11 de agosto

Ato pela democracia na Faculdade de Direito da USP, São Paulo (Foto: Felipe Gonçalves/Brasil 247)

Por Tereza Cruvinel*

O 11 de agosto lavou a alma dos brasileiros cansados das ameaças e bravatas de Bolsonaro, da verborragia de militares contra o sistema eleitoral, da estupidez dos bolsonaristas que pedem AI-5 e ditadura. O ato na Faculdade de Direito da USP foi um culto ecumênico à democracia e em todos os estados os brasileiros disseram NÃO ao retrocesso, ao obscurantismo, às trevas que supúnhamos ter vencido.

Antes tarde do que muito tarde. Se a sociedade civil tivesse há mais tempo reagido, talvez Bolsonaro não tivesse ido tão longe. Alguns condescenderam dizendo que ele era apenas bravateiro, ou que não se devia esticar a corda, ou que ele mesmo se enforcaria com sua incompetência e ignorância. Outros pensaram, sem dizer, que uma reação grandiloquente acabaria favorecendo Lula.

Foi preciso que Bolsonaro traísse o próprio país difamando seu sistema eleitoral junto a embaixadores estrangeiros,  para justificar um possível "capitólio" em novembro. Foi preciso que os militares explicitassem sua aliança com Bolsonaro fustigando o TSE e se arvorando em fiscalizadores da eleição, embora a Constituição não lhes atribua qualquer papel nessa área.

Foi tarde mas não muito tarde, pois veio antes do mal ser consumado. Mas não pode a luta pela democracia parar no 11 de agosto. O dique de contenção terá que ser mantido até que a eleição aconteça, e até que o presidente eleito tome posse, jurando a Constituição sob a qual haverá de nos devolver à normalidade.

Os movimentos sociais planejam um agosto de lutas, com atos nos dias 18 e 20 de agosto e outro em 10 de setembro, depois da festa bolsonarista no dia da Independência. Não vamos nos misturar com eles. Os juristas, empresários e outras figuras do primeiro andar que muito contribuíram para os atos de ontem não podem também se desmobilizar.

Agora virão também as manifestações no exterior. No dia 13 acontecerá na Union Square o ato "Nova York em Luta pelo Brasil". Outros estão sendo programados na Europa.

A luta não está ganha mas agora de fato começou. Enterremos os restos da ditadura que permitiram a germinação do bolsonarismo e da extrema-direta, e permitiram que milhares de brasileiros fossem abduzidos para uma realidade paralela em que se acredita na força do demônio, na virtude das armas e no benefício do ódio. 

*Teresa Cruvinel é colunista/comentarista do Brasil247, fundadora e ex-presidente da EBC/TV Brasil, ex-colunista de O Globo, JB, Correio Braziliense, RedeTV e outros veículos. - Fonte: Brasil247

quinta-feira, 11 de agosto de 2022

ESTADO DE DIREITO SEMPRE - 11 de agosto de 2022: ameaças à democracia unem o Brasil em dia histórico

Brasileiros e brasileiras de diferentes segmentos e ideologias se uniram para fazer frente às novas ameaças ao Estado Democrático de Direito feitas por Jair Bolsonaro



Em 11 de agosto de 1827 foram criados os primeiros cursos superiores de Direito no Brasil. Também em um dia 11 de agosto, do ano de 1992, milhares saíram às ruas em São Paulo em uma passeata que deu início às mobilizações que culminaram no impeachment do ex-presidente Fernando Collor. A data também marca o Dia do Estudante.

Próximo a um dia 11 de agosto, mais precisamente em 8 de agosto de 1977, o jurista Goffredo da Silva Telles Júnior leu a “Carta aos Brasileiros”, na Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP). Tratava-se de um manifesto contra a ditadura militar e que marcou um ponto de inflexão na luta contra o autoritarismo dos anos de chumbo.

Não à toa que, diante de novas ameaças à democracia em 2022, encampadas pelo atual presidente Jair Bolsonaro (PL), o dia 11 de agosto foi escolhido para a leitura da “Carta às brasileiras e aos brasileiros em defesa do Estado Democrático de Direito”, elaborada pela Faculdade de Direito da USP.

O documento, que reúne mais de 900 mil assinaturas, foi lido na mesma Faculdade de Direito e reuniu uma multidão de juristas, estudantes, sindicalistas, empresários e políticos. Trata-se da mais ampla mobilização contra Bolsonaro desde o início de seu governo, em 2019.

Apesar de não citar nominalmente o presidente, a carta pela democracia foi elaborada para fazer frente às ameaças que o atual mandatário faz ao sistema eleitoral brasileiro, colocando em risco a realização das eleições e, por consequência, a soberania da escolha popular. Além da instituição em São Paulo, outras 35 universidades, em todo o país, realizaram atos para a leitura da carta.

“Ao invés de uma festa cívica, estamos passando por momento de imenso perigo para a normalidade democrática, risco às instituições da República e insinuações de desacato ao resultado das eleições (...) Nossa consciência cívica é muito maior do que imaginam os adversários da democracia. Sabemos deixar ao lado divergências menores em prol de algo muito maior, a defesa da ordem democrática”, diz um trecho do manifesto, que foi lido, no ato da USP, por pelas professoras da instituição Eunice Aparecida de Jesus PrudenteMaria Paula Dallari BucciAna Elisa Bechara e pelo advogado Flávio Bierrenbach.

Além da carta elaborada pela Faculdade de Direito da USP, foi lido no mesmo evento o manifesto “Em Defesa da Democracia e da Justiça”, organizado pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e que teve adesão de 107 entidades. (...)

CLIQUE AQUI para ler [na íntegra] a postagem assinada pelo jornalista Ivan Longo no site da Revista Fórum.

quarta-feira, 10 de agosto de 2022

O inverno do traidor (O poder é efêmero e a infâmia eterna)

 

Por Weiller Diniz* 

Os traidores são as criaturas mais vis da humanidade. Não têm escrúpulo, moral, vergonha ou dignidade, apenas ambições. Em geral são medíocres e, por isso, se prostituem por qualquer mísera paga e desprezam os valores da decência e da civilização para que suas insignificâncias adquiram relevância, ainda que efêmera. Na história é a cobiça que engatilha as estocadas traiçoeiras. Elas, invariavelmente, são responsáveis por cicatrizes institucionais permanentes, hemorragias democráticas duradouras, sangramentos civilizatórios e feridas profundas por várias gerações. Para o chanceler de Napoleão Bonaparte, o tortuoso Talleyrand-Périgord, que apunhalou o próprio imperador, “traição é uma questão de datas”. A traição é tradição e transborda de abjetas infidelidades. Judas Iscariotes encabeça a lista dos infames e é a tradução de deslealdade. O mais conhecido tartufo do mundo delatou Jesus Cristo aos soldados romanos em troca de 30 moedas. Atormentado, suicidou-se. Outro emblema secular da perfídia é Marco Júnio Bruto, Brutus. Ele se aliou ao general Caio Cássio para usurpar o poder e assassinar o imperador Júlio César. O discurso de Marco Antônio nas escadarias do Senado romano seccionou os apóstatas, eviscerou os dissimulados, expôs habilmente os reais inimigos do povo e, sobretudo, reabilitou César, vítima da emboscada fatal. Brutus suicidou-se dois anos depois.

O cortejo das falsidades na história é engrossado pelo marechal Phillipe Pétain, oficial francês que esfolou a própria pátria e se curvou a Adolfo Hitler para pisotear a França. Ele foi acusado de deportar 77 mil pessoas para os campos de extermínio. Seu legado foi a vergonha, a infâmia e, ao final, a condenação à morte, convertida depois em prisão perpétua. Heinrich Himmler, carniceiro da SS nazista, antevendo a queda ensaiou a falseta contra Adolf Hitler e negociou a rendição da Alemanha com os Aliados em troca de sua liberdade. Fracassou. Ele foi considerado criminoso de guerra. Preso, se matou. Na América do Sul maior símbolo da insídia é o ditador chileno Augusto Pinochet, ídolo de Bolsonaro. Em agosto de 1973, o presidente Salvador Allende indicou Pinochet para assumir o comando do Exército, um dos militares que considerava mais leais. Semanas depois, Pinochet chefiou uma quartelada internacional para derrubá-lo, bombardeou o Palácio La Moneda e implantou uma ditadura sanguinária. Pinochet ofereceu um avião para a fuga de Allende, mas a conspiração era mais cruel: atirar o presidente golpeado da aeronave.

No Brasil a face mais tenebrosa da impostura é Joaquim Silvério dos Reis, um coronel da cavalaria, reles delator, figura deletéria sacralizada pelos Torquemadas da operação Lava Jato, que também enganou a Nação e experimentou um triunfo temporário, obtido através da usurpação, ilicitudes e transgressões. Joaquim Silvério se tornou um dos traíras mais famosos do país. Para escapar das suas dívidas com a Coroa, ele entregou Joaquim José da Silva Xavier, Tiradentes, líder dos inconfidentes que acabou enforcado e esquartejado. Além das dívidas anistiadas, o alcagueta foi premiado com uma pensão vitalícia. Desnecessário sublinhar qual Joaquim é reverenciado e qual é amaldiçoado.

A nova face dessa impostura, da ganância pelo poder e dinheiro é Sérgio Moro. Esse caráter deformado traiu a Constituição, traiu a verdade, traiu a história, traiu o Judiciário, traiu procuradores, traiu o governo que serviu e traiu o partido que o acolheu. Sente agora o fio da lâmina fria da insídia em sua nova legenda, o União Brasil. A legenda escalou uma candidatura fake à presidência e favoreceu Lula, a cabeça guilhotinada por Moro nos cadafalsos traiçoeiros da Lava Jato.  (...)

CLIQUE AQUI para ler na íntegra.

LUIZ CARLOS PRESTES NO 'JÔ SOARES ONZE E MEIA' - Entrevista realizada em 1990

 

*Via Blog do Júlio Garcia

REATIVANDO O BLOGUE COLETIVO: CONVITE À L'ARMATA!!!!



BLOGO! BLOGO! BLOGO! LEONE! LEONE! LEONE!

Companheiros(as):

Creio que não sejam necessárias muitas explicações [e argumentos] para reafirmar a importância [e a oportunidade] de reativarmos este - já histórico! - Blogue Coletivo. O momento conjuntural vivenciado no país - e as próximas e decisivas eleições, em particular - já fala por si.

Fica aqui, portanto,  nosso modesto Convite para que o conjunto da L'Armata de Editores Independentes retomem suas contribuições neste espaço democrático de Resistência - e de Luta!

Júlio C. S. Garcia

Editor do Blogue 'O Boqueirão Online' e do 

'Blogue do Júlio Garcia' 

sexta-feira, 4 de outubro de 2019

A conspiração confessada por Janot e a hora da OrCrim Lava Jato no banco dos réus



Por Jeferson Miola*
O livro de Rodrigo Janot agrava sobremaneira a situação dos agentes da organização criminosa – OrCrim – chefiada por Sérgio Moro e Deltan Dallagnol, como Gilmar Mendes chama a força-tarefa da Lava Jato.
Janot ilustra com riqueza de detalhes as numerosas ilegalidades, desvios e crimes perpetrados pelo bando que corrompeu o sistema de justiça do país e promoveu a conspiração que alçou ao poder a extrema-direita para executar o projeto racista, entreguista e liquidacionista à feição dos interesses dos EUA.
No capítulo 15, sugestivamente intitulado O objeto de desejo chamado Lula, Janot relata reunião em setembro de 2016 na qual Deltan Dallagnol, acompanhado de 4 comparsas de Curitiba, pede para ele, Janot, antecipar a denúncia contra Lula e o PT, “nem que para isso tivesse que deixar em segundo plano outras denúncias em estágio mais avançado”.
O grave, segundo o próprio Janot, é que para viabilizar a aceleração da denúncia forjada contra Lula, o bando de Dallagnol havia desobedecido ordem expressa do falecido ministro Teori Zavascki que proibia a força-tarefa de investigar e denunciar Lula por crime de organização criminosa, dado que este processo seguia no Supremo.
Janot então reclamou a Dallagnol – e ficou só na reclamação: “Vocês desobedeceram à ordem do ministro […]”.
É especialmente grave que, naquela altura dos acontecimentos, em setembro de 2016, Janot já tinha consciência de que o espetáculo midiático do power point produzido em desobediência à ordem de um ministro do STF “levou à condenação do ex-presidente Lula e, depois, à exclusão de sua candidatura nas eleições presidenciais de 2018”.
O ex-procurador-geral da República prevaricou, pois sabia que seus subordinados estavam atentando contra o ordenamento jurídico brasileiro com propósitos pessoais, políticos e partidários.
E assim, com atropelos, ilegalidades, arbítrios e conivências do Janot, de desembargadores do TRF4 e do STJ e dos comemorados ministros do STF  – “aha, uhu, o Fachin é nosso!”, “In Fux we trust”, “Barroso vale por 10 PGRs” – o Estado de Exceção foi aprofundado e a conspiração seguiu sua marcha inexorável rumo à tragédia atual.
Agora não se está diante da falsa discussão inventada por Moro e Dallagnol e difundida pela Rede Globo sobre suposta ilegalidade e inautenticidade das provas reveladas pelo Intercept que incriminam agentes públicos implicados na conspiração.
A farsa do suposto ataque hacker, antes já inverossímil, tornou-se agora totalmente obsoleta e bizarra; imprestável como álibi dos criminosos.
Agora se está diante de confissões e revelações de ninguém menos que o ex-Procurador-Geral da República, quem a seu tempo também foi o chefe hierárquico da força-tarefa da Lava Jato e que, ao invés de agir nos marcos da Constituição, agiu como integrante do bando.
Está tudo escrito e documentado no que pode ser chamado de “livro aberto da conspiração” Nada menos que tudo, que alguns consideram a “delação premiada do Janot”.
A conspiração que destruiu a democracia e devastou o país a partir do impeachment fraudulento da Dilma seguido da prisão e inabilitação farsesca do Lula para impedi-lo de vencer a eleição de 2018 foi confessada com todas as letras por Janot.
A farsa da Lava Jato foi desvelada na sua plenitude. A conspiração e os conspiradores que atentaram contra o Estado de Direito e corromperam a justiça do país devem ser imediatamente demitidos dos cargos públicos e submetidos a severo julgamento.
A confissão do Janot coloca a OrCrim Lava Jato no banco dos réu. Aos procuradores da Lava Jato e a seus comparsas no judiciário, na polícia federal, no empresariado, nos círculos militares, no parlamento e na mídia deverá ser assegurado o amplo direito de defesa que sequestraram do Lula.
Eles deverão ter o direito, por exemplo, de se manifestarem/se defenderem por último, ao final de toda confissão/delação que Janot fará.
É chegada a hora do julgamento e da condenação dos agentes públicos que agiram em bando e destruíram o Estado de Direito, a economia, a soberania nacional, os empregos e a vida do povo brasileiro.
...
*Jeferson Miola é Integrante do Instituto de Debates, Estudos e Alternativas de Porto Alegre (Idea), foi coordenador-executivo do 5º Fórum Social Mundial - Via Brasil247

terça-feira, 30 de abril de 2019

Por que as mulheres sábias são desafortunadas?


Fernán Caballero foi na realidade uma mulher disfarçada sob um pseudônimo

BERNA GONZÁLEZ HARBOUR
Madrid 5 ABR 2019 - 10:21 CEST


Uma leitora sustenta a biografia de Fernán Caballero. JENIFER SANTARÉN

Alguns autores devem se lamentar atualmente de não serem autoras para poder receber algo mais da atenção em tempos em que as editoras buscam eminentemente vozes de mulher ante o tsunami feminista. Mas ao longo da história foi o contrário: muitas mulheres se viram obrigadas a adotar pseudônimos masculinos para conseguir publicar e abrir-se logo ao mundo editorial. Foi o caso de Cecília Böhl de Faber e Ruiz de Larrea (1796-1877), que escolheu o nome de Fernán Caballero e com ele conseguiu converter-se "no autor espanhol" mais traduzido e lido na Europa. O crítico José Fernandez Montesinos lhe atribui o início da novela espanhola contemporânea.

E não foi precisamente graças a seu pai o impulso que adquiriu esta espanhola filha de alemão e da região de Cádiz com uma relação complicada que deixou formalizada em cartas que voavam como balas entre a Alemanha e Espanha quando se separaram. Ele explicava assim as causas: "as humilhações que a sorte me impõe pelas extravagâncias de minha mulher. Se minha mulher tem tido a inconcebível loucura de imaginar-se que tal é a hora necessária para minha felicidade, está atrozmente enganada. Se não quer ser outra, tem agido muito bem em ir-se; quando ela mudar, tornar-se humilde, dócil, obediente, complacente e econômica, será recebida por mim com os braços abertos". Escreveu em 1805, segundo consta a biografia escrita por Milagros Fernández Poza para a coleção Mulheres na História.


Essa mãe que não quis ser outra, nem dócil, nem obediente, nem econômica, pelo contrário tentou inculcar em seus filhos e filhas sem distinção o amor à literatura. Sobre isso discordaram ex-marido e ex-mulher num diálogo de surdos que as cartas refletiam como testemunho do machismo estruturado que tentava subjugar então à mulher: "A esfera intelectual não foi feita para as mulheres", escrevia o pai a sua ex-mulher. "Deus quer que o amor e o sentimento sejam seu elemento. Por que são desafortunadas todas as mulheres sábias? Por que são detestadas? Por que são ridicularizadas, pelo menos? Não se encontra todavia uma mulher a quem a mais pequena superioridade intelectual não produza alguma deficiência moral. O dia que forem queimados teus 'Direitos da mulher' será para mim um grande dia".

Em carta com data de 14 de setembro de 1806, ela lhe responde: "Retirando das mulheres a capacidade de julgar por si, de formarem-se seus princípios e caráter, se as fazem escravas de suas paixões, e quando as quiserem subordinar à razão do homem -como se a razão e a alma tivesse sexo-, e se aquele homem destinado a guiá-las não tem razão... que farão as pobres então?

Sua mãe não quis ser outra, como lhe pedia seu pai. Cecília não foi outra senão outro, pelo menos de nome. Um disfarce eficaz em forma de pseudônimo que adotou para levar adiante sua carreira. Tudo mudou e as estantes estão hoje cheias de autoras mas, felizmente, nenhum homem necessita pseudônimo de mulher.


https://elpais.com/cultura/2019/04/05/actualidad/1554451707_966586.html

sexta-feira, 26 de abril de 2019

LULA: DURMO TODO DIA COM A CONSCIÊNCIA TRANQUILA. O MORO E O DALLAGNOL TENHO CERTEZA QUE NÃO


Em entrevista aos jornalistas Florestan Fernandes Jr., do El País, e Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo, o ex-presidente Lula diz que "não consegue imaginar os sonhos que teve para o Brasil" para agora ver a situação como está, sob o governo Bolsonaro; o Brasil está sendo governado "por um bando de maluco", disse; ele também fez duras críticas aos ministros e juízes que o condenaram, mas declarou que dorme com a consciência tranquila todos os dias; "Eu tenho certeza que o Dallagnol não dorme, que o Moro não dorme", ressaltou; assista

247- Na primeira entrevista concedida desde que foi preso politicamente, em 7 de abril de 2018, o ex-presidente Lulareforçou sua inocência nesta sexta-feira 26 e disse dormir com a consciência tranquila, ao contrário do que acredita que seus algozes o façam. Ele afirmou, no entanto, que o que mais o preocupa na prisão é a situação do Brasil atualmente. Um trecho de oito minutos do vídeo foi publicado no site do jornal El País. (...) -Via https://jcsgarcia.blogspot.com/ 


sexta-feira, 22 de março de 2019

Um dia para separar Justiça de linchamento


Por Fernando Brito*

Michel Temer e Moreira Franco são dois personagens que me embrulham o estômago.

Que vão além da repulsa racional ao que são e ao que representam.

O primeiro, porque, como um canalha, conspirou para derrubar a ordem constitucional que me custou a juventude ajudar a repor no Brasil.

O segundo, por razões mais próximas, porque vi agarrar-se à demagogia de José Sarney e a criminosos – e falo no sentido literal – para interromper o sonho de educar nossas crianças que me levou à caminhar com Leonel Brizola e Darcy Ribeiro durante duas décadas.

São figuras abjetas, portanto, para mim, porque me roubaram vida e não relógios ou o conteúdo de uma carteira que se possam repor.

É um desafio civilizatório defender que tenham um tratamento legal e justo.

Isso não é ideologia, é princípio, coisa que vem antes e nos obriga a não sermos selvagens  com quem é diferente de nós.

O abandono dos princípios nos torna monstros, nos torna selvagens.

E, fazendo assim, nos torna indignos de nossas crenças na humanidade, na justiça, na igualdade, nas velhas e insuperáveis bandeiras que moldaram gerações das quais nos orgulhamos de suceder, radicalistas republicanos.

Foi, portanto, um dia duro, em que , ao escrever, tive de deixar de lado os ódios pelo que Temer e Moreira fizeram com este pais e colocar à frente disso o que este pais não deve fazer com ninguém: prisões espalhafatosas, uso político da Justiça e linchamentos virtuais.

Dói mais conter a mão, pela razão, do que bater.

Preocupam-me menos os bandidos que estão apeados de suas posições de mando do que os bandidos estão lá e  que os colocaram no poder e, agora que estão inservíveis, montam operações de guerra para prendê-los e humilhá-los.

Dia difícil, do qual se sai, porém, com a alma limpa, por não ceder à histeria, por não se entregar ao ódio, por não se brutalizar quando é fácil e prazeroso se entregar à vingança.

Do qual se sair não como o “melhor”, mas como aquele que respeita os seres humanos, embora tão miseravelmente diferentes de nós.
...

*Fernando Brito é jornalista, Editor do Blog Tijolaço, fonte desta postagem. (postado originalmente em 21/03/2019)

E.T.: Este Editor também assina embaixo! (Júlio Garcia)

sexta-feira, 1 de março de 2019

Mentirosos e criminosos - quadrilha de sete estadunidenses ataca a Venezuela

x John Catalinotto


Manifestação nacional em Washington, DC, em 16 de março e outra em 30 de março.

A princípios da década de 1960, um grupo de altos funcionários da administração John Kennedy, conhecidos como os "gênios" por seu suposto desempenho na universidade, como executivos industriais ou como funcionários dos EEUU, intensificaram a guerra de agressão de Washington contra o Vietnã.

O repórter do New York Times David Halberstam em seu livro de 1972, "O melhor e o mais brilhante", um título que pretendia ser irônico, descreveu como os gênios superestimaram a capacidade dos EEUU ao mesmo tempo que subestimaram os vietnamitas e sua liderança.

Agora, quase 60 anos depois, outro grupo de alto funcionários dos EEUU está liderando uma nova cruzada reacionária. Ninguém os chamaria os melhores e mais brilhantes inclusive ironicamente.

Estes sete funcionários estão liberando uma agressão mais abertamente do que o habitual. Tem declarado publicamente seu objetivo: conquistar a Venezuela e aproveitar-se de seus recurso, especialmente suas reservas de petróleo e ouro, e também restabelecer a dominação completa dos EEUU sobre o hemisfério ocidental mediante a derrubada dos governos de Cuba e Nicarágua.

Veja mais em  https://josejustino.blogspot.com/2019/02/mentirosos-e-criminosos-quadrilha-de.html

segunda-feira, 21 de janeiro de 2019

Xadrez do fim do governo Bolsonaro
















Por Luiz Nassif*
 
“A verdade iniciou sua marcha, e nada poderá detê-la”. Émile Zola, analisando os movimentos da opinião pública no caso Dreyffus. Há uma certeza e uma incógnita no quadro político atual. A certeza é que o governo Bolsonaro acabou. Dificilmente escapará de um processo de impeachment. A incógnita é o que virá, após ele. Nossa hipótese parte das seguintes peças. 

Peça 1 – a dinâmica dos escândalos políticos
Flávio Bolsonaro entrou definitivamente na alça de mira da cobertura midiática relevante com as trapalhadas que cercaram o caso do motorista Queiroz. Não bastou a falta de explicações. Teve que agravar o quadro fugindo dos depoimentos ao Ministério Público Estadual do Rio, internando Queiroz no mais caro hospital do país, e, finalmente, recorrendo ao STF (Supremo Tribunal Federal) para trancar a Operação Furna da Onça, que investiga a Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro.

Nas próximas semanas haverá uma caçada implacável aos negócios dos Bolsonaro. A revelação, pelo Jornal Nacional, de uma operação de R$ 1 milhão – ainda sem se saber quem é o beneficiário – muda drasticamente a escala das suspeitas. (...)

CLIQUE AQUI para continuar lendo.

quarta-feira, 26 de dezembro de 2018

2018: O ano em que a Justiça de exceção virou regra no Brasil



Julgamentos de exceção, decisões inovadoras e de ocasião, uso de pesos e medidas diferentes a depender da capa do processo. O ano de 2018, na Justiça brasileira, não deixou de surpreender até o fim. O Estado Democrático e de Direito vivou sob constantes ataques e ameaças ao longo de todos os 365 dias deste ano que assistiu a uma eleição presidencial com o candidato líder das pesquisas proibido de concorrer e encarcerado, e toda a ordem jurídica sendo constantemente reescrita para que assim fosse até o fim do processo eleitoral.

Veja, aqui, o caminho à margem da lei seguido pelo sistema judicial brasileiro ao longo de 2018. 

-via https://www.cartacapital.com.br

terça-feira, 20 de novembro de 2018

EEUU: 6 trilhões de dólares em conflitos bélicos em 19 anos (*)

Por Canarias Semanal


Um país que substitui a manteiga pelos canhões.

De acordo com uma informação publicada pelo  Instituto Watson de Assuntos Internacionais y Públicos da Universidade de Brown a soma total investida pelos Estados Unidos no que suas autoridades denominam “guerra contra o terror” é muito maior do que foi sugerido anteriormente.
Segundo Neta C. Crawford, a autora do estudo, o governo dos EE.UU estará disposto a gastar 6 trilhões de dólares nas guerras posteriores ao 11/9 até o encerramento do ano fiscal de 2019.
Em março passado, o Departamento de Defesa publicou um informe no qual se indicava que os Estados Unidos havia investido 1.5 trilhões em conflitos bélicos. No entanto, o informe da  Brown University assinala que esses valores foram uma estimativa muito conservadora, porque não se teve em conta o gasto em outros departamento federais. A nova estimativa não só inclui os gastos do  Departamento de Segurança Nacional (DHS), os aumentos do orçamento e os custos médicos para os veteranos, mas também os juros sobre o dinheiro emprestado para pagar as guerras.
O montante total do gasto assinado desde 2001 será de $ 4,6 trilhões para fins de 2019. O informe estima que o governo estará obrigado a gastar em torno de $ 1 trilhão para a atenção futura dos veteranos pós 9/11 até 2059. A soma total ascenderia ao incrível valor de $ 5,993 quatrilhões ('la increíble suma de $ 5.993 trillones').
O estudo adverte que se continuar o grande número de guerras e intervenções dos EE. UU. durante outros quatro anos custaria 808 bilhões de dólares adicionais. Inclusive se os Estados Unidos pararem essas ações para o ano 2023, os custos acumulados provavelmente excederiam os 6,7 trilhões de dólares estimados devido a que os veteranos continuarão multiplicando-se, enquanto os Estados Unidos continuem suas operações militares.

(*) Nota da tradução:  'No Brasil, na França e nos Estados Unidos o bilhão equivale a mil milhões, diferentemente do valor de um milhão de milhões atribuído à palavra billón na Espanha, em Portugal e outros países.' ( http://www.wordreference.com/espt/bill%C3%B3n )

quarta-feira, 31 de outubro de 2018

Resolução da Comissão Executiva Nacional do PT

Por uma frente de resistência pela democracia e pelos direitos do povo


A candidatura de Fernando Haddad e Manuela D’Ávila, representantes da democracia e do projeto de desenvolvimento com inclusão social inaugurado no governo do ex-presidente Lula, recebeu a votação de mais de 47 milhões de eleitores. Elegemos a maior bancada na Câmara dos Deputados e uma das maiores representações nas Assembleias Legislativas, quatro governadores do PT e muitos de partidos aliados.
Agradecemos a todos os militantes do PT, do PCdoB, do PSB, do PROS, do PSOL, do PCO e de todos de outros partidos que votaram em Haddad em defesa da democracia e dos direitos do povo. Neste segundo turno, formou-se uma verdadeira frente democrática, em defesa do estado de direito e da civilização, ameaçados pela candidatura fascista de Jair Bolsonaro; uma frente que contribuiu para manter acesa a luta pelo progresso e pela justiça social.
O processo eleitoral foi marcado, desde o início, pela violência e pelo ódio político, a começar pela cassação da candidatura do ex-presidente Lula. A cúpula do Judiciário ignorou uma determinação da ONU sobre o direito de Lula ser candidato. E foi incapaz de conter a indústria de mentiras nas redes sociais financiadas pelo caixa 2 de Jair Bolsonaro. Pela primeira vez desde a redemocratização tivemos uma eleição sem debates no segundo turno.
Diante da sociedade brasileira e dos observadores internacionais, que testemunharam os desvios e violência desta campanha, a Justiça Eleitoral e o Supremo Tribunal Federal têm o dever de investigar as ocorrências denunciadas pela população, pela imprensa e pelo PT na campanha de Jair Bolsonaro.
O PT e Fernando Haddad continuarão ao lado dos trabalhadores, do povo sofrido, da soberania do Brasil e da democracia, como sempre esteve há quase 40 anos. Vamos defender os movimentos sociais, como o MST e o MTST, e as pessoas que pensam ou são diferentes de Bolsonaro: os negros, os indígenas, o povo LGBTI. Contra a violência que já se mostrou por agressões e até assassinatos de quem se opôs à candidatura Bolsonaro.
Vamos resistir à reforma da Previdência que Michel Temer e Jair Bolsonaro querem fazer, contra os aposentados e os trabalhadores. Resistir à entrega do patrimônio nacional, das empresas estratégicas, das riquezas naturais do Brasil aos interesses estrangeiros. Vamos resistir à submissão do país aos Estados Unidos. Nossa bandeira é a do Brasil. Nunca beijaremos a bandeira dos Estados Unidos como fez Bolsonaro.
Vamos resistir à extinção do Ministério do Meio Ambiente e a todos os retrocessos que atingem a agriculturafamiliar, os direitos de negros e mulheres, a valorização da Cultura e dos direitos humanos
Diante das ameaças às organizações e à integridade física de quem defende a democracia, inclusive com um ataque organizado às universidades, vamos construir uma frente de resistência pelas liberdades democráticas, de organização e de expressão.
Vamos criar uma Rede Democrática de Proteção Solidária, com o lema “Você não está só”, reunindo advogados voluntários para reagir aos casos de violação dos direitos humanos e direitos civis, de violação às liberdades de organização, de imprensa e de expressão.
Vamos reforçar a campanha Lula Livre no Brasil e no exterior, não só para fazer justiça a quem foi condenado e preso arbitrariamente, mas porque esta campanha simboliza a defesa da liberdade, da democracia e dos direitos humanos.
Convocamos os diretórios regionais e municipais a se integrar com os movimentos sociais, a Frente Brasil Popular e a Frente Povo Sem Medo, organizando plenárias de articulação da resistência a partir de amanhã.
A eleição de um aventureiro fascista é fruto de uma campanha de ódio e de mentiras, que nos últimos anos manipulou o desespero e a insegurança da população.
Vamos resistir numa grande frente pela democracia e pelos direitos do povo.
São Paulo, 30 de outubro de 2018

terça-feira, 30 de outubro de 2018

Um repasse pela história recente da Colômbia com o ex-presidente, investigado pela Corte Suprema por manipulação de testemunhas e vínculos com o para-militarismo, como protagonista.

JORGE ENRIQUE FORERO


17 DE OUTUBRO DE 2018
A conjuntura política colombiana está cheia de nós críticos. Mas entre todos eles, o das investigações da Corte Suprema contra o ex-presidente Álvaro Uribe por manipulação de testemunhas e vínculos com o paramilitarismo parece decisivo.
E agora que a menção das ligações entre o ex-presidente e os paras lhe tem valido duas denúncias por calúnia e injúria ao ex-candidato presidencial e senador Gustavo Petro, convém fazer um exercício de memória para recordar o que sabemos de tais vínculos, repassando assim este episódio da história recente de nosso país, tão maltratada por produções televisivas nacionais e internacionais.

Há que voltar então aos anos sessenta. Naquela época, missões militares dos EEUU promoveram na Colômbia a criação de grupos de autodefesa constituídos por civis, como estratégia para combater a subversão em zonas rurais.
A proposta realizou-se no decreto 3398 e a na lei 48 de 1968, que autorizava o exército a organizar patrulhas de civis, dotando-a com armas de uso privativo das forças militares. O que mudou a história do país de maneira radical foi que a implementação de tal decreto alguns anos mais tarde coincidiu com a crescente presença de narcotraficantes naquelas mesmas zonas. Grandes latifundiários, espantados ante a ameça de sequestro por parte das guerrilhas, decidiram vender suas fazendas aos narcos em troca de depósitos no exterior: uma forma popular de lavagem de ativos naquela época. Os capos, outrora tolerados pelo Estado e agora cada vez mais visíveis, tiveram então a possibilidade de constituir ali o que Gustavo Duncan chamou de "santuários rurais": espaços isolados do controle do Estado, onde exercem com tranquilidade suas atividades ilegais. Como extensivamente documento Carlos Medina Gallego, esta coincidência levou a que os grupos de autodefesa fossem rapidamente cooptados pelos recém chegados, gerando esse casamento entre narcotráfico e contra-insurgência que caracterizará os anos vindouros: o "modelo Porto Boyacá". A partir de então os recém chegados narco-paramilitares se expandiram ao longo em todo país, tendo uma ação fundamental no genocídio político da União Patriótica -UP-, o partido que surgiu das negociações de paz com as FARC na década de 1980.

Texto completo em  https://josejustino.blogspot.com/2018/10/de-uribes-narcos-e-paramilitares.html

sábado, 13 de outubro de 2018

Bolsonaro se entrega no primeiro programa eleitoral do 2º turno



Por Pedro Breier*

A candidatura Fernando Haddad abriu seu primeiro programa eleitoral do 2º turno denunciando a onda de violência fascista dos últimos dias. Foi acertada a exibição do vídeo de Bolsonaro falando em “metralhar a petralhada” [foto]. Tornou evidente a conexão do discurso de ódio do candidato com o surto de ataques.

Depois da denúncia, o programa focou-se nas realizações de Haddad no Ministério da Educação e na prefeitura, bem como nas propostas. A aparição pontual de Lula indica que a campanha deve mesmo focar mais em Haddad, embora não deixando Lula de lado.
Haddad ainda mencionou as fake news do Whatsapp, além de fazer a defesa da democracia em mais de um momento.

Foi um bom programa o da candidatura do PT. É provável – e recomendável – que o PT explore, nos próximos dias, a fuga de Bolsonaro dos debates.

O programa de Jair Bolsonaro iniciou de forma grotesca: “denunciando” o Foro de São Paulo. As teorias malucas do Olavo de Carvalho atingiram um público inédito, hoje.

Logo no começo do programa, uma fala de Lula é reproduzida como se fosse algo extremamente grave. O ex-presidente diz que a esquerda de todos os países que participaram do Foro chegou ao poder. Só isso. Uma simples constatação de Lula é pintada como algo perverso. Bizarro.

Logo na sequência, o locutor manda um “Cuba é o país mais atrasado do mundo”, o que é uma evidente mentira descarada, vide, para ficar apenas em um exemplo, na medicina avançadíssima do país.

O programa explorou as prisões de petistas feitas pela Lava Jato e, logo após, mergulhou num anticomunismo alucinado, criticando até a cor vermelha. É positivamente ridículo dizer que o PT, um partido de centro esquerda moderado, tem alguma coisa a ver com comunismo. O triste – e trágico – é que muita gente acredita nessa baboseira.

Não faltou o momento família, uma tentativa de humanizar o candidato. Ele falou bastante sobre a relação com sua filha. O alvo é o voto feminino, grande dificuldade de Bolsonaro.

Sobraram referências ao combo Deus, família e pátria, típico de movimentos autoritários de direita.

No final, Bolsonaro simplesmente se entrega:

'Precisamos sim de políticos honestos e patriotas. E, mais do que tudo, um governo que saia do cangote da classe produtora.'

O candidato fala em “classe produtora” se referindo aos empresários.

Repararam no mais do que tudo?

O governo “sair do cangote dos empresários” significa a retirada de direitos trabalhistas para que a taxa de lucro dos empresários se mantenha ou cresça, mesmo durante a crise. Essa é a receita da direita para ajudar os (grandes) empresários: rebaixar as condições de vida dos trabalhadores.

Sobre o drama dos trabalhadores brasileiros, que sofrem com o desemprego e a queda na renda por causa da crise, Bolsonaro não deu uma palavra. Zero.

O PT propõe aumentar o poder de compra da população e fazer a roda da economia girar, o que ajuda os pequenos e médios empresários ao mesmo tempo em que melhora a vida dos trabalhadores.

Não é evidente qual é a melhor proposta para o país?

*Advogado e midioativista - via  Blog do Júlio Garcia

quinta-feira, 4 de outubro de 2018

O “racismo” anti-PT


 Por Flavio Koutzii (*)

Tenho acompanhado sistematicamente os programas eleitorais, especialmente os dedicados à campanha presidencial. Uma característica extraordinariamente marcante no discurso dos candidatos da direita é a referência obsessiva – politicamente interessada – ao PT.

Destaco isto porque o caráter cotidiano deste comportamento vai naturalizando o inaceitável, o “racismo” anti-PT. Não é mais só a diferença com adversários políticos como nós somos, é a busca da estigmatização absoluta. Da sinonimização do PT com o mal. Da tentativa do nosso extermínio.

E isto não é vitimização, nem mimimi. O centro da política é óbvio. Mas igual me pareceu importante esta nota, porque na verdade esta brutal intensidade é uma expressão aguda do bolsonarismo da sociedade brasileira e um reducionismo e “boçalização” do pensamento.

Lembro bem que Sartre explicava em ‘O que é racismo’ que a existência ‘de um inferior’ garantia automaticamente a ideia de superior ao outro. Mas, mais violento se transforma o comportamento opressor dos anti-petistas, na medida em que essa tentativa de reduzir o valor “dos PT” é bloqueada por um enorme passado, quase 30 anos – com erros e acertos – voltados ao povo brasileiro. Por isto não basta atacarem a sigla, teriam – como tentam – de anular o passado e extinguir a memória. Mas não vão levar.

A gente se abraça no domingo.

(*) Flavio Koutzii foi deputado estadual [pelo PT] por várias legislaturas e chefe da Casa Civil do governo Olívio Dutra.

**Postado originalmente no Sul21 - Via Blog do Júlio Garcia